Venenos Invisíveis
4 Capitulo 04
Notas iniciais
Sara esta congelada. Olha para Cath, depois para o papel nas mãos da amiga, e solta um suspiro cansado.
SS: É... é sim. Eu ia jogar fora, mas... acabei esquecendo em cima da mesa.
CW (num tom suave): Você está grávida, Sara?
SS (com os olhos marejando): Sim... estou. Descobri há dois dias, depois que desmaiei no banheiro do laboratório. Fui direto ao médico e... estou de quase dois meses.
CW (ainda em choque, se aproximando): Meu Deus, Sara... e o pai é...
SS: É o Grissom. (pausa) Mas ele não sabe. E nem vai saber. Pelo menos, não por mim.
CW: Sara, você tem certeza disso? É o pai da criança... ele tem o direito de saber.
SS (seca): E eu tenho o direito de me proteger, Cath. Ele preferiu acreditar na Lady Heather. Me acusou de traição, me humilhou... e foi encontrado na cama dela! Eu não vou implorar por espaço na vida de ninguém. Nem por mim e muito menos por esse bebê.
CW: Mas ele ama você, Sarinha... ele foi manipulado. Não acha que deveria ao menos contar?
SS (mais firme agora): Não agora. Talvez um dia. Mas por enquanto, quero focar no meu trabalho, no bebê, e em garantir que James termine o tratamento dele. Não me peça para dar mais espaço a quem virou as costas para mim no pior momento.
Cath se aproxima, abraça a amiga com carinho e não insiste mais. Apenas a acolhe em silêncio.
Passado o período da suspensão, Conrad aproveita e envia Grissom para participar de um seminário em Boston onde ficará por 20 dias, o que o supervisor até agradeceu. Durante este período fora, Hank fica doente e a babá dele não consegue contato com Grissom. Resolve procurar Sara, que prontamente o leva para o veterinário. O cachorro vai precisar tomar medicações especiais, alimentação diferenciada durante alguns dias, então a morena o leva para ficar com ela enquanto ele está fora.
JB: Eu soube que você está com Hank. Grissom já sabe?
SS: Não, assim que ele estiver melhor e for perto do Griss voltar, devolvo para a Melinda. Por enquanto ele está comigo.
JB: Você gosta muito deste cachorro, né?
SS: Eu o amo.
JB: Assim como o dono?
SS: Infelizmente ainda amo o dono dele, mas vou tentar esquecê-lo. Deixa eu ir trabalhar... Ahhh o James vai voltar para a clínica. Estou feliz dele estar empenhado em terminar o tratamento.
JB: Fico feliz por ele também.
Em Boston Grissom termina mais uma das suas palestras e vai para o quarto do hotel. Está sozinho, olhando uma foto antiga de Sara no celular. Seus olhos estão vermelhos de tanto pensar e repensar nos últimos acontecimentos.
GG (pensando): Como pude ser tão idiota...
Recebe uma mensagem de Catherine:
CW: “Precisamos conversar quando voltar. É sério.”Ele franze a testa. Pega o celular e digita:
GG: “É sobre a Sara?”CW: “Sim. Mas dessa vez, escute, Gil. Não julgue. Só escute.”Ele não responde. Apenas solta um longo suspiro e fecha os olhos, ainda sem saber que sua vida vai mudar... novamente.
Um silêncio confortável paira sobre a cozinha. Catherine está sentada à mesa com uma caneca de café quente, observando Sara preparar chá — um hábito recente que a loira já havia notado. Hank dorme aos pés da morena, como se já soubesse que precisa ficar por perto.
CW (olhando com carinho): Você tá mais quieta hoje... Náusea?
SS (sorri de lado): Um pouco. E um tanto de cansaço também.
Sara se senta devagar com a xícara nas mãos. Seus olhos, embora tranquilos, guardam um fundo de dor silenciosa.
CW: Você já pensou no que vai fazer agora? Quer dizer... com o bebê, com o trabalho, com o Grissom?
SS (suspira): Com o bebê, sim. Quero levar até onde eu conseguir aqui. Depois... talvez eu vá para São Francisco com o James. Ele está mais centrado desde que decidiu voltar para o tratamento. Ele quer trabalhar, ajudar... e eu preciso de um recomeço.
CW (confirma com a cabeça): E com o trabalho?
