Vampire Cases

1 Prólogo - Retomada


Em algum lugar distante e remoto do mundo ainda desconhecido pelo ser humano, existe uma mansão, uma mansão grande o bastante para abrigar muitas e muitas famílias, sua aparência imponente esbanjava riqueza, com suas janelas muito bem trabalhadas, seu design rústico e antiquado, mas de certa forma muito elegante, seus jardins verdejantes mostravam uma flora bastante diversa, e ali mesmo no jardim se encontrava um dos membros da família que habitava ali, uma família muito especial de certo modo, uma família de vampiros. Domnik, o caçula da família brincava entre as plantas quando percebeu uma silhueta próxima a ele, ao averiguar viu que se tratava de uma pequena garota humana que aparentava ter a mesma idade que ele, ao perceber que tinha sido descoberta a garota indagou Domnik:

—- Onde estou? Que lugar é esse? -- Ao mesmo tempo que ajoelhava-se na grama para descansar as pernas exaustas.

—- De onde você veio? -- Perguntou Domnik.

—- Eu não sei, não lembro de nada. -- Respondeu a garota esfregando os olhos que lacrimejavam.

Nesse exato momento Destro, um vampiro sádico da família os encontra:

—- Ora ora, parece que Domnik fez uma pequena amiguinha, diga garotinha como chegou aqui?

Novamente a garota respondeu, mas dessa vez em prantos:

—- Eu não sei, eu não lembro. -- Destro então passou a mão entre seus cabelos castanhos no topo de sua cabeça.

—- Está tudo bem, vamos cuidar de você. Não é mesmo Domnik?

—- Sim. -- Respondeu o ingênuo Domnik com um gentil sorriso no rosto. -- Meu nome é Domnik e o seu?

—- Natalie. -- Respondeu a garota mais calma e com um tímido sorriso no rosto.

Ao entrar na mansão as decorações bastante antigas e finas chamaram a atenção da garota, quadros que pareciam caros, armaduras, relógios de parede, móveis rústicos e até mesmo armas penduradas na parede decoravam a grande casa, a garota só voltou a si quando sentiu seu braço ser puxado por Domnik, que a levava para perto de um vampiro de meia idade com uma cicatriz que se estendia por todo o seu lado esquerdo do rosto verticalmente:

—- Papai, olha só a Natalie veio brincar comigo. -- Disse Domnik entusiasmado.

O homem ao ver a garota, olhou imediatamente para Destro que esboçava um sorriso dissimulado enquanto dava de ombros. O vampiro olhou de volta para ambas as crianças e disse:

—- Tudo bem, só não causem problemas.

Assim que ambos saíram da presença dos dois vampiros, o pai de Domnik fez um gesto discreto chamando Destro para conversar. Enquanto conversavam, Domnik por acaso passou pela porta da sala onde estavam, a qual estava entre aberta, sendo possível ouvir a conversa. Lá dentro o pai de Domnik em um tom de voz alterado, advertia Destro, que estava encostado em uma mesa de braços cruzados com o mesmo sorriso de sempre:

—- Você é idiota? Trazer um humano vivo até aqui?! O que diabos você estava pensando?

—- Já disse que não sei nada sobre isso. -- Retrucou Destro.

—- Se esse caso chegar aos ouvidos do Senhor Vlad sabe o que acontecerá não é mesmo? Você sabe melhor do que ninguém que nenhum humano pode descobrir nossa localização.

—- Bem, bem se acalme. -- Respondeu Destro a ele -- Nesse caso é só mantê-la como prisioneira, para sempre, afinal de contas adoro sangue jovem.

Nesse momento Domnik abre a porta:

—- você vai tirar ela de mim? Minha única amiga?

O sorriso de Destro se abriu mais ainda:

—- Ora pequeno Domnik, assim que crescer poderá fazer suas próprias amigas hehehe.

—- Já basta Destro. -- Interrompeu o pai de Domnik -- Retire-se e pense em uma solução para esse problema.

Antes que se retirasse da sala, Domnik novamente lhe dirigiu a palavra:

—- Eu não vou deixar, eu vou proteger ela.

Destro então parou, e lançando um olhar por cima dos ombros lhe respondeu:

—- Não me atrapalhe fedelho, ou vai se arrepender -- Com um sorriso ainda mais maléfico no rosto. Em questão de segundos, Destro se viu com o pescoço entre os dedos do pai de Domnik que agora o pressionava contra a parede mais próxima, e com um olhar que transbordava ódio disse:

—- Se encostar um dedo no meu filho, mato você.

