Naquela mesma tarde, Maxwell analisava o livro que Yuka havia lhe sugerido.

– Estou impressionado... Variable Geo é muito mais do que apenas um torneio de artes marciais... Se esse livro for verdade...

O telefone começou a tocar. Rapidamente, Maxwell atendeu.

– Alô?

–Alô, Maxwell! Sou eu, Akira!

– Ah, Akira... E então, alguma novidade sobre nosso caso?

– Pois é, tenho sim!

Maxwell se interessou.

– Então diga!

– Infelizmente, a autópsia que vai determinar a verdadeira causa da morte ainda vai levar alguns dias.

– Hum... Que grande novidade...

– Mas... Descobrimos a identidade da moça!

– Ah, é? — Perguntou Maxwell, surpreso.

– Sim... Mas tem algo que não bate...

Maxwell estranhou.

– O que é...?

– De acordo com as informações... Ela era Ayumi Mayo, e trabalhava como repórter... Sabe o que isso significa?

Maxwell conseguiu entender onde Akira ia chegar.

– Entendo... Ela não era uma lutadora Variable Geo... Mas então... O que aquele cartão fazia lá?

– Bem, quanto a isso, tenho duas idéias... A primeira é a de que ela o conseguiu com alguém.

– E a segunda...?

– A segunda é que foi deixado lá como um aviso, por alguém... Talvez até mesmo o assassino.

Havia lógica na dedução de Akira.

– Sei... Em todo caso, que bom que já sabemos de quem se trata... Eu conheci algumas das lutadoras. Estou aos poucos me informando mais sobre elas.

– Ok... Continue com seu trablho!

– Você também. Até mais!

Ayumi Mayo... Esse era o nome da vítima que havia sido provavelmente assassinada... Uma repórter... O que isso quer dizer? E quanto ao cartão? Mais e mais perguntas surgiam...

Na frente do cinema, Manami, Yuka, Satomi e Chiho esperavam.

– Por que será que homens demoram tanto? — Comentou Chiho, de braços cruzados.

– Ele já vem... Ainda está se acostumando com a cidade... Provavelmente... — Disse Yuka.

Após alguns segundos, Maxwell finalmente se aproximou.

– Desculpem... Eu me... Perdi no caminho.

– Já era tempo! Tava fazendo o que? Matando alguém? — Perguntou Manami, que estava tomando sorvete em um copo.

– Ei, eu sou um policial! Não posso fazer esse tipo de coisa.

Chiho se aproximou.

– Então você é o policial de que elas falam? Eu sou Chiho, muito prazer!

Chiho estendeu seu braço para cumprimentar Maxwell.

– Ah... Eu sou Maxwell... O prazer é todo meu! Então... Podemos entrar?

– Espera! — Gritou Manami — Ainda falta o Takigawa!

– ...Quem? — Perguntou Maxwell.

– Ah, Takigawa... Ele é amigo da Yuka. Foi comentarista de uma das edições do torneio. — Respondeu Manami.

– Mas... Ele tá bem atrasado... Será que vem mesmo? — Perguntou Satomi.

– Hum... Eu fiz o convite ontem de manhã... Talvez ele tenha se esquecido. — Disse Yuka.

– Quer saber? Vamos entrar. Se ele chegar, vai ver a gente. — Disse Chiho, perdendo a paciência.

Enquanto iam entrando, Manami parou antes da porta de entrada e se virou para Maxwell.

– Me faz um favor... Joga isso no lixo pra mim? — Perguntou entregando-lhe o copo de sorvete vazio.

– Mas...

– Obrigada! — Disse Manami entrando, sem aguardar a resposta.

– Hunf... Criança insolente... — Comentou Maxwell.

Maxwell foi até o lixo que havia próximo a entrada do cinema, quando algo lhe chamou a atenção. No beco logo ao lado do cinema havia uma caçamba de lixo, e por algum motivo estava semi-aberta.

– O que é aquilo... Parece que eu estou vendo um...

Maxwell foi até a caçamba, no beco escuro. Quanto mais se aproximava, mais ficava assustado, pois quanto mais perto chegava, mais aquela coisa na parecia um... Pé?

Maxwell engoliu seco e aos poucos abriu a caçamba.

A cena era horrível. O corpo de um homem se encontrava jogado como um objeto dentro do lixo. Aparentemente, a causa da morte foi uma faca, que estava cravada em seu peito.

– ...Mas... O que... Está acontecendo aqui?

Dentro do cinema, Yuka notou que Maxwell estava demorando.

– Pessoal... Onde está o Maxwell?

