Vampire Cards
1 The School
–Nália!- reconheci a voz sendo de Sária, uma garota da minha série totalmente exibida.
–Hum, oi, Sária. — desejei que ela visse o meu "mau-humor provocado por ela" e fosse embora de uma vez, me deixando em paz.
–Preciso de ajuda!- ela praticamente estava implorando com aqueles olhos arregalados, e me senti constrangida.
–Pode falar...- respondi, incerta.
–Todo mundo sabe que o Gabriel está na sua. Bem, aposto que você não sabia. — ela piscou pra mim, enquanto eu estava assustada e de olhos arregalados- De qualquer forma, eu preciso de ajuda em relação a ele. Eu o amo, Nália!
Pisquei, atordoada. Como assim, Gabriel gostava de mim? Certo, ele era o garoto mais bonito da turma, mas eu não gostava dele, nem o achava bonito. Acho que ainda estava me recuperando do trauma de oito anos atrás...
Sária estava me olhando, impaciente e determinada, e eu soube que ela estava esperando uma resposta. Eu não ouvira a pergunta dela, estava abatida demais com a revelação sobre Gabriel. Pisquei mais uma vez e olhei para ela, como se pedisse desculpas.
–Hum, não ouvi o que você falou. Pode repetir?
Ela me olhou como se não acreditasse no que eu havia dito. Murmurou um rápido "esquece" e se virou para ir embora. Sinceramente? Estava feliz com isso. Não preciso de Sária me atormentando para pegar dicas de como conquistar o Gabriel.
Continuei caminhando. Por onde passava, escutava sussurros. Os estudantes de outras séries e da minha cochichavam sem parar, bem provável que sobre mim.
Ainda não havia encontrado nenhuma das minhas amigas. Eu era, sim, uma das meninas mais populares desde que entrei na escola, há cinco anos. Logo de cara, fui com o santo de Phoebe e suas amigas cínicas, que hoje são minhas amigas também.
Encontrei Juliana num canto, se agarrando com um dos meninos mais velhos. Ele estava em cima dela, prendendo-a na parede. Ela abriu os olhos bem na hora em que passei. Acenei com a mão, maliciosa, e ela retribuiu com uma piscadela. Passei.
Ao fim do corredor, encontrei Anne. Ela era totalmente linda, e também bem cínica. Mais que as outras. Ela olhou para mim e sorriu, encerrou o papo com uma menina que considerávamos "caso perdido" e veio até mim.
–Graças a Deus, alguém legal finalmente chegou. — revirei os olhos e ela riu- É verdade, Nália. Você é legal. E acabou de me salvar da Aline. — ela mostrou a língua, discretamente- Garota intrometida.
–Você tem toda a razão- na verdade, eu achava totalmente ao contrário, então coloquei um "quê" de ironia na minha voz. Mas Anne era realmente burra demais para notar.
–Eu sei disso. Você já viu que a Juliana pegou o Alfredo?- assenti com a cabeça, enjoada de Anne- Meu Deus, ele é tão gato! Mas o nome não ajuda né, Nália?- assenti de novo. Por que ela falava tanto o meu nome?
–Anne, nós nos vemos na aula, está bem?- sinceramente? Estava farta do falatório sem fim dessa garota. Ela pareceu chocada, mas logo um sorriso irônico foi colocado em seu rosto cheio de maquiagem.
–Vá com Deus, queridinha.
Enquanto saía de perto dela, com passos largos e tentando não fazê-la notar que estava andando rápido, pensava no quanto eu havia arranjado amigas idiotas. Era só uma questão de tempo até que eu me transferisse de colégio, arrumaria outra reputação e poderia mudar meu visual finalmente. Mas o nome eu não poderia. E eu o odiava.
Sabia também que eu era una patricinha sem limites. Mas não era realmente assim. É só que nesse colégio eu não tenho motivos para ser legal com os outros. Talvez, no próximo, eu consiga ser legal e popular ao mesmo tempo. Mas talvez não. Ainda preciso de alguém que preencha o vazio que eu sinto desde que... Desde que Takashi foi embora.
Afastei os pensamentos sobre Takashi. Por que, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda pensava dele? Eu era uma vampira. Ele era um garoto normal, humano. Mas ele me aceitava, apesar de saber que eu... Que eu viveria para sempre e todo o resto.
Mas afinal, tínhamos somente oito anos. Éramos duas crianças, e ele poderia pensar que era brincadeira o que eu dizia. Nós não éramos normais pra nossa idade, não sei explicar como.
–Olha por onde anda!- olhei para a frente e percebi que minha franja cobria meu rosto. A pessoa que havia me dito aquilo empalideceu. Raíssa Monteiro. -Oh, me desculpe, mil perdões, Nália! Eu não sabia que era você, quer dizer, claro que...
–Que seja- interrompi-a, balançando o ombro de leve e dando a ela um olhar fatal. Ela se afastou sem dizer mais nada.
Continuei andando, o rosto erguido, como se fosse uma estrela do pop. Na real? Naquele colégio sem graça e sem cor eu era mesmo. Eu e mais cinco garotas que se achavam as tops, mesmo antes de eu chegar. Francamente.
Pensei em todos os anos que havia passado, me transferindo de colégio em colégio, antes de conhecer Takashi. Realmente, eu era só uma garota boba e inocente. Mas quando ele me disse que se mudaria e que aquela nossa conversa era realmente um "adeus", eu não podia acreditar. Eu estava me mudando. Nunca mais seria a mesma sem Takashi comigo.
–Nália?- a voz dele encheu minha mente de alegria.
–Sim?- enchi o peito de ar e não soltei.
–Eu vou me mudar.- sua voz era amarga. Levantei-me bruscamente.
–O quê? Takashi, isso não tem graça!- alertei. Mas ele apenas continuou me encarando, os olhos cheios de dor. Provavelmente, os meus não estavam tão diferentes.
Afastei a lembrança, meus olhos com lágrimas. Oito anos. E eu tinha 3.000. Não é brincadeira desta vez, Takashi.
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