SS: Vou pedir demissão quando não der mais pra esconder. Talvez invente uma proposta de outra cidade, pra ninguém suspeitar.
CW: E ele? Vai saber?
SS (num fio de voz): Eu não sei, Cath. Parte de mim quer contar. Mas a outra parte...
CW: Não confia mais nele.
SS (olha nos olhos da amiga): Você quer saber o que doeu mais? Não foi ele acreditar na Heather. Foi ele me olhando como se eu fosse uma mentira. Como se nunca tivesse me conhecido.
CW (suave): E o que aconteceu naquela noite? Aquela discussão entre vocês... ele comentou algo, mas acho que só você pode contar com clareza.
Sara respira fundo. Seus olhos se perdem por um instante, revivendo o momento.
SS: Ele chegou de viagem já tenso. Mal me cumprimentou. Disse que precisava conversar. E então soltou, sem rodeios: “Eu sei que você tem um amante.” Eu achei que era uma brincadeira, mas vi nos olhos dele... ele acreditava. Eu perguntei de onde ele tirou aquilo. Ele falou da Heather, das fotos, foi horrível ouvir ofensas dele para mim.
CW: Não consigo parar de pensar no que ele mesmo me contou. Naquela briga... ele quase te chamou de quê mesmo?
SS (olhos úmidos, mas firmes): De vagabunda. Só não chamou porque eu disse pra ele não fazer isso. Ele estava com raiva, cego, magoado, eu sei... mas isso não justifica.
CW (indignada): Não, não justifica mesmo.
SS: Me acusou de estar traindo ele. Disse que não podia confiar em mim. Que a “amiga” dele abriu os olhos dele. E depois... foi pra casa dela. E foi encontrado seminu. Então assim, ele que me traiu . Ponto.
CW: Meu Deus, Sara...
SS (olhando a barriga): Cath, ele me mostrou um lado dele que eu não conhecia. E eu não gostei. Eu não quero meu filho crescendo num ambiente tóxico. Eu e James passamos por horrores. Meu filho vai ter outra chance. Vai ter paz.
CW (com voz embargada): Você está decidida a não contar, então?
SS: Sim. Vou esconder a gestação enquanto puder. Quando não der mais, entrego minha demissão e vou pra São Francisco com o James. Peço, do fundo do coração, que guarde esse segredo. Por mim. E pelo seu afilhado aqui. (passa a mão sobre a barriga com carinho)
Catherine se levanta e vai até a amiga, a abraçando com força.
CW: Ohhhhh gente... eu vou ser dinda! Eu te prometo, Sara. Você não está sozinha. Vou te apoiar. Vou proteger esse bebê com você. E quanto ao Gil... ele que encare as consequências.
SS: Obrigada, Cath. Isso significa o mundo pra mim.
Faltando um dia para o retorno de Grissom, Sara, com o coração apertado, devolve Hank para a babá. Melinda agradece, mas resolve que vai omitir do patrão todos os cuidados e atenção que Sara teve com o cachorro. Ela sabia que Grissom não estava pronto para ouvir qualquer menção à ex-namorada.
Na manhã seguinte, Grissom retorna. Chega cedo, cabelos ainda molhados da chuva fina, semblante sério. A primeira coisa que faz é passar na casa da babá para buscar Hank.
GG (acariciando o cachorro): Sentiu minha falta, rapaz?
Melinda: Ele sentiu, sim. Mas se recuperou bem.
GG (estranhando): Recuperou?
Melinda (desviando): Ah, nada demais, se recuperou da saudade do senhor. Ele tá ótimo.
Grissom acaricia o cão, o leva para casa e parte direto para o laboratório.
Sara caminha pelos corredores com uma prancheta nas mãos. O cabelo preso, postura firme, mas por dentro, o estômago revirado. Ela sabia que qualquer hora se esbarrariam.
E como num roteiro cruel, ela vira o corredor… e ele está ali. Grissom. Ambos param. Ele olha para ela. Uma mistura de saudade, culpa e surpresa por vê-la tão distante. Ela simplesmente o cumprimenta com um leve aceno de cabeça e segue andando. Ele vira, quase chama por ela… mas desiste. Ainda não sabe o que dizer.
O retorno de Grissom ao laboratório já era aguardado com certo nervosismo por todos, mas o que ninguém esperava era que o plantão começaria com uma agitação. Assim que Grissom entra no seu escritório, Heather Kessler surge no corredor, com um vestido justo, postura imponente e um leve sorriso provocador. Logo ela chega ao seu destino.
