Venorian
6 Astaroth
Notas iniciais
Freya observava tudo pela janela da sala do trono, as decapitações, as batalhas individuais e, por fim, a recuada do exército de Namuras. Seus pensamentos estavam ocupados com outras coisas, com a cabeça apoiada sobre uma das mãos, sua expressão era fria. Eren se sentou ao lado de Freya, preocupado com o estado da amiga.
– Tudo bem com você? – Perguntou, preocupado. Silêncio... Eren não ouviu nem uma palavra em resposta.
– Uuuhh.. Freya? – Eren estalou os dedos na frente da garota, tentando chamar sua atenção – Terra chamando Freya, responda...
– Agora não, Eren... – Freya ainda tinha sua voz trêmula, não estava para conversas. Eren recuou um pouco, e em seguida se espreguiçou.
– Primeiro o Sieg, agora você... Deuses, não sabia uma guerra podia deixar as pessoas tão antipáticas... – Desviou o olhar para o lado, apoiando o queixo na mão – Tudo bem, mas quando quiser conversar...
– Agora... Não... – Ela enfatizou, respirando fundo para tentar acalmar suas emoções.
Eren desviou o olhar para a garota novamente, percebendo algo de errado. Freya sempre foi a mais durona entre os dois. Dificilmente expressava suas emoções abertamente. Respirou fundo e deu leves tapinhas nas costas da amiga:
– Não precisa segurar isso tudo, Freya... Você pode soltar... – Disse, com voz gentil e um sorriso no rosto.
– Eu não quero, tá bom? – Ela virou-se para Eren, seus olhos estavam encharcados por lágrimas, voltou a olhar à janela – Me deixa em paz. – E ele se recusou a recuar. Então, colocou a mão sobre o ombro da amiga – Que tipo de cavaleiro eu seria se eu abandonasse uma amiga aos prantos?
– Eren, eu realmente não quero ser obrigada a te bater – Ela disse, num tom raivoso – Me deixa em paz...
– Freya... – Disse, em tom preocupado – Você... Está assim por que o Sieg quase morreu? É por isso?
– Eren, cala a boca... – Sua voz voltou ao tom trêmulo enquanto uma lágrima escorria em seu rosto. Eren colocou novamente a mão sobre o ombro da garota, acalmando-a.
– Você me conhece. Sabe que não vou sair daqui até você me contar. Deixa de pagar de "machona" e solta esse peso no seu peito logo, sua idiota.
Entre o trio, Eren não só ajuda Sieg a ser a voz da razão como também empurra as emoções de Freya para fora, já que, segundo ele, ela é "muito cabeça–dura" para se expressar. E, para ele, aquilo significava muito.
– ...E então? – Disse, e após alguns segundos de silêncio e relutância da garota, Freya finalmente abraçou o amigo, deixando que as lágrimas escorressem sem rumo:
– Por que ele tem que ser tão estúpido assim? Por que ele nunca me escuta? – E Eren envolveu Freya em um forte aperto reconfortante, ao mesmo tempo que acariciava seus cabelos.
– Você sabe muito bem que ele faz isso pelo bem de todos. Ele só quer o melhor para cada um de nós. Não precisamos julgar os atos dele se são justificáveis...
– Eren, ele podia muito bem ter morrido, e a culpa ia ser minha por deixá-lo ir...
– Mas ele não morreu, morreu? Ele está são e salvo e encherá nosso saco de novo... – Eren riu – ...E mais, você sabe que ele não vai morrer tão cedo assim... Não antes dele virar um cavaleiro como o pai. E enquanto ele está nesse caminho, nós precisamos deixar claro de que ele sempre poderá contar conosco. Não é?
– É... Você está certo... – Freya limpou as lágrimas, retribuindo o sorriso. Eren soltou Freya do abraço, espreguiçando-se em seguida.
– É claro que eu estou, sua boba. Eu sempre tenho razão. – Disse, em um ar sarcástico.