—- Hey, está bem, estava brincando -- respondeu o vampiro sádico com a voz falha. Ao ser solto, ajeitou a gola de sua roupa elegante e saiu.

—- Não tem nada que dá pra fazer pai?

O pai preocupado então olhou para o filho e respondeu:

—- A única maneira possível de salvar ela é tornando-a uma de nós, mas existem riscos meu filho... Bem esqueça, apenas a proteja está bem?

—- Está bem. -- Respondeu o garoto hesitante.

Passados dois anos inteiros, Natalie agora esboçava esperteza, pois treinou junto com Domnik, mas sua humanidade ainda permanecia, pois durante esses anos Domnik a protegeu. Todos ali já tinham ciência de que a garota era uma humana, mas por ser bastante comportada era considerada como da família. Destro ainda a fintava e planejava como cravar os dentes naquele pescoço sedoso sem sofrer as consequências. Os dias iam apenas passando e a amizade de Domnik e Natalie crescia... Até que um dia, Domnik foi requisitado pelo pai, que pediu que Natalie não o acompanhasse pois eram assuntos pessoais. Ao encontrar seu pai, Domnik se viu em frente a um cadáver de um humano preso a uma cadeira, o homem havia sido morto, e seu pai agora esperava que ele sugasse o cadáver.

—- Pai eu... -- Antes que pudesse terminar a frase seu pai o interrompeu

—- Vamos, beba. Você sabia que este dia chegaria, precisa aprender a viver por si só de agora em diante.

Domnik olhou hesitante para o corpo, limpou a mente e em um rápido movimento cravou os dentes no pescoço do cadáver sugando seu sangue que ainda corria quente. E foi logo após isso que se ouviu um barulho de algo caindo no piso, a porta estava entre aberta, e a garota olhava assustada toda aquela cena, Natalie finalmente havia descoberto o segredo daquela família...

Natalie correu, Domnik tentou correr atrás dela mas seu pai o impediu, Domnik perplexo então perguntou:

—- O que eu faço agora pai?

—- Acho que você está preparado para ouvir o único meio de salvá-la...

Natalie se escondia no jardim, chorando e aparentemente com muito medo sibilava para si mesmo que queria sair dali, quando Domnik chegou até ela, ela não poupou seus pulmões ao gritar:

—- Saia daqui! Seu monstro! Você mentiu para mim! -- O coração de Domnik se partiu ao ouvir aquilo.

—- Natalie, poderia me escutar?

—- Não quero ouvir mais de suas mentiras, afaste-se.

—- Não mentimos para você, apenas estávamos esperando a hora certa para te contar. Você ainda não estava preparada para saber.

—- E quando estaria? Depois que tivessem sugado todo o meu sangue?

—- Eu não faria isso, somos amigos lembra? Por favor me ouça, tenho algo a falar. Se isso te acalma, posso deixar amarrar as minhas mãos.

—- Sabe que isso não vai funcionar. Apenas fale de onde está mesmo, não dê mais nenhum passo.

—- Muito bem, ouça... -- Antes que Natalie percebesse Domnik já havia avançado contra ela, mas para salvá-la de Destro que por pouco não mata a garota.

—- Ela descobriu nosso segredo, ela não pode mais viver, entregue-a para mim Domnik. -- Disse Destro ao ver que havia errado o golpe.

—- Eu disse que iria protegê-la. Você não vai encostar um dedo nela.

—- Muito bem, tomarei a força. -- Destro avançou contra ambos, mas antes que chegasse ao seu destino foi surpreendido por uma forte joelhada em suas costelas, quebrando pelo menos 3 delas e arremessando-o contra a parede do jardim.

—- Eu avisei para você que se encostasse um dedo no meu filho eu o mataria. -- O pai de Domnik esboçava o mesmo olhar de ódio de antes.

De joelhos lutando para ficar de pé Destro arfou, cuspiu sangue e sorriu antes de falar:

—- Vocês são mesmo um empecilho, precisarei me livrar de todos vocês.

—- Tente, vampiro de classe inferior. -- Retrucou o seu adversário.

Ao atacarem um ao outro, ouviu-se uma voz ressoar pelo jardim:

—- Já Chega! É o suficiente. -- Na janela próxima ao jardim encontrava-se um vampiro cuja aparência impunha grande respeito, um grande bigode aparente, grandes costeletas, o cabelo totalmente jogado para trás, o rosto velho e algumas cicatrizes refletiam experiência e uma roupa nobre claro, este era Don Ramon, um dos conselheiros de Vlad e atual líder daquela orla da mansão.

