Vampires Today! - Fall
12 Capítulo 11: “Massacre na cidade industrial”
Fiquei em choque ao ver aquele recipiente. Porque, na verdade não havia pensado naquilo nem ao menos uma vez. Havia tantas outras coisas em minha cabeça.
Fiquei olhando para a mão de Cath, paralisado.
- Tome, estou atrasada. – disse Cath que me tirou de meu transe.
- O que isso quer dizer? – perguntei confuso.
- Que nós ganhamos aquela droga de teste? – Cath perguntou retoricamente.
- Mas...
- Sem “mas”. Tome! – Cath pegou minhas mãos e colocou o recipiente dentro delas e as fechou.
Logo após, Cath se virou sem despedir-se, obviamente pretendendo tirar todas as minhas chances de devolver o recipiente. Era como se ele soubesse exatamente o que eu iria fazer.
Entrei em transe de novo. Mal vi Cath sair do refeitório;
Sai do transe com alguém me chamando da porta do refeitório (nem fazia idéia de quanto tempo ficara ali parado). Mas aquela definitivamente não era a voz de Cath.
Era uma voz masculina que eu reconheci quase que imediatamente. Coloquei o recipiente no bolso da calça rapidamente para que ele não o visse.
- Chord? – perguntei.
- O que está fazendo aí parado? Esqueceu da reunião do clube de desenhos?
- Não. Mas... Pode ir à frente. Tenho que fazer algo.
- Ok. Até mais.
Chord virou-se e foi embora.
Eu tinha de devolver aquele sangue, não tinha interesse em ficar com ele. O que eu faria com ele? Aquele sangue nada mais era pra mim do que algo que me fazia lembrar de tudo que acontecera dentro daquela floresta. Aquelas duas garotas que tentaram enganar a mim e a Cath, aquele garoto psicopata que tentou nos matar, aqueles olhos... Principalmente aqueles olhos.
Não precisava de mais nada que me lembrasse de tudo aquilo.
Corri para a saída do refeitório tentando imaginar para onde Cath teria ido. Não consegui pensar em nenhum lugar aonde ela poderia estar. Então decidi correr a esmo, seguindo meu instinto.
Corri, e corri por entre os corredores e as escadas. Tentei espiar pelas frestas das portas entreabertas quando possível. Logo comecei a imaginar que novamente meu instinto havia falhado.
Mal percebia para onde estava indo. Só parei quando me dei conta de onde estava.
Os corredores estavam quase vazios, já que a maioria dos alunos já tinha ido para suas atividades extracurriculares.
Eu estava no andar da correspondente à administração. Aonde ficava localizada a diretoria e afins.
Aquele era definitivamente o corredor mais quieto, organizado e limpo de todo o colégio. O chão recentemente polido refletia-me, as paredes eram impecáveis, ao contrário de algumas áreas do lugar, aonde algumas crianças do ensino fundamental derrubavam guloseimas grudentas.
O corredor era todo feito de cabines, cada uma pertencia a um professor. O nome de cada um estava preso na porta perfeitamente envernizada.
Apenas a última cabine do corredor era maior que as outras. A que correspondia à diretora Gardner.
Não havia nenhum professor no corredor, mas podia ouvir o som de alguns trabalhando em suas cabines.
Decidi então voltar, e quem sabe recomeçar minha busca por Cath. Porém, eu já estava cansado demais. Fui a ritmo mais lento, e então ouvi algo;
- Fautos, não pode mais manter aquilo nos terrenos da escola! Eu te dei um prazo, e ele já expirou! – dizia uma voz firme.
Vinha da sala aonde o nome Fautos Worsnop estava escrito na plaquinha de aço presa a porta. Por onde havia passado apenas uma vez, quando tive dor de estomago e uma professora viera comigo até aquela sala para pedir a Fautos algum remédio.
Aproximei-me curioso, encostei-me à parede ao lado da porta, e olhei pela pequena fresta aberta.
Vi Faustos, o sinistro vampiro, sentado. Gesticulando em sua defesa.
A sala de Faustos era muito bagunçada, havia uma pilha jornais velho, copos descartáveis usados e embalagens de comida vazia em cima de sua escrivaninha, que parecia pequena com toda aquela sujeira. O chão parecia não ter sido varrido a semanas. Nas prateleiras os livros estavam todos bagunçados
- Mas não posso desistir dele! Além do mais, Larry está quase encontrando uma maneira definitiva de reverter o processo! Vamos, diga a ela, Larry!
Logo ao lado de Faustos estava o professor Larry Lawson, meu professor de química.
Professor Larry era baixinho e já possuía certa idade, dúvida que ele conseguiria negar ao pedido de Faustos.
Apesar disso, o professor Lawson falou de maneira firme à mulher que os interrogava.
- É verdade, Myca! Meus últimos estudos mostraram que algumas doses mais da substancia que criei fará com que pouco a pouco ele volte a normal!
Myca? Já ouvira esse nome. Mas não me lembrava bem de onde.
- Mas não temos tempo! Vocês não entendem? Essa notícia já se espalhou demais! Se prosseguirmos com isso, logo o ministério de sigilo tomara providencias e a escola correrá perigo!
Aquela voz firme e autoritária... Era isso! Era a diretora, Myca Gardner. Não me recordei imediatamente, pois não estava acostumado a ouvir a chamarem diretamente pelo 1º nome.
Curvei mais a cabeça para ver a diretora, e a vi com um jornal na mão, em pé, gesticulando. Parecendo irritada.
