Vampire
8 Capítulo 8 – Primeiro Ponto
Notas iniciais
Capítulo 8 – Primeiro Ponto
Eu havia contado tudo que Annie e seu parceiro precisavam saber sobre o mundo que vivíamos e os riscos que corríamos em geral, apesar de hoje a mira fossem os Cullen e os híbridos. Annie se manteve em um profundo silêncio todo o tempo e mesmo que ela observasse cada palavra que eu dizia, eu me perguntava frequentemente se ela realmente estava me ouvindo. Ela estava devastada por dentro e o que absorvia era o essencial quando se é uma imortal. Seus olhos só não estavam vagos por conta de já ter o seu parceiro, Fred. E este, diferente de Annie, prestava atenção nos mínimos detalhes da minha “história”, não perguntava nada, mas eu via as dúvidas se acumularem em seus olhos, o receio e o medo, não por ele. Mas ao mesmo tempo ele abraçava a híbrida, a reconfortando o máximo que ele podia.
Não era fácil descobrir que seu pai era um vampiro que apenas usou sua mãe e talvez nem soubesse que a engravidou. Mas e se ele soubesse? Essa era uma pergunta que não parava de me perturbar, mas fazia questão de mantê-la apenas em minha mente e para mim. Se Annie ou Fred pensavam o mesmo, não seria eu que abriria a boca para colocar mais tensão. Como falam, falar em voz alta é mais perturbador do quem em pensamento.
Depois de tudo esclarecido na melhor forma que eu consegui, fiz a proposta aos dois se ficariam comigo ou se partiram sozinhos. Não ligaria se fossem, mas era ótimo ter a companhia de Fred, seria perfeito e útil tê-lo para eu me esconder devidamente, sem rastros quaisquer. Sorri internamente com o rumo das ideias.
_ Eu não sei... – hesitou Annie dando um passo para trás e levando Fred consigo.
Fred a olhava de uma forma eniguimático e apenas Annie conseguia decifrá-lo.
_ Eu gostaria de ir, conhecer nosso mundo, tanto humano quando vampiresco, mas... – ela abaixou a cabeça. – E se eu encontrar com ele, o meu... pai? – Annie pronunciou aquela palavra com tamanha repulsa que foi inevitável não sentir a mesma coisa.
Seus olhos estavam mais frios e Fred a encarava sem piscar.
_ Annie, já falei que é perigoso antes e repito novamente. Vamos nos manter escondidos, na nossa. Se o mundo dos vampiros explodir vamos estar escondidos e seguros. Juntos pela eternidade, tem coisa melhor que isso? Ninguém sabe sobre nós. – então os dois olharam para mim, temerosos e me desafiando caso eu dissesse ou fizesse algo contrario.
_ Não abro a boca para ninguém. Ninguém é capas de entrar na minha mente sem que não fique em pedaços por isso. Se quiserem ficar, tudo bem, onde vivem, como vivem, o talento de Fred, tudo, esta bem guardado. Vocês não existem para os outros. – me virei indo embora. – Até... Nunca mais. – acenei.
_ Espere. – falou Annie. – Eu quero ir, mas se formos... Podemos morrer. Você sabe muito mais do que ninguém que uma guerra esta por vir e que muitos cairão. Eu não temo apenas por mim, mas principalmente e exclusivamente por Fred. A única pergunta que faço e que dará a resposta de eu aceitar ou não sua proposta é: por que iríamos entrar nessa?
Virei-me e encarei o casal quase tão estranho quanto uma mestiça com um lobo. Suspirei e respondi:
_ Porque se cairmos perante aos Volturi, será a ultima vez que verão a liberdade. Porque até aqueles que acham que estão seguros e escondidos serão descobertos, e o mundo que verão a seguir será completamente devastador e devastado. Nem mesmo o buraco mais profundo os salvará, nem mesmo o mar mais fundo e escuro os esconderá. Se os Volturi ganharem, se conseguirem o que querem... Acabou. Imortalidade virará uma maldição de verdade. Porque para alguns que é apenas a dor da sede, da perda, solidão e mesmice, isso se multiplicara com a escravidão, abuso e perda de sentidos e vontades. A morte nunca seria tão desejada e nunca conseguida, e mesmo que fosse, não seria honrosa, teria sido vaga e em vão. Tudo que nos é importante seria perdido. Você gostaria de ver tudo ser transformado em marionetes para um sádico e seus seguidores?
