Vendetta - Através do Rio
2 Capítulo 1 - Novo mundo
Notas iniciais
A cidade era um completo caos. De longe Neloy não havia percebido a destruição e a grande nuvem de fumaça que sobre ela pairava, mas na medida em que se aproximou começou a ponderar se realmente valeria a pena se dirigir para aquele local.
O homem concluía tristemente: "não tenho outra esperança". Realmente, não tinha. Seus paços estavam cada vez mais fracos e seu corpo magro beirava a desnutrição e não oferecia grande resistência às fortes rajadas de vento que o atingiam. Não sabia mais de onde tirar forças para continuar a caminhada e sua visão tremula parecia se esquecer de que a cada passo ele deveria se aproximar da cidade.
Quando já não mais podia aguentar, Neloy se arrasou pelo chão. A noite já tornava os ventos mais calmos e o clima mais fresco. Seus olhos se fecharam e cada músculo doía.
Veio então à sua mente a imagem de Teresa. Ele não sabia muito bem quem era, mas tinha um sorriso doce e falava sobre algo engraçado. Não conseguia ouvir muito bem. Seus cabelos afro eram trançados e bem cuidados, seus lábios eram grossos e se alongavam em um grande sorriso. A pele negra e macia reluzia, ele se lembrava de já tê-la tocado, de já ter sentido aquela pele... Ele conseguia sentir agora, o prazer daquela sensação, o peso daquela mulher forte. Se sentia dentro dela e ela se movia em frenesi buscando mais prazer. Teresa era o nome da mulher pela qual ele havia se apaixonado, ele lembrava agora.
Não sabia muito bem se havia desmaiado ou se estava adormecido. Vez ou outra sentia o vento do deserto varrer a areia para seu rosto e apesar disso, sua visão era o breu.
Pensamentos passavam, fora de controle, em sua mente. Neloy sentia sua cabeça ficando cada vez mais quente, até doer, até a dor passar e ele não mais sentir sua cabeça, ou qualquer parte do seu corpo.
Estava em um grande campo, e a grama refletia um intenso verde. Um senhor o segurava pela mão, era seu avô. Eles andaram alguns metros através do campo, coberto por árvores esparsas e de grandes copas, e logo chegaram naquele chalé velho, onde viviam seus avôs e outrora viveram seus pais. Seu avô, Nícolas, era um senhor muito alto e de postura assustadoramente ereta para sua idade. Tinha um bigodezinho branco e óculos redondos. Como todo senhor em sua idade apresentava um grande nariz no meio do rosto um tanto rosado. Neloy sentia o sol fraco matinal sobre sua pele infantil, devia ter uns seis anos.
Subiram pelos degraus da varanda de madeira e vovô abriu a porta. Era tudo negro dentro da casa, e em uns instante não havia mais vovô. Neloy percebera o devaneio e voltou ao mundo negro onde se encontrava, provavelmente sobre a areia, onde devia estar desmaiado. Mas algo parecia estranho... Terrivelmente errado.
Leroy agora se lembrava de tudo! E isso o assustou terrivelmente.
"Eu não estou desmaiado... apenas morri nesse maldito deserto"
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