Vencer Ou Morrer
1 Ou Você Vence Ou Morre

Quando Rhaegar e Lyanna finalmente saíram da Torre Da Alegria, os Sete Reinos estavam em paz e a guerra tinha acabado.
Os dois, seu filho recém nascido e os três guardas reais que os acompanharam foram até a capital para tomar o lugar de direito de Rhaegar como rei, já que chegou a eles a notícia que Aerys havia morrido em circunstâncias suspeitas.
Caminhando pelas ruas de Porto Real até a Fortaleza Vermelha, eles acharam que tudo estava bem.
Mal puderam acreditar quando de repente alguns soldados os cercaram e os conduziram até a sala do trono... Onde Elia estava sentada no Trono De Ferro a espera de ambos.
—Olá Rhaegar. Olá Lyanna.
—Elia, o que é tudo isso? Por que mandou os guardas até nós? Eu sou o rei!
—Na verdade não, meu querido. Eu sou a rainha regente, por que o rei é Aegon, o sexto de seu nome.
—Não Elia, o direito é meu!
—Deixou de ser quando nos abandonou a própria sorte pra sofrer e morrer nas mãos de seu pai e causou uma guerra que devastou e sangrou o reino, meu querido.
—Elia eu sinto muito, mas fiz o que é necessário, eu tinha que salvar o mundo!
—Salvar o mundo... Destruindo ele? Você fez tudo por causa de uma profecia idiota que não necessariamente se aplica a você pois a sua mãe teve outros dois filhos?
—Eu sei que é difícil de entender mas se me deixar explicar eu...
—Não estou interessada. E você, Lyanna, não diz nada em sua defesa?
—É rainha Lyanna! — ela corrigiu com raiva — Eu sou a rainha, a esposa verdadeira de Rhaegar, ele te repudiou!
—Ainda bem. Por que isso salvou a minha vida e desgraçou a sua.
Lyanna ficou em choque.
—Como assim?
Elia puxou um monte de cartas e mostrou aos dois.
—Eu achei as cartas que você mandou a Rhaegar. E também a anulação do nosso casamento. mostrei para os líderes rebeldes. Por acaso seu irmão e seu agora ex-noivo.
Lyanna ficou pálida.
—Essa aqui, em que você fala em como sonha cavalgar no pau do Rhaegar foi particularmente o ponto alto quando a li na frente de todo mundo. E que sorte que seu irmão é honesto e admitiu que a letra é sua. Também na frente de todo mundo.
A nortenha entrou em desespero.
—Ah, falando em seu irmão, ele me pediu para te dar um recado. Você não é mais uma Stark de Winterfell, está deserdada. Não tem mais seu título de nobreza ou sua posição como terceira na fila de sucessão. Já que você odeia tanto todas as suas responsabilidades como filha da casa Stark, agora você está livre como Lyanna Snow.
A loba caiu de joelhos, abalada com o golpe.
—Ah, sir Gerold, o senhor não é mais um membro da família Hightower, agora é Gerold Flowers. O mesmo para sir Oswell, o senhor não é mais um Whent, é um Rivers, e sir Arthur Dayne agora é Arthur Sand.
Os três guardas ficaram chocados ao ver as cartas de suas famílias, mostrando que tinham sido deserdados.
—Ah, e por terem contribuído para a ruína dos Sete Reinos você três estão banidos de Westeros. Se pisarem nessas terras será pena de morte. Podem levar os três e tirem seus mantos brancos!
Os três homens gritaram de protestos mas foram arrastados para fora da sala do trono.
Agora Elia diria as duas pessoas que quase a mataram seus castigos, escolhidos com cuidado para satisfazer ambos os lados afim de manter a paz.
—Elia você não pode fazer isso! O rei sou eu, sou o herdeiro legítimo do trono!
—Não meu querido. Você era.
Elia por fim mostrou as duas últimas cartas que tinha.
—Seu pai se reuniu com o Conselho pouco depois que Aegon nasceu e você fugiu com a Stark. Você agora é Rhaegar Waters um bastardo sem direito a nada!
Rhaegar ficou furioso.
—Meu pai estava louco!
—É mesmo? Ele estava louco? Nem notei! -falou Elia cheia de ironia. –O que será que denunciou? Ele queimar pessoas vivas?
—Ele estava louco! Esse documento não vale!
Elia sorriu para ele com pena, como se Rhaegar fosse uma criancinha birrenta.
—Você podia ter usado esse argumento e tirado seu pai do trono a um ano atrás. Ou dois, ou três, ou quatro. Mas como estava mais concentrado em uma profecia de milhares de anos que talvez nem possa se realizar nesse século em vez de cuidar do reino, do seu povo e da sua família antes que tudo fosse aos ares por obra do seu pai, o "querido" Aerys não foi afastado de suas funções, portanto era o rei de direito e podia sim te deserdar legalmente. E melhor ainda, a sua mãe aceitou te deserdar também diante do Conselho e dos rebeldes!
