Vampire

5 Capítulo 5 - Coringa


Notas iniciais
Eu sei que demorei, desculpa, mas eu não estava conseguindo escrever.

Capítulo 5 – Coringa

_ Chelsea – chamei a vampira que há anos me intrigava quando a escutei passar pelo corredor em frente à biblioteca. Estava vazia esta ala do castelo –, precisamos conversar.

Ela parou em frente à porta da biblioteca, não parecia hesitar, eu não sabia identificar e isso me frustrava e fazia meus sentidos apenas agirem cada vez mais fortes. Chelsea entrou na biblioteca e me encarou, seus olhos estavam em um tom de vermelho escarlate, ágeis e perigosos.

_ Sim? – perguntou com sua voz sedosa e calma, andando como uma humana e passando as pontas dos dedos sobre os moveis, como se tirando o pó que somente ela via. Tudo no castelo Volturi era limpo e perfeito.

_ Já sei para que você serve a esta guarda, Chelsea. – eu sabia que estava me arriscando, me expondo mais do que já era exposta, mas eu não podia esperar mais, eu tinha que jogar as cartas na mesa. Ainda acreditava que meu poder me manteria “viva”.

A vampira levantou seu olhar para mim e encarou meus olhos e sorriu docemente e aliviada. Não sabia se ela estava blefando, mas mantive a guarda.

_ Sabe Eileen, você é esperta, mais do que qualquer um aqui. Não me surpreende que tenha descoberto, na verdade eu tenha ficado meio irritada por você ter demorado a me contatar. – Ergui a sobrancelha confusa. — Desde que você chegou não consegui sentir... – hesitou — Mas não forcei, você fez seu acordo com Aro, não era necessário influenciá-la, você dominava como eu. A considerei parte do meu pequeno grupo.

_ Como? – a encarava cada vez mais confusa. Eu a chamei para contar o que descobri sobre seus poderes que lhe faziam um peão importante para Aro, mas ela que estava descarregando informações sobre mim, as quais não imaginava.

Sabia que ela era essencial, mas saber que não era assim tão dominada por Aro era uma grande surpresa. E para me deixar mais perplexa e desconfiada era saber que ela tinha um grupo...

_ Pequeno grupo? – questionei desafiadoramente. Eu precisava de mais informação e caso ela estivesse blefando, precisava ver até que ponto ela iria com essa farsa. Com toda certeza para me entregar a Aro.

_ Você é poderosa, todos sabem disso, não é atoa que esta na guarda a tanto tempo. Mas é instável. – ela não respondeu minha pergunta. Ela queria saber sobre mim. Era visível em sua postura como ela estava curiosa, sedenta de vontade de saber sobre meus poderes.

Novamente entrei em uma sinuca de bico.

_ Você sabe como todos os outros permanentes, Chelsea. Sou órfã, fui adotada, mas não suportava minha família e fugi. Entrei na floresta como uma humana idiota que era e fui mordida...

_ Por um belo vampiro que a observava desde seus 15 anos. – terminou com deboche a minha velha e falsa história – por favor, garota, acha que sou idiota? Acha que todos engoliram essa historinha tão clichê? Por favor, cale a boca. Sei que esconde algo, sei que esta aqui porque não tem pra onde ir. Sim, você é órfã, todos aqui ficamos quando fomos transformados, mas só de olhar pra você da pra ver que não é tão idiota assim.

Fiquei em silêncio a encarando irritada. Eu queria fugir, eu me arrependia profundamente de ter ido até o fim nessa história, me arrependido de ser tão xereta e nariz em pé. Sempre era impulsiva, e veja no que deu: agora sou a droga de uma Volturi nas garras de Aro que tentou ser mais esperta.

_ Chelsea...

_ Garota, você não é a única que teve tudo tirado de você. Mesmo que por pessoas diferentes, tivemos nossas vidas destruídas. Pode não acreditar em mim e achar que esta enrascada, mas estamos caminhando em um mesmo caminho. Você quer sair daqui, mas por mais que ache que seus poderes vão te salvar, não vai se manter a salva por muito tempo. Não vou pedir para se juntar a minha causa particular, mas se quer sair daqui, vou te ajudar sem nada em troca, mas mantenha a boca fechada e não faça mais idiotices.

Seu olhar era duro e em seu rosto havia tristeza.

_ Só peço uma coisa durante sua fuga.

_ Achei que não queria nada em troca. – retruquei. Eu era uma idiota, como queria me socar nesse momento.

