Vento de Primavera
2 Capitulo 1 - Á Procura de Inspiração
Já se passaram dois dias desde que descobri que a Mariko é, assim como eu, uma otaku e também que ela é a Milurun, uma autora de light novels conhecida por toda a comunidade otaku. Hoje, fui noamente á casa dela para tentar ajudá-la a ter ideias para personagens e história.
– Hm...Não consigo pensar em nada... – reclama Mariko, recostando-se na cadeira.
– Vá, não podes desistir assim tão rápido! – disse – Que tal começarmos pelo mais fácil, nomes, visual e personalidade das personagens.
– Ok, eu pensei que os protagonistas poderiam ser um grupo de 5 amigos, 3 raparigas e dois rapazes.
–Ok ok, e o nomes ?
– Calma, vamos começar pela personalidade, ás vezes isso ajuda-nos a escolher um nome para a personagem.
– Boa ideia! Então vá, vamos começar por uma rapariga.
– Então ela podia ser uma rapariga...hum...desiquilibrada?
– Desiquilibrada? A sério? Pensava que isto era um romance e não uma história de horrer e psicológica.
– Vês é a isto que me estou a referir, não me surge nada de bom, estou assim desde o lançamento da minha última novel...! – reclama Mariko, levantando-se da cadeira,enraivecida.
– A tua última novel foi a “Forget me not” não foi? – perguntei.
–Sim, foi tão fácil escrever essa, as ideias surgiam-me em todos os momentos do dia...
– Gostei muito dessa novel, trouxe-me as lágrimas aos olhos.
– Tu leste? – perguntou Mariko,surpreendida.
– Claro, até agora li todas as tuas obras.
– A sério?! Obrigada!
Mariko, de tão contente que ficou, abraçou-se a mim. Quando caiu em si, afastou-se rápidamente. Ambos corados, evitámos olhar um para o outro, enquanto pensavamos em alguma coisa para dizer.
– Olha! – dissemos em coro.
– Ehehe, diz tu primeiro. – disse.
– Que tal irmos em busca da inspiração? – perguntou Mariko
– Aonde? Á internet? Ás tuas outras novels? – perguntei, confuso.
– Não estúpido, irmos dár uma volta pela cidade, para encontrar inspiração.
– Ah, ok, por mim, tudo bem!
Levantámos-nos os dois e fomos preparar algumas coisas para a viagem. Eu fiquei encarregue de guardar o material de escrita, o computador portátil, um bloco de papel, caneta, lápis e uma borracha. Equanto fazia isso, Mariko estava a preparar comida para a viagem, nada de muito chique, mas que desse para saborear. Quando despachámos tudo, pegámos nas mochilas e saímos de casa.
– Que tal irmos primeiro á escola? Tal como as outras que escrevi, esta novel também vai ter elementos do género “escolar” – Perguntou Mariko, enquanto apontava para a direcção da escola.
– Boa ideia, vamos ver se isso te tira desse “block”
– “Block”? A sério? – perguntou Mariko, entre risos.
– Eheheh... – Ri, ligeiramente envergonhado.
Dirigimo-nos então em diracção á escola. Enquanto caminhávamos, lembrava-me do dia em que falámos pela primeira vez, fiz os dois este mesmo caminho sem dizer uma única palavra um ao outro, quase como se nos tivéssemos a ignorar, e agora, estavamos os dois a fazer este mesmo caminho a falar sobre animes, novels, ideias e músicas. Quando chegámos á escola, o primeiro sítio para onde fomos doi o pátio.
– Aqui, pode ser o sítio em que eles se encontram pela primeira vez, devido a um evento qualquer... – disse Mariko, inspeccionando o lugar.
– Isso não parece um bocado...forçado? – perguntei.
– Pois, parece um bocado... Anda, vamos ver mais sítios.
Percorremos a escola toda, os halls, as salas, a biblioteca, o refeitório, a enfermaria, tudo, até o telhado da escola fomos inspeccionar.