Rhaegar estava a ponto de matar Elia de tanta ira que sentia ao perceber como fora despojado de sua herança e seus direitos.
—Se eu sou bastardo agora Aegon também não tem direito a nada!
Elia levantou a sobrancelha e deu um sorriso debochado.
—Meu benzinho, você queria ser rei mas não tem conhecimento de lei nenhum sobre herança? Quando nos casamos, você ainda era Rhaegar Targaryen, o legítimo herdeiro. O que faz do meu filho neto legítimo também. Você pode deserdar um filho, mas não pode deserdar o neto legítimo que nasceu de um casamento legítimo antes da deserção. Aliás, não sei se notou, mas o seu filho com Lyanna Snow nasceu quando ambos já foram deserdados. O que quer dizer que mesmo se o casamento dos dois fosse considerado legítimo seu filho não teria direito nem a herança Stark, nem a herança Targaryen.
—O que quer dizer com o nosso casamento não ser considerado legítimo? Somos casados sim! O meu marido anulou o seu casamento com ele para casar comigo!
—Quanto a isso, o novo Alto Septão tem uma palavrinha a dizer.
O homem saiu do meio dos soldados e se curvou para Elia. Depois se virou para o ex-príncipe e a ex-lady.
—O seu casamento não é válido.
—Como assim? É válido, o outro casamento do Rhaegar foi anulado! -teimou Lyanna.
—Não... Por que Rhaegar não podia anular esse casamento, mesmo sendo príncipe.
Lyanna olhou para ele espantada.
—Por que?
—O casamento é um vínculo feito especialmente para ser difícil de ser quebrado. Ele serve para dar segurança a esposa e aos filhos legítimos. Por isso um casamento só pode ser desfeito sob uma não consumação, ou identidade falsa. E mesmo assim é preciso permissão do Alto Septão, da família do marido e da família da mulher. Nem mesmo uma traição ou infertilidade podem desfazer um vínculo de um casamento legal. O casamento com Elia foi consumado, teve frutos e não houve infidelidade da parte dela. Portanto, o casamento dela quando Rhaegar ainda era Targaryen é válido. O seu não. Você é amante, seu filho é bastardo e agora mesmo que pudessem se casar seu filho não será Targaryen e sim Waters além de Snow.
Lyanna olhou para Rhaegar decepcionada. Ele não tinha contado essa parte legalista para ela.
—Agora que tudo está esclarecido, Aegon é rei e eu sou sua regente, por decreto da própria Rhaella que não quis ficar em Porto Real. Então quem manda aqui sou eu meu benzinho.
Elia estalou os dedos, e um soldado arrancou o bebê de Lyanna dos braços dela.
—Não! Devolva meu filho!
—Seu filho será enviado ao seu irmão para ser criado por ele como Snow. Essa é parte do castigo escolhido para apaziguar os rebeldes.
—Não! Não!
Lyanna chorava.
—Agora falta o castigo de vocês dois. O Alto Septão não está aqui só para ser paisagem. Ele está aqui para levar você para ser uma Irmã Silenciosa.
Lyanna arregalou os olhos ao perceber a vida que iria levar.
—Não, não pode me forçar!
Elia deu de ombros.
—Você que decide. Ir com ele com escolta para te proteger ou ser jogada do lado de fora, onde tem uma multidão de gente que está passando fome e perdeu parentes na guerra que os dois causaram. Sem proteção, sem família, sem dinheiro e sem nenhum recurso. Quanto tempo vai sobreviver?
Lyanna abaixou a cabeça, resignada.
—Já você Rhaegar, eu tive que lutar muito com Robert Baratheon para que fosse permitido que você vivesse. Só uma solução foi encontrada para que ele ficasse satisfeito.
Rhaegar sentiu medo do sorriso dela.
—Você será castrado e mandado pra Muralha.
Rhaegar tentou lutar contra os soldados que o seguraram e ele começou a gritar.
—Elia tenha piedade! Não faça isso!
—A piedade acabou quando você deixou a mim e aos meus filhos nas mãos do seu pai. Podem castrar e levar embora. Alto Septão, leva a cadela com o senhor também.
A sala ficou vazia e Elia, sentada no Trono De Ferro, se lembrou das palavras de sua mãe.
"Quando você joga o jogo dos tronos ou você vence ou morre!"
Ela fez sua escolha.
E se pela sobrevivência dela mesma, de Rhaenys e seu pequeno Aegon ela tivesse que sacrificar um canalha que a deixou para morrer, a cadela com quem ele estava cruzando e o bastardo de ambos, que assim seja.
Piedade não tem lugar em Porto Real.
FIM
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