Annie me olhava de verdade agora, eu via em seus olhos a consciência sobre a realidade tomando-lhe conta, Fred não era diferente, mas o que realmente os perturbava, e era visível até para um cego, era o medo absurdo que um tinha pelo outro. Nenhum parceiro gostaria de ver o seu ser morto ou usado sem vontades ou escolhas, existindo apenas como um corpo de mármore vazio. Até para mim isso era perturbador e de alguma forma eu acabei me lembrando de certos rostos, um em particular, que fez minha espinha que já era fria, gelar ainda mais, e minha cabeça ficar, em certa parte, confusa.
Olhei para o lado. Ele ainda estava em Volterra, sendo controlado como um boneco com um pouco de vida ainda. Minha respiração prendeu e senti meus olhos arderem, mas lágrimas nunca mais sairiam deles. Por que eu pensava nele? Eu não hesitei em partir, nem sequer pensei nele ou nos outros! Mas de alguma forma, Logan sempre esteve presente no meu campo de visão quando o que eu mais queria era me desligar e enxergar apenas o básico. Mas até o básico se encaixava a ele, quase tudo se encaixava ao Logan na verdade.
Talvez eu só tenha me ligado em tudo isso agora, porque só agora eu tinha dito as consequências do futuro tenebroso em voz alta.
_ Aceitamos. Você está bem?– falou Annie me encarando preocupada com a minha reação e Fred a segurava gentilmente pela cintura para impedir que viesse até mim.
_ Sim, só que agora que realmente falei sobre isso é que me assustei. – expliquei a verdade, apenas omiti algumas coisas. Eram problemas meus que eu não queria compartilhar com ninguém.
O que eu tinha era sentimentos e eles só davam problemas. E veja, além de me preocupar com a minha existência em risco, eu tinha a droga de um vampiro para me preocupar também e ele estava bem no ninho das cobras.
_ Bem, ótimo que aceitaram. Partimos agora. – falei mudando logo minha expressão e tentando que minha cabeça fizesse o mesmo em relação aos pensamentos com o Logan.
Um dos problemas de ser uma vampira era que você podia passar anos sem sentir alguma coisa realmente forte, mas quando isso acontecia... Duas a três vezes mais fortes, até mais, e não era nada agradável e fácil de controlar.
_ Não temos nada para levar, apenas livros. – declarou Fred.
_ Não precisamos de muita coisa mesmo. Minhas mochilas estão no alto de uma arvore na floresta no lado norte. Vamos buscá-la e partimos, qualquer coisa roubamos lojas. – respondi tranquila e saindo caminhando como uma humana da biblioteca que caia aos pedaços.
_ E para onde vamos? O que faremos? – perguntou Fred. Annie assentiu com a cabeça a todas as suas perguntas. Ela agora prendia o cabelo em um rabo de cavalo alto e firme usando um elástico vermelho sangue que antes usava como pulseira.
Os dois me seguiam enquanto entravamos na floresta e acelerávamos aos passos, não fui muito rápida por conta de Annie, não sabia o quanto ela era rápida ou aguentava.
_ Vamos ao Egito. Soube que tem uma vila perto do rio Nilo que tem lendas de sugadores de sangue incríveis. – falei com sarcasmo e sorrindo de bom humor. Annie sorriu de orelha em orelha, Fred continuava com a guarda alta. – Alias, Annie, aguenta correr rápido? Digo, me acompanhar?
_ Você é muito rápida? – perguntou penteando os cabelos do rabo de cavalo delicadamente. Fred sorriu sacana, covinhas leves surgiram em suas bochechas e o fizeram perecer mais jovem ainda, mas seu olhos eram atentos como os de uma águia.
_ Com toda certeza. Uma das mais rápidas quando eu era da guarda principal Volturi. – falei com certo desconforto. Seria legal me gabar, se não fosse o fato de que minha referencia era um clã imprestável.
_ Bem, seja como for, eu acompanho. Quase consigo ganhar de Fred e olha que ele é rápido apesar do tamanho. – apontou para seu parceiro rindo. Um riso de sinos, tão perfeito quando de um vampiro. Fred não tirava os olhos dela.
_ Duvido! – exclamei entre a brincadeira e incredulidade. – Você tem tanto o lado vampiro assim?
_ Não subestime um hibrido. – falou com certa voracidade e então piscou puxando Fred e os dois dispararam para o norte deixando um rastro dourado de seus cabelos. Não consegui conter o riso.
Annie era mais rápida do que Nahuel e quase conseguia a velocidade de um vampiro. Isso me provou que não era só a aparência que era herdada e que nem sempre um hibrido era perfeitamente metade humano e vampiro.
