Verônica

3 Encontro? Impossível!


Notas iniciais
Eu sei que demorei pra postar mas pessoal estava muito atarefada esses dias e não tive tempo...Sorry!

Eu definitivamente não era do tipo de garota como Natalie ou Gabriela, que chamavam a atenção de todos os meninos do colégio pelas suas saias curtas, pela suas maquiagens de palhaço ou mesmo pela sua lista de ex-namorados que mais parecia um dicionário. Eu havia apenas ficado com dois meninos na minha vida inteira, e no último a experiência foi dolorosa. Tudo o que eu menos queria agora era sair com um cara.

Meus cabelos eram de um castanho claro, cacheados, muitas vezes alinhados e embaraçados devido a minha falta de vaidade, mas eram contidos na maioria das vezes. Meus olhos eram de um castanho escuro apático e sem graça e minha boca fina e pequena. Eu realmente era de uma beleza mediana, para não dizer medíocre.

E agora eu estava em uma BMW preta ao lado de um desconhecido que mais parecia um modelo de grife que havia me atropelado, me levando a praia. Eu estava estarrecida. Realmente acho que aquela concussão me afetou. Eu costumava fazer besteiras, mas isso? Já era demais.

Apesar de tudo, não me arrependi. Pelo menos até agora.

Ele se manteve calado o percurso inteiro. Os olhos verdes me avaliando de relance, procurando por algum vestígio de medo ou assombro. Mas para ser sincera, a única coisa que me ocupava a mente era a dúvida, o mistério. O que aquele sujeito queria comigo afinal? Eu realmente não era o tipo de menina pelo qual elese interessaria. Revirei os olhos de desgosto. Se ele queria brincar sujo, eu podia brincar mais ainda.

-Então, ãhn.. Artur, quantos anos você tem?

-18. –Respondeu ele secamente.

-Ah sim, mais que estranho, nunca te vi aqui em Venice. Você se mudou recentemente?

-Faz duas semanas.

-E onde você morava antes de vir para cá?

Eu o vi mexer nos cabelos louros, de forma impaciente. Os olhos verdes sobressaltados. Demorou alguns segundos para me responder.

-Morava no Brasil.

-Nossa, que estranho, mas você não tem sotaque. – Eu queria saber tudo dele, o que estava detrás daquele homem lindo. Sorri sarcasticamente.

- Alguém já te falou que você pergunta demais, Verônica? – Respondeu ele, com um sorriso arrebatador, os dentes brancos reluzindo ao meu encontro.

-Eu só pergunto o necessário.- Devolvi com o mesmo sorriso malicioso.

-Chega de perguntas. Já chegamos.

Ele saiu do carro e foi ao meu encontro. Abriu a porta do carona. Agora eu realmente pude perceber o quão lindo era aquele carro. Era uma BMW novinha, preta de acabamento metálico, esportivo. Aquilo não custaria menos de R$120.000 reais. Perguntei-me o porquê de um garoto de 18 anos ter um carro desse valor, ou se os seus pais milionários eram loucos de dar um carro assim para um moleque dessa idade. Mas isso eram só suposições. Fiz um lembrete mental de descobrir isso posteriormente.

Ao sair do carro um arrepio percorreu pela minha espinha, o ar gélido de outono atravessou minha pele. Estremeci. Artur logo percebeu.

-Venha aqui. Use meu casaco. – Ele tirou sua jaqueta preta de couro Gucci e a me deu, pondo em meus ombros. Eu inalei o cheiro que ela continha o cheiro de Artur. Cheirava a perfume da Paco Rabanne.

- Não precisa mesmo, eu estou bem.. – Já ia tirando a jaqueta, quando ele passou as mãos por sobre meus ombros, me apertando contra sua lateral. Eu, sem intenção, passei minhas mãos por sobre seus braços, sentindo músculos delineados e enrijecidos. Tratei de tirá-las de lá.

Íamos à praia, quando saímos de minha casa ainda estava claro, só que agora no final da tarde, o céu tinha uma mescla de azul, quase negro com feixes vermelhos. Estava escurecendo rápido, aquilo não podia durar muito.

Pelo calçadão que levava a melhor parte da praia havia várias pessoas, rindo, comendo besteiras, casais se beijando.. Perguntei-me se eu e Artur parecíamos um também, daquele jeito andando colados um ao outro. Por um momento quis não ter aquela jaqueta grossa de couro me separando dele. Poder sentir sua pele na minha. Graças a Deus, aquele momento foi bem fugaz. Uma coisa eu havia me prometido depois de ter terminado com meu ex. Eu demoraria muito, mais muito tempo para gostar de alguém novamente. Artur, como que se lesse meu pensamento, me apertou mais forte ainda ao seu lado. Eu podia sentir sua respiração, seu cheiro mais forte entrando em minhas narinas.

- O que você quer fazer? Estava pensando em te levar em um restaurante antes da gente ir para a praia, o que você acha? – Perguntou Artur, com seu sorriso arrebatador, demonstrando mais simpatia ainda.

-Pode ser.