GG (surpreso e seco): O que faz aqui, Heather?
LH (teatral): Boa noite para você também, Grissom! É assim que me recebe depois de um mês sem nos ver?
GG: Não estou aqui pra jogos. O que você quer?
LH (direta, com olhar fixo): Estou grávida. E o filho é seu.
GG (em choque): É O QUÊ??
LH (aumentando o tom): GRÁVIDA, ENTENDEU BEM?
GG (nervoso, porém firme): Você só pode estar louca. Eu não posso ser o pai dessa criança.
LH: E por que não? Já esqueceu que transamos há um mês?
GG (indignado): Esquecer? Heather, se esqueceu que fui encontrado dopado na sua cama? Eu não fui lá para isso. E, honestamente, não acredito que aconteceu algo entre nós. Achei que fosse minha amiga. Você quase destruiu minha carreira com aquela armação. Agora isso?
LH (cruza os braços, desafiante): Vamos ver o que o exame de DNA diz, querido. Mas pode preparar a carteira — e o berço.
GG (duro): Saia da minha sala. Agora.
Heather sai batendo os saltos nos corredores como quem prepara mais um ato da peça. E o palco é perfeito: Hodges.
LH (sorrindo): Oi, Hodges! Vim visitar o pai do meu filho. Estou grávida do Grissom!
DH (arregalando os olhos): Você está... grávida... do Grissom??
LH: Sim. Tchau, querido! (e segue triunfante)
Como esperado, Hodges, o porta-voz não oficial da rádio peão do laboratório, espalha a notícia em segundos.
A equipe da noite aguarda Grissom para divisão de casos. A sala está animada até que Greg Sanders entra com a bomba:
GS: Gente, vocês não vão acreditar. A Lady Heather tá grávida do Grissom!
CW (vira rapidamente): Greg, que história é essa?
GS: Ela mesma contou para o Hodges. Já tá rolando a noticia pelos corredores!
NS: Grissom vai ser pai??
WB: Chocado. CSI virou novela mesmo.
Enquanto isso, Sara levanta discretamente para pegar uma garrafa d’água. A notícia havia acertado em cheio. Mal termina o primeiro gole e começa a engasgar, tossindo com força. Catherine corre até ela para ajudar. Nesse momento, Brass entra e ouve parte da conversa.
JB (sem pensar): Que história é essa? Grissom vai ser pai? Sara, você tá grávida??
Sara se engasga ainda mais. Catherine, entre indignada e protetora, segura a amiga.
CW: Brass, pelo amor de Deus! A Heather que está grávida. Sara não tem nada a ver com isso.
JB: Desculpa, saiu sem pensar.
É nesse momento que Grissom entra, vendo Sara sendo amparada por Catherine. Seus olhos se fixam nela imediatamente. Há preocupação genuína.
GG: Boa noite... Está tudo bem, Sara? Algum problema?
CW: Ela se engasgou, só isso.
Greg (sem noção): Ah, e parabéns! Disseram que você vai ser pai!
Grissom congela. Olhos arregalados, boca entreaberta. O ar parece sair da sala. Todos observam. Ele engole seco, olha diretamente para Sara, que tenta esconder o pânico atrás da expressão neutra.
Grissom dá alguns passos na direção dela. E, com voz baixa, hesitante:
GG: Sara... você está grávida?
CW (intervém de imediato): Grissom, já sabemos que a Heather está esperando um filho seu.
Catherine percebe o supervisor tremendo discretamente. Ele recua.
GG (tentando manter a compostura): Heather não pode estar esperando um filho meu. Nós... nós não tivemos relações. E quanto a você, Sara, está... você está legal para trabalhar?
SS (ainda ofegante, mas firme): Sim. Estou melhor.
GG (desviando o olhar): Certo... então vamos aos casos.
Ele divide os times, e Sara é colocada com Catherine, o que todos consideram um alívio. Grissom mal consegue olhar para ela, e o gesto de evitar confronto direto é notado.
A caminho da cena, as duas peritas vão conversando.
CW (rindo com leveza): Sara, o Gil quase teve um troço quando o Greg falou que ele ia ser pai. Ele ficou branco, mudo, tremendo... Nem piscava!
SS (tentando sorrir): Foi desconfortável. Ele me olhou... como se quisesse perguntar algo. Como se duvidasse... ou esperasse uma resposta que não posso dar.