Corri na direção deles e logo os avistei, isso foi em segundos. Faltava uns cinco metros para ultrapassá-los, avistei um galho alto de uma árvore e pulei nele e me segurando, peguei impulso com o salto e velocidade e dei um giro de ginasta e me lancei à frente deles. Não precisava, mas queria me exibir. Há tanto tempo que não me sentia assim, com companhias agradáveis que soubessem brincar e usar seus talentos para algo não destrutivo. Gargalhei quando pousei no chão com um silêncio de uma pluma e continuei a correr e olhei para trás apenas para ver a cara dos dois. Fred me analisava impressionado e ainda com a guarda levantada, me estudando para caso eu desse um pé em falso, Annie me olhava de olhos arregalado e ria. Até parecia que sua tristeza, preocupação e medo haviam se dissipado, mas é claro que isso não aconteceria tão cedo.
Ela estava a uns dois metros longe de Fred, mas ele já reduzia a velocidade para ficar ao seu lado. Respeitei a privacidade e continuei na frente por uns dez metros. Chegamos aonde eu deixei minhas coisas e as peguei. Annie se ofereceu para levar uma mochila mesmo não precisando, mas ela parecia querer fazer algo então entreguei uma das mochilas. Seus cabelos se afrouxaram do elástico com a corrida e ela os prendeu novamente.
_ Incomoda? – perguntei apontando os cabelos.
_ Não, mas eu acho mais prático. Sei lá. – deu de ombros e sorriu.
_ Pra que direção vamos? – perguntou Fred segurando Annie pelos ombros.
_ Vamos para os Estados Unidos e pegamos um avião lá, ou querem atravessar o oceano? As chances de apagar os rastros é maior mesmo com seu dom, Fred. – eu realmente queria atravessar o oceano e nadar entre a África e Roma pelo Mar mediterrâneo, ou conhecido pelos gregos e romanos: o Mare Nostrum.
_ Tudo bem. – falou Annie prontamente disposta.
Fred a olhou preocupado.
_ Fred, não me olhe assim. Você sabe muito bem que aguento, não me subestime. – brigou com o parceiro. – Consigo prender a respiração por bastante tempo e no momento não estamos sendo perseguidos, o que faz com que minhas “pequenas” limitações não sejam um problema agora. – fez aspas com os dedos e rolou os olhos impaciente.
_ Tudo bem então. – falou por fim Fred com uma cara irritada pela teimosia de Annie.Mas logo seu olhar ficou ainda mais alerta. Ele estava elevando seus instintos de proteção e guarda cada vez mais.
_ Não baixar a guarda. Um ótimo lema. – comentei e me virei prestes a correr. – Vamos.
E corremos rumo ao Norte. Em dois dias estaríamos em EUA. Mesmo com uma híbrida, não éramos tão lentos assim. Como diz Annie: não subestime um híbrido.
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O vale se estendia a nossa frente. Fred a minha esquerda e Annie a minha direita. O vento soprava com certa força, mas não era incomodo para nós. Estávamos sobre uma colina verdejante e a sua decida tínhamos a visão de uma pequena cidade nos arredores de Atlanta. Meus cabelos estavam esvoaçando para trás como os de Annie, sentia uma confiança maravilhosa, minhas mãos formigavam ansiosas. Meus olhos se moviam velozes decorando cada ponto daquele lugar, como um gato observando sua presa.
Resolvemos vir para na Atlanta e sairmos do mar que estávamos há cinco dias. Apesar de sermos fortes e rápidos, não se podia lutar contra as forças do oceano. Lembrei-me desse vilarejo durante a viajem e como era um lugar quase esquecido pela tecnologia e como lendas eram fortes aqui. Eu me lembrava porque vivi aqui por dois anos no meu segundo e terceiro ano de vida imortal. Foi um refugio solitário e isolado onde eu pude treinar e saciar minha sede em paz. Ajudei a reforçar as crenças dessa terra. Sorri maliciosa.
_ Não mudou muita coisa. – comentei mais para mim mesma.
Quando dei a sugestão virmos para cá, nenhum dos dois contestaram, a não ser claro o Fred que me olhava desconfiado como sempre. Annie estava inebriada por ver o mundo a minha visão e os lugares diferentes que eu conhecia.
_ Que tipo de lenda você ouviu aqui? – perguntou Annie curiosa. Sua disposição era contagiante.
