Venenosas
1 CAPÍTULO I- “Fênix”
15 de outubro de 2011,
Sabe aqueles dias em que nada faz sentido pra você? Pois é, eu estava passando por um desses dias. Acordei, me arrumei para a escola e notei que havia alguma coisa estranha naquele dia, meu cachorro Max não tinha arranhado suas patas na porta pra me acordar (como de costume). Saí do quarto já arrumado e fui para a cozinha, onde encontrei minha mãe perplexa, olhando para a porta, pergunto o que aconteceu, mas antes da resposta olho para a porta e já sei qual o problema. Como eu queria não ter olhado para aquela maldita porta. Era Max morto, no chão todo ensanguentado e acima dele seu sangue formava a palavra “CUIDADO”.
Não agüentei tamanha crueldade. Pode parecer estranho, mas eu desmaiei, e não venha me falar que isso é coisa de mulher, pois qualquer ser humano ao ver um amigo querido morto com tamanha brutalidade ia ter essa reação. A menos que não tenha coração.
Minha mãe me levou para o hospital, e por incrível que pareça eu acho que se eu tivesse ido á aula naquele dia, nada do que houve teria acontecido.
Lembro muito bem de como eu acordei assustado naquele dia, abri os olhos e vi que não estava em casa, estava torcendo para que o que eu vi fosse apenas uma alucinação, mas não demorou muito para que minha mãe voltasse e me desse a péssima notícia: “ Filho, o Max está morto.”.
Não demorou muito para que eu desmaiasse de novo, mas como tudo conspirava á favor do azar, eu acordei novamente. Agora já não havia ninguém no quarto onde eu estava apenas eu e lembranças da primeira vez em que encontrei Max. Ele era meu melhor amigo sabe? Nunca fui muito sociável, era só eu, ele e nossa amizade. Até que... Até que alguém se achou no direito de matá-lo sem motivo, e levar com ele o pingo de humanidade que ainda havia em mim.
Foi ali que tudo começou a desabar. A noite passou voando, e logo de manhã recebi alta. Voltei pra casa, liguei meu notebook e lá estava um e-mail de Anabela que dizia:
“Fiquei sabendo do que houve com o Max, Ian sinto muito. Vamos nos encontrar hoje... se você quiser conversar. Beijinhos Anabela.”
Devo ter me esquecido de mencionar, mas meu nome é Ian. Não sou muito bom com memória, então me desculpem. Voltando ao assunto, fui me encontrar com Anabela, no lugar onde a gente sempre se encontrava para conversar. No velho playground onde nos conhecemos á uns seis anos atrás, chegando lá reparo que ela está conversando com alguém. Aproximo-me. E me surpreendo ao ver que é Zoe, a menina mais popular da escola. Anabela e Zoe são meio irmãs,mas nunca vi as duas juntas.Até acho que elas se odeiam.Começo a tremer ao chegar mais perto. Desde a quinta série eu tenho uma quedinha por ela. Sei que isso é ilusão, sou o invisível da escola, e ela é a abelha rainha. Mas o que posso fazer? Estou com os hormônios à flor da pele. Meu coração vai batendo mais forte, eu me arrepio, chego mais perto e... ”Oi Ian, tudo bem?”, ela falou meu nome? Como ela sabe meu nome? Fico uns trinta segundos parado até me lembrar que ela falou comigo. “Oi Zoe, tentando...”. Tentando? Nossa cara, você merece o troféu de melhor idiota. Mas Anabela interrompe meus pensamentos com um... ”Ian, Zoe vai morar junto comigo nesse semestre. O meu pai e a madrasta dela se mudar por um tempo e ela decidiu ficar", Anabela deve estar se roendo por dentro por ser obrigada a conviver com ela, mas uma coisa me chamou a atenção. Ela não parece nem um pouco chateada com o fato. Mas voltando ao assunto. "Que legal, vai ser bom pra vocês duas se entenderem né?". Acho que fui um pouco indelicado em tocar nesse assunto mas tudo bem.
Ficamos conversando por uns trinta minutos até que o celular de Anabela toca e elas tem que ir embora. Volto pra casa ainda pensando na cilada em que ela se meteu. Não dou uma semana para as duas brigarem de novo. Ligo a televisão, os mesmos programas chatos passando, mas paro no canal de noticiários e uma notícia me chama a atenção. O âncora diz: "A seguir, qual a explicação para os fatos sobrenaturais ocorrendo no sul dos Estados Unidos que envolvem cachorros morrendo brutalmente!?".
Meu coração gela, pensei que tinha acontecido só comigo quando meu celular toca, é Phill que parece tão espantado quanto eu. "Cara, você viu o que está passando no noticiário?", "Sim, eu pensei que o incidente com o meu cachorro era um caso só, mas acabo de perceber que vem acontecendo com mais pessoas nos arredores." Devo ter esquecido de mencionar novamente, moro em Ampterville, uma pequena cidade litorânea que quase ninguém conhece. Converso mais um pouco com Phill, conto pra ele da Zoe e falamos sobre garotas. Esse deve ser o único assunto entre a gente. Desligo e telefone e me dirijo para a cozinha. Já está tudo escuro então ilumino o meu caminho com a luz celular...Ouço um barulho á minha frente. Tento iluminar e o que vejo é ainda mais aterrorizante que a morte de Max.
Ele está lá, abanando o rabinho como se nada tivesse acontecido. Será que ele é um fantasma? Ou só um cachorro muito parecido com o meu e que veio parar no meio da minha cozinha?
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