~
Os cavaleiros de prata não encontravam descanso mesmo após a vitória. A cidade de Venorian, por mais que tenha resistido ao ataque dos cavaleiros negros, se encontra em um estado deplorável pelo número de escombros demolidos e corpos de vítimas. Os que sobreviveram por milagre das rochas catapultadas estavam em estado sério. Os curandeiros e sacerdotes faziam o possível para salvar aqueles que tinham chance de sobreviver.
A parte da entrada da muralha estava repleta de macas no chão, com corpos moribundos e agonizantes. Os curandeiros emanavam uma energia pura das mãos, capaz de sarar as feridas graves, mas não amenizam a dor que eles sentiam durante o processo. Já os sacerdotes pregavam algumas preces, que aliviavam a mente dos feridos para que se acalmassem e permitissem que os curandeiros fizessem seu trabalho.
Mikael estava no meio de tudo aquilo, comandando os médicos de forma organizada. Como paladino, ele não só liderava os cavaleiros em combate, como também liderava os sacerdotes do palácio, que humildemente obedeciam.
– Vamos, homens! Sem descanso! – Gritou o paladino – Temos que garantir a esses nobres soldados mais um dia para lutar!
– Sim, senhor!– Responderam os seus seguidores, em uníssono.
Ao meio da ladeira que levava para a entrada da muralha, Sieg assistia a tudo. Via como seu pai liderava e se preocupava com seus homens. E então o loiro havia tomado aquele momento para se mergulhar em seus pensamentos, assim como havia feito após a luta contra aquele cavaleiro negro invasor.
Lembrou-se de como havia sido um fracasso. Lembrou-se de que não havia dado conta de um simples cavaleiro sozinho, enquanto seu pai aniquilava centenas deles facilmente. Tal comparação fazia seu rosto queimar em vergonha e raiva. Não apenas pela diferença de poder, mas a diferença em tudo: Sua personalidade, sua calma, tudo.
Viu o quanto seu pai era poderoso, mas o que ele fazia com tudo aquilo? Gabava-se e debochava dos que eram mais fracos? Não. Mikael era poderosíssimo, isso é um fato, mas ele nunca se viu na posição de poder caçoar dos outros. Mikael era forte, porém detentor de um coração humilde.
Sieg sentiu um revertério no estômago, sentindo nojo de como se gabava por ser o mais forte entre os aspirantes, então percebeu que de nada adiantava ter as mais finas habilidades se possuía um coração podre. Ele desejava do fundo do coração poder ser, pelo menos, a sombra do que seu pai é. Mas não se via na posição de se comparar a tamanho guerreiro
Respirou fundo e quis se aproximar, mas percebeu uma movimentação estranha. Um dos soldados caídos gritava incansavelmente de dor e seu corpo estrebuchava. Um grupo de sacerdotes e curandeiros estava em cima dele para curá-lo, mas não importando o que faziam, ele continuava a gritar.
–O que há de errado?! – Perguntou Mikael.
–N-Não sabemos! – Respondeu um dos sacerdotes – Parece que algo cruel invadiu o corpo dele!
– Algo cruel? O que quer dizer?
– Não sabemos!
Antes de o paladino fazer qualquer coisa, uma figura de cabelos roxos passou por ele, em direção ao soldado suplicante pela morte. Era Maya, a novata do castelo. Mikael estranhou. Não se lembrava de ter visto aquela garota por ali. O paladino demonstrou confusão e surpresa.
No tempo livre que Maya teve para se recuperar – antes da guerra começar –, ela havia visitado a grande biblioteca do castelo e se interessado muito pelos livros de magias e de criaturas mágicas. Conforme foi lendo, teve a sensação de já ter visto aquilo. Cada magia descrita naquele livro parecia familiar para ela. Além disso, sua pele cicatrizou muito rápido e agora estava lisa e impecável, como se nunca tivesse sido cortada. Ficou intrigada, mas não deu muita importância. Terminou aquele livro em pouco tempo e parecia que ela tinha decorado as magias, pois todas estavam gravadas em sua mente – com a incrível e estranha sensação de que todas já estavam lá, deixadas em um canto.
