Venner
4 Sara
Notas iniciais

Hora do almoço, ainda na segunda-feira, como era de costume a turma almoçava junta num restaurante perto da faculdade.
Sara, Chris e Marco estavam falando sobre um filme que os três tinham visto. Marco Antônio explicava porque tinha achado o filme ruim e Sara o defendia enquanto o namorado ficava no meio do muro, rindo da discussão dos dois.
Matheus ficou conversando com Marina e João Pedro sobre as coisas do dia a dia, acho que sobre uma luta que havia acontecido no dia anterior.
E Eduardo ficava alternando sua visão entre sua comida e seus livros.
Até que Nina chegou com Duda, chamando a atenção de todos sentados á mesa.
O garoto carregava um violão nas costas.
– Hey, você também toca?
Marco perguntou.
– Sim.
Duda respondeu sorridente.
– Caraca Ana! Um cara barbado, alto, com um físico bacana, meio loiro, também toca violão e também se chama Eduardo. Um clone do Ed! Parabéns, você achou!
Marco falou com um certo tom de voz irônico.
Todos olharam para Marco, não acreditando no que ele tinha acabado de dizer.
Ed segurou uma risada, tentou ficar sério, mas sorriu, enquanto isso ficou olhando para o amigo.
Enquanto isso Ana olhava para o novo companheiro percebendo a semelhança e ficando com o rosto corado.
– É, talvez no final das contas... Você fique com o Ed.
Christiano falou rindo com o Marco, sem perceber que Eduardo, Duda e Ana estavam ficando constrangidos.
Ana começou a andar com Duda para longe dali.
– Ana, espera aí!
Eduardo gritou.
– Esperar o que?
– Preciso falar com você.
– Fala.
– Aqui?
– É, aqui? Por quê?
– Na... Frente de todo mundo?
Ele perguntou, procurando uma forma de dizer o que ele queria na frente de todos.
– Você... Esqueceu os seus brincos no meu carro, na sexta.
– Garota errada. Minhas orelhas nem são furadas Ed.
Os dois se olharam, sendo olhados pelo resto das pessoas.
– Então tá.
Ninguém entendeu bem o que Ed queria com Nina, muito menos ela.
Ana Clara ficou chateada, primeiramente porque se sentiu humilhada por Marco e Chris, eles nem sabiam o que estava acontecendo e depois porque o que eles tinham dito era verdade, Duda era mesmo muito parecido com Eduardo, mas ela não teve a intenção de achar um “clone” do Ed e também, estava chateada pois a ficha de que ela ainda gostava dele tinha caído.
Então Ana Clara puxou Duda e saiu de lá.
– Vai falar para a gente o que está acontecendo entre você e a Nina?
Marco perguntou junto ao Chris para Eduardo e os três saíram para conversar em outro lugar.
– Até outra hora então, vou para casa gente.
Marina se despediu de todos e foi embora.
– Ham... Você tem dinheiro para o ônibus, né?
JP perguntou para o irmão.
– Tenho.
– Então eu vou indo também, tenho uns textos pra decorar... Ah, sua mãe pediu para lembrar que você está de castigo, tem que voltar antes do jantar.
– Tá... Tá...
João saiu de lá, pegou seu carro e foi para casa.
– Então Sarinha...
Mat disse chegando mais perto da amiga.
– Então – Sara riu – Está de castigo? Como é isso?
– Bobagens de minha mãe.
Respondeu revirando os olhos.
– Hum.
– Já contou pra ele?
– Não – Ela respondeu olhando para o chão – Uma hora ele vai perceber, né?
– Você sabe que não Sara.
– Outra hora eu conto.
– Sara, sei que não sou bem o Guru do amor e também que não devia me meter no relacionamento de vocês, mas... Sabe, não faz bem pra relação ficar escondendo este tipo de coisa, nem é uma coisa que deveria ser escondida, sabe que sou seu amigo, só quero seu bem florzinha, né?
– Sei.
– Então conta logo pra ele... Já tem o que... Nove semanas?
– Onze.
♆✹
– Então é isso.
Eduardo concluiu a história.
Ele estava sentado na parte de cima de um banco, enquanto Chris estava sentado corretamente e Marco andava de um lado para o outro.
– Então não foi só uma ficada?
Marco perguntou.
– Não.
O silêncio tomou conta enquanto Marco chegava a conclusões.
– Pera aí... Você transou com a Ana na minha cama?
– É.
Marco fez uma cara de nojo.
– Preciso trocar as cobertas.
– Por que não conta a ela?
Christiano perguntou.
– Eu tento cara, mas é bem difícil, sabe, as vezes não dá.
– Na verdade eu não sei, só tive duas namoradas e nunca comi nenhuma delas antes de começar a namorar.
– Hum.
Ele e Marco disseram ao mesmo tempo.
– Mas então é por isto que você ficou tão incomodado com a Ana e o Duda.
Marco Antônio falou.
– É, talvez.
Ed concordou.
– Ótimo, vou ficar para titio do grupo.
– Por que?
Ed perguntou rindo.
– Está escrito na testa da Ana que ela faria de tudo para ficar com você.
– Você acha alguém Marquinho.
Eduardo bagunçou os cabelos de Marco.
– Galera, vou indo, a Sara mandou uma mensagem, acho que ela está meio brava com alguma coisa.
– Viu? É por isto que o Marco não namora com ninguém, o Marco não curte esse lance de escravidão.
– Por que está falando de si mesmo na terceira pessoa? – Ed perguntou para Marco fazendo uma careta – Falou então Japa.
