Notas iniciais
Bom gente, tive uns problemas com o o editor de texto (o arquivo ficou corrompido) e demorei, mas finalmente consegui recuperá - lo (graças a Deus!!!)
Então, temos aqui mais um capítulo! Sei que a história está ficando melosa, mas logo logo as coisas vão esquentar hahaha
Boa leitura!
Abraço.

Com os olhos fechados, ela sentia a brisa marítima bater em toda a extensão de seu corpo.

A areia gelada, que lhe envolvia os pés, dava a ela calafrios e, como num sinal de paz, ela ergueu os braços e se entregou de corpo e alma ao vento, que, naquele instante, parecia a melhor coisa do mundo.

– Isso é maravilhoso, Tyler.

Ele sorriu. Nada era mais gratificante do que vê – la feliz.

O mar parecia ainda mais agitado com eles a apenas alguns metros de distância. As ondas eram fortes e o vento parecia querer carregá – los para o céu e este, por sua vez, era uma imensidão infinita de um negro bruto, cheio de milhares – ou melhor, milhões – de estrelas que não hesitavam em brilhar por um instante se quer.

A luz da lua os envolvia de uma forma natural, tudo naquele lugar era tão perfeito...

Sozinhos numa praia deserta e paradisíaca, iluminados pela lua, abençoados pelo vento e cheios de desejo.

Caroline parecia uma criança. Ela simplesmente transpirava felicidade, risadas sinceras e sorrisos e mais sorrisos de gratidão... Ela estava simplesmente radiante, assim como as estrelas no céu.

– Eu posso... entrar no mar? – gritou ela, tentando abafar o barulho do vento que lhe batia nos ouvidos.

Tyler assentiu, sorridente, enquanto fumava mais um cigarro.

– Ele é todo seu esta noite.

Não demorou muito para que Caroline já estivesse na água. No começo, uma mistura de medo e ansiedade a atingiram, mas, logo em seguida, uma onda de felicidade e prazer a envolveu e fez daquele momento algo mágico, surreal, completamente fantástico.

A água do mar era morna, e na medida em que Caroline entrava na água, ela se estendia do tornozelo até a cintura da dama de vermelho. Lágrimas vieram – lhe aos olhos quando ela pôde perceber o infinito bem ali, na frente dela.

Aquele sempre fora o sonho dela. Ela já havia visto o mar pela televisão, e sempre – todos os dias, para ser preciso – desde quando tinha cerca de oito anos de idade, pedia aos pais que a levassem lá, para o Oceano Pacífico. Tudo parecia tão obviamente simples, o mar era tão perto de casa...

Mas os pais dela sempre adiavam tal feito, alegando que não tinham dinheiro e que o lago, no fundo da casa deles, possuía o mesmo efeito. Ela não podia negar que o lago era lindo, mas o mar era infinitamente superior e agora, mergulhando de cabeça nas ondas, sentindo a água envolver cada parte do seu corpo, ela se perguntava o “porquê” dos pais dela nunca terem realizado esse sonho...

Caroline se lembrava muito bem de uma tentativa frustrada de ir até o mar.



Na inocência de uma criança, ela acreditava que qualquer carro que passasse na rua poderia levá – la para onde quisesse e, numa tarde epíloga de março, início da primavera, ela saiu de casa com uma malinha – que possuía um maiô vermelho florido – , uma pazinha que lembrava um caranguejo e um balde pequeno, decorado com um arco – íris sorridente.

As flores no jardim da casa eram das mais variadas cores, desde o violeta até o amarelo. O gramado do jardim, sempre bem aparado, tinha um verde cintilante e vivo que se tornava ainda mais belo a luz do sol das quatro da tarde.

Pronta, Caroline desceu as escadas da casa e gritou:

– Mamãe, estou indo para a praia.

E simplesmente saiu de casa, indo para a calçada e ficando ao lado do porta – cartas, enquanto aguardava que um carro passasse para levá – la até o mar.

– O quê você disse, Carol? – perguntou mamãe, mas a garotinha já havia saído.

Desesperada, Elizabeth correu até a varanda, com Melissa, irmãzinha mais nova de Caroline, nos braços. Quando já estava no jardim, Elizabeth viu um carro vermelho, que ela não conhecia, parar bem na frente da casa. Ela não havia visto que Caroline estava ali.

– Oh meu Deus... – gritou ela ao ver Caroline correndo na direção do carro. – Pare, Caroline! PARE!

E Caroline parou, assustada.

O homem que estava ao volante do carro, um velho asqueroso de aproximadamente sessenta anos, apertou no acelerador e partiu quando viu Elizabeth se aproximar.

– O que foi, mamãe? – perguntou Caroline, ao ver a expressão de medo no rosto da mãe.

– No que você estava pensando, Caroline? – gritou mamãe, ignorando a pergunta, em meio as lágrimas que lhe escorriam dos olhos. Melissa começou a chorar logo em seguida. – O que você queria fazer?

Caroline olhou timidamente para baixo.

– Eu queria ver o mar, mamãe – respondeu ela, chorando baixinho. – Me desculpe mamãe... por favor!

E caiu aos prantos.

Comovida, mamãe a puxou para si e abraçou – a.

– Por favor, meu anjo, não faça mais isso, tudo bem? – E beijou – lhe a testa.

Caroline assentiu, limpando os olhos, e as três mulheres da família Forbes ficaram ali, abraçadas, vendo o sol se pôr.

Era uma lembrança conturbada, mas horas mais tarde, naquele mesmo dia, fora a primeira das muitas noites em que Caroline vira o papai bater na mamãe...



Sob a água do mar, ela abriu os olhos e olhando para cima, pôde ver a lua embaçada, trêmula, bem longe dali. Era estranho, mas apesar dela nunca ter estado ali, no mar, ela sentia uma conexão muito forte com as ondas. Era como se ela estivesse em casa, como se o mundo todo se baseasse naquilo...

Só estava faltando algo – ou melhor, alguém.

Tyler.

O homem que dera a ela o presente mais incrível que alguém poderia um dia ter dado.

Forçando o corpo para cima, ela pôs a cabeça sobre a água.

– Tyler! – gritou ela, acenando alegremente com os dois braços. – Tyler, entre na água!

Sorrindo, ele largou o cigarro na areia e tirou os sapatos e a camisa branca de mangas longas que estava usando. Enquanto corria até ela, Caroline via, bem a sua frente, uma espécie de deus do mar, iluminado pela pálida luz da lua. A beleza de Tyler era algo inegável e saber que ele era dela a deixava ainda mais triunfante. A deixava indescritivelmente viva.

Quando chegou até ela, Tyler não hesitou em agarrá – la e levá – la para baixo.

De repente, num piscar de olhos, a água envolvia os dois. Tudo parecia acontecer em câmera lenta e ela sabia que jamais esqueceria daquilo. Os braços fortes dele a envolviam e a puxavam para si. Os beijos dele, apesar da força da água não permitir, eram fortes, envolventes e amorosos. Eles faziam com que ela fosse ao paraíso e voltasse, se é que aquilo que ela estava vivendo não era o “paraíso”.

Quando eles se afastaram por instante, Caroline pôde vê – lo melhor. Apesar de estarem sob a água, a luz da lua ainda interferia, o deixando meio pálido e azulado. Bolhinhas de oxigênio vazaram – lhe pela boca e um sorriso se formou no rosto dele quando ela o encarou.

Eu te amo, era o que ele queria lhe dizer.

Eu também te amo, era o que ela lhe diria em resposta.