CW (olha com carinho): Quer que eu fale com ele? Sondar o que se passa?
SS (balança a cabeça): Não agora. Não enquanto eu estiver tentando manter distância. E... agora tem mais essa história da Heather. Preciso de paz, Cath. Por mim. E pelo meu bebê.
CW (segura a mão dela com firmeza): Vai ter. E você vai sair disso mais forte do que imagina.
Turno transcorreu bem e Cath foi quem levou o relatório de Sara para ele. Brass se junta a loira para ir na sala e convidá-lo para um café:
JB: Ei, vamos tomar um café e botar o papo em dia?
GG: A equipe toda vai? Vamos lá!
CW: Na verdade, somos só nós três. Eles já foram.
GG: Ahhh ok!! ( A decepção é percebida pela dupla de amigos) Beleza, vamos sim!
Foram para a casa de Cath, pois a dupla queria revelar para ele que James era irmão de Sara e não amante.
JB: Então, como foram os dias fora!
GG: Bom, os dias que passei com minha mãe foram ótimos, conversei bastante com ela, coloquei algumas coisas que estavam em desordem na minha cabeça no lugar. Acho que foi bom ficar fora, foi bom para apaziguar as coisas.
CW: E essa história de Heather grávida, sabe que é mentira né?
GG: Claro que sei! Eu não transei com ela Cath. Meu erro foi pensar que ela era minha amiga. Fez minha vida virar de cabeça para baixo.
CW: Gil, quando você estava lá apagado, eu aproveitei e colhi material seu para fazer exame toxicológico e nele detectou o uso de substâncias psicoativas, portanto você estava dopado.
JB: Danadinha você.
GG: Sabia, lembro de estar na sala e depois tudo é um apagão.
CW : Grissom eu vou falar bem sério com você agora. é hora do senhor ouvir, porque até agora você está fingindo que nada aconteceu. Fingindo que não destruiu a mulher que te amava. E fingindo que não nos arrastou a todos para essa confusão absurda com a Heather.
Grissom suspira, mas não responde. Seu silêncio é quase uma confissão.
CW: Você acusou a Sara de traição sem sequer perguntar quem era o homem com quem ela estava. Só confiou no que a Heather te mostrou. Não pediu explicações, não buscou a verdade. Você foi cruel.
GG (defensivo): Eu estava confuso. Com raiva. Aquilo mexeu comigo.
CW (se aproxima): Você quase a chamou de vagabunda, Grissom. Você tem ideia do peso disso? Da dor que causou?
GG (arregala os olhos, visivelmente abalado): Ela te contou...?
CW: Sim. Eu vi a dor nos olhos dela. Vi o jeito que ela te evitou desde que voltou. Vi o momento em que ela te viu na cama de outra mulher, seminu, e teve que engolir isso calada.
GG: Mas eu fui drogado. Eu—
CW (corta, impiedosa): Sim, e nós acreditamos nisso. Mas ela estava quebrada, Gil. Ela te amava. E você destruiu isso.
Um silêncio incômodo se instala. Grissom baixa a cabeça, envergonhado.
CW (mais suave agora): Você ainda ama a Sara?
GG (sem hesitar): Com tudo que sou.
CW: Então você precisa provar isso. Não com palavras. Com atitudes. E precisa entender que talvez, dessa vez, ela não esteja mais disposta a te ouvir.
GG: Eu me deixei levar pelas palavras da Heather e ao ver a Sara com aquele cara meu ciúme me cegou e me transformei num monstro, mas ela também com outro cara queria o que? Ela está com ele agora não está?
JB: Gil, não porque ele voltou para São Francisco.
GG: Ele é de SF? Ela o conheceu na Faculdade?
CW: Na verdade o conhece desde criança, se separam por problemas que você sabe quais e agora com ajuda de Brass se encontraram.
GG: É O QUE? VOCÊ TROUXE ESSE CARA PARA ENCONTRAR SARA?
JB: O cabeça dura, o rapaz em questão e por qual você esculachou sua mulher, vem a ser James Sidle, irmão de Sara.
Grissom fica sem fala e sente como se faltasse ar, sente um aperto no peito forte que o faz cair da cadeira e perder os sentidos.
CW: GIL?? Chama uma ambulância Brass.