– Porque o Marco gosta de falar de si mesmo na terceira pessoa, daqui pra frente ele só vai falar assim... Tchau Japa!
– Gente, eu já disse, coreano, meus pais são co-re-a-nos, não japoneses.
– Tanto faz.
Ed respondeu rindo.
– Pensei que os seus pais eram mineiros Chris.
– Eles são mas... Esquece, depois eu explico, tá?
E foi embora.
– Sério, é ridículo, não faz mais.
– O que? Falar do Marco na terceira pessoa? O Marco gosta de irritar as pessoas e isso irrita.
– As vezes você pede.
– O que?
– Isso!
Ed deu um tapa na nuca do amigo. Como duas crianças, ficaram brincando lá por um bom tempo.
♆✹
Marina e João Pedro, cada um em sua casa, estavam cada um em sua cama, com seus celulares, conversando um com o outro.
JP: Quem sabe pegar um cinema mais tarde...
Marina: Tô sem grana.
JP: Eu pago.
Marina: Gentil, mas o carro vai ficar com o Marco de noite.
JP: Eu te busco.
Marina: Você está louco? Kkk, quer que o meu irmão te mate?
JP: Pô, eu queria te ver hoje.
Marina: Mas você já me viu hoje. O.o
JP: Ok, eu vou tentar ser mais claro, você é tão lerda quanto o seu irmão, sabia?
Marina: Kkk, tente.
JP: Bom, eu quero ficar com você.
Marina: Eu também, mas não dá pra ficar com você toda hora né? Kk...
JP: Não fui claro o suficiente. Quero ter um encontro com você, sacas? Sair, como um casal e coisa e tal...
Marina: João Pedro Fernandes Gomes, você está dizendo que quer ter algo sério comigo?
JP: É o que parece.
Marina: Posso dar um jeito de ficar com o carro amanhã.
JP: ;)
Depois disso, Marina ficou feliz, depois de ter quebrado a cara tantas vezes com caras que ela quase não conhecia, finalmente estava se sentindo amada e por alguém que sempre esteve perto dela.
João se sentiu amado também, de uma maneira estranha, ficou preocupado por se envolver demais com uma pessoa e depois enjoar.
♆✹
Sara e Chris estavam no carro dele, indo para a casa dela, quase chegando lá.
– Você disse que queria conversar na mensagem...
Chris tentou puxar assunto com a namorada, porque estavam calados há pelo menos meia hora ouvindo o rádio chiar.
– Agora não.
– Quando então?
– Depois.
– Quando é depois? Tem dois meses que você está adiando essa conversa! Eu pergunto o que está acontecendo e você repete “não é nada”, mas é alguma coisa sim, você está mais estranha, está diferente Sara e nem diz o que eu fiz para tentar concertar, toda vez que sentamos para conversar, você solta esse seu “agora não”, quando então? Eu estou com medo de ter feito alguma coisa e que você não me perdoe mais.
– Você não fez nada Christiano.
– Então o que está acontecendo?
Ela abriu sua bolsa e tirou de lá uma caixinha.
– Para o carro.
Ele encostou o carro e pegou a caixinha.
– Sapatinhos de bebê? O que isso tem a ver com a gent... Ahn...
– Não foi fácil dizer.
Ela disse com uma expressão preocupada.
– Nós vamos ter um bebê!
Chris comemorou.
– É...
Ela falou pouco animada.
– Quem mais sabe amor?
– A Nina, o João Pedro, o Mat e talvez a Marina.
– Tinha que ter me contado isso antes! Os seus pais já sabem?
– Não.
Chris não demonstrou a preocupação dele, ficou feliz.
– Ótimo, vamos contar.
– Você comeu cocô?! Eles vão nos obrigar a casar! Sabe muito bem o quão eles são religiosos!
– Eu quero me casar com você.
– Quê?!
– Nós temos oito anos de namoro, é tempo mais do que suficiente para sabermos o que queremos.
– Eu tinha doze anos quando começamos a namorar.
– E eu tinha quinze, qual o problema amor?
– Christiano, não sei se você entendeu a gravidade disso... Olha, eu não estou pronta pra casar, você é meu primeiro namorado Chris! Eu nem sei como é estar com outras pessoas!
– Você quer ficar com outras pessoas?
– Não é isso Chris. Só não quero ficar com o bebê.
– Então eu fico, não precisa ficar com ele, eu crio, eu cuido.
– Eu não quero ter esse bebê.
– Ah, e o que você sugere Sara? Abortar?
Ela pensou sobre isso por alguns segundos.
– Chris...
– Você pensou sobre o assunto?!
– Não grita comigo! Qual o problema?! Os seus pais apoiariam!
– Como você sabe o que os meus pais iriam aceitar ou não?!
– Porque pra eles tanto faz!
– Bom, mas eu não apoio! E eu tenho uma grande novidade pra você... Eu que sou o pai desse bebê, eu tenho direito de não aceitar! Ele não é só seu!
– E eu estou carregando Chris! Você não sabe o quanto isso vai ser difícil pra mim!
Ela começou a chorar.
– Sara, você não fez ele sozinha...
– Mas eu poderia ter feito o aborto e você nem ia perceber, aliás, você nunca percebe nada né Chris? Posso fazer hoje mesmo e você vai fingir que isso nunca aconteceu.
– Você não ousaria...
– Paga pra ver.
Saiu do carro nervosa, ainda chorando.
Chris não soube o que fazer na hora, quase não conseguiu dirigir para a própria casa.
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