Variable Geo: Exile

4 Confiança - Parte 3


Maxwell estava deitado na cama de seu quarto.

Teria Yuka mentido para ele sobre o acidente no cruzeiro? Ou simplesmente omitido? Não... É quase a mesma coisa.

De repente, o telefone tocou. Maxwell se levantou e atendeu.

– Alô?

– Alô? É o Maxwell? — Uma voz feminina que ele não conhecia estava do outro lado da linha.

– Sim... Sou eu mesmo.

– Aqui é a Chiho. Tudo bem?

Chiho...? Onde ele ouviu esse nome?

– Si... Sim, obrigado!

– Que bom! Satomi me contou que você está investigando algo relacionado ao Variable Geo, e precisa de informações.

– Satomi? Ah, sim, eu me lembro agora. Ela mencionou você.

– Infelizmente, eu estou fora da cidade... Mas chegou amanhã. Talvez eu possa te ajudar?

– Ah, sim, claro... Qualquer informação é bem-vinda!

– Então nesse caso, eu te ligo novamente assim que chegar.

– Certo! Muito obrigado!

Após desligar o telefone, Maxwell refletiu.

"Então... Elas estão mesmo me ajudando... Eu não posso ficar desconfiando delas..."

Maxwell se lembrou dos bolinhos que Yuka havia trazido. Já estava ficando tarde, e ele estava com fome.

Resolveu sentar-se na escrivaninha e checar o livro enquanto comia.

O livro que Yuka lhe trouxe continha muitas informações sobre Variable Geo. Não, na verdade havia tudo sobre o torneio.

– Esse livro... Obrigado mesmo, Yuka!

De repente, ao comer um dos bolinhos, Maxwell sentiu algo.

– Urgh... Gosto esquisito... Mas tudo bem.

Maxwell o comeu mesmo assim. Após alguns minutos, o telefone tocou novamente.

– Alô?

– E aí, Maxwell? Como vai? — Era Akira.

– Ah, Akira... E então, como vai a investigação por aí?

– Hum... Ainda vai levar um tempinho, cara... — Disse Akira numa voz desanimada — A autópsia você pode esperar pelo menos uma semana.

– Argh... Em que velocidade eles trabalham? Mas enfim, o que disseram?

– Sobre a morte em questão, estão suspeitando que foi homicídio.

Homicídio... Nesse caso, realmente foi um assassinato.

– Sei... E sobre a seringa? Encontraram algo? — Perguntou Maxwell.

– Hum... Como eu disse, a autópsia é só daqui a uma semana. Mas a maior suspeita é de que seja um tipo comum de veneno.

– Tipo comum...?

– Sim. Você sabe, a maioria dos venenos pode ser usado de qualquer forma, inclusive injetado diretamente numa pessoa. Embora essa não seja a forma mais comum. Geralmente, as pessoas matam de forma indireta, como envenenando comida ou algo do tipo.

Naquele momento, Maxwell soltou o telefone.

Seria possível...

Maxwell observou novamente a sacola de bolinhos que estava comendo... Aquele com gosto estranho... Não pode ser... Ela não faria...

– Alô? Maxwell? Alô?

Maxwell desligou o telefone sem responder. Seu rosto estava completamente desfigurado. Ele não sabia mais o que pensar.

Imediatamente, pegou a sacola de bolinhos e arremessou com força contra o chão.

Na casa de Yuka, o telefone tocou. Rapidamente, ela correu atender.

– Alô, aqui é a Yuka?

– Yuka... Sou eu... Maxwell.

– Ah, olá, Maxwell! Como vai?

– Eu... Descobri uma coisa... Poderia vir aqui em casa?

– Hum? Agora?

– Sim, por favor... Eu preciso muito falar com você...

– Então tá, sem problemas. Daqui a pouco estarei aí!

– Ok... Obrigado... — Respondeu Maxwell, carregando seu revólver

Yuka batia na porta de Maxwell. Não demorou muito, até que o mesmo abriu. Sua expressão era vazia.

– Maxwell... Eu... Vim o mais rápido que pude... Aconteceu alguma coisa?