_ Não é uma troca, mas pensando bem parece. Enfim, gostaria que você fosse até os Cullen. Fale com Edward, o leitor de mentes, ele leu minha mente provavelmente apesar de estar focado em Aro, Jane, Alec e nos outros lutadores. Caso contrario, diga a ele que... Só mostre nossa conversa e suas suspeitas sobre minha função aqui na guarda, ele vai se tocar. – ela se virou e saiu da sala.

Não sabia que tipo de conversa foi aquela, mas foi totalmente diferente do que eu imaginava. Queria acreditar que ela estava blefando, mas no fundo da minha mente uma voizinha sussurrava que eu devia acreditar nessa vampira.

Voltei para o meu quarto e não encontrei com ninguém nos corredores. Minha mente, apesar de eu ser vampira, estava confusa. Nessas horas eu queria ser humana de novo e poder dormir e manter minha mente apagada, mas isso era impossível agora. Me sentei na janela do meu quarto e olhei para o céu. Era um dia nublado, estava quase anoitecendo. Comecei a por minha mente em ordem.

Eu confrontei Chelsea e descobri que ela era mais livre do que eu, mas por algum motivo se mantinha aqui porque mesmo que não fosse caçada, seria sempre vigiada. Ela tinha um parceiro, mas raramente eles estavam juntos, talvez fosse ele que a mantinha aqui, mas ela disse que teve coisas tiradas dela, e pela sua expressão o culpado estava aqui. Logo Aro me veio em mente. Não sabia o nome do parceiro de Chelsea, desde que estou na guarda eu apenas o vi 5 vezes, e sabia que ele era um guarda provisório, mas era um dos poucos que estava aqui a bastante tempo.

Chelsea estava armando alguma coisa, na verdade seu plano já estava em pratica a muito tempo e ela tinha aliados aqui dentro e talvez, mesmo que não tenha mencionado, do lado de fora. Porém, se ela estava armando algo por ser tão “livre” das garras leitoras de mentes de Aro, por que não ágil ainda?

Simples: mesmo que tenha coisas que lhe foram tiradas, ela tinha uma nova e provavelmente quem lhe foi tirado, pode ainda estar vivo e não morto, mas distante dela e caso de um passo em falso ela os perdera de verdade e é por isso que Aro não se preocupa tanto em deixa-la “livre”. Mas ainda assim não sei de sues poderes. È fato que quando um vampiro novo ou quando algum membro provisório quer sair eles parecem mudar, os que entram ficam admirados e os que saem ficam confusos. Um dos membros que mais me intriga – e não sei como ninguém mais se toca – é Marcus. Ele perdeu sua parceira de verdade e mesmo assim se mantem na guarda, não tentou quebrar nenhuma regra para ser morto, não tentou sair daqui e irritar algum clã para ser morto. Ele apenas fica. Moribundo, mas fica. Como se seus desejos e vontades fossem totalmente domados, como se seus laços com a parceira, por mais que inquebráveis, estivessem sendo controlados...

Laços...

Arregalei os olhos. Como pude ser tão burra? Eu sabia que Chelsea servia na guarda para manter os membros nela, mas não especificamente. Ela controlava os laços, ela os afrouxava e os apertava. Os membros de toda a guarda tinham seus laços emocionais presos em Aro, Como se Chelsea fosse à alça de uma coleira que ficava nas mãos de Aro e ela se prendia nos cachorrinhos e os colocava a mercê de Aro.

Mas o contra era que ela não podia ser controlada e sem ela, seus cachorros podiam fugir, sua autoridade ruir, Chelsea era sua carta curinga, mas uma carta perigosa. Nem Jane e Alec eram tão uteis quanto ela. Se ela caísse, todos cairiam. Por isso Aro não se livrou dela, porque ainda não achou alguém para doma-la ou substitui-la, alguém que ele pudesse controlar e controlar os outros. Aro vivia em uma sinuca de bico o tempo todo, mas Chelsea ainda estava em desvantagem, porque mesmo que tirasse os laços dos membros da guarda, muitos deles ficariam com Aro, porque ele era o poder da nossa raça. Era isso que ela estava esperando, a sua autoridade ruir o suficiente para quebrar os laços ou até manipulá-los contra nosso “mestre”. E o fato de eu ser tão sozinha quanto ela e não ter um parceiro lhe dava a carta perfeita para agir, ainda mais agora que os Volturi estavam abalados coma quase batalha com os Cullen!

Eu era sua carta coringa, eu era sue As na manga. Mas seu contra para mim era que eu também era incontrolável.

Mas diferente dela, eu não tinha nada a perder. Eu já tinha perdido tudo há muito tempo.