Vampires Today! - Fall
4 Capítulo 3: Na floresta...
Enquanto sofria com os efeitos que o sangue causava em mim, observava os outros alunos (alguns deles meus amigos), compartilhando da confusão que passava por todo meu corpo. Era horrível.
Era como se meu corpo não pertence-se mais a mim, e sim à insana vontade de beber quanto sangue eu pudesse. Tudo em meu corpo queimava, era como se meu sangue estivesse entrando em ebulição, e em alta velocidade. Mesmo não tendo a pele muito clara, sentia minhas bochechas corarem...
Meu sangue corria com tanta violência por entre minha veias, que era como se ele sozinho, sem a minha ajuda, estivesse querendo mover-me.
Aquele sensação parecia não passar, parecia já estar durando á uma eternidade. Mas depois de aproximadamente 5minutos de angústia, a sensação de ardência parecia estar diminuindo, ou meu corpo já havia se acostumado com aquilo, não sei ao certo, o que importava era que aquilo estava terminando.
Quando meus olhos pareciam ter terminado de arder, abri os olhos pela primeira vez, olhei para o lado. Minha visão estava aguçada, era como se eu estivesse usando os melhores óculos existentes. Cath estava do meu lado, já de pé, e olhando para todos, parecendo extremamente confusa com a situação.
Depois disso, olhei em volta, e percebi que todos agora, tentavam se recompor. Alguns se levantavam do chão, outros tiravam a terra dos uniformes, e alguns apalpavam os dentes, fascinados com o tamanho que seus dentes caninos haviam ganho repentinamente.
Minha mente vagava, estava distraído com a movimentação a minha volta.
Cath colocou a mão sobre meu ombro, e em seguida a estendeu à mim, claramente, se oferecendo para me ajudar a levantar.
Eu aceitei a ajuda, e me levantei com certa dificuldade. Meu corpo estava um pouco dormente. Era como se eu estivesse ficado parado por horas, e repentinamente decidisse me mover.
Após me levantar, olhei fixamente para Cath, e involuntariamente me assustei ao ver seus olhos vermelhos-vivo e suas presas extremamente afiadas. Cath parecia compartilhar de minha surpresa. Ela olhava fixamente para minha boca, com uma expressão de perplexidade no rosto.
– Você está bem? – perguntou Cath, parecendo confusa.
Os murmúrios vindos dos alunos, tomavam conta do ar, por isso respondi, aumentando um pouco a voz.
– Tão bem quanto poderia estar depois ter meu corpo modificado repentinamente. – disse com certa ironia na voz.
Cath, riu baixo.
Cath era alguém, com quem eu podia usar toda minha inteligência, pois sabia que ela me entenderia, se eu decidisse usar algum termo mais complicado durante uma de nossas conversas...
– E você, como se sente? – perguntei.
– Um pouco confusa... e... um pouco sedenta por sangue. – disse Cath, sorrindo misteriosamente.
Os murmúrios não cessavam, até que uma voz firme, rompeu o barulho.
– Calem a boca, vermes!! – Guinchou, o professor Faustos com violência. – Tenho que terminar de explicar como será o exercício!
Os alunos pararam de falar imediatamente, ninguém ali ousaria enfrentar a fúria do professor mais temido de todo o colégio.
– Eu terei 1 minuto de dianteira sobre vocês. Ou seja, partirei para a floresta 1 minuto antes de vocês. E não adianta tentar na floresta antes que 1 minuto tenha passado, pois quem fizer, terá o prazer de ser punido por mim pessoalmente! – disse o prof sorrindo assustadoramente, expondo seus caninos, mais afiados do que os de qualquer um dali.
Alguns alunos quase pularam pra trás ao ver os caninos do professor.
– E uma dica. – disse o professor, que transformou seu sorriso de segundos atrás. em uma expressão séria e desafiadora. – Em uma certa região da floresta, há uma caverna, aonde se esconde algo, que eu garanto, que nenhum de vocês vão querer encontras em suas vidas miseráveis! Por isso, se dão valor a patética vida de vocês, mantenham distância do lugar!
