Velha Infância - Berita
10 Capítulo 09
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Nossa já está tarde, vamos voltar para o Orfanato antes que diretora nunca mais deixe eu sair – fala Bia.
– Vamos.
Minutos depois, elas já estavam no Orfanato Raio de Luz.
– Obrigada pelo passeio ao shopping – agradece Bia. – Apesar de shopping não ser meu lugar preferido, foi legal.
– Vamos entrar, eu preciso falar com a diretora.
Logo que abriu a porta, Bia vê várias pessoas gritarem:
– Surpresa!
– Feliz aniversário, Bia! – disse Clarita, abraçando a irmã. – O que o Beto faz aqui? – questionou ao vê-lo um pouco atrás de Bia.
– Até ele veio no meu aniversário? – pergunta Bia.
– Juro que não fui eu que convidei – diz Clarita.
– Eu adorei! – exclamou a aniversariante. – Oi Beto!
– Oi, feliz aniversário Bia! – disse ele, lhe abraçando.
E eles vão conversar distantes de Clarita.
(...)
Clarita puxa Mili e Mosca para um canto.
– Posso saber quem convidou o Beto pra essa festa?
Eles se olham, Clarita diz:
– Digam de uma vez!
– Calma baixinha! – fala Mosca. – Fui eu.
– Por que fez isso?
– Vocês precisam conversar.
– Precisamos?
– Vocês sempre foram tão amigos quando viviam aqui, por que essa amizade não continuou agora que se reencontram?
– Você não entenderia, Mosca.
– Será que você ainda é apaixonada por ele?
– Ah cala a boca, Mosca!
– Não fale assim com o meu namorado – disse Mili.
– Eu vou ver como está as crianças – Clarita fala, tentando não parecer grosseiro mas a tentativa foi em vão.
(...)
– Então, quer dizer que a Clarita não gostou de me ver aqui? – questiona Beto.
– Você não viu a cara que ela fez quando te viu? – pergunta Bia.
– Não.
– Ah mais eu amei te ver aqui! – fala a aniversariante, sorrindo. – Uma pena que você e minha irmã não estão tão amigos como antes.
– Mas pretendo mudar isso hoje.
Bia sorriu em seguida falou:
– Vou lá com os pirralhos, ok?
– Vai me deixar sozinho aqui?
Ela nega com a cabeça e saiu dali.
Beto fica ali sem entender nada, até que alguém que estava vindo do lado contrário dele, acaba se esbarrando nele.
– Ah desculpa – diz ela. – Ah é você!
– Esperava quem? Seu príncipe azul?
– Qualquer coisa, menos você.
– Qual o seu problema comigo, Clarita?
– Estou cansada de explicar. Agora me deixe ir! – ela tenta passar, mas Beto a pega no braço.
– Antes, preciso te falar uma coisa.
– Não demore, por favor.
– Durante esse tempo que estive fora, sempre lembrei dos momentos que vivi com você nesse lugar. – Beto começa a diz. – Da nossa amizade, da nossa promessa.
Clarita o encara.
– Não adianta você pedir pra mim esquecer tudo que aprontemos juntos porque será impossível! Você pode não querer ser minha amiga, mas não pede pra esquecer o que vivemos juntos.
Clarita fecha os olhos e respira profundamente.
– Eu jamais esqueci tudo o que vivemos nesse Orfanato, Beto. Se falei tudo aquilo aquele dia foi porque... – Clarita não consegue terminar a frase e sente os braços de Beto a envolver em um abraço. – Porque tenho medo de que seus pais possam fazer algo contra mim.
– Por que eles fariam algo contra você, Clarita? – questiona Beto.
– O seu pai é o dono do lugar onde eu trabalho. Se eles não gostarem de nossa amizade, pode me demitir.
– Nunca deixarei eles te fazerem nada, você é minha melhor amiga! – ele beija a testa dela.
Clarita se distância de Beto.
– Ok – diz ela. – Agora está tudo certo entre a gente. Vamos voltar a nossa velha amizade de antes.
Beto sorriu.
– Vai fazer o que agora, pequena? – pergunta ele.
– Fala sério que você me chamou daquele apelido idiota!
– Uma vez pequena sempre pequena.
Clarita ri e dá um empurram em Beto.
– Idiota – diz ela.
– Sei que você me ama – ele beija o rosto dela e sai.
(...)
Clarita passou a mão delicadamente em sua bochecha na qual Beto depositou um beijo, ela sorriu.
– Clarita! Clarita! – Maria, Ana e Tati correm até ela. – Canta no Karaoke, por favor.
– Por que eu, meninas? Chamem a aniversariante!
– Nem vem, maninha – disse Bia. – A cantora do Orfanato é você, vai lá.
De repente, todos começaram a gritar o nome de Clarita e ela sobe no palco. Então, Clarita começa a cantar:
– Eu sei não sou quem você pensou
Mas posso ser quem você sonhou
Vou tentar e vou te convencer
Você vai gostar de me conhecer
Enquanto cantava, Clarita sempre olhava para Beto que ao vê-la cantando não disfarçava o sorriso do rosto.
(...)
A festa estava legal para Beto. Gostou de ver seus velhos amigos, especialmente Clarita. Beto estava feliz, pois ele e Clarita se acertaram e agora voltaram a serem bons amigos, como antes.
Antes de ele ir embora, antes daquele beijo. O beijo que ele jamais esqueceu.
– Beto? Você está ouvindo o que estou falando? – questiona Clarita, enquanto eles faziam o trajeto até o apartamento dela.
– O que disse?
– Em que mundo estava?
– Não muito distante daqui – responde ele, sorrindo.
– Hum, pensando na namorada?
– Namorada?
– Você não tem namorada?
– Tenho, mas não é nela que estava pensando.
– Estava pensando em quem?
No momento em que Beto iria responder, seu celular toca com uma nova mensagem de texto.
– Minha mãe já está perguntou onde estou – disse ele.
– Já está tarde mesmo...
Minutos depois, eles chegam ao apartamento onde Clarita divide com Mili. Beto se despede dela com um beijo no rosto e segue até a sua casa.
Quando chegou em casa, Beto encontra seus pais na sala de estar o esperando.
– Boa noite, família!
– Onde você estava até agora? – perguntou Carol.
– Na festa da Bia.
– Que Bia? – pergunta Júnior.
– Do Orfanato.
– Por que você foi em uma festa do Orfanato? Por acaso, foi convidado?
– Sim, além do mais eu sou amigo da irmã da aniversariante.
– Amigo daquela garçonete? – questiona Carol, alterando a voz. – Pode me explicar por que você fica andando com essa gente órfã?
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