Notas iniciais
POV's Sasuke

— Você está com fome ?

— Um pouco.

— Vamos. Vou te levar para comer alguma coisa. Aqui não tem nada comestível.

— Vamos. Então é verdade que vampiros não comem ?

— Por que acha que eu não tenho comida em casa ? Claro que é verdade.

— Certo, eu já entendi. Não precisa ser grosso.

— Vamos logo.

Nós fomos até a lanchonete da esquina e eu paguei uma refeição pra ela. Nunca vi um humano comer tão rápido. Ela parecia estar mesmo com fome. Faz tanto tempo que eu não sei o que é isso. Mas eu prefiro a minha vida do jeito que está hoje. Juventude eterna, mulheres e dinheiro. Combinação perfeita. Mas tem horas que a eternidade nos deixa entediados.

— Quando eu terminar aqui você poderia, por favor, me deixar em algum lugar em que eu possa pegar um ônibus pra voltar pra minha casa ?

— Sua casa fica há umas 10 horas daqui, por que você não fica no meu apartamento ? _ quem sabe ela me tire do tédio.

— E por que eu ficaria ?

— Você me tiraria de um grande tédio.

— Não sei.

— Qual o problema ? Está com medo de mim ?

— Sim.

— Sim o que ?

— Eu fico no seu apartamento.

— Você quer algumas roupas ? Vamos comprar.

— Não precisa gastar dinheiro comigo.

— Não precisa se preocupar. Eu tenho muito dinheiro.

— E o que você faz ?

— Uma eternidade vivo. Eu tenho alguns negócios por ai.

— Há quanto tempo você é um vampiro ?

— Acho que já fazem uns 500 anos.

— Então você já passou há muito tempo da fase de defunto.

Eu ri.

— Mas como uma pessoa é transformada em vampira ?

— Isso você não pode saber.

— Por que ?

— Você já não acha que sabe demais para uma simples humana ?

Eu falei a verdade. Ela já sabe demais. Não posso contar mais nada. Eu lembrei que havia me esquecido de perguntá-la algo.

— Você disse que gostou de ideia de que vai morrer. Por que ?

— Eu simplesmente não tenho motivos para viver. Não tenho pais, nem amigos e muito menos alguém para amar. E você ? Tem alguém que ama ?

— Vampiros estão mortos. Não temos coração. Não sabemos como amar alguém.

— Então é ruim ser vampiro.

— Discordo. É muito bom ter a eternidade para fazer o que quiser sempre com a aparência jovem e sem se preocupar com a morte diferente dos humanos.

— É ruim sim. Mesmo você viva do que adianta ter a eternidade se não tem com quem dividi-la, se não tem motivos ? Viver sem motivos é a mesma coisa que estar morto.

— Eu já estou morto. Então não importa pra mim. Vamos.

Eu me levantei e saí e ela me seguiu. Levei-a até algumas lojas. Depois de ela comprar algumas roupas voltamos para o apartamento. Já era noite.

— Troque de roupa. Vamos sair. Pode usar o banheiro que tem no meu quarto. É o segundo a direita.

Eu esperei um tempo. Quando ela finalmente eu disse :

— Que demora. Pensei que você só iria trocar de roupa.

— Tive que banhar. Eu estava sem tomar banho há quase 24 horas.

— Se é assim então foi melhor mesmo porque vampiros tem nariz sensível. Senão daqui a pouco iria começar a feder.

Eu ri só de ver a cara a cara irritada dela. É estranho. Eu não sou muito de rir, mas com ela é tão fácil apesar de ter acabado de conhecê-la.

— Ei. Eu não sou fedorenta. Você deve ter sentido o próprio cheiro e colocado à culpa em mim.

Eu ri novamente.

— Eu sou muito cheiroso caso você queira sentir. Vamos — eu disse abrindo a porta.

— Onde ?

— Você gosta de adrenalina ?

— Por que ?

— Porque você vai ver de perto um lobisomem.

— Você está falando sério ?

— O que foi ? Está com medo ?

— Claro que não. Vamos logo.

Ela saiu me puxando.

— Você prefere ir de moto ou carro ? — eu perguntei quando chegamos à portaria do prédio.

— Tanto faz.

— Então vai ser de moto.

Peguei os capacetes e lhe entreguei um. Esperei ela se ajeitar e sai cantando pneu. Assim que a moto começou a andar ela se agarrou bem forte em mim. Na velocidade em que estávamos demoramos pouco tempo até chegar ao local onde há mais lobos na cidade. Já é por volta das 11h da noite. E a lua está cheia. Perfeito. Ele podem se transformar todos os dias, mas a sua transformação é parcial. Somente em noites de lua cheia a sua transformação é completa.

— Suba nas minhas costas — eu disse quando ela desceu da moto.

Ela não disse nada. Apenas deu uma risadinha e subiu em mim.

— Se segure — eu disse.

Comecei a correr pulando por cima das árvores até que eu cheguei a mais alta daquela floresta.

— Olhe no topo daquela montanha — eu disse apontando.

Ela olhou e ficou observando a matilha que tinha lá.

— Então eles são assim peludos e ferozes iguais animais selvagens.

— Só precisamos esperar mais um pouco. Eles já nos viram.

— Mas isso não é ruim ?

— Muito pelo contrario. Isso é ótimo. Segure-se.

Eu pulei da árvore e comecei a correr com tudo e com meus inimigos naturais atrás de mim. Sakura agarrou meu pescoço enquanto eu corria e desviava dos lobos. Depois de um tempo conseguimos despista-los e eu voltei pra onde estava a moto.

— Pensei que fosse morrer — Sakura disse assim que desceu das minhas costas.

— Eu sou mais rápido e mais forte que eles. Não tem perigo estando comigo.

— Você é bastante humilde hein? Mas eles estavam em mais quantidade.

— Isso não significa nada pra mim. Vamos antes que eles sintam nosso cheiro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.