– Mas o que há na caverna, afinal?? – perguntou Elliot, parecendo muito confiante.
Todos os alunos se viraram em direção a Elliot, com a perplexidade estampada em seus rostos.
– Hi hi. – riu baixo. – Se está tão curioso, por que não procura a caverna, então?
Os alunos se assustaram. Faustos havia acabado de dizer que não deveríamos ir atrás da caverna! Esse professor era realmente, mais confuso do que qualquer um poderia imaginar.
– Mas o senhor... – tentou indagar uma garota.
– Eu já dei minha dica a vocês, se vocês vão segui-la, ou não, não é problema meu. Afinal, vocês estão livres para fazer o que quiserem dentro da floresta! – disse o professor Faustos, agora, com alguma maldade em seus lábios.
Os alunos ficaram surpresos com que o professor havia dito.
– Sem mais enrolações... Vamos começar logo isso, antes que o sol se ponha...
O professor não parecia estar mais disposto a responder questionamentos. Então ele virou de costas para os alunos, e começou a caminhar em direção a floresta.
– Vejo vocês na floresta. – disse o professor com o rosto virado para a os alunos. Ou talvez não.– o professor sorria com um sorriso desafiador.
Os alunos nada fizeram. Apenas observaram o professor caminhar mais em direção a obscura floresta. Era visível no rosto de qualquer um. Será que deviam mesmo entrar na floresta? Ou talvez devessem desobedecer as ordens diretas de um professor? E não qualquer professor. Ordens do mais ameaçador dos professores.
Depois de alguns segundos, o professor começou a caminhar lentamente em direção à floresta. Poucos passos antes da entrada da floresta, o professor olhou pra trás, e lançou-nos mais sorriso malicioso. Logo após o professor desapareceu em meio à escuridão da floresta.
Poucos instantes se passaram com todos em silêncio. Mas logo depois os alunos começaram a falar, questionar, e indagar as instruções do professor.
“-Esse professor é louco”, “Oque ele diz não faz sentido!” “Como ele conseguiu se tornar professor?”, “Oque será que tem dentro da floresta afinal?” e “E não vou entrar aí por uma simples nota!”
Essas, entre outros vários questionamentos eram emitidos.
Alguns alunos –os mais revoltados- resolveram ir embora, e começaram a subir novamente em direção ao edifício principal. Alguns pareciam não saber o que fazer -eu estava nesse grupo-. Será que era seguro ir atrás do professor dentro daquela floresta na qual nenhum de nós tinha permissão de adentrar? A dúvida estava me consumindo, realmente não sabia oque fazer.
Mas antes de entrar em um colapso de confusão, senti uma toque suave de mão em meu ombro. Era Cath, que me olhava pacientemente.
– Não se preocupe. Nós vamos fazer essa porcaria! – disse com um sorriso um pouco “travesso”
Isso de certa forma aumentou minha confiança. Mas ainda não estava seguro.
Os jovens vampiros mais corajosos, começavam a se preparar pra o grande teste, eles se alongavam, e miravam fixamente a floresta.
Achei melhor começar a fazer o mesmo. Mas no momento em que começaria a me mover, um som estrondoso soou de dentro da floresta, foi algo parecido com o barulho de algo gigantesco que havia caído no chão. O estrondo fez com que várias pássaros -na maioria, corvos- levantassem vôo assustados, “gritando”.
Os alunos se assustaram com o barulho repentino, mas mais ainda com o fato de que o exame havia começado. Depois que adentrassem aquela floresta, não haveria mais volta. Teriam de completar o teste.
Os corajosos, confiantes, duvidosos, assustados. Todos. Todos compartilhavam da mesma dúvida.
“Afinal, o que há na floresta?”
Fale com o autor