Vampira
22 Fim da vida inicio da imortalidade
Notas iniciais
PdV Rafael
Eu abri os olhos e estava ali estendido no meio do circulo de pessoas, sentia minha cabeça como uma grande pedra pesada e oca onde algo zunia vibrante em meu cérebro estava tonto e cansado, segui aquele grupo por dias e por dias matei vários deles sentia além de minha enorme cabeça flutuante e pesada uma coisa quente, úmida e de gosto desagradável em minha boca, era sangue. Me esforcei para me levantar mas meu corpo estava tão pesado quanto minha cabeça tinha alguém me olhando uma linda mulher de cabelos pretos e roupas escuras devia ter uns 20 anos e pelo aspecto de me observar e se vestir devia ser gótica ou cosplay de alguma vampira.
Ela piscou e fez um sinal rápido com as mãos se eu estivesse certo ela estava me mandando ficar imóvel, fechei os olhos e apurei meus ouvidos ouvia a voz de alguém, mas com tanta dor de cabeça mal conseguia entender as palavras que ele dizia.
...E assim oferecemos de bom grado a ti nosso mestre e senhor nosso sangue e nossa vida mortal para que possamos andar juntos entre os homens quanto imortais e soberanos...
Abri um pouco os olhos que estava acontecendo? Aquilo era um ritual mesmo? Aqueles imundos estavam se sacrificando para trazer a vida um monstro sangue suga e eu estava ali impotente olhando através de meus olhos semicerrados para aquela garota gótica que me olhava com uma expressão fria e de algum modo acho que piedosa. Ela móvel os lábios vagarosamente — não demonstre medo. Fácil para ela era eu quem estava quase desmaiando rodeado por inimigos que estavam acordando uma criatura de mil anos que se alimentava de sangue humano.
Um barulho estranho e todos prenderam a respiração olhando chocados e amedrontados para algo que estava provavelmente acima de mim isso desviou minha atenção da gótica, se eu virasse a cabeça iam notar que eu estava acordado se bem que ninguém ali parecia ter visto meus olhos abertos alem da gótica que a cada segundo me parecia mais familiar. Um gemido e um odor repugnante preencheram o porão silencioso. Um grito de horror e um barulho que me fez lembrar algo se debatendo e um suave baque de alguém caindo ao meu lado queria poder olhar para trás, mas o modo com que a garota me olhou achei melhor fingir-me de morto. Alguns passos e outra pessoa debateu- se antes de cair.
– Meu senhor – gaguejou o homem do ritual novamente – viemos para que nos torne de bom grado seus servos e...
– Cale-se mortal – a voz me fez arrepiar era como ouvir um moribundo em seus últimos minutos de vida – curvem-se diante de seu mestre
Vi as pessoas se curvando de olhos erguidos para o recém acordado cadáver, todos exceto a gótica que o olhava de modo fixo e imóvel. Vi alguns olhares se desviarem rápidos para ela e seguirem alguém que caminhava até ela, o morto vivo entrou em meu campo de visão estava de costas para mim, mas pude notar uma fragilidade em seus passos vagarosos esperava vê-la caindo morta, mas ele passou por ela e continuou saciando sua sede de sangue.
A cena dele mordendo as pessoas e as jogando no chão totalmente sem sangue e vida me embrulhava o estomago, fechei os olhos para não ver, mas ouvia os baques, os gritos e gemidos de dor e desespero. Ouvi aquilo por muito tempo até ele falar novamente, sua voz desta vez estava mais firme e compreensível ao mesmo tempo em que soava mais apavorante e suave.
– Trazem-me covardes assustados e incrédulos para me servir, como ousa achar que eu poderia aceitar tal infâmia com bom grado?
– Perdoe-me meu senhor, eles foram voluntários em lhe servir – o Conde gargalhou de modo seco e cruel.
– Então aceitam serem meus servos eternos e não creem em minha existência?
– Cri em sua existência a vida toda, meu senhor torne-me seu servo.
Não ouvi nada por um tempo até que o Conde caminhou e entrou em meu campo de visão novamente, seus passos eram mais rápidos e mais precisos o sangue que ele consumiu foi suficiente para reerguê-lo, parecia vivo. Parou diante da gótica e deu um sonoro tapa no rosto dela, naquele segundo notei que meu corpo e minha mente estavam novamente leves me levantei pelo cotovelo e no mesmo instante alguém me segurou pelo braço outro veio, senti quatro mãos nada gentis me levantando, fiquei de joelhos ainda fraco demais para lutar por mim mesmo.
Ergui os olhos para a gótica e o Conde quando ouvi uma gargalhada seca dela, o Conde a segurava pelo pescoço, mas seus pés não debatiam, ela apenas segurava às mãos dele tentando se soltar enquanto ele a sufocava com suas garras sanguinárias, sim eu disse garras é medonho, mas era isso que eu via das pontas dos dedos longos e brancos dele saiam garras afiadas e pretas semelhante ás de uma ave de rapina. Ela parecia tão calma diante daquele ato assassino que eu comecei a pensar que ela havia desistido de lutar e que ele não estava tentando mata-la de verdade.
