Em uma das ruas mais famosas de Porto Alegre luzes e música saiam da pequena janela em um apartamento no quarto andar para o mundo, o que chamou a antenção de Victoria, que subiu quatro ramos de escada, não sabia por quê estava fazendo aquilo, mas afinal, o que teria de melhor para fazer?
Era noite de ano novo e depois que a contagem regressiva foi finalizada a maioria dos convidados deram seus últimos goles nas latas de cerveja, pegaram suas companheiras, acenderam um cigarro e foram para casa. No pequeno mas charmoso apartamento com cinco cômodos todos bagunçados por causa da festa, o piso de madeira laminada todo arranhado com gotas de cerveja e os parapeitos das janelas com cheiro de cinzeiro, só sobraram os amigos mais íntimos do dono do local

–Qual é Arthur, só faltam 2 anos para terminar a faculdade!

–Só?

Então o belo jovem de barba cerrada, cabelos curtos e desgrenhados em um tom castanho claro quase que um loiro de uma pele quase que bronzeada mas esbranquiçada pelo frio que se chamava Arthur

–Anime-se é ano novo! — disse o amigo de Arthur dando um gole em sua latinha de cerveja e se pendurando o braço no ombro do amigo
–Quase impossível James — retirando o braço do James e logo depois olhando para a janela, ele olhava diretamente nos olhos de Victoria, e ela sabia disso, mas ele não
–Você precisa deixar o que passou para trás, meu amigo
–Como? — disse sendo a pessoa mais pessimista que Victoria ja vira.
–Eu já sei o que pode te animar -disse James piscando para Arthur e gritando para o resto de amigos que restava na festa: Eduardo, Michael e Peter — Quem quer voltar aos velhos tempos e brincar da brincadeira do copo?
Todos toparam.
– Não tenho certeza se isso vai melhorar alguma coisa.
– Ah Arthur, pare de ser tão pessimista! Ande, vá fechar as janelas.
Arthur bufou, não estava nem um pouco a fim de chamar espíritos, mas também não queria discutir. Então foi até as janelas e fechou as cortinas, deixando o apartamento escuro, sendo iluminado apenas pelas velas que James havia acendido.
Os amigos sentaram em um circulo em volta de uma pequena mesa de madeira rústica no meio da sala de estar que ficava entre o sofá e a Tevê. Os amigos empurraram o sofá para que o espaço ficasse maior. Tiraram as cervejas e os porta copos e cima da mesa e sobre ela colocaram papéis com todas as letras do alfabeto e cada um colocou uma das mãos no copo.
– Agora todos precisam de concentrar, fecham os olhos, e repitam em pensamento o que disser, ok? – Disse James
– Ok – Disseram
Todos fecharam os olhos e James começou
– Se aqui nesta sala, reside algum espirito, por favor, se comunique. – Nada aconteceu
– Não temos que rezar ou alguma coisa do tipo? – Perguntou Peter
– Cale a boca, você tem que se concentrar! Agora, vamos, fechem os olhos.
– Não estamos aqui para lhe fazer mal, por favor, se existe alguém nesta sala, se comunique!
Nada aconteceu novamente, estavam prestes a desistir quando James perguntou pela ultima vez – TEM ALGUEM AQUI? – James gritou, irritado.
Para a surpresa de todos, o copo se mexeu, mas apenas alguns centímetros.
– Vocês sentiram isso? – Perguntou Arthur
– Não senti nada – Disse Michael
– Eu senti! Ele se mexeu apenas alguns – Eduardo foi interrompido com o copo voltando rapidamente para o centro.
– Ta legal, agora estou começando a ficar com medo – Disse Peter
– Não precisa ter medo, para termos certeza de que você está aqui, por favor, responda sim.
– Vocês estão mexendo o copo? Isso não tem graça – Disse Michael
O copo foi indo lentamente para o papel escrito ‘’sim’’
– Meu Deus, isso – James estava boquiaberto – nunca aconteceu comigo. Sempre brinquei disso, e nunca nada respondeu.
– Acho melhor nós pararmos – Arthur disse, tão assustado quanto James – isto está ficando sério.
– Não pode parar – Disse Peter, abismado – Não conhece as regras? Nunca, em hipótese alguma, podemos tirar as mãos do copo antes da brincadeira acabar.
– Ótimo, estamos presos nessa brincadeira maldita! – Disse Michael – Muito obrigado James!
– Não podemos fazer nada agora, temos que continuar – Respondeu James – vamos lá.
– Volte ao centro!
O copo voltou dessa vez rapidamente para o centro.
– Você esta zangado? – Novamente, o copo vai em direção ao ‘’sim’’ e volta sozinho para o centro.
A cara de pânico de Michael parecia mais assustadora que o próprio fantasma.
– Vo...você – James estava gaguejando – pretende ma...machucar algum de nós...ós?
O copo andou, e respondeu ‘’não’’
Todos bufaram e ficaram aliviados. O copo voltou ao centro.
-Tudo bem, já se divertiram, que tal acabarmos com isso de uma vez? — Peter suava, sua testa brilhava com as luzes das velas, estava apavorado
-Não podemos — disse James num tom de voz baixo, olhava para o copo, pois quem sabe se olhasse nos olhos dos amigos as palavras se fugiriam
-James...por que não podemos? — disse Eduardo quase voando para cima de James aumentando o tom de voz e a raiva a cada palavra como se soubesse o que estaria por vir
-A não ser que algúm de nós se lembre como por o fantasma para descançar novamente não poderemos parar a brincadeira
-Se sairmos vivos dessa eu vou matar você James — disse Arthur quase que perdendo a razão querendo bater em James. Depois de um longo suspiro, continuou — Eu vou tentar pronunciar as palavras certas
Cada um tentou dizer algo, buscaram nas partes mais profundas de suas mentes a frase em que diziam quando eram menores. Mesmo no passado, os copos nunca tiveram se mexido, eles queriam se previnir de assombrações. Após cada um pronunciar as palavras que tentavam se lembrar, faziam perguntas, mas o copo sempre arrastava respostas. Na vez de James, o copo não mais se mexeu mas as velas se apagaram com uma forte ventania.
-Hora de ir para casa agora? — disse Eduardo enquanto colocava seu sobretudo já pegando o celular e a carteira que haviam ficado em cima da Tevê.
-É, hora de ir — disse Arthur acendendo a luz no interruptor ao lado da porta, assim como o chão, também de madeira e com uma maçaneta prateada.
-Nem dá para acreditar que passamos a madrugada inteira aqui — disse James mostrando seu pulso com um relógio de ouro que marcava quatro da manhã.

Arthur rodou a maçaneta, abrindo a porta e indicando a todos a saída, que se retiraram em fila indiana. Arthur os observou pelo olho mágico da porta até desaparecerem nos próximos degraus da escadaria.
Dormiu no sofá mesmo, sua cama cheirava a sexo, bebida, cigarro e outros muitos mais cheiros que não conseguiu destinguir. Estava exausto, mas a confusão da noite passada o causou insônia o que era irônico pois da janela do pequeno porém charmoso apartamento de Arthur já dava para ver o Sol saindo por trás dos outros prédios mais ao horizonte. Uma perfeita vista urbana.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.