_ Não ouvi muitas e as que ouvi eram as mais conhecidas, como sugadores de sangue, súcubos, íncubos, que seduziam homens e mulheres e sugavam sua vida e distraíam amores e blá-blá-blá, essa coisa tosca. Mas não me aprofundei, vivia mais na floresta e me escondia em pequenas cavernas que tem pela redondeza. Saia à noite para caçar ou simplesmente ficava sentada sem fazer nada, imutável. Eu estava sozinha, manter sigilo foi por puro instinto, mas se tivesse chamado à atenção dos Volturi, com toda certeza teria ido pra lá mais cedo. – não disse que seria morta, porque meus poderes sempre foram latentes e se eu tivesse sido achada como disse, eu seria um tesouro encontrado, totalmente perturbado por incompreensão, medo e dor, muita dor. Hoje eu era apenas uma arma incontrolável.
Annie virou seu rosto para mim e me olhou curiosa e sem entender. Era a primeira vez que contava um pouco mais profundamente sobre minha vida antes de me juntar a “soberania”. Sorri calma para ela.
_ Enfim. Agora estou disposta e posso procurar com mais afinco e real interesse. Deve existir família descendentes e até alguém mais velho que realmente pode ter sido criado com lendas contadas por gerações. Se não me engano, matei um pastor. – falei olhando para a pequena cidade e colocando o dedo sobre o queixo pensativa. – Ah! Sim, matei aquele pastor, foi uma morte dolorosa e torturante. Não me alimentei dele, só dei-lhe um lição por tudo que fez à aquele coroinhas e meninas órfãs.
Os meus dois seguidores me olhavam atômicos e assustados.
_ O que? Como se nunca tivessem matado alguém. Faz parte. – falei simplesmente e vi Annie retesar o corpo levemente. A história da criança que ela matou acidentalmente logo me veio à mente. Cheguei-me internamente. – Digo, alguém que realmente mereceu. Ele era um monstro, devia ter feito ainda pior. Se tivesse bebido seu sangue me sentiria suja. Não me arrependo de matar, talvez algumas pessoas que matei fossem realmente boas, mas... Faz parte da vida. – olhei com raiva para a cidade, como se visse o pastor. Seu rosto era embaçado agora depois de tanto tempo sem me lembrar daquele monstro. – Humanos são piores que vampiros. Se matamos por prazer ou somos tão “desumanos” é porque antes fomos humanos e trouxemos para essa vida todos os maus que nos foi ensinado ou que carregamos desde que nascemos.
Ergui o queixo desafiadoramente, não em ameaça, mas sim caso fingissem que meus pensamentos e opiniões fossem errados e equivocados.
_ Até a mais pura gota de inocência não dura para sempre em humanos. Viemos deles e traremos sempre o seu veneno conosco. Nada é seguro com a presença deles.
Os dois abaixaram a cabeça. Talvez eu tivesse sido dura de mais e eles não eram o tipo de ser que chegou a essa linha de pensamento um dia, com tal coerência e realismo. Mas teriam que se acostumar com o meu jeito de ser, pensar e agir, da mesma forma que estava me acostumando a deles e os aceitando. Nunca disse tudo àquilo na intenção de moldá-los a minhas vontades e visões, uma coisa que prezo é a liberdade.
_ Sinto muito se fui dura, não estão acostumados com pessoas amarguradas. – falei em sinal de que vi meu erro ao ser rápida de mais, mas que não mudaria. Realista ao extremo era minha personalidade legitima e estava tão afincada em mim que não poderia ser tirada por nada. – Prontos para a busca? – mudei minha expressão e o meu tom de voz.
Fred ergueu a cabeça e pela primeira vez não me analisou, estava me dando privacidade.
_ Aonde primeiro? – perguntou indo para o lado de Annie que agora olha a cidade com uma expressão indecifrável.
_ Sério? – falei sorrindo achando graça.
_ O que? – perguntou confuso.
_ Ainda está nessa de o que vem primeiro? Qualquer coisa referente a números ou posições para mim perdeu totalmente a lógica. – ri.
_ A imortalidade faz isso, não? – perguntou Annie.
_ Sim e não. Sim, porque você é imortal e não, porque a solidão e falta de propósito ajuda. – falei com simplicidade e desci a colina até a cidade.
Estava um dia nublado, nossas peles não brilhariam nos denunciando que éramos... Diferentes (tirando fato de sermos perfeitos – fisicamente – até de mais).
_ Hmm. – Annie hesitou. – E nossos olhos? Vão nos denunciar e o seu e o de Fred são muito chamativos. Vermelho sangue? Acho que não é a ultima moda adolescente.