Artur me conduziu a um restaurante no final da rua. Várias pessoas passando por nós, apressadas pelos seus afazeres e compromissos. O restaurante era pequeno, mas bastante confortável, a luz de velas. Ele puxa a cadeira pra eu sentar.

-Obrigada. – Eu respondo.

O garçom chega a nossa mesa e pergunta a Artur o seu pedido.

Ele pede algum tipo de frango, com molho agridoce, uma espécie de comida francesa, com um sotaque francês perfeito.

- E para beber, senhor? – O garçom pergunta, afinal.

-Conhaque. – Respondeu ele sério, seu rosto perfeito reluzindo

Eu parei pasma, e dirigi meu olhar em direção aos seus olhos verdes perfeitos. Ele percebeu minha reação

- Dois copos. – Completou, rindo ao garçom.

O garçom se vai, deixando-nos a sós.

- Eu não bebo, não sei se você sabe, mas eu só tenho..

-17 anos, eu sei.

-Mas como você sabe disso?

- Sei mais coisas do que você acha Verônica. – Respondeu ele, com seu sorriso malicioso nos lábios, os olhos perigosos e sedutores, com uma mecha de cabelo louro caindo sobre a testa.

Eu odiava aquele ar de mistério e malícia que continha nele. Talvez seja essa coisa que me prendia a ele. Afinal era só um desconhecido, que havia me atropelado. Mas eu não me importava, estava cansada de ser boazinha. Eu precisava de aventura, correr riscos, e iria fazê-los nem que para isso tenha que jantar com um desconhecido que quase me matou. Eu gostava da idéia, me senti mais jovem com aquilo. Uma adolescente irresponsável, quem sabe?

O garçom chega com o conhaque, os dois copos cheios de uma bebida amarronzada. Artur é o primeiro a dar o gole na bebida, e mais outro, deixando o copo quase na metade.

-Você deveria provar. Te faz sentir mais leve.- Ele riu.

Olhei para ele, desconfiada. Então peguei a bebida e coloquei na boca. O gosto amargo do conhaque me fez lacrimejar, a bebida descendo dilacerando minha garganta.

Eu olhei para ele, com os olhos ainda embaçados pelas lágrimas. Ele riu ainda mais, com os olhos perigosos, colocando o copo de álcool na boca.

- Você é diferente das outras garotas.

-Porque você acha isso? – Eu perguntei ainda com o gosto de álcool na boca.

- Você sabe. Sabe que é especial – Respondeu ele, sério, sem o sorriso escarnecedor nos lábios. Fiquei sem resposta.

- Acho melhor eu tomar um refrigerante – Disse após longos minutos em silêncio ainda muito intrigada e incomodada com o que ele acabara de dizer. Artur apenas riu da careta que fiz para o copo que estava na minha frente.

- Você parece tão madura, mas ao mesmo tempo tão...tão jovem... – Me senti vulnerável com aquele belo par de olhos verdes tão fixos nos meus. Eu tentei desviar de seu olhar, mas não consegui.

- Isso foi um elogio, ou eu devo responder a provocação...?! – Não desvie meus olhos dos seus. Ele abriu um sorriso torto cheio de malícia.

- Isso foi um elogio, mas eu adoraria ouvir sua resposta... – Com uma leve risada ele quebrou nosso contato visual, olhando para o resto de conhaque que estava em seu copo. – Você é muito desconfiada sabia? – Voltou a olhar para mim, mas não da mesma maneira de antes agora ele estava descontraído.

Abri minha boca para responder, porem nesse momento o garçom chegou com o nosso pedido, me interrompendo. O prato parecia apetitoso além de cheirar muito bem.

- Merci–Artur agradeceu ao garçom.

- Você não vai tomar não é mesmo?! – Ele apontou para meu copo quase intacto.

- Definitivamente não... – Empurrei o copo para ele que aceitou dando um pequeno gole.

- Posso te servir? – As palavras saíram com certa reverencia não que fosse uma reverencia verdadeira, mas essa era a intenção. Ele estava jogando comigo.

- Claro – Tentei fazer uma expressão de superioridade que não saiu tão bem como planejado. Ele colocou um pedaço do frango no meu prato cuidadosamente.

Comemos em silencio, sem perguntas ou provocações. Tenho que admitir que a comida estava excelente, o agridoce combinava divinamente com o frango.

- Então... Como...Como consegui levar a minha moto e o seu carro juntos? – Tentei acabar com aquele silencio que estava se tornando constrangedor.

- Hã... Eu liguei para um colega meu que estava ali por perto e ele me ajudou – A resposta não me convenceu muito, mas por hora bastava.

- Entendi – Percebi que os dois já haviam terminado de comer.

- Você quer mais alguma coisa?

- Não, eu estou satisfeita – Dito isso ele chamou o garçom e pediu a conta.

Artur fez questão de pagar a conta e na hora de sair segurou a porta para que eu passasse, fingindo ser um cavaleiro, coisa que eu sabia que ele não era. Artur me lembrava os bad boys dos filmes, logicamente mais sofisticado, porem ainda mal e perigoso.