– Aquilo vai mata-la – eu sussurrei numa tentativa fazer um daqueles homens que ainda estavam em pé a ajudassem, mas foi inútil eram covardes demais para arriscarem suas vidas para salvá-la.
– É o preço pela imortalidade não podemos fazer nada por ela – disse um homem cuja voz eu não tinha ouvido ainda, mas sabia que ele estava á minha direita.
Mais uma vez a gótica riu e desta vez foi de uma forma assustadoramente cruel e insana.
– Solte-me se não vai me destruir – foi o que ela disse de modo calmo e suave o Conde a soltou e ela caiu em pé fazendo uma reverencia a ele – espero que tenha encontrado em minha mente tudo o que desejava senhor Conde.
Ela caminhou olhando as pessoas mortas e se virou para ele
– Pare de me olhar esta me incomodando mais que eles – e olhou em nossa direção fazendo-o olhar para nós também.
– A sim meus servos por um momento havia me esquecido deles, diga-me Elizabeth acha que esses homens são dignos da imortalidade?
– E quem é? – ela respondeu com um dar de ombros – faça o que e como julgar melhor não me comprometo com assuntos que não me dizem respeito.
– Sendo assim – o acompanhei com os olhos ele ergueu cada um dos homens os vasculhando mente e alma dois dos oito homens foram sugados até a morte enquanto os outros ele mandou para o lado de Elizabeth que me olhou e moveu os lábios novamente não demonstre medo.
O Conde me deixou por ultimo, talvez pelo fato de eu estar quase inconsciente ou por eu estar ajoelhado e preso. Quando ele com seus olhos vermelhos entrou em minha mente senti uma sensação terrível, era como se um ferro quente rasgasse minha carne em busca de algo que eu não tinha depois de sei lá quanto tempo ele me soltou. Cai para frente e senti a mão dele me arrastar até os outros.
– Indignos apenas ambiciosos e ladrões que se curvam diante mim por medo e pelo desejo de ser como nós minha querida – disse ele olhando para Elizabeth.
Ser como nós? Eu devia estar começando a perder a consciência novamente.
– E não é isso que lhe agrada? A ambição humana que os corrompe e os faz cometer atrocidades uns contra os outros?
Ele sorriu e concordou com suaves movimentos de cabeça – Porém á um que talvez não seja como os outros – ele se virou para mim meu coração disparou – um que tentou impedir meu despertar e ainda pensa em me destruir, mesmo estando fraco e caído.
– Mate-o que ele sirva de alimento aos teus servos – aquilo me fez gelar de pavor, como ela podia em um minuto pedir para que eu não demonstrasse medo e depois mandava ele me matar?
– Não minha querida, vou transforma-lo – mate-me eu pedi, a morte seria melhor que viver como um vampiro, um monstro sugador de sangue que passaria a eternidade sugando vida de outros humanos – se recusa a aceitar uma existência eterna para desfrutar do mundo?
– De que me valerá a eternidade sem vida? Não quero me tornar um monstro, prefiro a morte.
– Não se preocupe morrerá. – o canto da boca dele se curvou em algo que devia ser um sorriso.
Ele olhou para Elizabeth e falou algo que eu acho que devia ser latim ela o olhou e fez uma breve reverencia. Deu alguns passos para perto de nós e mandou que me erguessem eu olhava dela e para o Conde e do Conde para ela quando notei que seus olhos eram tão vermelhos quanto sangue, ela não era humana.
– A partir de hoje suas vidas deixarão de existir, jurarão lealdade eterna á Vlad Draculia Conde da Transilvânia, senhor da noite e de todos os seres pertencentes á escuridão. Enquanto existirem serão donos de suas ações e servos eternos de seu mestre e senhor. — Ela terminou de falar e me olhou – Este não conseguirá resistir está fraco demais para se manter em pé.
– Você sobreviveu a mim por que ele seria incapaz?
– Faça como quiser, só não esqueça que eu me voltei contra você, senhor Conde. Por que acha que ele seria incapaz? – os olhos dela se mantinham de modo fixo em mim, tive a impressão que ela estava tentando me poupar.
Depois ela se afastou e o Conde se aproximou mais rápido que eu pude ver, mordeu um a um de nós quando chegou minha vez eu a olhei ela mantinha o seu olhar negro fixo em mim foi então me lembrei de onde a conhecia uma garota de óculos escuros e roupas ridículas debaixo de uma arvore seca lendo um livro, foi a ultima coisa que vi antes de me entregar á morte, os olhos negros e frios de Liana.
Fale com o autor