Sem falar nada, Maxwell fez sinal para que ela entrasse.

– Você disse que descobriu alguma coisa...?

– Sim... — Respondeu Maxwel — Eu pesquisei um pouco... E descobri que chegar ao fundo desse mistério era algo mais fácil do que eu pensava.

– Sério? — Disse Yuka entusiasmada.

Maxwell apontou para o livro que estava na escrivaninha.

Yuka foi até o livro e observou a página que estava aberta.

– Então... Você conseguiu decifrar quem pode ter matado aquela jovem?

Quando Yuka se virou, levou um susto. Maxwell estava apontando um revólver para a cabeça dela.

– M... Maxwell... O que é isso?

Maxwell começou a falar friamente.

– Como eu disse... Encontrar o assassino estava tão fácil...

– Mas... Do que está falando? — Perguntou Yuka numa mistura de raiva e medo.

– Como se você não soubesse...

– Não, eu não sei!

Rapidamente, Yuka chutou o estômago de Maxwell, que caiu de costas no chão. Rapidamente, se levantou e apontou a arma novamente para Yuka.

– Eu não sei o que você está pensando... Mas com certeza é alguma loucura!

– Não, não é! — Gritou Maxwell — Eu sei de tudo!

As mãos de Yuka começaram a concentrar energia.

– Do que você sabe?

– Você mentiu pra mim!

Yuka estranhou.

– Eu... Menti? Sobre o quê? Eu estava te ajudando até agora!

– Ah é? E porque não me contou sobre o que aconteceu naquele cruzeiro?!

De repente, Yuka entrou em choque.

– Quem... Quem te contou isso?!

Maxwell pensou que poderia encrencar Takigawa se contasse.

– Não te devo explicação alguma! E o veneno... Você tentou me matar! Da mesma forma como fez com aquela jovem!

Yuka ficou irritada.

– Você enlouqueceu!

Imediatamente, Yuka correu na direção de Maxwell, tentando socá-lo. Um disparo foi ouvido.

Maxwell carregava o corpo de Yuka pelo seu quarto. Rapidamente, o encostou na parde.

Yuka havia sido atingida no peito por um disparo certeiro. A expressão em seu rosto era tão suave, que qualquer um diria que estava apenas dormindo.

– Eu lamento... Que tenha que acabar assim...

Imediatamente, sentiu algo estranho em seu corpo.

– Argh... Bem que meus amigos falavam... Que de tanto que eu como... Algo daria errado um dia...

De alguma forma, Maxwell sabia que seu tempo estava se esgotando.

– É isso... Esse mistério... Vai ter que ficar pra outra pessoa resolver... Eu não vou ter tempo... De contar pra alguém...

Algum tempo se passou.

Satomi, após descobrir que Yuka não estava em casa, resolveu checar com Maxwell. Porém, ao chegar na rua, notou os carros de polícia.

– O... O que está havendo?! — Perguntou correndo na direção do prédio.

– Afaste-se, garota! Um crime aconteceu aqui! — Disse um dos policiais.

– Mas... Mas eu estou procurando minha amiga! Eu acho que ela está aqui!

Com isso, os policiais se entreolharam.

– Então... Nós deixaremos apenas que você cheque as vítimas. Por favor, não toque em nada.

Satomi concordou, e entrou rapidamente.

A cena que viu foi a pior que podia imaginar: Yuka estava morta, logo abaixo da janela. Na outra parede, Maxwell também estava morto, com uma marca de tiro acima da orelha direita, sugerindo suicídio.

Satomi começou a chorar imediatamente. Ela não entendia o que estava acontecendo. Um dos policiais colocou a mão em seu ombro, tentando consolá-la.

– Chefe! Encontrei algo! — Disse um dos investigadores.

– Heim? O quê?

O investigador entregou um papel que estava próximo ao corpo de Maxwell. Aparentemente, ele havia escrito.

Ao checar o papel, o policial o leu em voz alta.

– "...Se encontrar esse papel... Por favor, tente descobrir a verdade..."