Notas iniciais
Sonhos. Todos os têm. Alguns bons , outros ruins . Alguns tentam realizá-los , outros, tentam esquecê-los, ou simplesmente fingem que eles não existem . Alguns de nós, têm apenas pesadelos . mas não importa o quanto você sonhe. de manha, os sonhos são interrompidos , a realidade insiste em interrompê-los . Sonhe comigo! (GG)

Eu estou com fome, e minha garganta está queimando! Foi tudo que ele conseguiu dizer. Era tudo que ele sentia naquele momento. Ele apenas desejava que aquela fome fosse saciada. Sua mente estava girando, seu corpo se tranformando rápido. Ele olhou misericordiósamente para a mulher que havia feito isso com ele. Ela estava sorrindo. Sua boca — antes iresistível para ele — ainda permanecia suja com o seu sangue.

Julliét, a mulher que havia prometido amor eterno, cumprira sua promessa. Agora eles eram iguais. Nada mais os impediam agora. Ela caminhou até Joseph. Segurou seu rosto, acariciando sua pele lisa. Agora ele também era um imortal. Um imortal de apenas dezoito anos. Uma criança inexperiente, que terá que aprender tudo sobre sua nova vida. Pesou Julliét enquanto observava a agonia do jovem, enfrentando os estágios da tranformação. Vai ficar cada vez pior, até que complete o ciclo. Até que se alimente.

- Julliét? — ele conseguiu dizer. O rosto dela de alguma forma amenizava aquela dor horrível. Finalmente, ele era como ela. — Quando isso vai acabar?

Ela alizou os cabelos lisos, de um tom caramelado de Joseph.

- Está terminando — ela respondeu. A voz doce e calma. — Você precisa se alimentar. Já é noite, precisa fazer isso agora.

Ele sabia que aquela era a pior parte de ser um vampiro. O instinto, a necessidade de ser um caçador. O desejo de matar. A fome quase insuportável. Mas ele precisava fazer isso, por Ela, por Julliét.

Joseph se pôs de pé com a ajuda de Julliét. Sua garganta ainda queimava, e suas veias pareciam estar secando. Julliét passou os braços de Joseph por seu pescoço e o levou em direção a porta.

Paris, era linda toda noite. Mas naquela, tinha algo especial, algo que a diferenciava de todas as outras. Esse era o ponto de vista de Joseph. O vento bateu forte no rosto de Julliét, fazendo seus cabelos dançarem. Os dois caminharam juntos em silêncio pela noite. Já era meia-noite quando chegaram até uma praça pouco iluminada. Em outra ocasião, Julliét teria chegado ali em questão de segundos, mas ela não podia usar seus poderes. Precisava segurar Joseph. Ele não havia se desenvolvido o suficiênte para usar o poder da velocidade. Isso era um dom que somente o sangue humano proporcionava.

- Está pronto? — Julliét perguntou olhando o rosto do rapaz.

- Tudo por você. — ele se inclinou, conseguindo beijar os lábios frios de Julliét.

Os dois olharam ao redor. Mais à frente, um casal se encontrava abaixo de uma grande árvore, aproveitando a escuridão da praça. Eles se beijavam apaixonados, envolvidos e concentrados de mais para notar a presença de Julliét e Joseph. Era o momento de agir.

- Eles parecem tão apaixonados. Não queria ter que matá-los. — resmungou Joseph enquanto contornavam a praça para um ataque surpresa.

- Primeira lição da sua nova vida Joseph. Um vampiro nunca deve se guiar por sentimentos. É nossa maior fraqueza. É matar, ou morrer. A fome vai sempre falar mais alto do que seus sentimentos.

Eles agora estavam a dois metros do casal, se movimentando vagarosamente como um leão encurralando a presa. Julliét soltou Joseph. Deu ordem para que ele esperasse ali. Uma das vitimas tentaria fugir enquanto a outra estaria nas mãos de Julliét. Ele obedeceu e ficou parado perto de um carvalho. Julliét se moveu com rapidêz.

O casal interrompeu o beijo.

