Venenosa
2 Capítulo 1 - O que eu faço de melhor
Notas iniciais
“Então meu mundo desaba, porque percebo que meu mundo se resumia a ele”
Seus olhos, seu cabelo, sua boca, ele inteiro... Olhando para o teto de mármore do meu dormitório de Hogwarts, já pensando em que roupa eu iria usar, já que hoje é fim de semana. Levantei, tomei um banho, esse foi um hábito que eu não perdi, e coloquei um short jeans meio curto, e uma blusa branca de renda, atrás transparente, com uma sandália branca normal. Não tentei acorda-las, porque primeiro eu sei que isso é uma missão impossível e segundo porque eu queria que quando todos me vissem nesse novo estilo, eu estivesse sozinha. Eu sei que isso foi bem egoísta, mais fazer o que? Como ainda era cedo, tinham poucas pessoas no salão comunal, mas não me importei com a quantidade, porque todos ficaram olhando fixamente para mim, os meninos ainda mais, o que me deixou um pouco envergonhada, mas a nova Lily Evans não se envergonha, então a vermelhidão em minha cara logo passou.
Encontrei-o no corredor das masmorras, onde esperava o encontrar. Ele estava estudando poções, pela cor esverdeada da capa do livro, muito concentradamente, tanto que nem ouviu os meu, nem tão silenciosos assim, passos:
– Severo! Estava te procurando há tanto tempo! Que saudades! — falei em uma voz animada, mentindo um pouco, mas precisava dele. Fez uma cara um pouco confusa, porque durante o meu 5º ano eu não o dirigi uma palavra sequer, pelo que ele me falou no final do meu 4º ano... Mas se ele me ajudasse a fazer aquilo, poderia pensar em perdoa-lo.
Ele falou gaguejando:
– Li-Li-Lily?
– Não, sou o Dumbledore. Claro que sou eu, Sev!
– É que você não fala comigo por muito tempo... Desde que eu falei aqui...
– Águas passadas, águas passadas. Esquece aquilo que eu também esqueço ok?
– Claro! — ele falou ainda em estado de choque.
– O que foi Sev? Porque está me olhando desse jeito? Sou eu!
– Faz tanto tempo que nós não conversamos, e você mudou muito!
– Sabe... Situações dramáticas recebem soluções dramáticas.
– Me desculpe, tinha esquecido do que o P...
– Não fale esse nome, me dá nojo só de ouvi-lo.
– Agora você sabe como eu me sinto. Mas vamos deixar aquele ser castanho aguado para lá, tudo bem?
Severo é realmente muito fofo, tentando fazer essas piadinhas para me animar. Não sei se ele merece isso... Mas é uma das únicas maneiras para eu conseguir minha vingança. Estava em meio aos meus pensamentos quando Sev me interrompe falando:
– Mas Lily, você mudou muito. Foi tudo por causa dele?
– É uma pergunta difícil. Todos me consideravam a certinha de Hogwarts. Eu queria mudar o que eles pensam. Mas, sim, a maioria foi por causa dele, para eu conseguir obter minha vingança.
– Assim você me da medo, Evans — falou ele, brincando de novo. Ri um pouco.
– Beijos, Sev. Vou ver se as meninas já acordaram. Posso até ter mudado, mas as meninas não.
Sai em passos longos do frio corredor, já sabendo direto para onde ir, e não era o meu dormitório.
~//~
No alto da torre de Astronomia, fazia um frio absurdo. Também, eram 10 da noite. Sim, passei o dia inteiro aqui. Fui para cozinha para comer alguma coisinha umas duas vezes, mas sempre muito silenciosa e cuidadosa, pra não encontrar ninguém, principalmente ele ou sua "gangue". Esse tempo todo, fazendo o que eu faço de melhor: pensar.
Pensar, em mim, nele, e em nós. Se você está pensado que eu quero voltar com ele, está muito enganado. O que eu quero é que ele sofra lentamente e dolorosamente. Só estou pensando em um modo de fazer isso acontecer. Os meus planos com certeza continham Severo neles, só não sabia de que modo.
Ouço vezes e risos baixos, mas que de algum modo me irritavam muito. Achei que reconheci as vozes, Potter e Vance, mas quando fui ver eram só um garoto e uma garota do 4º ano, que me lembrava profundamente da melhor época da minha vida, quando eu estava namorando... Eu acho que eles me lembravam de nós dois pelo jeito que eles se beijavam apaixonadamente e que o menino ficava mexendo no cabelo da garota, fazendo "ondinhas" e depois alisando.
Sai correndo enojada, e eles nem perceberam, do mesmo jeito que eu e ele não iríamos perceber, porque nós estaríamos entretidos... Meu Merlin, o que eu estou pensando?
Vou silenciosamente para o salão comunal, sem nenhuma fome de ir para a cozinha, já que o jantar já tinha acabado faz tempo. A mulher gorda está quase dormindo, mas quando me vê, acorda e começa a cantar opera. Já estava acostumada, então tapei os ouvidos e falei a senha, torcendo por Merlin para que não tivesse ninguém lá, principalmente você sabe quem. Olha como Merlin me odeia: não é possível que nem na 2ª noite desde que chegamos não tenha festa? Praticamente todo mundo da grifinória estava lá, quase todos já completamente bêbados de cerveja amanteigada, o que é uma façanha e tanto. Todas as meninas estavam lá, se jogando em cima dos marotos, especialmente do Potter. Quer dizer, de quase todos os marotos, já que Pedro estava sozinho em um canto, tomando sua cerveja amanteigada, enquanto olhava pela janela com um complexo interesse. Quando as meninas reparam que eu estou aqui, começam a se jogar ainda mais em cima de James, falando indiretas nem tão indiretas assim e algumas se arriscando a dar beijos no pescoço ou na bochecha dele, e o Galinha devolvia. Muitos diziam que eu havia colocado James Potter na linha, mas acho que não foi nada disso. Ele ficou na linha até que chegou certo momento onde ele não aguentou e fez aquilo, voltando a virar aquele ser desprezível.
Na escada para o meu dormitório eu olho para trás, porque alguns meninos começaram a assobiar e algumas meninas deram gritinhos indignados. não sei se eu esperava alguma coisa diferente, mas vejo um ser nojento, vulgo Emmeline Vance, sentada no colo de outro ser, em um beijo profundo, como se já fossem experientes neste assunto. Fiquei paralisada, quando depois de mais 5 minutos de beijo deles, Potter vê que eu estou olhando indignada para lá, e diz:
– Está olhando o que, Evans? Isso não tem nada a ver com você.
O salão comunal olhou pra mim, estático. Todos estavam esperando minha reação, se iria correr para a biblioteca, como antigamente fazia, se iria revidar ou ficar na mesma. Para falar a verdade, nem eu mesma sabia. Fiquei em estado de choque, só olhando para ele.
– Só estou olhando a sua cara de burro, Potter. Eu terminei com você. Não era você que falava que nunca iria levar um fora? Como eu te falei aquele dia: você levou um, conviva com isso. Ou seu ego é tão grande que não permite isso acontecer? Cresça, Potter.
– Mas fui eu que te trai, não foi? – todos no salão comunal param para ouvir — Eu não levo foras, só faço ações que levam as garotas a terminarem comigo.
– Então eu só fui mais uma na sua lista?
– Uma salva de palmas! O gênio percebeu! – todos riram, mas tinha uma tensão na voz de James.
– Espero nunca mais te ver. – falei com nojo aparente na voz.
Sai correndo para o meu dormitório, mas ele viu. Eu sei que ele viu. Uma lágrima.
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