Variable Geo: Exile

12 Acusação - Parte 3


Maxwell estava sentado no corredor do terceiro andar. Seu apartamento estava interditado, e vários policiais cercavam o local.

Após alguns segundos, Chiho surgiu no fim do corredor, e correu em direção a Maxwell.

– Eu vim o mais rápido que pude! — Disse ela.

– Tudo bem... Cadê as outras?

– Yuka não estava em condições de vir, devido ao choque da notícia. Satomi ficou com ela.

Maxwell continuava sentado. Chiho resolveu sentar-se ao lado dele.

– Você está bem?

– Os policiais me fizeram umas duzentas perguntas. Depois de responder tudo, chegaram a conclusão de que eu era inocente.

– Mas... O que exatamente aconteceu?

Maxwell suspirou.

– Eu a encontrei morta essa manhã. Havia um corte em sua garganta.

Chiho não se conformou.

– Ela era muito amiga da Yuka. Quem faria uma coisa dessas?

– Eu não sei. Mas tudo isso está muito estranho. Como alguém entrou no meu apartamento? Ninguém sabia que ela estava aqui! Ninguém!

Maxwell levantou-se, com raiva.

– Ela se ofereceu para vir aqui me ajudar. Eu a deixei ficar no meu apartamento essa noite... E agora, isso acontece?! Não pode ser verdade!

Chiho levantou-se também e tentou acalmá-lo.

– Ficar irritado agora não vai ajudar em nada! Temos que manter nossa sanidade e tentar investigar.

– Investigar... É só o que estou fazendo desde que comecei esse maldito caso!

Chiho se aproximou de Maxwell e colocou a mão em seu ombro.

– Eu vou te ajudar! Yuka e Satomi também. E a Manami. Nós não vamos te abandonar.

Mas Maxwell não estava em bons modos para aceitar essas palavras. Rapidamente, retirou a mão de Chiho de seu ombro, e caminhou até a saída do corredor.

Chiho ficou apenas observando.

Muitas horas se passaram. A noite estava quase chegando. Yuka e Satomi entraram na delegacia de polícia.

– Boa noite, em que posso ajudá-las? — Perguntou Akira em sua mesa.

– Nosso amigo desapareceu essa manhã, e estamos preocupadas. — Disse Satomi — O nome dele é Maxwell.

Imediatamente, Akira encarou as duas.

– Maxwell? Não me diga que estão falando do...

– Sim, ele é da polícia. Por isso achamos melhor vir até aqui. — Completou Yuka.

Akira levantou-se, contornou a mesa e parou em frente às duas.

– Sim, ele é meu parceiro. Quando exatamente ele desapareceu?

– Eu não sei, acho que eram... Umas oito da manhã. Nossa amiga Chiho o viu pela última vez.

Akira olhou em seu relógio de pulso. Eram quase oito da noite. Em outras palavras, doze horas se passaram.

– Eu não sei o que podemos fazer... Doze horas é pouco tempo para dar uma pessoa como desaparecida.

– Mas ele estava muito abalado. Houve um crime no apartamento dele. — Disse Satomi.

– Eu ouvi falar sobre isso, mas tinha outro grupo cuidando desse caso.

Naquele momento, Takamura saiu de sua sala.

– O que está havendo, Akira?

Em seguida, notou Yuka e Satomi, e sua expressão séria desapareceu.

– Eu não acredito... Yuka Takeuchi! Satomi Yajima... Aqui na minha delegacia?!

Takamura correu até as duas, e as cumprimentou ao mesmo tempo.

– Vocês não tem idéia o quanto eu gosto de vocês! Assisto todas as suas lutas! Podem me dar um autógrafo, por favor?!

Akira esfriou o clima.

– Calma, Takamura... Isso é sério. Maxwell desapareceu essa manhã.

– Maxwell...? — Perguntou Takamura, assustado.

Yuka confirmou com a cabeça.

– Uma amiga o viu pela última vez por volta das oito horas da manhã, logo após o crime em seu apartamento.

– Doze horas é pouco tempo... Talvez ele tenha ido esfriar a cabeça. — Disse Takamura.

– Ainda assim... Nós sabemos que essa cidade não está segura. — Disse Satomi.

Satomi tinha razão. Dois crimes estranhos em um curto período de tempo.