Os amigos entram na casa do supervisor. O médico o avaliou e disse que foi uma crise de ansiedade, provocada por forte estresse emocional. Ele recebeu alta após os exames não indicarem nenhum problema cardíaco. Grissom está sentado no sofá com um copo de água nas mãos, o rosto ainda pálido e o olhar perdido. O que acabou de descobrir — que o homem com quem viu Sara era, na verdade, James, irmão dela — havia derrubado todas as defesas, certezas e justificativas que sustentava até então. Catherine e Brass trocam olhares cúmplices, sabendo que o momento exige firmeza, mas também humanidade.
O silêncio reina. Grissom está sentado, envolto por um manto de culpa. Catherine e Brass observam, dando espaço até que ele fala:
GG (voz fraca): Falar o quê? Eu acreditei numa mulher que dizia ser minha amiga... e duvidei da mulher que amo. A humilhei. A ofendi. Praticamente a expulsei da minha casa por ciúmes do irmão dela. Nem dei a chance de ela me contar... não deixei ela falar. Me sinto um lixo.
CW (mais branda, mas firme): Gil, calma. Você errou, e feio. Mas ficar se afundando na culpa não vai mudar o passado. E... sim, eu te avisei. Só que não quero tripudiar.
GG (irônico e amargo): Mas devia. O babaca aqui não ouviu. E sabe o que é pior? Eu sei que vocês estão ajudando ela a ficar longe de mim. Ela evita até me olhar, Cath. Como se eu fosse... o pior ser da Terra.
JB (direto): Gil, você feriu a Sara profundamente. O mínimo que ela precisa agora é de respeito e espaço. Você plantou isso. Nós só estamos tentando protegê-la das consequências.
GG: Eu queria... pelo menos... pedir perdão. Mesmo que ela nunca mais me queira por perto. Viveria em paz se soubesse que me perdoou.
CW (olhando nos olhos dele): Hoje, quando pensou que ela estivesse grávida... o que sentiu? O que faria?
GG (respira fundo, sincero): Queria ter corrido até ela. Abraçado. Beijado. Eu sempre imaginei ser pai, mas só de um filho com a Sara. Era meu sonho. Agora esse sonho acabou. Se não se importarem, vou descansar. Até mais tarde.
Já fora da casa, caminhando em silêncio até o carro, Catherine finalmente solta o peso.
CW (sussurra): Jim... o Gil vai ser pai sim. A Sara está grávida.
JB (chocado): O quê??? Você tá falando sério?
CW (balança a cabeça): Vi o exame. Estava na casa dela. Mas ela não vai contar. Quer ir embora. Disse que quando a barriga crescer, pede demissão e vai pra São Francisco.
JB: Meu Deus... a raiva dela tá muito mais profunda do que pensei.
CW: Ela confessou ter medo do Gil. Não físico, mas das palavras. Da forma como ele a tratou. Disse que não quer que o filho cresça em um ambiente como o que ela e James viveram.
JB (pesado): Ele mostrou um lado que ela nunca tinha visto...
CW: E que não quer ver nunca mais. E eu entendo.
JB: Temos que dar um jeito. Mostrar pra ela que ele não é esse homem. Que ele errou, mas pode mudar.
CW (entra no carro): Vamos descansar. Mas logo... vamos achar uma forma de consertar isso.
Dias passam e Sara já estava realizando seu pré natal e na primeira ultra Jim foi com ela. Ele não se aguentou e confessou que já sabia.
Sara está deitada, sorrindo ao ver o bebê no ultrassom. Cath segura sua mão e Brass está de pé ao lado. A médica explica o desenvolvimento, tamanho e batimentos.
CW (carinhosa): É lindo, Sara. Tô tão emocionada.
SS (sorrindo entre lágrimas): Eu também. Não consigo acreditar que isso está acontecendo. Mas agora... é tudo por ele. Pelo meu bebê.
Assim que saem da sala, Sara ajeita a blusa enquanto Cath entrega os papéis. Brass hesita, e então solta a bomba:
JB: Sara, a Heather também estava ali. Em outro guichê. Eu ouvi o médico dela. Ela está com 15 semanas...
SS (parando): Espera aí. Quinze??
CW (já ligando os pontos): Aquela noite em que vimos o Gil na cama dela... foi há pouco menos de dois meses. Isso é mentira. Ela armou tudo.