– Ok, o telhado vai ser sem dúvida um lugar importante na novel, tal como a biblioteca e a enfermaria. – Disse Mariko, enquanto escrevia no bloco. – O resto vão ser simplesmente lugares de passagem.
– Já conseguiste alguma coisa. – disse.
– Mas ainda não foi o suficiente... Agora vamos ao parque! – disse Mariko, guardando o bloco.
– Ok, vamos lá.
A caminho do parque, deparámos-nos com uma rapariga pelo caminho, ela era loira, olhos azuis e parecia ter a mesma idade que nós. Aproximou-se de nós e perguntou.
– Excuse me, Do you know where is the school? – perguntou a rapariga, em inglês.
– Oh, the school is that way! – respondi, também em inglês, apontando em direcção da escola.
– Thank you very much! – Disse rapariga, enquanto se ia embora.
– Wow, tu sabes muito bem inglês, eu também sei algumas coias, mas não consigo falar tão fluentemente como tu, parecias mesmo um inglês. – disse Mariko, impressionada.
– P-Para, estas a envergonhar-me, eheheh.. – disse, corado.
– Desculpa ahahah! – disse Mariko entre risos. – Ficas tão engraçado quando estás envergonhado!
– Já disse para parares! – disse, muito constrangido.
Depois daquele momento, continuámos os dois o nosso caminho para o parque mas, de repente, lembrei-me de um lugar em que tinha estado quando era criança, também na primavera. Mencionei isso a Marikoe em vez de continuarmos no caminho em diracção ao parque, fomos por outro caminho, o caminho que nos levaria ao lugar que apareceu na minha memória.
Quando chegámos, ficámos os dois boquiabertos, a contemplar o momento. O lugar era um outro parque escondido entre prédios, a relva era um verde vivo e o lugar todo estava rodeade de árvores de cerejeira. Sentamos-nos os dois num banco de baixo da sombra de uma das árvores, a comer a comida que tinhamos trazido.
– Este lugar á lindo... – comentou Mariko.
– Pois é....E é tão calmo e sereno.
– Amigos de infâcia... – sussurrou Mariko.
– Hã?
– Amigos de infância, o grupo de amigos são amigos de infância, conheceram-se todos quando se perderam e foram parar a um parque rodeade de árvores de cerejeira.Quando os pais os encontraram, descobriram que iam ficar na mesma turma e assim se manteve até ao presente, quando eles têm 17 anos e andam no 11º ano de escolaridade, mas, uma declaração de amor, no telhado da escolha, num dia de vento, na primavera, pode vir a destruir a amizade que se contruíu durante anos...
– Pensaste nisso tudo agora?! – perguntei, surpreendido.
– Sim, tudo graças a este lugar, obrigada, Tomoya-kun! – disse Mariko, com um enorme sorriso na cara.
Arrumámos as coisas e começámos a sair do parque. Comecei a cair na realidade e a abrandar o passo, até que parei e assim me mantive, a pensar.
– Tomoya-kun? – perguntou Mariko,virando-se para mim.
– Tsukichima-san... Já não vais precisar mais de mim agora pois não...? Já conseguimos que saísses do bloqueio...A minha utilidade acabou não foi? – perguntei.
– Não!
Aquela palavras causaram um impacto em mim, olhei para ela e nesse momento uma aragem passa pelo local, pétalas das árvores de cerejeira dançavam com o vento e, por trás dessa pétalas, Mariko, com o seu longo cabelo castanho ao vento e os seus olhos verdes fixavam-me.
– Ainda agora começámos, vamos trabalhar nisto, juntos...Tomo-kun.. – disse Mariko,ligeiramente corada,enquanto se aproximava de mim.
Envergonhado e surpreendido, olhei para ela com um sorriso na cara e ligeiramente corado disse:
– Estou ancioso por trabalhar contigo, Tsuki-san...
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