Variable Geo: Exile

21 Evidências - Parte 2


Satomi, Akira e Takamura subiram uma pequena escada que levava ao segundo andar. Takamura se escondeu atrás da parede, e observou o corredor logo a frente.

– Esperem!! — Disse Takamura segurando os dois no corredor — Eu estou vendo dois seguranças em uma das portas.

– Acha que Maxwell pode estar lá? — Perguntou Akira.

– Eu não sei. Mas esses caras parecem armados. Vamos ter que passar por eles!

– Alguma idéia? — Perguntou Satomi.

Takamura pensou por alguns segundos.

– Na verdade eu tenho sim.

Os dois seguranças permaneciam imóveis. Até que ouviram um som vindo próximo da escadaria. Rapidamente, ambos sacaram suas armas e caminharam.

Quando chegaram próximos ao desvio do corredor, Takamura pulou no pescoço de um deles, e o segurou com força. Em seguida, pegou sua arma e o atingiu na cabeça, fazendo-o desmaiar. O outro segurança tentou reagir, mas Akira o segurou pelas costas. Satomi o atingiu na cabeça com o cotovelo, fazendo-o desmaiar também.

Os dois soltaram os seguranças, que caíram no chão.

– Sério... Essa foi sua melhor idéia? — Perguntou Akira — Até eu pensaria nisso.

– O que está acontecendo aqui?! — Uma voz conhecida perguntou do corredor.

Quando os três se viraram, tiveram uma grande surpresa. Maxwell havia saído da porta que os seguranças estavam vigiando.

– Maxwell!! — Gritou Satomi correndo em sua direção.

– Sim, sou eu mesmo! Então vocês vieram...

Akira e Takamura se aproximaram também.

– O que aconteceu? O que estava fazendo? — Perguntou Akira.

– Venus me deixou preso naquela sala. Esses dois grandões estavam garantindo que eu não saísse de lá até que vocês chegassem. Cadê Yuka?

– Ela está lá embaixo... Lutando com Venus. — Disse Satomi.

Maxwell se assustou.

– Ela está o quê?! Droga!! Isso tudo é uma armadilha. Se Yuka for capturada, eles vão roubar o DNA dela e aplicar em Venus. Ela vai ficar indestrutível.

– Começou o "sci-fi"... — Comentou Akira.

– Eu sei disso. — Disse Satomi — Mas não há nada que possamos fazer.

Maxwell pensou um pouco.

– Espere! Agora que somos em quatro, talvez possamos encontrar alguma coisa nesse prédio. Algo que possa nos ajudar.

– Não sei o que podemos achar, mas vale uma tentativa. — Disse Takamura — Enquanto isso, vamos torcer para que Yuka resista lá embaixo...

Tanto Yuka quanto Venus estavam ofegantes. Porém, Venus estava rindo.

– Eu entendo... Você tem muita determinação, Yuka. — Disse Venus.

– Eu não posso desistir... Não vou falhar novamente.

Venus a encarou.

– Novamente...? Então você já falhou antes, não é?

– Sim... Duas vezes. Eu devia ter te destruído no primeiro torneio... E naquele Cruzeiro... Como você escapou?

– A organização é mais inteligente do que você pensa. O bastante para prever quaisquer ataques.

– Mas Satomi e eu te destruímos!

– Ah, aquilo... Aquilo foi o primeiro protótipo. Esse tempo todo eu estava protegida num laboratório secreto.

Yuka respirou fundo.

– Claro... Era muito perigoso pra você.

– Mas eu sei muito sobre você, Yuka. Desde que meu corpo se completou, eu passei a te observar.

Yuka se espantou.

– ...Me observar?

– Sim... Eu estive te vigiando por um bom tempo. Eu sei que você é a principal inimiga da VG Corp... E minha inimiga também!!

Venus correu em direção a Yuka, tentando socá-la. Rapidamente, Yuka pulou por cima de Venus. Assim que aterrissou, virou-se para ela.

– Vamos terminar isso de uma vez por todas... — Disse Yuka.

Venus riu.

Uma porta se abriu. Maxwell espiou pela fresta.

– Isso é um... Laboratório?

Quando entraram, encontraram uma sala cheia de mesas com fórmulas, computadores, uma grande lousa e um armário cheio de coisas que Maxwell não fazia idéia do que eram.

– Parece que muita coisa legal é feita aqui... — Comentou Akira.

Satomi foi até uma das mesas e começou a observar os frascos, da mesma forma como uma criança observa brinquedos em uma loja.

– Cuidado, Satomi. Não sabemos o que são. — Alertou Takamura.

Maxwell foi até um dos computadores.

– Talvez tenha alguma informação importante aqui... Vejamos...

Maxwell começou a teclar e mexer no mouse rapidamente.