_ Lentes de contato. Simples. Seremos turistas. –falei com simplicidade.
_ Se você esta fugindo dos Volturi, por que esta querendo se expor? – questionou Fred. Senti meus olhos faiscarem, era estranho, mas quando se tem o meu dom, esse tipo de coisa acontece com frequência.
_ Porque me expor é a ultima coisa que os Volturi imaginariam. Por mais que eu seja talentosa e esperta, eles tem a grande “mania” de subestimarem outros vampiros.
Fred não me questionou mais, Annie apenas apreciava a paisagem e a cidade tranquilamente, ela sabia que Fred e eu não estávamos nos desafiando e que esse era seu jeito e eu já havia me acostumado durante o pouco tempo que passamos em grupo.
Apesar dos anos, a cidade continuava silenciosa e calma, como se andar pelas ruas fosse uma coisa tola. Existiam alguns tolos que passavam pelas ruas e causadas, a maioria eram jovens adolescentes com rostos entediados por provavelmente viverem em uma cidade pequena e esquecida pelo mundo.
_ Acho melhor escondermos nossos olhos. Não me sinto confortável com eles expostos aos humanos, é como se eu estivesse os desafiando, a saber o que sou. Não gosto disso. – resmungou Annie passando a mão pelo seu outro braço e olhando apreensiva as poucas pessoas que passavam. Alias todas nos, encaravam claro que tentando disfarçar.
Fred se postou na mesma hora ombro a ombro com ela protetoramente e senti seu escudo de repulsa passar por mim e me dar náuseas, mas logo se afastou a até eu ficar dentro do seu campo de proteção. Automaticamente as pessoas desviaram seus olhos e atenção de nós e duas delas ficaram verdes e uma corria para longe de uma loja com a mão na boca. Não existíamos mais para eles, mas tentar nos ver e saber nossa existência os causava grandes danos.
_ Pronto. – falei olhando para Fred e sorrindo. – Devia ter pensado nisso antes. – falei para mim mesma, como se aquela brilhante ideia de proteção tivesse que ter saído de mim.
_ Confiei em você, por isso não usei o escudo, me segurei para não usá-lo na hora que nos viram. – contou Fred incomodado. – Não gosto de chamar a atenção. – avisou a mim com um olhar irritado, mas não ao ponto de querer me socar ou me decapitar.
_ Relaxa, vai ficar tudo bem. – falou Annie passando a mão pelo braço de Fred o acalmando.
Não falei mais nada, apenas segui na frente e ficando oito metros longe do casal e acabando obrigando Fred a estender mais seu escudo. Não era proposital, mas eles precisavam de privacidade e ele entendeu bem, porque não se incômodo e vi um vislumbre de olhar agradecido.
Comecei a farejar a biblioteca, livros velhos e papel, muito papel, couro e capas duras revestidas de cola, tinta e outros coisas que um livro tem cheiro. O trajeto foi curto e um única cois que vi que mudaram drasticamente na cidade foi à própria biblioteca, que foi mudado de prédio e agora estava no centro da cidade. Foi reformada devia ter alguns anos, porque já se podia ver seu desgaste e tinta desbotando. Seu estilo clássico foi perdido e parecia um prédio qualquer do século XXI.
“Gosto mais assim”. Pensei e sorri internamente. Coisas antigas me deprimiam, por isso eu era tão amargurada, eu em si já era algo velho, mas ficar longe de objetos e coisas referentes ao passado me fazia sentir um pouco – quase nada – melhor, por isso era a única Volturi que usava roupas modernas que era destaque dos humanos. Totalmente irônico.
Soltei o ar teatralmente.
_ Chegamos ao primeiro ponto. – falei olhando para Fred e quase sorrindo. – Vamos vasculhar tudo de precaução. Tecnicamente, filhos de vampiros são novos para nosso conhecimento – apontei para Fred e eu –, mas para os humanos não, já que são eles que sofrem as consequências. Quer procurar nos livros antigos, Annie? – perguntei.
Seus olhos brilharam ainda mais e ela sorriu.
_ Ótimo, vou entender isso como um sim. – vou procurar os registros dos moradores antigos, com toda certeza vai ter alguma coisa e Fred...
_ Eu cuido do resto e ajudo Annie ao mesmo tempo. – decidiu me interrompendo.
_ Ok. – falei rolando os olhos. Uma mania que carregava desde humana quando eu era contrariada. – Mãos a obra.
E entramos na biblioteca.
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