Vampire Love
1 O Começo
Notas iniciais
Obs: Os pensamentos ficarão em itálico.
– Bom, chegamos – disse meu pai antes de suspirar aliviado por ter chegado logo. A viagem foi longa.
Hesitei em sair do carro. Não queria dar um "olá" para mais uma cidade. Estou cansada disso, desse troca-troca de casa, cidade e etc.
Deixe–me explicar. Bom, para começar a história, quando eu tinha uns 7 anos, meus pais se separaram e minha guarda acabou ficando com meu pai por motivos financeiros. Minha mãe nunca foi presente na minha vida e meu pai... Ah, meu pai... Vive sempre mudando de cidade. Isso tudo por sua profissão como historiador. Nunca gostei dessa profissão e eu tenho certeza absoluta de que nunca vou querer seguir a mesma. Odeio ficar ciscando de cidade em cidade e agora meu pai surtou e decidiu vir morar em Lenny, onde ele diz que achou uma boa casa por um bom preço de aluguel. O interessante e bizarro é que ele vai trabalhar na cidade vizinha de Lenny, Kennyest. Ele me disse brevemente que só decidiu vir para Lenny porque não havia casas com bons preços em Kennyest.Fui obrigada a deixar todos os meus poucos amigos em Dranforx e principalmente da minha escola. Fui obrigada a seguir o lema do meu pai: "Quando você está de passagem por algum lugar, nunca guarde lembranças do mesmo. Se acidentalmente não conseguir evitar isto, arranque-as antes de partir". E foi isso que eu obrigatoriamente fiz.
– Não vai sair do carro? – perguntou meu adorável pai, com a testa franzida e um sorriso amarelo estampado no rosto.
Não respondi, apenas saí do carro e observei a paisagem que me acolhia.
Pequenas gotículas de chuva escorriam sobre meu rosto. Logo tratei de colocar o capuz que acompanhava minha blusa de moletom cinza escuro. Meus cabelos loiros escorridos caíam por fora do capuz sobre meu ombro e contornavam meu rosto. O lugar, especificamente a rua onde estávamos e moraríamos, não estava muito movimentada, eu acho que era devido à chuva e neblina que se acomodava ali agora. Grandes árvores secas cercavam toda a rua e davam um ar sombrio ao local.
– Vai ficar aí olhando feito boba ou já podemos entrar? – disse ele se referindo à casa que estava logo atrás de nós. Uma casa grande, com um tom de velha e escura por fora, porém aparentemente bonita e elegante.
Entramos na casa e logo uma sensação de aflição com curiosidade invadiu meu corpo e minha mente. A casa era espaçosa e tinha um tom um pouco mais claro do que eu esperava. As paredes eram marrom claro e o piso era quase todo de madeira. O que mais me chamou a atenção era a aparentemente aconchegante lareira que havia ali, bem no meio da parede da sala de estar, ao lado de algumas caixas com nossos pertences trazidos mais cedo, antes da nossa chegada. Logo mais para a esquerda havia uma pequena escada de madeira que dava na cozinha. Não havia paredes, nem nada que impedisse a vista da cozinha à sala. Ao lado da cozinha havia outra escada de madeira que dava para o andar de cima, onde obviamente deveria ficar os quartos, (o antigo dono devia amar aquele tom meio "floresta" na casa) e por incrível que pareça apesar de a casa ser aparentemente enorme, o banheiro ficava embaixo da escada. Isso mesmo. Embaixo da escada!
Subi para o andar de cima e me deparei com dois quartos, um de frente para o outro, num corredor longo, com um banheiro ao lado do quarto da direta e mais uma porta no fim do corredor. Não dei muito idéia ao tal quarto no fim do corredor, afinal devia ser só um lugar onde deviam estar guardadas coisas velhas e mais caixas. Tratei logo de escolher onde eu iria me aconchegar. Se eu vim parar nesse lugar quase obrigada, eu tenho direito de escolher pelo menos meu quarto, não? Escolhi o menor quarto, pois, não gosto de lugares muito grandes e, como eu não tenho muitas coisas, achei o quarto menor melhor para mim. Enquanto eu olhava pela janela as belas árvores secas da rua e reparava que acabara de chover, pude ouvir os passos estrondosos do meu pai subindo as escadas e logo depois, chegando até a mim.
