Valete! - Arco 1.
1 Prólogo.:
Notas iniciais
Jouir mis ami!
A bicicleta disparava rua a baixo.
Mourisson não parecia se incomodar com o fato de não poder ver mais que um palmo a sua frente. A luz da lua estava escondida entre as densas nuvens, e os postes de energia, que deveriam iluminar a rua, piscavam freneticamente.
Ele sabia que não havia muitas saídas para ele agora. Por todos os lados se sentia sufocado com a ideia da morte. Na verdade, dentro de sua mochila, ele carregava a morte.
Mas não a sua morte.
A bicicleta fez a curva, e Mourisson a largou na esquina do cruzamento da Décima com a Nona. Seu corpo estava completamente dolorido, sua mente girava. Ele encarou seu antebraço, a mancha negra estava mais forte.
Ele precisava de mais.
Cambaleando, com passos largos, ele se jogou contra a porta do apartamento, correu pelas escadas — tropeçando algumas vezes — e adentrou a sala de maneira abrupta. Ele sabia que tudo estaria preparado para ele, ele só precisava armar o dispositivo. Mas não achou que seria tão fácil – algo parecia errado, não só a ideia de estar preparando a morte de alguém... algo a mais. Devia ter feito as coisas com mais cautela.
De qualquer maneira, era tarde demais para mudar algo. Mourisson vasculhou o ambiente, escolhendo o melhor lugar possível para depositar o conteúdo em sua mochila. Ele não podia errar... Sua mente estava tonteada, e ele não tinha muitas certezas naquele momento — mas, de uma coisa ele poderia estar convicto: se cometesse um erro, se o alvo não fosse atingido, seria sua ultima ação.
Mourisson correu até a cozinha, até o banheiro, e por fim até o quarto — o único quarto. Era o lugar perfeito, embaixo da cama. Suas mãos desengonçadas quase dispararam o dispositivo inoportunamente, mas com sorte, ele conseguiu armar a bomba para o momento certo.
Feito.
Agora ele precisava apenas esperar — longe dali — e, enfim, pegar sua recompensa.
***
Quilômetro dali, um ônibus estacionava na rodoviária.
Carol havia feito uma longa viagem de mais de quatro horas. Seu corpo parecia gritar por uma massagem, mas ela sabia que não teria algo assim por um bom tempo.
As portas do veículo se abriram, e ela desceu, desajeitadamente. Finalmente, após dois anos, ela estava em Prado. A luz da lua seescondia entre as nuvens, como era costume nas noites da cidade.
"Algumas coisas nunca mudam" — pensou.
Carol pegou o celular no bolso da frente, discou o numero que já conhecia bem e esperou enquanto ouvia o som de chamada.
-Alô — Perguntou a voz sonolenta.
- Oi, te acordei? Perdão...
-Não... tudo bem... — A pessoa do outro lado da linha bocejou. — Você não ia chegar de manhã?
-Sim, mas o outro ônibus quebrou. Então me colocaram numa linha direta até aqui... Fiz apenas uma parada, não duas.
-Ah, que bom, que bom... — Bruno, o primo não muito mais velho de Carol, pareceu dormir. O silencio perdurou por um minuto. — To indo ai, gata.
- Te esperando. — E desligou.
Carol sorriu, era como os velhos tempos. Ou parecia ser... Mas não era isso que ela queria, no fundo, a volta para sua antiga cidade significava um ultimo passo. Ou melhor, o primeiro passo — superar os antigos fantasmas significava encarar a cidade de frente, com peito aberto.
Mas isso não seria fácil, disso ela tinha certeza.
***
A madrugada era confortante. Para Hack, pelo menos.
O som do silêncio, quebrado apenas pelos rápidos bipes dos equipamentos eletrônicos, e do som do teclado era — no mínimo, relaxante.
Ele gostava disso tudo, dessa normalidade incomum que era sua vida. Ele podia até ser um hacker qualquer ou um menino qualquer viciado em tecnologia. Mas tinha entrado para o Valete. Era um valete. Usava de todo o seu conhecimento e habilidade para ajudar o resto do grupo a resolver alguns enigmas que rondavam a cidade — crimes, no geral.
Tudo que era deixado de lado pela policia, tudo que ela desistia de resolver — ou tudo que ela era forçada a deixar — entrava na lista de casos do Valete.
O sistema operacional criado por Hack se encarregava de avisar quando a policia arquivava um caso. Claro, hackear o banco de dados da cidade era um crime. Mas ele pensava em um "bem maior".
"Os fins justificam os meios" — Pensou.
Naquela noite vigília estava tranquila. Nada de especial parecia estar acontecendo. Ele olhou no relógio — passava das quatro da madrugada. Mesmo sem sono, ele precisava dormir. Manter o funcionamento cerebral, mesmo com apenas 4 horas de sono por dia, era importante.
-Hey! Key, to indo pra cama — Falou, num tom razoável. Key se mantinha atrás dele, óculos na cara, celular na mão. Deitado no sofá no jeito mais desleixado possível. Key nem mesmo respondeu — fazia isso às vezes -, se distraia fácil. Ficava completamente avulso do mundo quando estava fazendo algo importante. Hack se levantou e se dirigiu para seu quarto.
-Boa noite — Disse Key, de repente.
Hack riu.
-Boa noite, chefe.
Notas finais
Tive que ser breve e discreto hausha
Enfim, queria apenas introduzir vocês a historia.
Espero que tenham se interessado.
Comenteeeem! Ajuda muito!
Merci!
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