Variable Geo: Exile
2 Confiança - Parte 1
Maxwell abriu os olhos. A noite anterior havia sido bem longa, então ele não sentiu como se estivesse totalmente descansado. Em seguida, olhou para o relógio, que marcavam oito horas.
– Hum... Eu poderia dormir mais um pouco... Mas... Acho melhor começar isso logo...
Após tomar um banho e se vestir, saiu de seu apartamento. Hoje era o dia em que ele deveria encontrar as participantes do torneio Variable Geo e fazer um interrogatório sobre a cena que presenciou noite passada.
Ao sair do prédio, Maxwell ainda se impressionava um pouco com o movimento de Tóquio. Mesmo ele sendo dos Estados Unidos, a cidade em que vivia não se comparava com Tóquio. De fato, podemos dizer que se você saír com seu amigo na "Hora do Rush", é necessário andar junto, pois não é difícil se perder em meio a tanta gente.
Após andar um pouco, Maxwell parou em frente a um restaurante e resolveu entrar. Ele não havia comido nada desde que chegou exausto na noite anterior, e resolveu começar o dia com um café da manhã.
Ao entrar, resolveu sentar-se em um sofá onde não havia ninguém, e pegou o cardápio. Após alguns segundos, uma garçonete se aproximou.
– Posso ajudá-lo?
Quando Maxwell se virou e observou a garçonete, sentiu algo estranho. Era como se ele a conhecesse de algum lugar.
– Eu... Ainda não me decidi, desculpe...
– Oh? Então, assim que se decidir é só me chamar. — Disse a garçonete.
Nesse momento, uma voz feminina chamou de uma das mesas.
– Yuka, por favor, venha até aqui!
– Já estou indo! — Respondeu a garçonete.
Naquele segundo, Maxwell sentiu uma reação em seu corpo. Yuka... Ele com certeza conhecia esse nome. Não é como se ele soubesse tudo sobre Variable Geo exceto rumores. Mas esse nome... Ele definitivamente sabia que tinha algo relacionado.
O que fazer? Deveria ele simplesmente pedir para que ela parasse tudo que estava fazendo e interrogá-la agora? Ou evitar por enquanto? A chance estava bem ali.
E o cartão? Ainda estava em seu bolso. Talvez se ele mostrasse, ela reconheceria e poderia ajudá-lo.
É isso! Maxwell sabia exatamente qual era a melhor saída.
– Com licença... Você é... Yuka...?
Yuka, que havia acabado de atender a mesa, voltou até Maxwell.
– Sim... Sou eu mesma, Yuka Takeuchi.
Era ela. Sem dúvida alguma, Maxwell foi capaz de reconhecê-la da TV.
– Meu nome é Maxwell. Eu sou...
Maxwell tinha dificuldade em liberar as palavras.
– Sim...? — Perguntou Yuka, notando o nervosismo.
– Eu sou policial. Estou investigando um caso que ocorreu noite passada, e... Se não te incomodar... Preciso que você responda algumas perguntas. Não é como se estivesse te acusando, mas... Eu necessito coletar o máximo de informações que puder.
Yuka apenas observou por alguns segundos.
– Um... Interrogatório?
– Exato... Sim... Mais ou menos... Quase.
Yuka olhou para o balcão do restaurante.
– Se puder... Me encontre daqui a uma hora na frente do restaurante. Ok?
–Sim, claro...
Para Maxwell soou quase como uma vitória.
Então é isso. Ele havia conseguido a primeira peça que poderia lhe dar informações para o mistério. Então, por hora, resolveu apenas fazer o pedido e tomar o café.
Quase uma hora se passou. Maxwell estava na frente do restaurante, como combinado. Não demorou muito, e Yuka apareceu na porta.
– Yuka...?
– Sim, aqui estou eu.
Yuka se aproximou.
– A propósito... Eu ainda não sei seu nome.
Maxwell se sentiu envergonhado.
– Ah... Desculpe... Meu nome é Maxwell. Prazer.
Yuka fez uma leve reverência.
– Eu estou investigando um... Um crime que ocorreu aqui na cidade.
– Crime?
– Sim... Ontem a noite... Recebemos um chamado anônimo. E encontramos o corpo de uma jovem mulher. Ainda não sabemos se foi suicído, mas... Logo será feita uma perícia.
Yuka chegou ao ponto.
– E... O que isso tem a ver comigo?
Maxwell pegou o cartão de seu bolso e mostrou a Yuka, que reconheceu na hora.
– Isso... É um cartão de membro do Variable Geo!
– Exato. Você deve ter um igual, não é?
Yuka respirou fundo.
– Sim... Mas parei de lutar.
Maxwell se espantou. Pelo que ele ouviu, o Variable Geo é bem popular no Japão, e Yuka era definitivamente uma das lutadoras mais conhecidas.
– Eu resolvi abandonar o torneio depois de alguns... Acontecimentos...
– Acontecimentos...? — Maxwell falou tão baixo que Yuka não pôde ouvir.
– Yuuukaaaa!! — Uma voz feminina gritou ao fundo.
Os dois se viraram. Uma jovem estava do outro lado da rua acenando.
– Satomi! — Gritou Yuka animada.
Satomi correu até eles, e cumprimentou Yuka.
– Há quanto tempo! Como vai?
– Como assim...? Nos vimos ontem! — Comentou Yuka rindo.
Satomi riu também.
– Quem é esse homem? É seu amigo?
– Esse é o Maxwell. Ele está investigando um crime que ocorreu ontem.
Satomi ficou séria.
– Crime? Como assim?
– Encontramos o corpo de uma jovem ontem... Ela tinha um cartão Variable Geo, e eu estou encarregado de... Investigar o caso.
– Infelizmente... Eu só fiquei sabendo disso agora, então... Não sei se posso ajudar. — Disse Satomi.
Maxwell colocou a mão em seu bolso e tirou uma foto.
– Ao menos... Vocês a conhecem?
Era uma foto da jovem em questão. Yuka e Satomi observaram.
– Desculpe, eu... Não conheço. — Disse Yuka.
– Nem eu... Felizmente. Não é nenhuma de nossas amigas. — Comentou Satomi.
Maxwell guardou a foto.
– Então... Vocês não sabem nada...?
As duas responderam acenando com a cabeça.
– Sabem... Onde eu posso encontrar outras participantes do torneio?
– Hum... Será que a Chiho ou a Manami ainda estão na cidade? — Perguntou Yuka.
– Parece que a Manami vai chegar amanhã de manhã... Mas não sei sobre a Chiho. — Respondeu Satomi.
Maxwell sentiu que não ia conseguir mais informações.
– Então obrigado... Eu vou ver se consigo mais pistas por aí.
– Desculpe se não pude te ajudar muito... — Disse Yuka.
– Foi o bastante.
– Ei, Yuka... O que acha de irmos ao parque? Eu tenho o dia livre. — Disse Satomi.
– Claro! Vamos lá! — Respondeu Yuka, animada.
As duas cumprimentaram Maxwell e se foram.
Maxwell observou as duas se afastando. Em seguida lançou um olhar desconfiado em direção a elas.
Fale com o autor