—- Vocês dois venham comigo, temos assuntos a tratar.

Assim que os vampiros se retiraram Domnik levou Natalie a outro lugar para conversarem e finalmente explicar o que havia acontecido.

—- A verdade é que somos vampiros, mas acredite você é especial para esta família, caso contrário já teria morrido.

—- Os acontecimentos de agora a pouco dizem o contrário.

—- De alguma forma o Destro trouxe você aqui, para ser uma bolsa de sangue particular dele. Mas eu te encontrei lembra? Isso não estava nos planos dele de forma alguma. Você devia ter sido morta assim que chegou, afinal ninguém pode saber a nossa localização, mas meu pai enfrentou o alto conselho e lhe foi permitido viver aqui com a condição de que não soubesse da verdade.

—- Então não planejavam contar pra mim em ocasião alguma?

Domnik hesitou, mas respondeu.

—- Não. Mas entenda era para o seu próprio bem, pois como vê agora sua vida corre risco por saber da verdade. Mas existe um jeito de salvá-la Natalie, tanto de Destro quanto do alto conselho.

—- E qual seria? -- Perguntou Natalie com um tom de hesitação.

Domnik lembrou das palavras do pai, respirou fundo, olhou bem nos olhos de Natalie e então veio a resposta:

—- Tornando você uma de nós...

Natalie, sem palavras, não sabia o que responder.

—- Não precisa ser de imediato, afinal você tem que realmente querer ser uma de nós, caso contrário na sua transformação, entrará em colapso e morrerá em vão. -- Disse Domnik.

Natalie ficou ainda mais perplexa, não sabia o que fazer ou responder, mas Domnik ainda tinha o que falar:

—- Tenha calma, meu pai o fará, você é minha amiga, não teria coragem de fazer nada com você.

—- Não. -- interrompeu Natalie. -- Se for tem que ser com você, e ninguém mais. -- Disse ela com o rosto um pouco corado.

Domnik lhe lançou um olhar perplexo, e em seguida sorriu estendendo a mão para ela.

—- Vamos, você pode pensar a respeito disso no caminho da mansão, as coisas já devem ter se acalmado lá.

Ao chegarem na mansão, viram uma leva de vampiros saindo, entre eles Destro e o Pai de Domnik. Lá dentro, Domnik indagou um dos membros da família:

—- Para onde eles foram?

—- Foi designada uma missão para aquele grupo, parece que um dos nossos foi levado como refém, eles devem resgatá-lo e trazer alguns fiéis da igreja para um banquete.

Domnik então compreendeu e deu de ombros, pois sabia que seu pai não morreria numa missão como aquela. Ou era o que ele pensava, com o retorno do grupo alguns dos que foram não voltaram, e esse era o caso do pai de Domnik.

Destro entrou pela porta com o mesmo sorriso sádico de sempre, e ao ver Domnik se aproximou de seu ouvido e sussurrou:

—- Seu pai morreu garoto, agora não existe ninguém aqui que possa te proteger, é uma pena, mas aquela garota logo será minha.

Domnik se recusou a acreditar naquilo, seu pai poderoso como era não poderia ser morto numa missão simples como aquela, algo deveria ter acontecido. Sem chão algum Domnik foi até o quarto de Natalie e ali chorou o a noite inteira junto a ela.

Passaram-se meses desde estes acontecimentos, Domnik agora aparentava ser mais maduro seu treinamento havia terminado, e ele havia seguido os passos do pai. Era como uma pequena cópia dele.

Subindo pelas escadas Domnik se encontrou em frente a porta da sala de Don Ramon, finalmente sentia-se confortável para dizer-lhe toda a verdade e ao entrar foi questionado:

—- O que quer comigo? É bom que seja importante.

—- Gostaria de lhe contar a verdade sobre a garota Natalie senhor, e pedir um favor também.

Don Ramon admirou a coragem do garoto e percebeu o quanto ele havia crescido.

—- Pois bem, diga.

—- Gostaria de fazer de Natalie um membro de nossa família ela mesma já está decidida disso, creio que a passagem não falhará.

—- Quer transformar a garota em vampira? Isso não lhe faz semelhante ao Destro?

—- De modo algum senhor, ela já causou muitos problemas para nós como humana, ela mesma já esta ciente disso. Acredito que ao transformá-la os problemas acabariam, principalmente com Destro.

—- Muito bem, e o que quer me contar sobre ela, tem a ver com Destro?

