Vannes Hospital
1 Cap. 1
Cap. 1
Donovan estava no jardim de flores e gramado mortos que ficava depois dos portões de entrada. Olhou de baixo à cima a enorme estrutura e suas inúmeras janelas escuras.
Massageou o queixo com o polegar e o indicador enquanto revivia a história do local contada por moradores próximos:
O Vannes Hospital tinha dois andares e teve as suas atividades interrompidas há cerca de 50 anos após séries escanda-los sobre má administração, violência e assassinatos. Sandler Thompson, o diretor na época, decidiu fechar por ordens do fundador e os pacientes foram, então, transferidos para outro local. Mas não todos.
Um paciente se recusou a abandonar o hospício até que teve uma parada cardiorrespiratória e morreu após os maqueiros o forçar a deitar-se sobe a maca. Poucos dias depois, tanto os maqueiros como o diretor, e o fundador, apareceram mortos de forma misteriosa.
Alguns disseram ainda que um grupo de jovens há poucas semanas invadiram o manicômio para se aventurarem e desde então nunca mais foram vistos.
— Bom... Tomara que não me custe muito esforço. — Donovan sentiu a pálpebra declinar, depois checou os equipamentos que possuía, enquanto a parceira Naoko observara cada janela com o único olho que lhe restou.
— Donovan, — O short preto dela deixava descoberta boa parte de suas pernas grossas. — Por onde começaremos?
— Do começo.
Era quase imperceptível, mas no fundo, Naoko quis socá-lo até arrancar-lhe todos os dentes. Talvez o fizesse assim que terminasse a missão.
— Vamos! — exclamou ele, após examinar a culatra de sua arma. Uma mini escopeta de dois canos, feita nos moldes do século XV, modificada para disparar projeteis mágicos.
O saguão de boas vindas se encontrava em situação deplorável. Havia muitas telhas amontoadas chegando a quase a altura dos exorcistas. E nos corredores, medicamentos, luvas descartáveis, macas, restos de lâmpadas, tudo espalhado dificultando a locomoção.
O forte odor de enxofre queimou as narinas de Donovan. Naoko cobriu o nariz e viu o parceiro indicar com o dedo para o corredor esquerdo.
Ambos vasculharam sala por sala, tomando muito cuidado aonde pisavam. Naoko agradeceu a lua brilhante naquela noite, pois sem ela seria impossível caminhar.
Ao final, quando encontrou apenas ratos e insetos, ela avistou Donovan distante, quase invisível, no fim do corredor balançando a cabeça em negação. Partiram então para o andar de cima.
O segundo andar parecia idêntico ao inferior, exceto algumas paredes caídas, algumas bonecas desfiguradas, jalecos pretos de sujeira, roupas coloridas e cadáveres.
Meu Deus! Naoko cobriu a boca com as mãos, enquanto Donovan se aproximava aos poucos, lamentando e pedindo paz para as almas que se foram. Os cadáveres já estavam em estado de decomposição e sem ferimentos brutais. Donovan diferenciou pelos os cabelos, dois jovens e uma adolescente ainda na flor da juventude.
Mas havia algo estranho. Os corpos não apresentavam quaisquer sinais de violência, nem sangue. Então Donovan descartou um possível assassino homem e o seu palpite se voltou para “Espectro Maligno”.
Estes espíritos drenam a alma das vítimas através de sucção. Normalmente, as suas aparências variam de animais, insetos ou verme. Porém há casos de possuírem a forma humana o que significa que são mais perigosos.
Havia algo cutucando a mente de Donovan há algum tempo. Ele e sua companheira adentraram em território inimigo e desde o começo apenas o som de madeira desgastada, o tilintar de gotas das tubulações expostas e o sopro gélido dos ventos preenchiam o local.
Quieto demais para um antigo hospital psiquiátrico.
— Donovan! — chamou Naoko, apontando para um lado. — Estou sentindo algo vindo daquela direção. — Ele assentiu.
Juntos, caminharam esquivando-se de escombros e mais bonecas espalhadas no chão. Empurraram uma porta com cuidado para então chegarem à sala por onde Naoko indicou.
A sala pela qual entraram parecia carregar três vezes mais o odor fétido do que no andar inferior. A luminosidade era mínima, por uma pequena brecha do teto que trazia apenas alguns feixes de raios lunares. No chão, restos de bandagens, mobílias, seringas, máscaras, deixavam uma atmosfera sinistra ao ambiente.
Como não encontraram nada sobrenatural, a colega de tapa olho virou-se para verificar as salas restantes, Donovan fez o mesmo, mas os seus pés congelaram ao sentir uma presença repentina atrás de si.
Naoko também sentira.
Com as mãos tremelicando, ele as pôs no coldre onde estava a arma. Respirou fundo e virou de repente, apontando para o alvo.
E em sua mira, havia uma criança de cabelos marrons, vestida no jaleco de seu tamanho. Ela apertava uma boneca contra o peito e tremia de frio.
— Ora, uma criança. — Donovan sorriu, se aproximando.
— Donovan! — Naoko estendeu o braço, mas não conseguiu alcançá-lo.
— Olá garotinha, — A criança lhe lançou um olhar carregado. — O que você faz acordada essa hora? Não deveria estar dormindo?
— Moço... — O exorcista se agachou, a fim de fazer um afago na cabeça da garota. — Ele vai matar vocês.
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