Narrado por Violetta

Eu estava sentada nos caixotes do terreno baldio próximo ao condomínio. Desta vez eu usava ao menos uma bota nos pés, uma saia e uma camiseta. O tempo não parecia estar muito frio, não havia neve cobrindo o chão. Ouvi alguns passos se aproximarem, me virei e avistei León.

– Aonde você estava? Te procurei o dia inteiro.

– Por aí –disse sem mirá-lo.

A verdade é que estava no meu apartamento, trancada em meu quarto sem que pudesse entrar nenhuma luminosidade do sol. Acordei está manhã sentindo meu pé queimar sobre uma pequena faixa do sol que adentrava a janela e se eu saísse na rua com certeza me queimaria por completo.

– Você não vai acreditar.. encontraram o corpo de Andrés.

– Sabia que ele estava morto –disse desinteressada.

– Eu desconfiava, mas só tive certeza hoje mesmo.

Olhei para León que não tirava os olhos de mim. Ele parecia um pouco assustado, se ele soubesse que era eu que causava aquele terror, que era eu que matava as pessoas para saciar a minha sede.. se ele soubesse, teria medo de mim, e não carinho.

– O que é isto no seu braço?

– Arranhões, não está vendo?

– Ai Violetta deixa de ser ignorante, me refiro a como isso aconteceu..

– Eu me machuquei, apenas isso.

A minha vítima da noite anterior foi uma garota e ela tinha unhas grandes. Eu costumo atacar as pessoas por trás ou por cima para que as mesmas não relutem, mas esta sentiu a minha presença antes que eu pudesse chegar, e enquanto minhas unhas fizeram um estrago em seu rosto, as dela cravaram-se no meu anti-braço.