Ventos que me Levam

8 Capítulo 7: Você é importante para mim.


Notas iniciais
Olá, aqui estou eu postando. Eba! Para quem tiver lendo, claro. kkkkk Bom, gostaria de agradecer quem voltou, vejo que não é muito, mas os que estão aqui me deixa mais feliz. E há! Para quem comentou, claro. Obrigada de verdade Ariane Black :3 Fiz uma capa nova!!! Como ficou?

Ignorando a dor abaixo dá omoplata. E do resto dos seus músculos; fadigados, doloridos e até inchados. Sua insistência para com o arco deixou que uma nova sombra se projetasse dos seus poros, Will sentia os dedos com dolorosos nódulos como calos, era uma tarefa que estava deixando com uma pontada de decepção. Estava há alguns meses que começou com o seu "treino", coisa que estava sendo mais uma tortura. Quando pequeno, ao lado de Halt, Will apenas portava o arco como uma diversão, não o machucava, todavia, agora, com uma frecha de verdade e um arco recluso que encontrou na cabana, viu que nada era tão simples assim. Havia se machucado no primeiro dia, e assim, os outros seguiram com tantas tolices e despreparo. Não conseguia permanecer com o mesmo por muito tempo.

Seu peso o atrapalhava.

"Não pensei que fosse deste jeito" Uma voz veio das suas costas. Cassandra estava sentada, em primeiro lugar, ela tentou caminhar ao seu lado com a ideia de aprender, mas não foi a saída certa para a sua curiosidade.

Will, como si, eram principiantes.

Ele bufou, largando já o inconsistente arco, sentindo os braços tremerem, cada pedaço gritava para um descanso. Ele ficou olhando para o alvo do outro lado pendurado numa árvore qualquer. Havia erado todas. Cassandra se encolheu, um pouco desanimada, mas a menina não queria ferir o ego do rapaz. Estava anoitecendo, e lentamente, os ares começavam a mudar conforme os jovens permaneciam em seus próprios pensamentos. Will tentava não chorar com a aflição pinicando-o, o suor encharcava suas vestes de camponês.

Já Cassandra, lhe deu um caloroso sorriso ao reconhecer o seu esforço.

"Will, eu vou caminhando, papai vai desconfiar." Ela comentou, disse que estaria na biblioteca estudando. Mas, quem ficava tanto tempo em frente de livros?

"Eu ficarei por algumas horas, estarei no jantar como todas às vezes. Não se preocupe." Sua voz saiu melodiosa. Ele ficou vendo-a se distanciar, e finalmente, sumiu das vistas. Cassandra era boa em se esconder, fazia isso sem Duncan descobrir.

Ele a admirava.

Suspirou, olhando para o filete de sangue que saía da mão. Depois, sentiu cada pelo da sua nuca se arrepiarem com o contato gelado puxando-o até se virar até a floresta. Para si, nada estava lá; nenhum monstro ou qualquer outra coisa do tipo. As folhas das árvores cantavam distraidamente, alguns sons dos últimos pássaros piavam voltando para as suas casas, deixando-o Will com um nó entalado em sua garganta, e um gelado no estomago. Ele se levantou com presa, meio tremulo para quem sabe, a expectativa de ser Cassandra, embora essa ideia não povoasse mais a sua mente, quando uma sombra passou como um fantasma ligeiro. O menino paralisou, abrindo mais os olhos grandes e brilhantes.

Até aquele momento, o ar que preenchia os seus pulmões fugira entre galopes. Ali, um homem mantinha-se como uma estátua. Rosto parcialmente coberto, da distância que ele se projetava apenas o começo do rosto era visto; barba preenchia a pele, os lábios em uma reta demonstração de desagrado. Ele tombou a cabeça para o lado, conforme um cavalo troncudo com um corpo de barril desgrenhado passou à sua frente num alto e estrondoso relincho. Will amoleceu. Era um Arqueiro. Isso conseguiu notar, e aquele cavalinho que trotou animadamente até ele, era Abelard.

O arqueiro?

Hal O'Carrick.

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Depois de ter descongelado, Will foi atacado pelo focinho macio. Era uma ilusão, pensou administrando suas emoções. Seu corpo foi empurrado para trás, quase caindo de traseiro no chão. Riu com felicidade em abraçar o animal, agora, podia olhá-lo mais nos olhos, estava mais grande de quando eles se viram pela última vez. Não percebeu, mas lágrimas escoriam abundantemente pelas bochechas rosadas. O homem andou lentamente até a sua montaria, os ombros rígidos, Will alegre não tomou nota da diferença, ele não importou, correu até o seu pai e mestre. Todavia, Halt se distanciou do corpo menor como se não quisesse o seu toque. Levantou a mão direita até uma das suas facas.

"Garoto, nem pense" Disse com uma voz potente "Quem é você? O que faz em minha cabana?" Seus olhos moveram-se, talvez, procurando algum adulto. Só que Halt não achava mais ninguém, então, andou mais para frente, Will ficou de boca aberta para ele, franzino a testa em incompreensão. O menino pensou em ser uma brincadeira do mais velho, riu secando as lágrimas, mas Halt não parecia o reconhecer.

"Não sabe quem eu sou?" Perguntou baixinho.

Pelos ouvidos treinados do arqueiro, a pergunta mesmo de longe foi ouvida.

"Eu deveria?" Halt parecia ter abaixado um pouco as suspeitas. Agora espiando a sala pela entrada mesmo. Tudo parecia no lugar, menos, claro, um dos seus arcos que permaneciam onde Will deixou alguns minutos antes. Ele era antigo, por isso não o usava mais. O que era estranho era o garoto que lhe olhava pálido.

Alguma coisa nele fazia sua cabeça ficar embaralhada.

Quando Abelard ficou ansioso ao chegaram em poucos metros, não imaginou que fosse aquela criança de olhos imensos e chorosos em sua cabana. Esta parte de Araluen não havia mais perigo. Halt cocou a barba enrugando a testa. Porém, nada via, ele era algum filho de alguém da ordem? Se perguntava, já adiantando-se movendo as mãos mais ligeiras, afastando Will.

Já ele agarrou mais uma vez a cintura forte escondendo a face, que mais uma vez era molhada por novas lágrimas grosas.

"Halt! Não me deixa de novo, por favor." A voz entalada e abafada nas vestes do Arqueiro. Confuso acabou empurrando Will, que não o largava. Estava cansado e com dores de cabeça com o insistente garoto que o impedia de andar. Poderia ser mais grosso. Sim, poderia machucá-lo se quisesse. Todavia não era este tipo de homem. Ele se perguntava onde estaria Gilan?

Era um sonho. A respiração forte batia em sua cabeça, sentia seu coração perto, os braços fortes. Tudo lembrava ele; a voz, o jeito. E até o cheiro. Tudo lembrava o seu pai. Olhou para cima fungando ainda mais, determinado em não aceitar a distância. Seu pai não o amava mais? Halt olhou para longe, onde uma trilha seguia, e trazia alguns cavalos, Will gritou agoniado quando viu o Rei. O que ele estaria fazendo ali, pessoalmente, pensava o Arqueiro com o queixo duro.

"Will, afasta-se" Duncan ditou, com a tez zangada, " Halt, seja bem-vindo de volta meu amigo" Disse descendo do cavalo, saldando-o com a sua educação. E novamente, mais uma bronca foi dita para Will. Que apenas abaixou a cabeça, em alguns instantes, que pareceram horas, uma onda de calor começou a subir pela sua face. A respiração complicada.

Will entrava em pânico.

Até ele fazer uma loucura.