De repente me lembrei do horário, revirei minha a bolsa a procura do celular, quando o encontrei o visor indicava 8:02 da noite.

- Quer andar um pouco pela praia? – Eu queria, mas chegar em casa tarde não estava nos meus planos, além de estar muito cansada Ana poderia estar preocupada, não que ela não tivesse me visto entrar no carro – coisa que ela viu e até acenou para mim – mas eu devia voltar cedo, entretanto minha curiosidade insistia para que eu fosse andar com ele e descobrisse um pouco mais sobre sua vida.

- Só um pouco, não quero chegar tarde em casa... –Minha voz saiu um tanto receosa. Artur riu da minha expressão.

- Você é realmente diferente das outras garotas... – Sua risada se transformou em um pequeno sorriso sorrateiro.

- Você gostou mesmo dessa frase, não é? – Estava cansada dele dizer que eu era diferente ou especial.

- Bem...enquanto as outras garotas estariam aproveitando ao máximo o passeio com alguém tão atraente, você está preocupada com o horário que vai chegar em casa...como eu disse antes; madura, mas ao mesmo tempo jovem – Fiquei sem palavras apenas encarando seu rosto.

- O que? – Eu continuava a encarar seu rosto.

- Nada só estava considerando o quão...humilde você é – babaca era o que eu iria dizer.

- E como me sai? – Ele fez a melhor cara de inocente que podia.

- Devo dizer que bem mal – Dando as costas comecei a andar pelo calçadão indo de volta para o carro. Artur me seguia de perto, em silêncio. Algumas lembranças tentavam me dominar, lembranças de uma época que eu tentava esquecer, forcei-me para tranca-las no fundo da minha mente onde eu não pudesse alcançar, pareceu funcionar...por enquanto.

- Verônica? – Artur segurava meu braço. Sua voz era indecisa e cautelosa. Ele queria entender o que estava acontecendo, tentava decifrar minha expressão.

- O que? – Disse secamente. Havia conseguido trancafiar minhas lembranças mas, o sentimento de incomodo pelo que ele havia falado ainda estava presente.

- Eu fiz alguma coisa...?

- Não é nada, eu só...eu só estou casada e... é sério eu preciso ir para casa! – Tentei usar um tom de voz um pouco mais calmo, porque afinal de contas Artur não tinha culpa pelo que aconteceu comigo.

- Ok, tudo bem — Ele parecia um pouco...decepcionado?

Andando de volta pelo calçadão percebi que a maioria das pessoas já não estava mais lá, o céu agora estava num tom de azul marinho quase preto e o ar gélido incomodava mesmo eu estando com a blusa de couro que Arthur havia me emprestado. O carro não estava muito longe e em alguns minutos já estávamos dentro dele; subindo pela avenida principal. Assim como a caminho de vinda o de volta foi silencioso.

Arthur estacionou o carro ao lado da minha moto no mesmo lugar onde estivera mais cedo.

- Obrigada pelo jantar! — Disse sem olhar diretamente para ele, já pegando na maçaneta da porta.

- Verônica... – Um pequeno arrepio subiu pela minha coluna, eu gostei do jeito que ele disse meu nome tão doce e ao mesmo tempo tão sedutor, me repreendi mentalmente. Com um leve suspiro me virei pra ele.

- Sim – tentei parecer tranquila.

- Me desculpe se eu disse alguma coisa que tenha te chateado — Ele estava sendo sincero, olhando profundamente nos meus olhos.

- Tudo bem – Só agora tinha percebido que estava prendendo ar.

- É melhor eu ir... – Me esforcei para acabar com aquela troca de olhares. Abri a porta do carro e sai.

- Eu te acompanho até a porta – Ele já estava fora do carro me esperando.

Subimos as escadas da varanda, parando na frente da porta me virei em sua direção, ele estava apoiado nela de braços cruzados.

- Obrigada novamente pelo jantar, estava delicioso – Mostrei um sorriso tímido.

Em um ato não esperado Arthur colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, fiquei paralisada, com uma mão ele acariciava minha bochecha enquanto a outra foi parar na minha cintura, seu rosto chegava cada vez mais perto do meu; eu não conseguia me mexer, minhas mãos suavam frio, meu coração batia acelerado e meu estomago se revirava, não conseguia acreditar que estava sentido aquilo por causa de um garoto, eu não era assim, tentei me controlar. Sua boca estava a milímetros da minha, eu conseguia sentir o seu hálito inebriante, estava obvio que ele iria me beijar, quando estava preste a acontecer ele desviou o percurso e foi parar ao lado da minha orelha esquerda.

- De nada – Prendi a respiração, sua voz estava rouca e sexy, arrepiando os pelos da minha nuca. Nossas bochechas estavam coladas uma na outra, sua mão apertava de leve minha cintura. Antes de me soltar Arthur me deu um pequeno beijo na bochecha e foi em bora. Fiquei na mesma posição, processando o que havia acontecido. Minhas bochechas queimavam um rastro de fogo por onde ele havia me tocado.

Notas finais
Pronto!!! espero que tenham gostado desse capitulo e comentem bastante. BjOos!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.