Narrado por León

Eu amava o jeito marrento de Violetta, era inigualável. Ela saiu enfurecida pelo meu comentário e eu me senti receoso, não queria perder sua amizade. Apesar de apenas dois dias de convivência eu gostava muito de Violetta, e eu sentia que ela gostava de mim também. Um gostar de amigos, é claro.

Fui até o corredor e as meninas me cercaram novamente, então decidi dar atenção a elas. Mas a verdade é que eu preferia estar sentando em um canto ao lado de Violetta conversando sobre coisas anormais, jogos, ou qualquer outro tipo de conversa. Ela tinha alguns gostos parecidos aos meus e os nossos assuntos pareciam nunca ter fim. O sinal tocou e eu retornei para a sala, ela já estava lá de cabeça baixa. O professor de física entrou e logo informou a entrega das provas

– Boa sorte – eu desejei a ela.

– Boa sorte – ela sorriu e parecia não ter mágoa nenhuma sobre o que eu havia dito.

Ufa. Admito que fiquei com medo de que sua resposta fora me tacar um caderno na cabeça. Sorri ao imaginar a cena e foquei na prova, eu havia estudado, com certeza me daria bem.

Violetta foi a primeira a terminar a prova e entregar, ela havia me dito que manjava muito naquela matéria e eu não pensei que fosse tanto. Terminei a minha também e nós dois saímos já com os materiais na mão.

– Estava muito fácil – ela se gabou

– Nossa, que garota prodígio – gargalhamos

– Você é tão bobo, sabia?

Paramos em frente ao condomínio, um de frente ao outro.

– Já ouviu dizer que só um bobo pode reconhecer outro? – ela consentiu e começou a ri, e eu fiquei sério olhando aquele rosto lindo– Já disse que adoro o seu sorriso?

– Agora disse – ela ficou me olhando, agora séria. Toquei seu rosto de leve e me aproximei para beijá-la, ela fechou os olhos e quando meus lábios roçaram no seu, minha mãe apareceu com a vizinha estragando todo o clima.

– León?

– Ér, oi mãe.

– Meu filho você ta namorando e não conta para a mamãe? – senti meu rosto queimar e uma vontade imensa de mergulhar de cara naquela neve que cobria o chão.

Violetta não pareceu se incomodar, ela sorriu para minha mãe que retribuiu o sorriso abobalhada. Minha mãe sabia que eu nunca tive uma amiga, muito menos uma namorada, talvez esta fosse a explicação de sua felicidade.

– Ela não é minha namorada. É só minha amiga, mãe..

Dona Elsie, amiga de minha mãe arranhou a garganta como se não acreditasse nem um pouco.

–Ok, ok, vamos subir. Se cuidem crianças. Desculpe atrapalhar vocês – minha mãe disse antes de subir com um sorriso enorme estampado em seu rosto.

Violetta pareceu ter um ataque de risos.

– O que você achou de divertido nisso? – eu perguntei encabulado, realmente para mim não tinha sido engraçado.

– Você. Devia ter visto sua cara, ficou mais vermelha que um pimentão.

– Isso não tem graça,Violetta

– Tem sim. Você fica lindo quando está com vergonha – ela disse e entrou no condomínio, me deixando ali sozinho. Sorri ao cair a ficha de que Violetta poderia sim estar interessada em mim.