Vampiros

1 Capítulo Único


- Eu não quero — disse ela.

— Não te forço — disse ele — só te adoro.

— É isso que me força.

— Gosta disso?

— Suas mãos estão frias, pare com isso.

— Já ouvi dizerem antes.

— Ficam assim para a vida?

— Só até sua ida.

— Horrível!

— Não solte-as assim, não faço na sua frente.

— Pois nem tente.

— Não chores. Seque as lágrimas.

— Como posso?

— Só supere e deixe-me…

— Nunca!

— Tenho que fazer, não posso te perder.

— Pare com esse suplicio.

— Não posso, você é meu vicio.

— Não quero, não me toque.

Pausa.

— Por favor — disse ele baixo — deixe a ideia fluir.

— Não entende o que me pedes.

— Entendo muito bem, pois era assim também.

— E o que te persuadiu?

— Um pedido ardil.

— De quem?

— De um alguém.

— Quem?

— Alguém que já está além.

— Tem coragem de me dizer coisas tais? Que já amou outro alguém assim como ama a mim? Não me toques, ah, não me…

— Toques? — falou em seu ouvido — Deixe-me fazer.

— Está louco em me dizer coisas…

— Taís?

— Tire seus lábios de meu p-pescoço.

— Não farei sem sua permissão.

— Não lhe darei nenhuma — ele a beijou.

— Sinto seu sangue correndo, dançando por suas veias.

— Sim.

— Sinto seu cheiro, te desejo.

— Sim.

— Como a amo, como a quero.

— Continue.

— Sinto-te arrepiar — ele passou a mão pelo braço dela.

— É por você, meu amor, continue.

— Te quero para sempre e isso me condena. Quero-te para sempre a murmurar meu nome assim.

— Não me amas.

— Te venero!

— Não me amas! — saiu de perto dele.

— Amo-a mais do que já amei alguém.

— Até aquele do além?

— Nunca disse que o amei. Deixe-me fazer.

— Não…

— É só uma mordida.

— E anos e anos nessa vida!

— Anos e anos nessa vida — aproximou-se ele — comigo.

Nada se falou.

— Toda a eternidade reunidos…

— Eu a amo de verdade. Você imagina meu amor por você?

— E você, imagina o meu?

— Posso? — um lento consentimento com a cabeça.

— Suas mãos estão tão frias.

— Não por muito tempo, querida.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!