—- Sim, acredito que ele tenha infligido um dos códigos impostos pelo senhor Vlad ao trazê-la aqui. Isso é uma desonra para com o nome do Senhor Vlad.

—- Hmm isso é uma acusação grave... Como posso acreditar em você?

—- Ainda não tenho uma prova concreta, mas se conseguir uma, quero permissão para matá-lo.

—- Muito bem garoto, consigo ver em você tudo o que seu pai era. Se o que me contou for verídico, tem a minha permissão para matar Destro, afinal esse tipo de traição não é permitido aqui.

Enquanto isso em uma área externa da mansão, Natalie caminhava, mais bela do que nunca divagando em pensamentos. Quando Destro a interrompeu:

—- Ora ora, onde está o seu cão de guarda? -- Enquanto fintava o pescoço dela.

—- Saia Destro, não tenho assuntos com você.

—- Não seja tão rude minha princesa, eu só quero conversar e apreciar sua beleza estonteante.

Natalie o encarou:

—- Conversemos então. Pode começar me respondendo, foi você quem me trouxe aqui não foi?

—- Bem, crianças tem um sangue bastante suculento, e são mais fáceis de se hipnotizar. -- Disse ele com um sorriso.

—- E por que eu?

—- Não se sinta tão especial, eu apenas trouxa aquela mais suculenta aos meus olhos.

—- Você é o pior de todos. Mas eu ainda tenho o meu guardião sabia?

—- O garoto? Não me faça rir, tudo que ele fez foi chorar desde que o pai morreu, é como um filhote incapacitado por perder a família. A família que eu tirei dele.

—- O que quer dizer com isso?

—- Opa, parece que falei demais hehe. Eu disse que me livraria daqueles que se colocassem no meu caminho. -- Destro então avançou contra a garota quando chegou ao destino, não havia nada lá. Domnik havia tirado Natalie de sua frente.

—- Maldito, então você realmente armou para o meu pai.

Destro então se exaltou e gritou:

—- Sim! Sim! Eu fiz com que seu pai ficasse preso na capital durante uma batalha com humanos. E o que você fez? Nada! Você não pode fazer nada!

Domnik respirou fundo sorriu e novamente indagou:

—- Foi você quem trouxe a Natalie aqui não foi? Queria uma bolsa de sangue só para você, seu pedófilo maldito.

Destro sorriu, ao que parece gostou da ofensa que fora usada contra si.

—- Sim e daí?

Nesse momento, Domnik se posicionou atrás de Natalie com a mão em seu ombro

—- Eu me pergunto o que aconteceria se alguém roubasse sua presa.

A expressão de Destro mudou completamente, estava com um olhar de ódio agora:

—- Maldito, você não seria capaz...

Domnik então, deslizou a mão suavemente pelo pescoço de Natalie, que fazia uma expressão que demonstrava preocupação e prazer ao mesmo tempo, retirou o vestido de cima de seu ombro deixando ele nu e então, devagar Domnik cravou os dentes no pescoço da garota, que agora ardia numa mistura de prazer e dor. Cada segundo a mais que Destro assistia a cena, ele se enchia de ódio, até Domnik morder a própria língua e finalmente beijar Natalie transferindo parte do seu sangue para ela. A garota desmaiou em um tom de pele acinzentado pelo corpo todo e finalmente Domnik a colocou em um local segundo onde pudesse ocorrer a transformação sem interrupções. Ao ver a expressão de ódio estampada no rosto de Destro Domnik não sentiu nada mais do que satisfação.

—- A garota que eu tive tanto trabalho para trazer aqui... Maldito!

Ao ouvir esta frase Domnik olhou um pouco acima e perguntou

—- É o suficiente para você? -- De lá da janela Don Ramon observava toda aquela cena. Apenas acenando que sim com a cabeça se retirou da sala onde estava.

Destro percebeu que havia sido entregue por si mesmo e foi esse o ápice de seu ódio

—- Maldito eu vou te matar!!!

—- Tente, vampiro de classe inferior! -- Retrucou Domnik entrando em uma posição de batalha.

Numa fração de segundo Destro avançara contra Domnik que esquivou de suas garras por baixo enquanto agarrava o braço e fazia pressão no ponto do cotovelo com sua mão livre, ouviu se um som de estalos e logo o braço de Destro estava numa posição que não deveria ser possível mesmo para um vampiro.

Destro continuou abaixado segurando o braço danificado, enquanto Domnik o provocava num tom sarcástico:

—- Não me faça de idiota Destro, sua habilidade de cura está além disso.