– Ah, ele já volta... Eu pedi um favorzinho pra ele. — Comentou Manami, já sentando-se na poltrona.

– Hum... Eu vou checar onde ele está. — Disse Satomi, saindo da sala.

Maxwell continuava congelado com a cena.

Satomi apareceu na entrada do beco.

– Maxwell...? O que está fazendo aí...?

Quando se aproximou, deixou escapar um grito que ecoou pelo beco.

– S... Satomi... Eu... Eu...

– T... Ta... Takigawa... O que... O que aconteceu?

Maxwell tentou acalmar Satomi.

– Satomi, calma... Eu não sei o que...

– Se... Se afaste de mim!!

Satomi estendeu seu braço direito na direção de Maxwell e abriu sua mão, disparando uma rajada de energia em sua direção. Com o impacto, Maxwell caiu.

Satomi saiu correndo do beco, apavorada.

– S... Satomi... Eu... Não sei o que... Aconteceu aqui...

Imediatamente, vários passos foram ouvidos. Óbvio, com a confusão que acabou de ocorrer, certamente várias pessoas ouviram. Mas para azar de Maxwell, o que vinha era um grupo de três guardas noturnos.

– O que está havendo aqui? — Perguntou um dos guardas.

Maxwell não tinha explicação alguma. Havia um corpo estirando para fora da caçamba, e só ele estava presente.

– N... Não... Eu sou policial!

– Isso não vai ajudar em nada, meu amigo. Você tem muito o que explicar!

Maxwell começou a pensar.

"Só estou eu aqui... Não tenho um álibi... Só me resta uma saída..."

Desesperado, Maxwell removeu o revólver que estava em sua cintura, e mirou nos três.

– Afastem-se! Eu não quero que ninguém aqui se machuque!

Tarde demais... Maxwell não sabia, mas os guardas estavam armados com pistolas. Aquele que estava mais na frente apontou para Maxwell.

– Devagar, amigo! Também não queremos que ninguém se machuque.

Aquilo era o fim. Maxwell não sabia mais o que fazer. Então, resolveu fugir.

– Rápido, atrás dele! — Ordenou um dos guardas.

Maxwell correu o máximo que pôde. Até que se escondeu debaixo de um viaduto.

– Como... Como chegou a esse ponto...?

Em seguida se lembrou do que Satomi fez.

– Satomi... Ela pensa que eu fiz isso...? Bem, não posso culpá-la...

Maxwell sentou-se no chão, apoiado na parede. Não conseguia mais raciocinar direito.

– Takigawa... Será possível que esses crimes possuam alguma ligação...?
– Rápido, aqui está ele!

Era a voz de um dos guardas. Rapidamente os três apareceram.

– Rápido, ele não pode mais fugir.

Maxwell estava cercado. Havia dois guardas de um lado, e um do outro.

"Então é aqui que tudo acaba... É aqui que eu vou me render... Não... Eu não posso passar o resto da minha vida preso, sem saber o que aconteceu hoje... O que aconteceu naquela fatídica noite..."

Sem pensar, Maxwell ameaçou pegar seu revólver novamente.

Não deu tempo de fazer nada. Um disparo foi ouvido. Maxwell foi atingido no peito.

– Não pode ser... — Disse para si mesmo enquanto ajoelhava — É assim que isso vai acabar...?

Maxwell se ajoelhou, com a mão em seu peito. Após alguns segundos, caiu de frente para o chão.

Vários dias se passaram. O restaurante já estava pronto para fechar, enqaunto Yuka arrumava as mesas, até que ouviu o sino da porta.

– Ah... Satomi! Como está...?

– Bem, eu acho... — Disse Satomi, sentando-se numa das mesas.

No momento em que ela se sentou, Yuka viu que ela não estava bem.

– Você... Está chorando? O que houve...?

Satomi olhou para Yuka, lacrimejando.

– Eu... Eu não aguento... Esse sentimento de culpa...

– Culpa? Do que está falando? — Perguntou Yuka.

– No dia em que Maxwell morreu no confronto com a polícia... Eu havia duvidado dele.

– Mas... Porque você diz isso...? Você estava assustada! E além do mais, não sabemos nada sobre aquela noite!

Satomi negou com a cabeça.

– O resultado da autópsia saiu! O Takigawa havia morrido mais de vinte e quatro horas antes do Maxwell encontrá-lo!

Yuka levou um choque com a notícia.

– Você... Você quer dizer que na noite em que fomos ao cinema... Ele estava morto a mais de um dia?!

– S...Sim... — Disse Satomi, enxugando o rosto.

– O... O que está acontecendo...? — Perguntou Yuka assustada.