Minha cabeça girava, eu coloquei minha mão já dormente no estômago e imediatamente depois que a tirei vi minha mão suja de um vermelho intenso, eu conseguia ouvir os passos do meu agressor se afastando. Eu estava deitada no solo úmido de uma reserva florestal em Londres, pelo menos era o que eu pensava, meus cabelos loiros repousados em uma poça de lama. Eu esperei a morte. Não vi a minha vida diante dos meus olhos eu vi apenas as folhas assustadoras na luz do luar, eu procurei forças para gritar mas minha voz tinha desaparecido em contraste à dor que parecia agora ser parte natural de mim mesma. Eu fechei os olhos e pensei nas ondas perfeitas no cheiro do oceano e por um momento eu pude anular o cheiro de morte daquele lugar obscuro.

Não houve barulho, era como se ele estivesse alí o tempo todo me olhando morrer, eu não conseguia me sentar ele colocou seu rosto pálido alinhado ao meu, no seu rosto havia algo parecido com dor, eu imaginava que seria pela cena lastimável que eu estava proporcionando. Eu pedi ajuda, chorei, minhas lágrimas parecim pesadas demais, a ponto de me cegar. Ele era meu anjo? Ele colocou o dedo gentilmente embaixo do própio nariz, como se quizesse se privar de algum cheiro.

\"Eu posso te salvar...\" ele falou calmamente numa voz de príncipe.

\"Por favor.\"minhA voz era apenas um sussurro. Meu coração desacelerava lentamente e minha cabeça ficava cada vez mais pesada.

\"Tente me escutar...- ele segurou meu rosto com a mão livre- você quer se juntar a mim?\" um choque tomou conta do meu corpo moribundo, eu pude ver pela fraca luz da lua que seus olhos eram vermelhos, eu imaginei que estaria delirando, mais o vinho indiscutível de suas pupílas era fascinante. Eu não conseguia responder, eu não entendia o que aquilo custaria. \"Responda.\" ele falou gentilmente agora pressionando o meu ferimento, eu pensava que ele estva me torturando ainda mais. Ainda conseguia sentir o cheiro insuportável do meu carrasco, apesar de aquele homem perfeito com feições imaculadas ser completamente diferente do homem que tinha me estrupado e por fim me atingiu com uma facada, eu pensava que aquele era outro jogo sádico com meu corpo. Suas mãos anormalmente frias pressionavam o corte.

\"Por favor, não!\" eu coloquei a minha mão fraca em cima do seu pulso forte sobre a minha barriga, mas ele se aproximou do meu rosto e sussurrou com muito carinho ainda com o dedo no nariz.

\"Eu só estou estancando o sangue, não se preocupe.- seu rosto era calmo, seus olhos brilhavam numa cor fulminante- Me responda, por favor...\" eu não enxerguei mais o seu rosto, apenas o que vi foi um grande borrão preto, eu tinha desmaiado, mas eu gritei com todas as minhas forças, o que soou como um breve sussurro:

\"Sim.\" eu não pensei que ele tinha ouvido, mas eu tinha me enganado. Ele ouviria qualquer coisa.

Eu senti uma pontada no meu pescoço e meu corpo ficando mais leve, eu não conseguia abrir os olhos, mas eu pudia sentir tudo. A dor no meu pescoço era desprezível, mas ele amenizava passando sua mão fria pelo meu corpo nu. Me lembrei que o meu agressor tinha me estrupado várias vezes, eu tentava não pensar na dor, enquanto meu anjo tocava gentilmente as feridas do ato, enquanto tirava a minha vida, ele tentava sarar as minhas feridas.

Eu dormi, desmaiei. Ele insistia em me dizer que eu havia morrido, mas não havia dor, não havia lama nos meus cabelos ruivos, não havia feridas pelo meu corpo. Eu estava sentada em um grande divã preto enquanto o meu salvador bejava os meus tornozelos. Eu me levantei sem dificuldade e caminhei até o grande espelho. Meus olhos eram vermelhos como o fogo, não havia vida, havia apenas imortalidade ao lado do meu doce vampiro.

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