O vampiro se virou e seu braço antes quebrado agora estava de volta ao lugar, seus olhos cheios de ódio de modo a parecer que transbordariam sangue à qualquer momento. Novamente ele investiu contra Domnik de modo ainda mais voraz, o garoto agindo com calma, cerrou seu punho o mais forte que pode, calculou meticulosamente o tempo de chegada de Destro e enterrou seu punho diretamente na face dele, fazendo com que seu corpo uma vez para trás voltasse para a frente com o efeito da inércia e finalmente arremessando Destro, que teve o corpo danificado junto a uma estátua do jardim.

Ao levantar já curado novamente, mas com suas elegantes roupas aos trapos Destro disse com uma voz trêmula:

—- Você deve estar adorando isso não é? É boa não é? Essa sensação de poder vinda do sangue humano. Uma vez que experimentou não vai conseguir parar. Sim você está fada.... -- Antes que pudesse terminar sua fala Domnik o acertou novamente com uma direita que o fez capotar por alguns segundos.

Durante esse meio tempo de batalha, uma boa quantidade de pessoas que ouviram os barulhos do lado de fora, agora assistiam aquele espetáculo, não, aquela execução.

Domnik recuou por uns instantes, queria deixar Destro se recuperar, queria matá-lo aos poucos, queria sentir o gosto da vingança, puxando então uma espada de prata com uma lâmina fina e totalmente afiada apontou para Destro e então proferiu:

—- Destro Silas Toupé III, ex segundo comandante da terceira divisão dos vampiros da orla escarlate da mansão Vlad, você é acusado de rompimento do código de conduta escrito e imposto pelo próprio Vlad e traição ao primeiro comandante da sua própria divisão, diante disso e de todos aqui presentes, sob o consentimento de Don Ramon, eu Domnik von Hector o executarei em nome de Hector von Elysia o meu pai!

Destro ainda se recuperando, limpou o sangue da boca com as costas da mão e então gargalhou antes de gritar.

—- Venha, farei picadinho de você!!

Ao mesmo tempo que jogou um pedaço da estátua despedaçada na direção de Domnik, Destro tentou também avançar contra ele numa tentativa de distração, mas tudo foi em vão quando Domnik destroçou a pedra apenas usando uma de suas mãos, enquanto acertava o pomo da espada com brutalidade na testa de Destro que recuou com a dor.

—- Eu ainda não terminei. -- Disse Domnik num tom imperativo, enquanto jogava a espada e uma bolsa de sangue aos pés de Destro.

Destro olhou para os itens com desprezo, voltou a olhar para Domnik e então lhe disse:

—- Não preciso que tenha piedade de mim já fui humilhado o bastante por um merdinha feito você.

—- Não se engane, eu apenas quero derrotá-lo em sua melhor forma para assim oferecer uma vingança digna ao meu pai. -- Respondeu Domnik de costas para Destro enquanto pegava uma nova arma para si.

—- Muito bem não se arrependa depois, fedelho.

De forma voraz Destro levou a bolsa de sangue fresco à boca, como se houvessem semanas que não se alimentasse, o que de fato fazia.

—- Aproveite bem a sua última refeição, seu maldito vampiro de classe inferior. Domnik se preparou com sua alabarda.

Ao terminar, havia sangue por quase todo o rosto de Destro, que ao tentar limpar apenas borrou e piorou a situação, o que deixou sua expressão ainda mais maléfica junto a um sorriso que curiosamente esboçava confiança e ódio ao mesmo tempo, e seus olhos que adquiriram um certo brilho vermelho. Ao agarrar a espada com todas as suas forças Destro simplesmente sumiu de sua posição inicial, já havia investido contra Domnik de novo, a batalha havia recomeçado.

Do meio da multidão surgiu Don Ramon, que veio pessoalmente observar o combate, e ao ver os olhos de Domnik brilhando e um discreto sorriso em seu rosto pensou consigo mesmo "Ele está se divertindo com isso, é sem dúvida seu filho, Hector".

Mais um golpe foi aparado pela alabarda, o som de metal ecoou pelo campo, já havia passado mais de uma hora desde então e nenhum dos dois pareciam querer ceder, de certo modo Destro agora parecia mais voraz do que nunca, e dava certo trabalho a Domnik a essa altura do campeonato.