E agora, percebeu que estava imensamente preocupada e com uma sensação muito esquisita e familiar vinda daquele garoto. Ela chegou até o soldado que gritava e ajoelhou ao lado dele, assustada com o que ela mesma estava fazendo por impulso. Os sacerdotes e curandeiros olhavam com certo receio, mas não impediram Maya. Ela repousou as mãos sobre o coração do rapaz e fechou os olhos. Respirou fundo e, sem pensar muito, puxou de sua memória alguma daquelas magias de cura que tinha visto no livro e proferiu-as em uma língua diferente, mas em voz alta. Os sacerdotes olhavam assustados, afinal, aquilo não se parecia nada com as preces deles.
"Bom, não custa tentar, não é? Se não funcionar... Acho que eles vão pensar que sou louca." Maya pensou por um momento, logo se concentrando novamente no que estava fazendo e continuou a recitar em voz alta. Soltou um suspiro quando terminou a magia e abriu os olhos, então os curandeiros e sacerdotes tinham dado alguns passos para trás, com olhos arregalados e sussurrando entre eles. Um brilho violeta saía das mãos dela e fazia o soldado tremer, enquanto os gritos cessavam. Então o brilho sumiu aos poucos, ao mesmo tempo em que o soldado engasgou, parecendo que iria vomitar.
Uma fumaça avermelhada e quase transparente saiu da boca dele, lentamente, indo na direção oposta de Maya. Ela parou e no lugar da fumaça uma mulher de cabelos e olhos vermelhos, vestido longo preto brilhante e sorriso cruel apareceu, ajoelhando-se do outro lado do soldado.
Maya arregalou os olhos, e uma lágrima escorreu em sua bochecha.
Os soldados recuaram, assustados pela paranormalidade. A mulher de cabelos vermelhos tinha uma atmosfera cruel e aterrorizante para qualquer um que a visse de perto. O medo que as forças de Namuras causaram há pouco, agora se compara a nada.
Sieg ficou boquiaberto, tão surpreso ficou como quando viu seu pai lutar. Escondeu-se atrás de uma moradia por perto, ainda espiando pela beirada. Por instinto, levou a mão ao cabo da espada nas suas costas, pronto para qualquer coisa acontecer.
Mikael também expressava surpresa. Não pensou duas vezes antes de se esconder atrás do escudo e sacar a espada das costas
– Quem sois vós?!?– Exclamou o paladino, rilhando os dentes. Seguindo o movimento do paladino, os soldados que estavam por perto também sacam espadas e se escondem atrás dos escudos. Mostravam medo e receio por aquela situação, mas ao mesmo tempo, estavam tranquilos. Mikael estava com eles. A mulher, ainda ajoelhada na frente de Maya, tinha um sorriso irônico no rosto e encarava a garota como se fosse um leão na frente de um rato.
– Lembrou-se de mim, Maya? – E com uma das mãos fez um gesto para que o soldado deitado na maca, que agora estava são e curado, saísse dali. Ele levantou-se rapidamente e saiu de perto, assustado.
– Guardem as espadas, soldados. – Maya disse, com a voz baixa. Secou os olhos, piscando algumas vezes e então olhou para a mulher, num misto de raiva e desespero – O que você quer, Astaroth?
Percebendo que os soldados hesitavam e ainda empunhavam as espadas, prontos para atacarem a qualquer momento, Maya ficou furiosa:
– Guardem as espadas! – Disse, agora com a voz firme, encarando Mikael com uma expressão séria. Astaroth levantou uma sobrancelha para ela.
– Oh, parece que parte de sua memória voltou, irmãzinha. – E então riu, ruidosamente alto. – Queridinhos, isso não será necessário. Não agora. – Disse, virando-se para os soldados ainda com seu sorriso irônico estampado no rosto. – Lembrou-se de suas magias? Ainda está fraca como uma criança, não está? Se parece com uma. – Astaroth disse para Maya, enquanto balançava a mão esquerda, brincando com um pequeno rastro da mesma fumaça escura de antes. A garota de cabelos lilás franziu a testa. Astaroth realmente parecia pelo menos 10 anos mais velha que ela. Enquanto Maya tinha aparência de uma garota de uns 17 anos, Astaroth era uma mulher de aparência que mostrava pelo menos uns 25. Tinha sobrancelhas marcadas e batom vermelho escuro, que contrastava com sua pele clara.
