Valores Familiares
1 Sozinha no mundo
Notas iniciais
Desde que Emma Hudson havia sido adotada, tudo estava dando errado: Na primeira semana o peixinho da família adotiva explodiu, na segunda semana o banheiro inundou de uma água verde, e na terceira semana a casa explodiu.
Isso acontecia devido ao fenômeno desastroso chamado meio-sangue, que significa meio mortal e meio deus. Claro que a garotinha não sabia disso, apenas sabia que com seus 11 anos já havia sido atacada diversas vezes por “bichos maus”. Estava largada em Nova Iorque, apenas com uma pequena mochila-saco com uma muda de roupas e biscoitos, propícia a um ataque repentino de monstros.
A garota caminhada desolada pela rua, procurando um lugar para passar a noite, vez ou outra pedia abrigo a comerciantes, que conhecendo a fama dos sem-teto de NY, negava. Já estava exausta quando se refugiou em um beco escuro, onde havia uma antiga lixeira coletiva,vazia, grande o suficiente para Emma servir. Mal chegara ao fim do beco e ouvira um grunhido, alto e horrendo.
- Q-quem está ai? – Indagou Emma, os cabelos loiros caídos sobre o rosto, os olhos verdes demonstravam um medo irracional. A garota tremia.
- Hm.. Jantar! – Retrucou a criatura, agora havia saído das sombras, e era horripilante: Parecia um lobo, porém com espinhos pelo corpo e olhos vermelhos. A jovem soltou um gritinho de desespero, sem saber o que fazer.
- Vai embora! – Pediu a garota, temendo que a criatura a atacasse.
- Apenas depois de comer jantar! – Rosnou o lobo deformado, avançando em direção a garotinha.
Emma correu na direção da lixeira, com a criatura correndo ao seu encalço, assim que conseguiu entrar puxou a tampa com um estampido, encolhendo-se no canto enquanto o animal acertava furiosamente a lata de lixo.
E foi ai que Emma viu.
Ao seu lado, iluminando a lixeira, encontrava-se um machado, de bronze reluzente, capaz de iluminar até o lugar mais escuro. A garota tomou o machado as mãos, alimentando uma esperança.
Emme, use o machado contra a fera, eu sei que você consegue. Uma voz rondava sua cabeça, era masculina e um tanto quanto irônica, e Emma apenas questionou—se do porque a voz teria confundido seu nome. A garota apertou o machado em mãos, e saltou para fora da lixeira no momento em que a fera conseguira furar a lata.
- Pode vir, bicho feio! – Desafiou a garota que, apesar de estar com medo, sentia-se fortalecida com a aura do machado.
O animal atacou, lançando alguns espinhos na direção de Emma que tratou de desviar, apesar de demonstrar dificuldade. A fera grunhiu em desapontamento e avançou na direção da garota, que agora ganhava tempo para o ataque perfeito.
- Tá com medo, porco espinho de araque? – Provocou ela, o que deixou a fera ainda mais nervosa.
- Eu sou Akinator, meio-sangue. Em 400 anos nenhum herói me matou! – Rosnou o monstro, andejando até a jovem com calma, como se não tivesse mais medo da arma.
- Akinator? Que nome hein? Aposto que sofria bullying dos outros monstrengos quando criança! – Zombou Emma, aquilo havia sido a gota d’água para a fera Akinator.
- Heroína estúpida, contemple a ira de Akinator! – Os dentes da fera alongaram-se, e em um salto a criatura atacou.
Fora tudo muito rápido, em um segundo Akinator estava ali e no outro havia se desintegrado em poeira. Quando Emma percebeu, seu machado estava erguido em um ângulo em que ela deveria ter atingido o monstrengo.
Então é isso, esse machado mata essas coisas! Associou a garota, foi quando percebeu outra presença.
Dois adolescentes, uma garota de cabelos castanhos e rebeldes, que aparentava seus 14 anos, e um garoto loiro de olhos negros, que também aparentava 14 anos estavam ali parados, boquiabertos, armados de um arco-e-flecha e uma espada.
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