SS (trincando os dentes): Ela queria um pai para o filho que já estava esperando. E escolheu o Gil... porque sabia que ele se culparia.
CW: E agora temos como provar. Fiz o toxicológico dele naquela noite. Ele estava completamente dopado. Ela drogou o Gil, armou a cena... e jogou você no fogo.
SS (desviando o olhar): Essa é a amiga que ele escolheu confiar. Mas sabe de uma coisa? Não quero mais saber. Que ele se vire com as consequências das escolhas dele.
JB (tentando suavizar): Mesmo assim, vale a pena você saber que ele vai atrás disso. Com certeza vai ficar furioso ao saber disso. Ele finalmente está enxergando o que todos nós já sabíamos.
SS (fria): Bom pra ele, mas pra mim já é tarde demais.
CW: Acho que não!! Vocês se amam muito!!
Grissom está sentado à mesa, analisando uma pilha de relatórios que não foram entregues por Sara. O olhar cansado, barba por fazer e a blusa de manga dobrada revelam um homem que parece carregar o peso de uma década em semanas. O tempo passa devagar. Ele suspira fundo, mais uma vez se perguntando como reconquistar alguém que não quer mais ouvi-lo.
A porta se abre. Brass entra, segurando um envelope.
JB (sem rodeios): Gil, acho que você vai querer ver isso.
Grissom olha, meio sem ânimo, mas estende a mão. Abre o envelope, vê o exame com o nome de Heather Kessler. Seus olhos descem até a parte com a informação da idade gestacional:
“Gestação: 15 semanas.”Ele fecha os olhos. Respira. Lê novamente, para ter certeza. Treme. Enfim, coloca o papel na mesa com força.
GG (reprimindo a raiva): Quinze semanas?
JB: Exato. Por acaso estava no mesmo local em que ela fazia o exame, só que ela não me viu. Isso quer dizer que...
GG (interrompe, entre os dentes): Quer dizer que quando ela disse que engravidou “naquela noite”... não só estava mentindo como me drogou e usou minha reputação como arma. De novo.
Ele se levanta, caminha de um lado ao outro, respira fundo e encara o amigo.
GG: Jim, ela quase acabou com minha carreira. Me fez perder a mulher da minha vida. Me jogou num inferno. E agora... isso?
JB: Vai precisar fazer isso legalmente. Quer que eu fale com a promotoria?
GG (firme): Sim. Eu quero um exame de DNA, quero um boletim oficial dessa armação. E se necessário for... quero abrir um processo por falsidade ideológica e dano moral. Cansei de ser o idiota nessa história.
Grissom está sozinho. A ficha caiu. Ele olha para o exame de Heather mais uma vez e depois encara um porta-retratos de Sara que ainda está em sua mesa. Pega o objeto, encara-o por um tempo. Os olhos se enchem de lágrimas.
GG (murmurando para si mesmo):
Sara, o que eu fiz com a gente?
Ele pega o telefone. Liga para seu advogado.
Em determinado momento, Grissom levou Hank para consulta de rotina e se surpreendeu com o que descobriu:
Veterinário: Grissom o Hank está curado 100 % da infecção. Os exames deram todos bons. Sara cuidou direitinho do jeito que ensinei, dê parabéns para ela por mim.
O supervisor disfarça a surpresa e:
GG: Claro, vou falar com ela.
Saiu de lá sem entender nada, então resolveu ligar para Melinda e perguntar sobre o que o Veterinário havia falado e no momento, sem alternativa, a moça contou que Hank ficou doente durante o período em que ele esteve no seminário e como não conseguiu contato com ele, falou com Sara que o levou ao veterinário e cuidou dele o tempo todo. O supervisor resolveu que assim que tivesse oportunidade iria agradecer a ela.
Em mais um turno os peritos estavam numa correria de um caso onde uma família estava desaparecida e deixaram na casa somente o bebe de 08 meses. A equipe estava nas buscas e Sara ficou na missão de tomar conta do bebê. Grissom iria entrar na ajuda quando viu a morena um pouquinho enrolada com a criança, mesmo sabendo da distância que ela queria dele, resolveu arriscar:
GG: Quer ajuda?
SS: E você sabe cuidar de criança?
GG: Quando estávamos juntos eu imaginava nós dois pais, então comecei a ver alguns vídeos na internet. Acho que alguém encheu a fraldinha.
