Vencendo Obstáculos
1 Capítulo um – Descobrindo os anjos
Notas iniciais
“Princesinha, você já tem dezessete anos, está mais do que na hora de acabar com essa coisa de música e pensar em fazer uma faculdade de administração, direito, hotelaria, sei lá filha, escolher algo serio e que a fará cuidar do nosso hotel” Leroy argumentava pela milésima vez com a filha.
“Papai, quando é que você vai entender que a música não é brincadeira para mim? Eu estudo música de verdade e farei NYADA e não Harvard ou Yale, aceite isso” Rachel falava irritada, se mais uma vez seu pai ousasse a falar que seus sonhos eram infantis, ela certamente iria sair completamente do sério com ele.
“Pelo amor de Deus Rachel, coloque o pé no chão e desça das nuvens, você nunca será uma cantora, esse mundo é escasso demais e não importe o quanto você é boa, é quase impossível chegar aonde você deseja, já o hotel, esse sim é real” Esse foi o estopim, Rachel não podia ouvir mais nada, seu pai, seu papaizinho estava a dizendo que ela nunca iria ser uma cantora de verdade, seus olhos possuíam o brilho intenso proveniente de lágrimas, mas ela não as deixou cair, não daria esse gostinho ao seu pai.
“Um dia eu vou ser essa cantora que você está enchendo a boca para falar que eu nunca serei e nesse dia papai, guarde bem isso, nesse dia eu não vou querer o senhor lá me aplaudindo e se fazendo de pai orgulhoso. Como pode o senhor não acreditar em mim?” Era inútil as lagrimas começaram a cair e Rachel subiu correndo para seu quarto, seu pai na sala ficou estático e apenas ouviu o som da porta sendo batida.
O maduro homem de cabelos já grisalhos se sentou no sofá, ele não queria ser duro com sua filha, ele sempre a incentivou cantar, dançar e, sabia que ela era boa, mas ele não podia a deixar seguir com isso, não agora que ela já estava maior e quase indo para a faculdade, isso são coisas de criança e não dão futuro a um adulto, ele sabe disso melhor que ninguém, sua esposa Shelby é a prova viva, Rachel deveria ver o exemplo de sua mãe, ela nunca conseguiu alcançar seus sonhos e acabou se limitando a montar um estúdio de dança e canto para ensinar crianças.
Leroy era um pai carinhoso e Rachel era sua filha única, os minutos que se passaram foi de plena tortura, ele sabia que tinha feito a filha chorar e sofrer e ele se condenava por isso. Talvez ele devesse deixar Rachel aprender por conta própria, o mundo a faria chorar e ele a consolaria, isso deveria doer menos do que ele a fazer chorar e saber que não poderia a consolar. Foi com esse pensamento que ele bateu na porta do quarto da jovem.
“Vá embora” Rachel gritou, ela sabia que era seu pai, só ele batia na porta com quatro toques rítmicos.
“Estrelinha, deixe eu falar com você” A raiva de Rachel aumentou, como ele a podia chamar de estrelinha se tinha acabado de falar que ela jamais brilharia.
“Eu não quero falar com o senhor” Ela gritou mais uma vez.
“Por favor Rachel, eu vim dizer que vou te apoiar e fazer de tudo para que você consiga alcançar seus sonhos e vim também me desculpar” Rachel se levantou da cama, agora ela estava em uma posição sentada. Essa não tinha sido a primeira briga entre ela e seu pai por causa dela ter decidido seguir a carreira artística, porém essa tinha sido a primeira vez que ele tinha levantado bandeira branca e dito que iria a apoiar. Ela se levantou e abriu a porta, seu pai estava em pé segurando sua caneca de água, uma caneca preta e com uma grande estrela dourada esculpida em ouro no centro. Que se dane a água, ela se jogou nos braços do pai e o abraçou, tinha demorado, mas ele tinha cedido e agora ela podia contar com seu apoio.
“Eu te amo papai” Ela deu um beijo na bochecha de seu pai e pegou a caneca para beber sua água. Seu pai sorria amplamente, ele sabia que mais uma vez tinha cedido aos caprichos da filha, mas ela sempre seria sua princesinha e no intimo ele desejava que ela conseguisse alcançar seu grande sonho na Broadway.
Ambos sentaram na grande cama de Rachel.
“Eu quero reafirmar que vou te apoiar Rachel, eu quero estar lá quando você for essa cantora dos seus sonhos, porém”
“Sempre tem um porém” Rachel cortou o pai e se jogou contra a cama deixando suas costas encostar no seu macio colchão, ela sabia que os porém de seu pai nunca eram bons.
“Porém” Seu pai retornou em voz firme fingindo não ter ouvido a filha resmungar “Você ainda assim terá que entender sobre os negócios da família e quero que trabalhe no hotel durante os fins de semana”
“Ah não papai, isso não” Ela protestou e voltou a se sentar, o hotel de sua família era o melhor e mais luxuoso de Lima, seu pai não o construiu, fora seu bisavó e está na família desde então.
“Rachel, você tinha dez anos a última vez que pisou naquele hotel, eu quero sim que você entenda o funcionamento dele, não estou te pedindo nada demais. Durante o seu tempo livre você vai apenas passar um tempo lá” A adolescente apenas revirou os olhos, era inútil negociar isso e ela sabia.
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“Filha, desça logo que já está ficando tarde” Seu pai gritou da base da escada, era sábado e ela não teve como fugir, estava sendo obrigada a ir para o hotel e passar o dia todo por lá.
“Papai, pare de gritar, parece que o mundo está acabando” Rachel desceu a contra gosto “Já estou aqui, vamos tomar café” Ela estava indo para a sala de jantar aonde a mesa provavelmente já deveria estar posta, sua mãe sempre tinha o cuidado de que eles fizessem as refeições juntos do café da manhã e jantar, era o momento que ela designava como, momento família.
“Não dá mais tempo para o café, você toma no hotel, vamos que está tarde” Seu pai a segurou impedindo dela seguir para a sala de jantar.
“Como assim não da tempo para o café da manhã?” Ela sentiu seu estomago ronca, seu nariz inalava claramente cheiro de panquecas.
“Você demorou demais filha” Seu pai apenas foi a arrastando porta a fora. Longo dia aquele, ela imaginou.
O hotel estava mais bonito do que ela imaginava e tinha ganhado uma nova estrela, agora ele era 5 estrelas, ela não sabia muito bem como agir, seu pai tinha assumido um passo rápido e tinha a deixado para trás, ela olhava tudo timidamente e até curiosamente, o hotel seguia uma linha sofisticada e luxuosa, cada detalhe tinha sido planejado e isso era obvio até a um observador leigo. Ela não olhava o caminho, apenas os quadros na parede, tapeçaria no chão, os detalhes das sancas e flores espalhadas, foi quando ela viu um lindo arranjo de flores rosas e vermelhas misturadas é que ela se sentiu chocar contra um corpo, devido a sua baixa estatura ela já ia caindo no chão, porém braços fortes a seguraram e a rodaram, ela agora ainda estava inclinada para o chão, mas estava sendo apoiada por tais braços, a mulher loira estava inclinada sobre ela, seus rostos estavam tão perto, era só ela fazer uma força e seus lábios se aproximariam dos da mulher que lhe segurava, tudo nela era tão lindo, seus olhos verde a hipnotizaram, Rachel sabia que aquela mulher era a pessoa mais linda que ela já tinha visto na vida.
Sim, anjos existem, ela descobriu naquele momento.
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