- Ouviu isso Mon amour? — perguntou a garota olhando ao redor.

- Não, venha, volte a me beijar.

- Excuses-moi? — disse Julliét pedindo licença e saindo da escuridão. — Eu estou faminta, teriam algo para me dar?

A garota lançou um olhar para o namorado.

- Mon Amour, dê um dinheiro a esta pobre garota.

O jovem enfiou a mão no bolso a procura do seu bolo de notas.

- Nao! — interrompeu Julliét. Ela sorriu. — Não quero seu dinheiro. Minha fome é saciada de outro jeito. Acredita em vampiros, mon seigneur?

O rosto jovial de Julliét ficou pálido, seus caninos ficaram evidentes. A garota gritou enquanto Julliét pulou sobre seu namorado, cravando seus dentes no pescoço dele. O garoto também gritou, tentando se soltar de Julliét, mas a força dela era incrível.

- Fuja! — gritou o garoto para a namorada.

A garota correu pela praça. Olhou para trás, seu namorado ainda estava nas mãos da mulher assustadora. Quando a garota se virou para frente encontrou Joseph, seu rosto ainda mais pálido que o da mulher.

- Bonne nuit! — Joseph disse boa noite e sorriu, depois avançou para o pescoço da garota, seus dentes cravaram ali e o sangue dela escorreu por sua garganta aliviando a sensação de queimação.

- Não, por favor! — suplicou a garota.

Mas era muito tarde. Joseph acabara de sentir o maior prazer de um vampiro. O sangue humano em seu organismo. Em instantes, toda aquela dor agonizante cessou. A transformação estava completa. Alguns minutos depois, a garota desfaleceu em seus braços. O corpo dela caiu ao chão. Joseph sorriu. Sentiu seus poderes chegando. Era um êxtase inimaginável. Ele sabia que à partir dali, sangue humano seria seu vício. Matar, sua profissão.



Julliét e Joseph voltaram para o quarto da pensão da Senhora Petrovick. Uma idosa que transformara sua casa em pensão por ser grande e ter que viver sozinha. Julliét havia escolhido aquele lugar pois ali seu segredo estaria seguro. A Sra. Petrovick quase não saía de seu quarto.

Joseph se atirou na cama. Julliét olhou pela janela como se procurasse alguém.

- O que está acontecendo? — perguntou Joseph. — Parece tensa.

- Estou esperando alguém. — ela disse.

- Quem?

Ela não respondeu.

- Chegou! — ela gritou sorrindo. — Precisamos descer, venha!

Joseph se levantou com um salto e seguiu Julliét. Os dois sairam da pensão. Ali parado na rua estava um homem um pouco mais alto que Joseph. Loiro de cabelos longos e olhos verdes. Uma pele muito branca, se vestia muito bem. Julliét correu até ele e se ajoelhou diante do homem. Joseph não entendeu nada.

- Eu terminei minha parte mestre — ela disse. — Eu fiz tudo que você pediu, eu o encontrei, o transformei. Peço que você cumpra com sua parte no acordo.

Joseph se aproximou, ainda sem entender.

O homem levantou Julliét do chão.

- Eu sou um homem de palavra senhorita — ele disse com voz tranquila. — Você fez tudo certo, agora tem sua liberdade. Deixe que continuo daqui.

Ele olhou para Joseph. Julliét se afastou pela rua.

- Julliét, onde vai? Me espere meu amor!

Joseph tentou ir até Julliét, mas foi impedido pelo homem.

- Tchau Joseph, boa sorte. — Julliét disse e desapareceu nas sombras.

Joseph caiu ao chão, cobrindo o rosto com as mãos. Seus olhos queriam chorar, mas ele não conseguia. Era como se ele não tivesse lágrimas.

- Se levante! — ordenou o homem. — Vou te explicar tudo. Primeiro, ela nunca te amou.

O homem puxou Joseph pelo ombro.

- Sou Armand — ele estendeu a mão para Joseph.



Notas finais
O que acharam da atitude de Julliét?
Gostaram de Joseph? E Armand... Quem será?
Deixem comentários plix ^-^