Maya, aos poucos, conseguiu lembrar-se de fragmentos de seu passado. Lembrou-se de asas, de magia, de brigas com Astaroth. Ainda não era muito claro, mas parecia que tinha acontecido há muito, muito tempo. Um leque de nomes estranhos reapareceu em sua mente, nomes de pessoas e de reinos e de magias e ela já estava ficando com uma forte dor de cabeça, e sua expressão agora era de confusão, tentando organizar todos aqueles pensamentos novos e ao mesmo tempo antigos.
– Bom, agora que eu já consegui possuir o corpo desse soldadinho aí, já tenho o que eu preciso para voltar para Namuras. – Astaroth disse e ficou séria. Levantou-se e virou as costas, começando a andar para o lado oposto de onde Maya estava. Prontamente, Maya se levantou e segurou o braço de Astaroth, virando-a para frente dela novamente.
– Oh, não, você não vai. – Maya disse, calma. E então a mão de Maya brilhou novamente e o braço de Astaroth ficou vermelho, como se estivesse sofrendo uma queimadura. A mulher dos cabelos vermelhos rosnou um xingamento, puxando o braço das mãos da irmã e seu vestido teve as costas rasgadas quando Astaroth abriu grandes asas negras e bateu-as, fazendo um vento forte em cima dos soldados e subindo aos céus rapidamente, até que desapareceu. Maya ficou com o rosto vermelho de raiva e voltou a olhar para os soldados, que agora indagavam o fato da garota ter deixado a mulher fugir.
Aproximou-se de Mikael, agora com uma expressão relaxada e disse alto, para que todos os soldados pudessem ouvir:
– Sr, perdão pelo que aconteceu aqui. Aquela mulher é minha irmã. – Disse, franzindo a testa novamente.
–Sua... O quê?! – Mikael exclamou.
Em resposta, os soldados ficam assustados. Sieg arregalou os olhos e segurou o cabo da espada com mais força. Seu instinto era de ir para cima de Maya e pedir todas as respostas à força. Mas, percebendo a besteira que iria fazer, respirou fundo e continuou a observar, deixando seu pai cuidar da situação. Porém, os soldados não conseguiam segurar a língua:
– Se elas são irmãs, então... Então ela também deve ser uma bruxa! – Sim! Uma Bruxa! – ela deixou a outra escapar! Elas devem ser aliadas! – Queimem essa bruxa! – Logo no dia que ela chega, o exército negro ataca! Coincidência? Acho que não! – Lorde Mikael, mate-a!
Em resposta, o paladino urrou em fúria.
– Silêncio! – Mesmo com todas as vozes misturadas, a voz de Mikael ainda era imponente. Todos se silenciam, deixando o paladino falar.
– Não percebem a idiotice de suas palavras? Vocês desejam a morte à uma jovem que acabou de salvar um irmão de vocês! Não sentem vergonha? – Os soldados baixam a cabeça, tentando esconder a humilhação. Mikael continuou:
– Não importa se a irmã, o pai ou avô são corrompidos, isso não quer dizer que ela seja igual! Vejam o exemplo que ela deu! Se fosse uma "bruxa" como vocês dizem que é, acha que ela emanaria apenas luz a sua volta? – Disse, apontando para ela – O fato de Namuras ter atacado a nós ainda será investigado, mas é simplesmente vergonhoso tomar conclusões precipitadas como essa! Não se esqueçam: Somos o reino de Venorian! Nós somos o verdadeiro exemplo de justiça e honra! Jamais se esqueçam disso!
– S-Sim, senhor...! – Responderam todos, ainda de cabeça baixa.
– Ótimo! Voltem ao trabalho agora, seus tolos! – E logo, todos obedeceram. Mikael leva sua atenção para Maya, agora com uma voz calma, fazendo com que o rugido anterior jamais tivesse existido:
– Peço perdão pelos meus homens, minha jovem. Diga-me... Como te chamam?