– Esse lugar é incrível... Quem poderia esperar que em um ginásio de esportes poderia haver um laboratório.

Naquele instante, Maxwell, Akira e Takamura ouviram um som de algo se quebrando. Quando olharam, perceberam que Satomi derrubou um frasco.

– Opa... — Disse Satomi.

– Satomi, cuidado!! Essas coisas podem ser perigosas!

Maxwell voltou a olhar no computador.

– E então, Maxwell, descobriu alguma coisa? — Perguntou Takamura.

Maxwell continuava atento. Até que fez uma expressão de surpresa.

– E... Espere um pouco!!

– O que foi? — Perguntou Akira, empolgado.

– ...Isso aqui... Se for verdade, eu... Eu...

Maxwell olhou para Akira.

– Akira, Takamura, Satomi! Vão até o andar de baixo e ajudem Yuka a ganhar uns cinco minutos! Eu já estou descendo.

Os três não entenderam.

– Maxwell? Por quê? — Perguntou Satomi.

– É urgente!! — Disse Maxwell — Façam isso!!

Sem hesitar, os três obedeceram a ordem de Maxwell e correram de volta para o andar de baixo.

– Venus... — Disse Maxwell, olhando para o monitor — ...Eu acho que posso te derrotar...

Venus desviu pela direita, enquanto uma rajada de energia passou por perto dela.

– Vamos, Yuka! É tudo que sabe fazer?

Yuka continuava ofegante. Naquele instante, Takamura, Akira e Satomi abriram a porta de trás do ginásio e entraram correndo.

– Parem!! — Gritou Takamura, tentando fazer com que Venus parasse seus ataques.

– Ora, ora... — Disse Venus — O que houve? Estão a fim de lutar também?

Os três se entreolharam.

– Não... — Disse Akira — Só queremos que essa luta sem sentido acabe!

Venus riu.

– Tudo bem... Me dêem um motivo para parar a batalha. Vocês tem trinta segundos.

Takamura começou a pensar.

– Eu...

– Sim? — Perguntou Venus, de braços cruzados.

– Maxwell está chegando! — Gritou Satomi.

Takamura e Akira olharam para Satomi, como se ela tivesse estragado o plano deles.

– Oh? Ele está vindo pra cá também? Interessante... — Disse Venus.

– Maxwell... O que ele pretende...? — Perguntou Yuka.

Satomi fechou os olhos.

– Eu não sei... Mas dê um tempo... Ele já deve estar chegando...

– Eu já cheguei! — Disse uma voz, atrás de Satomi.

Maxwell entrou no ginásio, e lentamente se aproximou do ringue.

– Venus... Eu te desafio! — Disse Maxwell.

Todos se surpreenderam.

– Hum... Você? Tem certeza? — Perguntou Venus.

– Tenho. Eu vou te derrotar agora mesmo. — Disse Maxwell, sériamente.

– Maxwell, não... Eu posso continuar! — Disse Yuka.

Maxwell entrou no ringue, caminhou até Yuka, e pegou em sua mão.

– Vá com Takamura e os outros. Eu cuido disso.

Yuka olhou nos olhos de Maxwell. Ela não sabia o que ele pretendia, mas resolveu obedecê-lo, saindo do ringue a e ficando ao lado de Satomi, Akira e Takamura.

– E então, Maxwell...? O que pretende fazer? — Perguntou Venus, cruzando os braços.

Maxwell colocou as mãos nos bolsos de sua calça.

– Você me deve um duelo, lembra? Não terminamos o que havíamos começado. — Disse Maxwell.

– Como assim...? Você já chegou a conclusão de que Chiho era a assassina, não é?

Yuka se surpreendeu.

– Chiho...? O que ele quer dizer?

– É uma longa história. Por enquanto, vamos escutar! — Disse Takamura.

Maxwell continuou.

– Não... Esse foi o resultado do primeiro ao quarto Fragmento. Tem uma morte que não foi solucionada ainda.

Venus pensou.

– Ah, sim... Ayumi Mayo, a repórter... Faltou esse detalhe.

– Sim, faltou... — Disse Maxwell — E eu acabei de solucionar.

Venus riu.

– E você vai salvar Yuka solucionando esse mistério?

Dessa vez foi Maxwell quem começou a rir. O sorriso em seu rosto chegava a ser assustador.

– Eu descobri mais do que isso... Você está pronta para ouvir a verdade final... Venus?

Venus não se intimidou.

– Vamos lá, Maxwell... Me surpreenda!

Maxwell tirou as mãos dos bolsos, cruzou os braços e encarou Venus nos olhos.

– Você sabe... Faz só alguns dias que comecei a investigar esse caso... Mas devido àquelas memórias, eu sinto como se estivesse preso nisso a muito tempo. Mas agora, acho que estou pronto para quebrar esse mistério de uma vez por todas.