A revelação de Grissom impactou Sara que ficou emocionada ( coisas de gestante). O supervisor começou com todo o cuidado a trocar a fralda e Sara foi então cuidar da parte da mamadeira.
GG: Oi garotão, você até que colaborou com o tio, troca de fralda concluída.
SS: A mamadeira está pronta!
Sara habilmente senta e começa a dar a mamadeira para o bebê. Grissom não consegue disfarçar o encantamento com a cena à sua frente. Se agacha perto dela e com uma mão em suas costas, a outra ele faz carinho no bebê.
SS: Acho que ele gostou de mim, não está dando trabalho nenhum.
GG: Impossível alguém não gostar de você. É uma mulher encantadora, amorosa, carinhosa, linda.
SS: Tem gente que quando eu ajudo colocar na cadeia não me acha isso tudo.
Os dois caíram na risada. Era a primeira vez depois de semanas que estavam conversando e o papo estava leve. Após a mamada, o supervisor pediu para colocar o baby para arrotar.
GG: Sara ele está cochilando, vamos levá-lo pra minha sala e arrumamos um cantinho para ele dormir.
SS: Sim, vamos!
Pegaram um dos assentos do sofá, colocaram no chão e protegeram ao redor para ele não cair. Logo ele dormiu e os dois ficaram sentados lado a lado no chão.
SS: Você aprendeu direitinho a cuidar de um bebê. Parabéns! Quando seu filho nascer você estará pronto.
GG: Sara, para um filho meu nascer precisaria que você estivesse grávida porque não pretendo e nunca tentarei ter filho com nenhuma outra mulher, mas como estamos separados então o sonho de ser pai foi pro espaço. Brass me contou sobre a ultra de Heather, que só foi a certeza de algo que já sabia, não sou o pai do filho dela. Vou tomar medidas contra ela.
SS: Você vai processá-la?
GG: Vou, me prejudicou muito. Sara, sei que não tem justificativa tudo que fiz, mas queria te pedir perdão por tudo que lhe causei, que falei... fui um idiota sem tamanho com você e espero que um dia você possa me perdoar. Te peço perdão pelo meu erro, sei que perdi sua confiança e talvez seu amor, sei que te perdi por minha culpa, mas ficaria muito feliz se você pudesse me conceder seu perdão um dia.
SS: Você sonha em ser pai? Nunca me falou.
GG: Sim Sara, gostaria muito de ter um filho ou filha com você. Ensinar a jogar beisebol, poder ir com ele no jogo dos Cubs. Se for menina brincar com ela e ensinar desde pequena a ficar longe dos meninos (dá um sorriso). Não, sério ... iria ensinar a como diferenciar dos meninos malandros, para os sérios.
Caíram na risada de novo.
SS: Você vai ser um ótimo pai, seu filho/filha serão privilegiados em ter você como pai.
Grissom estranha a forma como Sara está falando já que está confirmado que Heather não espera um filho dele e a mesma nota que acabou por falar demais. Quando percebe que ele vai perguntar algo e com a eletricidade de estarem muito perto, ela o beija. O beijo começou calmo e vai aumentando a velocidade. Ao alisar o corpo da morena, principalmente os seios, o supervisor nota mudanças. De repente eles se lembram que estão no laboratório e param o beijo, os amassos e falam ao mesmo tempo quase sem fôlego:
GG: Sara eu...
SS: Grissom eu...
Ambos caem na risada. São tirados da saia justa com a entrada de Cath para explicar que acharam a família presa em um galpão, que os sequestraram para obrigar ao pai a realizar um serviço etc...
CW: Vocês cuidaram do Téo juntos?
GG: Sim!
SS: O Grissom me ajudou. Está sabendo cuidar de um bebê como ninguém, tá craque. Obrigada Grissom!!
Sara levanta e leva Téo para que fosse levado para sua família.
CW: Que sorrisinho é esse aí?
GG: Nos beijamos. Consegui pedir perdão para ela, consegui falar com ela depois de mais de 02 meses. Só parei o beijo porque lembrei do laboratório.
CW: Uhumm danadinho!! Quer dizer que a fera está amansando? Insista Gil, faça coisas para mostrar que está arrependido, que você a ama de verdade e que ela pode confiar em você, que vai cuidar dela com carinho.
GG: Com certeza Cath!! Sabia do passado de Sara e agi que nem um animal com ela. Vou me redimir e fazer de tudo para reconquistá-la.
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