Vento.
1 Vento.
XVIII-Vento
Pois que não lhe importe
As roupas manchadas
Com terra do chão;
Deixe que o frio
Congele seu coração.
Quando tudo parecer errado,
Quando vós estiverdes machucados.
O vento sopra as palavras
Mas não estou pronta para ouvir.
Olhar para cima e pestanejar.
No céu escuro ainda há estrelas
Que insistem em brilhar.
Apesar de a minha estar piscando,
Perdendo as forças;
O nada fitando.
Junto de mim, vejo-a chorando.
As palavras chegam graciosas,
As ignoro, ansiosas.
Elas vibram em torno de mim.
Pois ela se esqueceu de você,
Não vê?
Ela não quer você.
Você não é nada.
A minha estrela continua
Insistindo na luz
Mesmo sabendo que
Seu brilho se reduz.
Ninguém se importará se você estiver chateado.
O tempo, que tempo?
Tempo da angústia,
Tempo da fusão.
Mas quando tempo irá
Descongelar, meu coração?
O vento sopra cada vez mais.
As palavras geladas começam
A me perturbar.
(...)
Quando tiver fúria,
Tristeza ou pesar,
Não tenha medo e se atire no mar;
Que mesmo cheio de peixes tristonhos,
A sua tristeza
Ele há de acalmar.
E finalmente o vento parou
De palavras tentar me soprar.
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