Seus lindos e enormes cabelos quase brancos balançavam enquanto a diretora dava bronca em Faustos.
- Está vendo isso aqui, Faustos? – disse a diretora apontando o dedo para algo no jornal que parecia ser sobre o mundo humano – Seu amiguinho causou muitas mortes e danos! E ainda assim quer mantê-lo aqui!?
A diretora irritada jogou o jornal para o lado, o jornal bateu na parede de dentro da sala próximo a mim, e caiu enrolado. Por um momento pensei que eles tivessem me percebido. Mas logo eles retomaram a discussão.
- Você sabe tudo o que houve com ele! Não pode culpá-lo! Disse Fautos levantando o tom da voz.
Olhei para baixo ainda prestando atenção na discussão. Vi que o jornal estava a centímetros da porta. Estiquei o pé, e puxei o para fora da sala com ele.
Já tinha ouvido o suficiente, e ficar ali por mais tempo podia ser perigoso. Abaixei e peguei o jornal. Comecei a me afastar da sala dos professores.
Logo comecei a correr. Não era sempre que tínhamos acesso sobre qualquer notícia sobre o mundo humano, fiquei muito entusiasmado para lê-lo.
Estava prestes a sair do andar da diretoria. Porém alguns passos antes de chegar a escada que me levaria para cima, uma porta se abriu ao meu lado. O cheiro de café extra forte invadiu minhas narinas imediatamente, e fez com que eu me lembrasse de minha mãe. Uma fanática por café.
Aquele cheiro surgira da sala da Copa.
Escondi o jornal em minha mochila, mesmo sem saber quem havia aberto a porta.
Me virei rápido e automaticamente me senti mais aliviado.
Lá estava, encostado a porta, segurando uma enorme xícara de café quente, alguém que eu conhecia a muito tempo. Era Nigel.
- O que faz aqui, Noah? –disse Nigel, me listando tentando mostrar autoridade mas ao mesmo tempo mostrando certa alegria ao me ver.
Algumas vozes vinham de dentro da sala da Copa. Imagino que haviam duas ou três pessoas ainda lá dentro.
Nigel era um antigo conhecido da família. Mas precisamente de minha mãe. O conhecia desde aproximadamente os 6 anos. Morava no mesmo bairro humano que eu e minha mãe. Mas não sabia se ele era precisamente um humano, vampiro, ou o que quer que seja, já que nunca perguntei. Ele era um dos inspetores da escola.
Ele era quase 10 anos mais novo que minha mãe, tinha na bochechas algumas cicatrizes deixadas por espinhas, não era gordo, mas era corpulento, tinha a cabeça raspada e um sorriso simpático e desafiador ao mesmo tempo.
Era alguém de quem eu gostava muito na escola. Mas não apenas eu. Quase todos os alunos gostavam de Nigel. Era sem dúvida o inspetor mais querido.
Provavelmente foi o maior ícone masculino que eu tive. Já que mal cheguei a conhecer meu pai.
- Diga, Noah! – Nigel queria manter a autoridade, mas pude ver em sua expressão a vontade de me abraçar e perguntar como eu estava. Não era todo dia que eu via Nigel. Não era fácil cruzar com ele naquela enorme escola. –Quantas vezes terei de perguntar, Noah? – Nigel e sua mania de me chamar pelo segundo nome. Sim, meu nome é Danny Noah Bayley, ou Danny N. Bayley.
- Desculpe, Nig. Estava procurando uma amiga, e como sempre, me senso de direção me decepcionou. – disse eu sorrindo, e Nigel também sorriu.
Nigel fechou a porta da Copa, se agachou e me cumprimentou.
- E senhor Nigel pra você, moço! – disse Nigel em tom de deboche. – Como sempre, você é a única pessoa que é capaz de se perder em um corredor reto com apenas uma porta no final. – ele riu.
- Desculpe, vou voltar de onde vim. –disse. E segui para as escadas.
- Isso se você não se perder, não é? – brincou Nigel. Ele então pensou um pouco e quando estava na metade da escada me chamou. – Como está sua mãe, Noah? Tem notícias dela?
- A última carta que a recebi dela foi sobre o baile. Ela não me escreveu nada de incomum.
- Ok. –Nigel pareceu corar.
Nigel se virou para esconder a bochechas rosadas e voltou para a sala da Copa.
Comecei a andar acelerado.
O clube ficava localizado no bloco 2 do colégio. Por isso tinha que ainda passar pelo campo de futebol e de tênis para chegar ate lá
Sai do edifício principal do colégio e me dirigi ao campo de futebol, que estava completamente vazio. A grama verde recém restaurada quase cintilava em tom verde muito vistoso, aquele verde realmente ganhava muito destaque em meio aos tons cinzentos de outono.
Não pude suprir a ansiedade.
Sentei-me na arquibancada, e muito cuidadosamente verifiquei se não havia mesmo mais ninguém ali. Tirei cautelosamente o jornal de dentro da bolsa, e algo imediatamente me chamou a atenção.
Logo na primeira página, estava a manchete e letras garrafais com uma grande foto.
“Massacre na cidade industrial”
E logo abaixo a foto de uma cidade inteiramente devastada, que não saia da minha cabeça nos últimos dias.
Era impossível, mas meus olhos não estavam enganados.
Com certeza aquela era a cidade que eu vira na visão que aqueles olhos vermelhos me obrigaram a ter...
A cidade industrial que aquela coisa destruía sem piedade...
Aquele lugar, seria mesmo possível ele ser real?
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