Vampire Love
4 Quem é você?
Notas iniciais
Seguimos conversando sobre alguns outros assuntos de escola e adaptações até o quarto dela.
– Bom, chegamos ao meu belo cafofo. – ela disse sorrindo para mim.
O quarto tinha paredes cinza, mas quase não dava para ver devido ao mural de fotos, pôsteres, cortina e outras coisas que enfeitavam a parede. Uma cama preta feita de ferro ficava à direita e o guarda-roupa pequeno ficava à esquerda. Um pooh cinza no canto do guarda-roupa e uma mesinha com um abajur com aparência antiga ao lado da cama completavam o cenário.
– Nossa, o clima aqui está bom. – eu disse abraçando-me rapidamente, aproveitando a sensação de calor que estava no quarto.
– É porque a janela está fechada e aqui também não fica muito aberto durante o dia, já que estudamos na maioria do tempo.
– Ah sim...
Enquanto ela guardava sua mochila cinza escura em seu guarda-roupa, eu apenas fiquei observando mais detalhadamente seu quarto, porém disfarçando para não parecer uma bisbilhoteira incontrolável que adora reparar nas coisas dos outros.
– Vamos? – ela me perguntou após dar um leve suspiro.
– Já? Você não vai trocar de roupa para fazer a aula não?
– Não, eu nunca faço essas aulas. Se pegar meu boletim escolar vai ver que nessa matéria eu sou um terror! – ela disse em meio a risos.
Eu apenas sorri. Não sabia o que dizer, então preferi sorrir ao invés de falar bobeira.
– Bom, acho que eu vou ter que fazer né? Meu primeiro dia de aula aqui, não quero começar perdendo ponto.
– Ok, então... Prefere se trocar aqui ou no banheiro?
– Acho melhor eu me trocar no banheiro. – eu disse completamente sem graça. Não iria me trocar na frente dela, eu mal a conhecia! – Mas antes, poderia me dizer onde fica?
– No fim do corredor. Se você sair do meu quarto e olhar para o final do corredor vai logo vê-lo. Banheiro feminino à direita.
– Ah, ok. Obrigada.
Saí de lá e fui direto para o banheiro me trocar. O banheiro estava escuro, assim como o corredor. Acho que era devido à falta de janelas e espaços para entrar luz ali. Procurei o interruptor e assim que o enxerguei com dificuldade ao lado do lavatório, apertei o único botão que havia, fazendo com que as luzes acendessem. Entrei em um dos banheiros e me troquei o mais rápido possível, para não me atrasar mais. Saí e lavei minhas mãos. Não usei o banheiro para desfazer de minhas necessidades, mas é uma mania minha. Sempre que vou ao banheiro eu lavo as mãos, é um hábito. Enquanto eu ensaboava minhas mãos com um sabonete líquido que havia encontrado ali encima da pia, as luzes piscaram rapidamente. Continuei lavando minhas mãos, ignorando a falha da eletricidade, mas fui interrompida novamente quando as luzes definitivamente se apagaram. Procurei em meio ao escuro o interruptor e quando o achei, acendi novamente as luzes e voltei a terminar de lavar minhas mãos. Terminando meu pequeno hábito, peguei papel para enxugar minhas grandes e delicadas mãos, mas fui interrompida com o apagão que acontecera novamente, me tirando do sério.
Caramba, será que essa escola tá caindo aos pedaços tanto assim? Nem eletricidade direito tem, que droga!
Completamente irritada, acendi as luzes novamente, mas dessa vez me arrependi de ter acendido. Uma pessoa estava atrás de mim. Um garoto lindo, de olhos pretos, cabelo arrepiado e pele branca que mais parecia de porcelana. Dei um pulo pra trás e arregalei os olhos.
– Não se assuste. – ele disse com uma voz sombria, porém calma e suave.
Não disse nada, apenas continuei imóvel, sem atrever-me a dizer qualquer palavra.
– Qual é? Não precisa mesmo ficar assustada. Eu não mordo. – ele disse sorrindo, mas não um sorriso simpático, um sorriso... diferente.
– Quem é você? – eu perguntei com a voz trêmula.
– Isso não importa agora.
– Como assim? – eu perguntei com a mesma voz trêmula de antes, mas agora mais confusa do que antes.
– Eu vim te avisar sobre uma coisa da qual você precisa saber.
– Como você entrou aqui? O banheiro masculino é do outro lado, não devia entrar aqui. – eu disse indo em direção a porta e apontando para o banheiro masculino ao lado, ignorando totalmente o que ele havia dito, mas quando me viro ele não está mais ali. Ele simplesmente desapareceu, sem deixar nenhuma pista ou evidência de que ele esteve ali.
Ele devia ser o tal borrão que eu vi mais cedo. Mas porque aquela hora ele estava lá fora, e agora ali? O que ele realmente queria comigo? Será que ele é só mais um aluno idiota daquela escola? Parei de me fazer perguntas, peguei minha mochila e saí dali o mais rápido que pude.
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