As estocadas eram rápidas, Domnik tinha de ser ainda mais rápido para defendê-las algumas até o acertavam, mas nunca nos pontos vitais, ele chegou até a desejar um pouco mais de sangue de sua amada para assim se sentir novamente revigorado mas logo aceitou a realidade de que isso não aconteceria novamente, o sangue de vampiros tinha um gosto amargo e de certa forma sem sabor para outros vampiros, e era isso que Natalie era agora um vampiro. Ainda no meio do frenesi de estocadas Destro começara a se empolgar até desferir um golpe com um balanço muito longo, longo o bastante para Domnik desviar, girar e contra-atacar apoiando o longo cabo de sua alabarda na nuca de Destro e o arremessando de cara numa parede próxima enquanto desferia um estocada com a extremidade não afiada da alabarda no centro das costas de Destro, causando apenas um contusão, enquanto levantava Destro colocou seu nariz de volta no lugar e levantou a lâmina reassumindo sua postura de combate.

Já beirando a exaustão, Domnik resolveu acabar com tudo aquilo de uma vez por todas, sabia que poderia não aguentar mais golpes de Destro, afinal ele só ficava abaixo de seu pai em termos de habilidade. Apoiou então sua alabarda sobre os dois ombros de modo a segurá-la em uma posição diagonal com a lâmina apontando para baixo, sua mão direita segurava a parte do cabo próxima a lâmina enquanto a esquerda segurava na outra extremidade do cabo equilibrando o peso da arma nos ombros... Destro investiu novamente, assim como Domnik apostou tudo nesse próximo golpe.

Ele estocou uma, Domnik girou e aparou, ele aumentou a velocidade, Domnik continuou e aparou novamente, a terceira estocada veio diretamente no ombro de Domnik, seu terceiro giro não acompanhou a velocidade de Destro, essa poderia ter sido sua vitória, mas se viu forçado a largar a espada cravada para desviar do giro que ainda ocorria.

Um último esforço fez o quarto giro de Domnik ser o último e mais rápido dentre todos, ainda perplexo por ter de largar sua arma para desviar do golpe Destro parou por uma fração de segundo para se recuperar até perceber o próximo golpe vindo na direção de seu pescoço, quando pensou em desviar era tarde, a lâmina da alabarda já o havia decapitado, cortando seu pescoço como se fosse nada matando então Destro.

Domnik havia parado numa posição que certamente indicava que havia cortado algo, e não se moveu até ouvir o som da cabeça de Destro tocar o solo seguido de seu corpo agora inanimado, o jovem vampiro agora se recompunha soltando sua arma ao chão e retirando a espada ainda cravada em seu ombro esquerdo olhando para a multidão com um olhar de vitória e determinação, a multidão o olhou de volta e o que viram ali não foi um pequeno vampiro, não mais, aquele era o novo comandante da terceira divisão que havia reclamado seu cargo com honra, mas a multidão de vampiros nada falou. Domnik se virou e caminhou calmamente até onde Natalie se encontrava, a garota levantou suavemente como se tivesse acabado de acordar de um sono profundo, seu tom de pela era agora um branco quase da cor de um cadáver assim como todos os outros ali, seus cabelos agora tinham pontas brancas o que dava um ar majestoso junto ao castanho, e seus olhos se destacavam por sua nova cor, um verde claro como uma esmeralda refletida pela luz, ela olhou para Domnik que sorria com a mão estendida para ela:

—- Bem-Vinda à família.

A garota deu sua mão para que ele a ajudasse a descer os poucos degraus à sua frente, Domnik a levou para a frente de todos que ainda se mantinham em silêncio ergueu sua mão junto a dela e finalmente bradou:

—- Eu sou Domnik von Hector e esta é, a partir de hoje, Natalie von Domnik minha esposa! Hoje eu reclamo oficialmente meu devido lugar e o dela na família tal como na terceira divisão e se alguém for contra isso que se manifeste agora mesmo! -- Terminada sua frase Domnik olhou diretamente para Don Ramon, que acenou positivamente com a cabeça, seguido da multidão de vampiros que bradou o nome de Domnik, que agora trocava olhares de afeto com Natalie.

Ninguém mais sabe o que houve após esse evento, pois tudo que ocorre nos domínios daquela mansão ainda são um mistério, foi dito que poucos anos após esses acontecimentos a mansão foi encontrada, mas fazia, que Destro tinha seguidores dentro da terceira divisão e que todos tentaram vingá-lo, mas não há como confirmar a veracidade dessas histórias, este foi apenas um dos casos de vampiros que veio à tona de alguma forma para nos alertar e ao mesmo tempo aprende sobre essas criaturas fascinante que são eles.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.