– Então, gostou do seu novo lar?
– Claro – eu disse olhando para o teto, tentando esconder minha infelicidade ao estar ali.
– O lugar é bem espaçoso, achei que iria gostar, mas pelo visto, escolheu este quarto aqui, muito menor que o outro.
– Já que eu não tenho muita coisa e você é cheio de papeladas, achei melhor deixar você ficar com o quarto maior...
– Entendi.
E um silêncio se aconchegou ali. Depois de alguns minutos observando o teto, as paredes e a rua novamente, decidi pegar as caixas que estavam lá embaixo na sala de estar e trazer de uma vez para meu novo quarto e organizá-las.
– Bom, vou pegar minhas coisas lá embaixo – finalizei aquele diálogo entediante. Dei um beijo em seu rosto e desci.
Organizei as minhas coisas todas antes do almoço. Depois fiquei um tempo folheando algumas revistas velhas que trouxe sem motivo algum, e na hora do almoço, desci para saciar a fome que invadira meu estômago a algumas horas antes.
– Pizza? – eu perguntei desapontadíssima, pois esperava algo mais caprichado para hoje, já que é nosso primeiro dia aqui, neste lugar um tanto repugnante para mim.
– Você não gosta?
– Não é isso, é que...
– A maioria dos jovens da sua idade adoram! – ele disse pegando os pratos e talheres.
– Eu só esperava algo diferente para hoje, mas de qualquer forma, vamos comer então né? Estou morrendo de fome!
O dia passou rápido. O final de semana todo passou rápido! Já era domingo a noite quando meu pai veio me avisar de minha nova escola.
– Filha? – ele perguntou empurrando a porta devagar para não me assustar.
– Oi, pode entrar pai.
– Então né, esqueci de te avisar...
– Avisar sobre o quê?
– Sobre sua nova escola.
– O quê? Mas já?
– Já sim senhora! Ou você achava que ia ficar nessa moleza o tempo todo? E eu já achei uma escola perfeita pra você. Quer dizer, é a única que tem na cidade, mas dizem que é ótima! – ele disse quase esboçando um sorriso no rosto.
– Diz – fui breve e curta, esperando a bomba que ele iria entregar-me.
– O colégio fica a uns vinte minutos a pé daqui, e como eu vivo trabalhando e mal estou presente em casa, achei este colégio perfeito pra você. É uma espécie de internato.
Internato? Como assim internato? Não quero parecer uma detenta num presídio! Isso definitivamente NÃO estava em meus planos. Nem em meus sonhos. Nem nas possibilidades que eu imaginava acontecer!
– Você vai ficar por lá toda a semana e nos fins de semana poderá vir para casa. Sei que deve estar me odiando neste momento por ter que fazer isso com você, mas é o melhor a se fazer. Não temos mais empregada e eu vou trabalhar na cidade vizinha e só vou vir para casa à noite, quase de madrugada e não quero que fique aqui sozinha e tenha que limpar a casa toda ou ter que fazer sua própria comida todos os dias. Isso seria péssimo, concorda?
– Tanto faz – revirei os olhos – Mas quem irá limpar a casa já que eu vou estar trancada naquela prisão, quer dizer, colégio interno?
– Não se preocupe, eu já contratei uma faxineira que irá vir aqui em casa duas vezes na semana fazer uma total faxina! – ele disse se levantando pronto para sumir dali – Problemas resolvidos então né?
Não disse nada, apenas continuei a ler o livro que eu estava lendo antes de ele me interromper para me dar esta drástica notícia.
– Ok então, boa noite, durma bem e coloque o despertador para tocar às 5:30hrs da manhã. Você entra as 7 e eu não vou estar aqui para te acordar – ele saiu como se estivesse tudo bem. Mas não estava. Primeiro, eu deixei todos os meus amigos e família para trás. Segundo, eu tive que me adaptar à esse lugar super estranho. E agora, ele quer me trancar numa escola que mais parece uma prisão do que uma escola? To vendo que essa nova vida não vai ser nada fácil...
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