E Maxwell estava, de certa forma, envolvido nesse mistério.

– Bem... Alguém tem alguma sugestão de onde procurá-lo?

Tóquio é uma cidade enorme. Procurar uma única pessoa era quase como encontrar uma agulha em um palheiro.

Algum tempo se passou. Em uma reunião na própria sala da delegacia, Yuka, Satomi, Takamura e Akira debatiam qual seria a melhor forma de começar a procurar por Maxwell.

De repente, o telefone tocou, colocando um ponto final na discussão. Takamura foi atender.

– Alô? Delegacia de polícia. Maxwell, é você?!

Um breve silêncio se seguiu.

– ...O quê? Yuka? Você quer falar com a Yuka...? Como sabe que ela está aqui?

Mais um breve silêncio. Takamura estendeu seu braço, para que Yuka pegasse o telefone.

Lentamente, Yuka levantou-se e pegou o telefone.

– ...Alô?... Maxwell... É você? — Perguntou Yuka.

A voz de Maxwell era estranhamente sinistra.

– Quem mais está com você? — Perguntou Maxwell.

Yuka cobriu sua boca com seu dedo indicador, pedindo para que todos ficassem em silêncio.

– Apenas Takamura e eu... Maxwell, o que você quer? Onde você está?

– Vá com calma, Yuka. Não quer saber porque eu desapareci nas últimas doze horas?

– É claro que quero! Estão todos ficando preocupados com você!

Maxwell riu, de forma fria.

– Nessas últimas horas, eu fiz uma reflexão sobre esse caso. E cheguei a uma rápida conclusão.

– Do que está falando? — Perguntou Yuka, assustada.

Akira, Takamura e Satomi observavam a conversa, apreensivos. Infelizmente, não era possível para eles ouvir o que Maxwell dizia.

– Toda vez que eu te perguntava sobre o Cruzeiro Venus, você me tratava com silêncio. Eu precisei chamar aquela inocente garota para me contar o que se passou naquele lugar. E agora ela está morta. O que você tem a me dizer?

Yuka fechou sua mão esquerda com tanta força, que seu braço chegou a tremer.

– Você não está colocando a culpa da morte da Yuu em mim, está? Eu já estou sofrendo o bastante com isso!

Os três que ouviam a conversa se espantaram.

– O que ele está tentando dizer...? — Perguntou Satomi.

– Calma, vamos ouvir o resto. — Sugeriu Akira.

A tensa conversa continuou.

– Yuka, eu sei que você está escondendo algo de mim. Mas não vou pedir para que você me conte, porque acho que consegui decifrar sozinho.

– Então... Por que você ligou?! Onde você está?! Eu quero te ver pessoalmente!

Maxwell riu novamente.

– Geralmente quando uma garota pergunta isso para um homem, é sinal de que um romance está prestes a começar!

Yuka ficou furiosa.

– Chega de brincadeira! Me responda agora!!

– Eu estou no lago. No lago do grande parque da cidade.

O local que Maxwell se referia era um parque localizado próximo a saída de Tóquio. Um belo lago cercado por uma grande floresta. Geralmente era aberto durante o dia, e fechado durante a noite.

– Ok... O lago do Grande Parque. — Yuka disse isso olhando para os outros, para confirmar o local.

– O lago... O que ele está fazendo lá? — Perguntou Akira.

Em seguida, Maxwell desligou imediatamente.

– Ele... Desligou... — Disse Yuka, colocando o telefone novamente no gancho.
– Então é isso! — Disse Takamura levantando-se — Vamos para lá agora!

Yuka baixou a cabeça.

– Vamos, Yuka. Maxwell não está em seu juízo perfeito, e há um assassino na cidade. — Disse Satomi.

Yuka não reagiu. Akira se aproximou dela.

– Yuka, Maxwell é seu amigo, não é?

Yuka olhou nos olhos de Akira, e confirmou levemente com a cabeça.

– Ele está sofrendo muito com esse caso. E agora, um assassinato ocorreu em seu apartamento, e ele não conseguiu fazer nada para evitar. Imagine o que está passando na cabeça dele. Vamos ajudá-lo, Ok.

Yuka sorriu.

– ...Ok...

Akira sorriu de volta.

– Vamos salvar o Maxwell!