Valsa Nº6
1 Prólogo
Notas iniciais
Aquela música enlouquecedora invadiu de surpresa os ouvidos de Alice. E tudo que ela conseguiu fazer foi gritar. A melodia da valsa nº6 de Chopin tocava com sua rapidez característica em seus ouvidos. Mas diferente do encantamento que a música causava na maioria das pessoas, a ela aquele conjunto de notas somente conseguia causar terror e medo. Tirava-lhe o ar e fazia com que tudo ficasse turvo.
E então ela atingia suas notas mais tranquilas e calmas, e pareciam fazer com que o estrangular em sua garganta fosse tão absurdamente mais vagaroso que causava um desespero ainda maior. Tudo que desejava, era que aquela maldita música parasse de uma vez.
― Por favor! Faça-o parar! Papai! Cynthia! Nana! Mamãe! – ela gritava em desespero, enquanto suas mãos procuravam pelas têmporas doloridas, espremendo-as com as mãos pequenas, os dedos delicados. Implorando para que o tormento cessasse e a cabeça parasse de martelar. – Ele vai me matar! – Havia momentos que Alice não sabia distinguir se era a música ou a imagem do homem que via que se referia.
Alice apertava os olhos muito fortemente, mas parecia ainda que imagens a procuravam na mente. Muitas imagens ao mesmo tempo. E todas dolorosas, indo e vindo à veracidade da música. Toda vez que procurava abrir os olhos, via apenas borrões de um salão de festa, vestidos de baile, candelabros, castiçais. Muita luz, mas num turbilhão de escuridão. Gritava ainda mais, sem fôlego.
Ao longe conseguia ouvir uma voz, doce e gentil. De sua amada mãe. Sua amada e morta mãe! Era insano e somente servia para desesperar-lhe ainda mais.
Mas a música chegava a seu fim, e quando a ultima nota foi dedilhada em sua mente, ela desabou para a escuridão, caindo no vazio – sem sonhos ou visões. Sem consciência, desmaiada no meio do salão de festas, durante seu baile de debutante.
Notas finais
-A
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