Velocidade e Felicidade
1 ??? / Lua ....Cap#3
Notas iniciais
Para garantir que a amiga não aparecesse no sistema de segurança do aeroporto internacional a havia acompanhado até o lugar.
Black Rose ligara no meio da noite pedindo ajuda e jamais abandonaria a líder de sua própria equipe, e ,sinceramente, sentiu-se ainda mais motivada pelo desafio quando descobriu que o alvo era Night.
Com sua capacidade de invadir sistemas sem ser detectada e habilidade com computadores hackear os do aeroporto foi relativamente fácil. No entanto, enquanto invadia outro individuo fazia o mesmo, escondendo outra pessoa.
Somente descobriu o segundo invasor com tanta rapidez, pois esse acessou a rede interna por uma aparelho móvel sem fio. E Apesar de, pouquíssimos conseguirem criar um programa tão sensível, não era impossível. O risco de perder a conexão durante o trabalho, mesmo que por um milésimo de segundo , e um soft, como o seu, detectar o acesso externo, como ocorreu, era grande de mais em sua opinião.
Preferia uma conexão um pouco mais direta. Julgava ser mais seguro acessar os painéis de controle da sala de segurança pessoalmente. Afinal os dois homens ali só acordariam em, pelo menos, duas horas com a concentração de gás que inalaram quando ela chegou. Quem sou para julgar?
Levou cerca de dois minutos para encontrar o segundo invasor, mas menos da metade desse tempo para reconhecer a forma de trabalho. Foram necessários mais seis minutos para entrar e acessar o sistema de áudio e vídeo daquele dispositivo. Será que permitiu que entrasse? Se sim... teria enlouquecido? ou...
– Devia ter mais cuidado, Circe. – advertiu assim que a imagem da moça surgiu em seu monitor. Em seguida voltou sua atenção para a missão, sem de fato olhar para Circe.
– Olá, Lua! – cumprimentou-a em um tom travesso típico da jovem – Quando vi Black Rose imaginei que estaria em algum lugar. Como sempre cuidando da Princesa das Trevas – brincou com o nome de Rose e o de seu namorado.
Lua não pode conter o sorriso que insistiu em surgir em seus lábios. A segunda hacker sabia o quanto Rose odiava que a chamassem daquela forma e ainda assim persistia em chama-la. Continua gostando de brincar com fogo não é mesmo, pequena Circe?
No entanto, o sorriso desapareceu tão rápido quanto surgiu. Assim que percebeu que estava certa quanto a facilidade de entrar em contato com a moça a ousadia da jovem perdeu toda a graça. Mais cedo ou mais tarde vai acabar se queimando.
– Então realmente perdeu a conexão de proposito. Supôs que se eu estivesse aqui a acharia sem dificuldades caso se reconectasse. E ainda facilitou a minha entrada no seu computador. – concluiu sem acreditar que a garota teria tanta coragem ou era tão tola a esse ponto. Vendo-a assentir, com o canto do olho, a repreendeu irritada com tamanha irresponsabilidade.
– Lua querida, quem não arrisca não petisca. – brincou temendo um sermão e com um tom presunçoso não questionou – E você, cara amiga, como era de se esperar fez uma conexão direta. – apenas afirmou com ironia. E de repente ficando seria, mas ainda com um toque de malícia na voz acrescentou – O que Black Rose veio fazer aqui? Não vi Trevas ou seu amado... e não acredito que se arriscariam a entrar em um avião, aqui em Paris, agora. Já é difícil acreditar que vocês duas estejam aqui.
– Poderia dizer o mesmo das Erínias. – provocou controlando a própria irritação.
Das Erínias, Circe era o mais próximo de uma amiga que Lua possuía. Trabalharam juntas, uma vez, na criação de um programa para Night e na época ficou impressionada com o raciocínio rápido da moça e definitivamente era impossível ela esquecer aquela forma de trabalho. Depois do fim do projeto mantiveram contato por algum tempo. No entanto, não se viam ou falavam desde que Night traiu Hector, dando-lhe as costas, e todos aqueles problemas começaram. Circe,.. qual seria seu verdadeiro nome?.. Tantos anos e ainda me importo de não saber... , mas perguntar esta fora de cogitação!.. Contaria o seu?.. Não... então por que ficar pensando nisso?..
– Perguntei primeiro – Circe a desafiou em resposta a provocação.
– Estamos procurando um amigo... – disse na tentativa de não mencionar Night e não mentir para a "amiga", mas permitindo que a frase morresse pela metade e trocando as imagens das câmeras de segurança que eram transmitidas nos monitores da sala para disfarçar.
– Esse amigo, por acaso, não seria seu ex-líder de equipe. Seria? – a jovem perguntou deixando claro que sabia mais do que estava falando. Quem Circe estava ocultando além dela? Night estaria trabalhando com as Erínias?
Pela primeira vez Lua se forçou a desviar o olhar dos monitores para Circe. A mulher com quem se deparou, com exceção dos olhos que permaneciam imutáveis, nada se parecia com a jovem que trabalhara com ela. Não usava mais os cabelos longos de mexas coloridas e extravagantes que a deixavam com cara de criança mimada. Agora usava cabelo preto curto estilo pixie com franja media o que combinava perfeitamente com o formato de seu rosto. A maquiagem escura fora trocada por uma mais clara e natural que valorizava seus traços finos e delicados, provas boa genética. Os grandes olhos agora eram castanhos cor de mel, mas era difícil dizer se essa era a cor verdadeira ou mais uma das lentes que ela tanto gostava de usar, apesar de, agora ela usar óculos de gral. Até mesmo o estilo de roupa havia mudado passara a ter mais coerência pelo pouco que podia ver na tela. Estou ficando velha! Circe tinha 16 ou 17 anos da ultima vez?.. ou era 18?.. De qualquer forma... eu tinha... Meu Deus... Eu tinha 22... agora tenho 26...
– O que as Erínias sabem? – forçou-se a perguntar tentando afastar a ideia de estar ficando velha da cabeça. Não tinha tempo para se preocupar com essas coisas fúteis naquele momento, mas se prometeu uma boa olhada no espelho e se cuidar melhor quando voltasse para o loft, apesar de, saber que ia acabar esquecendo.
– O suficiente para lhe dar as coordenadas dele, – no mesmo instante a imagem de Circe sumiu de seu monitor e a de Night e verdadeira identidade apareceu – mas é melhor Black Rose ser rápida. Ele vai embarcar... – a ultima chamada de um voo soou nos alto falantes interrompendo-a por um instante – agora. E sim sei sobre Night.
Com aquela ultima frase a irmã caçula das Erínias a expulsou do dispositivo, desaparecendo no sistema do aeroporto. Ir atrás dela a seria perda de um tempo que Lua não mais possuía, mas algo lhe dizia que aquilo tudo não passara de distração e que caíra como um patinho na armadilha de Circe. ... E sim sei sobre Night... O que poderia significar além do óbvio?..
Como se sentisse que ela o havia encontrado Rose a chamou no comunicador em seu ouvido antes que pudesse faze-lo.
– O encontrou? – por mais que a amiga tentasse esconder a ansiedade de encontrar o alvo e acabar com aquilo já começava a se destacar para alguém que a conhecia tão bem quanto Lua.
– Segue em frente – sem rodeio se pôs a guia-la – terceiro portão de embarque a sua direita. Rápido. O ultimo aviso foi o do voo dele.
– Achei...
Por trás da tela pode ver exatamente o que ocorreu. Viu, o que imaginou ser impossível, Rose hesitar. A cena com que se deparou ao vê-lo a fez perder a oportunidade de alcança-lo.
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