Vampire Memories .:: Meia-noite
9 Amor e ódio
Notas iniciais
- Olá Armand — disse Julliét sorrindo.
- O que você veio fazer aqui? — Armand quase explodiu.
- Também senti saudade Armand.
Julliét deu alguns passos. Nicholas a seguiu, sem falar nada.
- Não seja irônica! — gritou o original. — O que quer aqui?
Joseph, caído no chão, tentava se colocar de pé. Sangrava, mas aquilo não o impedia de olhar Julliét. O rosto angelical, que ele não sabia se amava ou odiava. O rosto, que ele vira pela última vez quando ela o deixou nas mãos de Armand. Mas algo parecia ter mudado nela. Parecia mais forte, determinada. Seus olhos ardiam, mas por fora, uma calma assustadora prevalecia.
- Decidi fazer uma visita, não posso? — perguntou ela. — Acho que eu sou uma vampira livre, não é mesmo?
Armand se aproximou, irado.
- Só porque você agora é livre, não significa que eu não possa arrancar seu coração agora mesmo.
- Nossa, magoou. — ela se afastou um pouco. — Relaxa Armand, lembra dos velhos tempos?
- Se estragar meus planos, você nunca mais morderá um pescoço.
- Planos? — Julliét lançou um olhar vago para Louise e Jane no canto da sala. — Seu plano inclui uma garota de dezessete anos em fase de transformação e uma bruxa retardada?
Jane cerrou os punhos.
- Parece que você continua a mesma. — Armand sorriu, seus músculos relaxaram. — Fria, só pensa em você. Irônica. Isso é bom.
Julliét sorriu.
- Você é ótimo com elogios. Acho que é por isso que sempre fui tão apaixonada por você.
Joseph não queria acreditar no que estava ouvindo. Seu ódio por Julliét parecia crescer.
- E esse? — Armand levantou o olhar para Nicholas, atrás de Julliét. — É seu novo brinquedo?
- Nicholas é meu fiél companheiro. Está ligado a mim, como um dia fui ligada a você. Mas vamos deixar este assunto de lado. Onde estavam antes de eu chegar?
Armand se virou para Louise.
- Preciso dela. Para meu plano. Joseph tentou ajudá-la. Me traiu.
Julliét olhou para Joseph caído no chão. Por alguns instantes, os dois trocaram olhares. Mas Joseph sentiu medo. Não sabia se Julliét estava do seu lado. E as evidências, mostravam que não.
- Joseph sempre foi fraco. Eu sempre disse no início que poderiamos escolher outro garoto, mas você quis ele. — disse Julliét.
- Era preciso. Joseph tem algo que outro garoto não teria. Mas isso não vem ao caso. Ele é um traídor. Não está mais sobre minha proteção.
- Quero ajudar — ofereceu Julliét. — Joseph ainda não estragou tudo. Posso tirar da garota a infecção. Ela ainda não completou a transformação. Não está impura.
- Era o que eu pretendia fazer — disse Armand. — Mas tenho tanta coisa para me ocupar. A lua cheia é daqui a dois dias.
Julliét sorriu maliciosamente.
- Me deixe te ajudar. Terei um grande prazer.
Ela caminhou até Louise e puxou a garota pelos cabelos. Louise gritou.
- Cala a boca! — ordenou Julliét.
- Julliét? - gritou Joseph com dificuldade. — Não faça isso! Louise não merece. Não cometa o mesmo erro duas vezes!
A vampira se virou para Joseph.
- Erro? — ela perguntou. — Se refere a o que fiz com você? — ela riu histéricamente. — Aquilo não foi um erro. Acha mesmo que me arrependo? Você quis ser um vampiro! Você disse que queria.
- Porque você me prometeu que ficariamos juntos!
- A por favor Joseph. Você nunca aprendeu não é? Um vampiro não trabalha com sentimentos. Isso é o que vai te matar. Acha que eu ficaria com você? Tudo que eu queria era me ver livre das cordas que me prendiam a Armand.
- Eu acredite em você! — Joseph estava ficando muito fraco.
- Só falta chorar! — disse Julliét. — Olha onde você chegou Joseph. Tudo para proteger essa garota! Não sabe que ela também é nossa inimiga? E você ainda tenta transformá-la. Você é um completo idiota mesmo.
Julliét se virou para Jane.
- Será que dá pra você fingir que é útil e usar sua magia para mudar o tempo? Precisamos de nuvens carregadas para bloquear a passagem dos raios solares. Não vai ajudar completamente, mas não vai doer muito.
Jane fuzilou Julliét com os olhos.
- Quero te lembrar que eu sei exatamente como acabar com você apenas com os olhos. — disse Jane.
- Jane, faça o que ela pediu! — ordenou Armand. — Julliét sabe o que faz.
Julliét sorriu. Armand se aproximou sorrindo. Ele se curvou e beijou Julliét. Ela retribuiu o beijo. Depois caminharam até a porta. Jane já estava murmurando as palavras para realizar o feitiço. Em minutos, o céu se fechou como se estivesse se preparando para um grande tempestade.
- Use isso garota! — disse Jane colocando um óculos escuro nas mãos de Louise.
Louise olhou para Joseph por cima dos ombros de Julliét.
- Desculpa! - ele sussurrou.
- Tudo bem — disse Louise enquanto Julliét a empurrava para fora da casa.
A prostituta ficou olhando para dentro da casa, onde Joseph estava caído no chão. Ela queria entrar, mas não podia, era como se seus pés estivessem colados no chão.
- Pode entrar! — disse Joseph.
Ela se apreçou, correu até Joseph e se jogou ao lado dele no chão.
- O que aconteceu com você? — perguntou ela.
- Pode me ajudar? Preciso que me dê um pouco do seu sangue. Não vai doer. Prometo.
A mulher ainda estava sobre a influência de Joseph, mas no entanto, ela queria fazer aquilo. Por ele. Ela se sentia obrigada, mesmo sem entender aquela situação. A mulher estendeu o pulso para Joseph. Ele segurou o braço dela, respirou fundo e então mordeu.
Julliét levou Louise para dentro da floresta.
- Tem certeza que não precisa de ajuda? — perguntou Armand.
- Tenho. Pode ir. Levo o corpo dela para você.
- Tudo bem.
Julliét, Nicholas e Louise caminharam por um trilha.
- Julliét? — chamou Armand.
- Sim?
- Não faça igual ao Joseph. Confio em você.
Julliét assêntiu e voltou a caminhar. Armand e Jane seguiram pela estrada.
Quando os três chegaram a uma distância razoável, Julliét parou.
- E agora? — perguntou Nicholas.
- Agora a gente segue com o plano. — respondeu ela.
Louise fechou os olhos. Era o começo do fim. Tanta coisa tinha acontecido naquele dia que ela desejou que terminasse logo. E se tivesse que morrer, que fosse rápido. Quando ela abriu os olhos novamente, Julliét e Nicholas olhavam para ela.
- Me mate por favor, logo. Quero que termine. — disse Louise.
Julliét revirou os olhos. Ela se aproximou de Louise. Seu rosto delicado ficou pálido, os olhos quase vermelhos. Suas veias visíveis sobre a pele. E seus dentes cresceram assustadoramente. Julliét avançou.
Louise fechou os olhos, se encolheu e esperou até que encontrasse seu fim.
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