Maya assustou-se com os murmúrios de ódio contra ela que os soldados diziam. A dor de cabeça estava ainda mais forte e ela se sentia fraca. Olhou com cautela para Mikael e, com uma expressão triste, respondeu-o:
– M-Maya. Meu nome é Maya. Astaroth é minha irmã, mas não somos nem um pouco parecidas. Eu não sou como ela, mas ainda não tenho minha memória perfeita, não consigo me lembrar de como eu era antes. Perdi minha memória recentemente e então Adrian me ajudou no castelo, eu estava muito ferida. – A lembrança a fez ficar com as bochechas vermelhas, mas ela logo continuou falando para Mikael, e, o medo de que ele tivesse a mesma impressão dela que os soldados tiveram se dissipou.
– Naquele momento em que eu segurei o braço de Astaroth... Bem, eu usei uma das poucas magias que consegui recordar nela, mas ela achou que era só para machucá-la. Eu sei o que ela fez no corpo do soldado. Ela utilizou aquilo como uma maneira de espionar... Mas ela não descobriu muito, já que logo a guerra começou e o soldado era forte, precisou lutar. Ele com certeza estava tentando se libertar dela. – Depois de alguns minutos, Maya contou a Mikael as coisas que Astaroth sabia. Alguns horários em que a entrada no castelo era mais fácil, sobre o rei e a rainha e mais alguns detalhes, mas nada preocupante o suficiente.
E então, a dor de cabeça atingiu um nível insuportável e Maya caiu no chão, desmaiada. Mikael se agachou, colocando a mão na testa da garota. Ela ardia em uma febre infernal.
– Curandeiro! – Gritou o paladino, que logo foi atendido. Mikael segurou o frágil corpo da garota nos braços – Leve-a para dentro do castelo. Mantenha-a vigiada a todo custo.
– S-Sim, senhor! – O curandeiro agarrou o corpo da garota e a colocou numa maca. Em seguida, levantou-a com o auxílio de um segundo curandeiro e ambos tomaram caminho para o castelo.
Mikael suspirou, absorvendo toda a informação que Maya lhe passara. Ainda não entendia direito, mas estava certo de uma coisa: Quem quer que fosse Maya, ela não poderia sair de Venorian desprotegida.
– Preciso de soldados que possam vigiar a garota! Quem se candidata? – Gritou Mikael, olhando para seus homens. Houve relutância no meio de agir dos soldados. Nenhum deles estava a fim de olhar para o rosto da garota que, ainda há pouco, queriam matar.
– Perguntarei mais uma vez: Quem se candid...
–Eu faço isso! – Uma voz chamou a atenção de Mikael. Há treze anos que ele não ouvia aquela voz. Ao olhar para trás, Mikael arregalou os olhos. Sieg caminhava em sua direção, com a mão erguida e com a expressão determinada. Ambos se encararam. Um silêncio mortal nasceu, deixando todos ao redor desconfortáveis.
– Oh... Alek... É você? – Disse o paladino, de forma descontraída.
– Oi... Pai.
– Você... Estava por aqui o tempo todo? – Mikael deu um sorriso quase forçado. Sieg deu de ombros.
– ... Pois é, né? – Disse, desviando o olhar, disfarçando o rosto corado. Mais uma vez, silêncio. Sieg limpa a gargantou e levantou a voz:
– E-Então... Eu posso guardar a garota?
–Uh? A-ah, sim, claro... Não vejo motivos para não o fazer.
Sieg assentiu com a cabeça, tomando rumo para de volta o castelo. Mas antes, Mikael gritou seu nome novamente, chamando sua atenção.
– O-O que foi? – Respondeu.
– Você ficou muito bonito. – Disse, com um sorriso sincero.
– Ca... Cala a boca, velhote! – Gritou, correndo de volta para o castelo. Seu rosto queimava em vergonha. Mas voltou a sorrir. Mesmo que tenha sido rápido, gostou de ter reencontrado o pai oficialmente.
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