Velvet

2 Você está linda, Regina


Notas iniciais
Gentee muito obrigada pelos comentários, Evil Charming é vida. Espero que curtam esse cap. Boa leitura!

David estava se sentindo um pouco estranho. Assim que Gold voltou, o loiro bebeu a poção e foi embora, mas algo não estava certo. Parecia que algo dentro de si estava se mexendo, algo estava se agitando e pedia para ser posto para fora.

–Deve ser só a minha imaginação. Eu não duvidaria se estivesse ficando louco.- disse, andando pelas ruas de Storybrooke.

Ele ainda conseguia se lembrar de Mary Margaret, mas não com clareza. Os momentos que passaram juntos, todos os dias e noites vividos...o rosto dela parecia um borrão, do qual não possível distinguir quem era. Talvez, Rumplestilskin só tivesse errado um pouco na dosagem do esquecimento. De qualquer forma, até suas lágrimas haviam parado de escorrer. Ele sabia quem ela era, só não sentia mais nada.

David pensou em ir para casa, mas não queria ir até lá e correr o risco de encontrar sua ex- esposa arrumando suas coisas, porque sairia de casa. Seria bem desconfortável, mas não incômodo. Resolveu então ir tomar um café no Granny's, algo quente para tirar aquele gelo que a poção o havia proporcionado.

O príncipe caminhou mais alguns minutos e avistou o estabelecimento logo adiante. O cheiro de comida lhe invadiu as narinas e ele sentiu seu estômago roncar. Talvez comesse uma rosquinha como acompanhamento.

Ele abriu a porta e entrou, fechando a mesma atrás de si. Se dirigiu até o balcão e chamou a Granny com um aceno. A senhora veio logo atendê-lo.

–Um cappucino e uma rosquinha, por favor. Para a viagem.- pediu.

Ele olhou ao redor. O local estava bem movimentado, com gente saindo e entrando quase ao mesmo tempo. Logo, alguém parou ao seu lado e fez um pedido a Granny. Ele só percebeu quem era quando ela se virou para ele.

Seus olhos castanhos encontraram os do loiro.

–Boa tarde, Charming.- ela disse, educada como sempre.

–Boa tarde, Regina.- ele disse, tentando não tropeçar nas palavras.

Que estranho. Ele quase nunca ficava sem palavras. Ele ficou encarando-a, sem motivo evidente. Só queria observá-la, analisar seu rosto...epa!

"O que está acontecendo comigo?"- pensou o loiro, confuso.

Regina por sua vez, estava se sentindo um pouco incomodada.

–Tudo bem com você?- ela perguntou, achando aquilo diferente de tudo o que já havia visto o príncipe fazer. Ele nunca a olhou. Nunca deu muita atenção a sua presença.

David balançou a cabeça, percebendo a burrada que fizera.

–Bem. E você?- respondeu, sorrindo.

"Ele acabou de sorrir para mim? De verdade?"- pensou a prefeita.

–Estou ótima.- falou, franzindo a testa.

–Fico feliz que esteja.- ele disse, sem pensar. "O que está acontecendo comigo?". Ele tratou de concertar logo.- Quer dizer, é legal que as pessoas estejam bem. Tipo, eu gosto de ver meus amigos bem. Você é minha amiga? Eu...desculpa. Falo demais quando fico nervoso.- ele falou, bagunçando os próprios cabelos com uma das mãos.

Regina riu baixo. Aquele novo e estranho David era divertido, até.

–É, Charming. Eu acho que eu sou sua amiga.- ela respondeu, em dúvida.

Granny se aproximou e entregou para ambos seus pedidos.

–Bom, até mais David.- a morena foi se levantar do banco, mas enroscou o sapato nos "pés" do banco e se desequilibrou, fazendo com que o café caísse um pouco sobre sua roupa.-Ai que droga!- reclamou, observando a camisa de botão molhada pelo líquido escuro.

–O que foi?- perguntou o loiro, virando-se para ela.

–Minha roupa! Hoje eu tenho uma reunião na prefeitura! Vai ser uma coisa linda eu chegar lá cheia de café.- bateu com a mão na testa, como se castigasse a si mesma por isso ter acontecido.

–Relaxa, toma.- David disse, tirando sua jaqueta bege e entregou a mulher.- Pode ficar com ela, vai disfarçar um pouco.

–Não precisa, Charming.- ela negou, devolvendo a peça a ele.

–Eu insisto.- o olhar dele sobre si era tão verdadeiro, que ela aceitou.

Regina colocou a jaqueta, ajeitando-a.

–Como é que eu estou?- perguntou, tentando deixá-la de um bom modo em seu corpo.

–Você está linda, Regina.

A morena ficou quieta, certamente não era aquela resposta que ela esperava. Ela baixou a cabeça, sorrindo um pouco. Tinha ficado sem graça com o comentário dele. Claro que a Rainha estava acostumada com elogios, mas ouví-los de quem nunca os disse é sempre mais satisfatório.

–Obrigada.- ela respondeu, depois despediu-se rápido e saiu em disparada do Granny's, deixando um príncipe sozinho para trás.

A prefeita logo pegou o celular, e discou o número de Emma.

–Alô?- a xerife atendeu no terceiro toque.

–Emma, é a Regina. Aconteceu algo muito estranho.- ela disse, parada em frente a lanchonete.

–Vish, lá vem. O Henry desistiu de querer um cachorro? Sua casa está em chamas? Mais alguém quer um cachorro?- foi sugerindo a loira, com seu senso de humor de sempre.

–Não tem nada haver com cachorros, Swan. É o David. Eu encontrei com ele na Granny's e ele tava estranho, ficou me encarando, me emprestou a jaqueta dele...-explicou, esperando uma resposta do outro lado da linha.

–É, você tem razão. Tem algo errado mesmo. Ele disse que ia até o Gold, se algo aconteceu ele deve saber.- falou a xerife, já se levantando se sua cadeira na delegacia.

–Nos encontramos lá.- a morena desligou e pegou seu carro.

–A quê devo a visita das maiores celebridades dessa cidade?- perguntou Gold, vendo Regina e Emma entrarem pela porta, uma seguida da outra.

Ele sabia que as duas eram amigas agora, mas não via o porque de estarem ali. Só se o plano tivesse funcionado.

–É sobre o David.- falou a loira, e Rumple sorriu. Havia dado certo.- O que aconteceu quando ele veio aqui, hoje mais cedo?

–O senhor Nolan veio em busca de uma poção. Fizemos um acordo e eu a dei para ele.- contou o Senhor das Trevas.

–Só?- perguntou Regina.

Pela cara que Gold fez, elas souberam que não.

–Digamos, que eu tenha cometido um pequeno "engano".- falou e as duas reviraram os olhos.

–Que engano? O que fez com ele?- perguntou Emma, claramente preocupada com seu pai.

–A questão não é o que fiz com ele e sim, com o coração dele. Eu fiz ele se apaixonar.- disse o homem de meia idade, como se não fosse nada demais.

–Por quem?- falou Regina, pensando em como só surgiam problemas na cidade que ela havia criado por meio da maldição.

–Por você, Regina.