Valerion - a Busca por Yggdrasil

12 Valerah, a Cidade Esquecida


Ignara avançava pelas dunas como uma chama viva, cortando o deserto em velocidade.

Tiberan, em suas costas, segurava Kaelvor contra o peito. O corpo do rapaz ardia em febre, as manchas negras do veneno se espalhando como raízes secas sob a pele.

Cada sacolejo da corrida parecia aproximá-lo da morte.

Depois de horas de viagem, finalmente a visão de muralhas de madeira surgiu no horizonte.

Uma vila pequena, cercada por paliçadas simples, com tochas presas às torres de vigia.

Apesar da aparência modesta, havia algo estranho em sua atmosfera.

Não parecia abandonada, mas tampouco lembrava as cidades orgulhosas de Phytonia.

Ignara parou diante dos portões.

Tiberan saltou, gritando:

— Abram! Preciso de ajuda! Ele está morrendo!

As portas se abriram lentamente, e três guerreiros saíram armados.

Eram irmãos, semelhantes no rosto, mas cada um carregava uma arma diferente: lança, espada curta e arco.

Seus olhos não mostravam hostilidade comum, mas desconfiança antiga, como quem já havia visto inimigos demais.

O da lança falou:

— Vocês vieram até Valerah? Isso não é lugar para forasteiros.

Tiberan, exausto, tentou argumentar.

— Meu companheiro foi envenenado por uma Amazona Sagrada. Só Nymira pode salvá-lo!

Ao ouvirem o nome, os três se entreolharam com tensão. O arqueiro ergueu a voz:

— Nymira não pode ser tocada! Muitos já tentaram levá-la, vendê-la, usá-la.

E vocês… vocês podem ser enviados de Phytonia!

Ignara rosnou, o fogo em suas caudas aumentando.

Os irmãos se armaram, cercando-os.

O da espada avançou primeiro. Tiberan ergueu vinhas do chão, bloqueando o golpe.

— Eu não vim como inimigo! — gritou. — Não vê que ele está morrendo?

Mas as palavras não bastaram. Os três irmãos investiram de uma vez, forçando Tiberan e a raposa à defesa.

Labaredas iluminaram o portão, e raízes se ergueram da terra seca como lanças.

Foi então que uma voz fraca, mas firme, quebrou o caos.

Basta.

Todos pararam.

Do lado de dentro, apoiada em uma bengala de madeira, uma jovem surgiu.

Seus cabelos caíam sobre os ombros, a pele era pálida demais, e sua respiração curta, entrecortada por tosses.

Mas seus olhos, serenos, guardavam uma luz incomum.

Nymira… — disseram os irmãos ao mesmo tempo, alarmados. — Você não deveria estar fora da cama!

Ela caminhou com dificuldade até Kaelvor, caído no chão.

Tocou-lhe a testa com delicadeza, mesmo quando seus próprios dedos tremiam.

— Ele vai morrer se não for tratado agora — disse com firmeza. — Levem-no para dentro.

— Mas… Nymira… — tentou protestar o arqueiro.

Ela se endireitou, apesar da fraqueza.

— Não discutam. Quantas vezes eu já disse? Não deixarei alguém morrer diante dos meus olhos.

Os irmãos hesitaram, mas obedeceram, pegando Kaelvor e correndo para dentro da vila.

Tiberan olhou ao redor, confuso.

— Quem… quem são vocês? Por que não foram escravizados como as outras cidades da fronteira?

O da lança o encarou de relance, carregando o irmão inconsciente.

— Porque Phytonia nos esqueceu.

E completou, em voz baixa, como quem carrega um segredo:

— Ou talvez… porque Valerah foi o berço dos Valerion.

Antes que Tiberan pudesse perguntar mais, Nymira tossiu forte, quase caindo.

Ignara se aproximou, curvando-se para protegê-la do vento noturno.

Ela apenas sorriu para a raposa, como se já a conhecesse.

— Entrem — disse Nymira, com a voz fraca, mas firme. — Não temos muito tempo.

E assim, as portas de Valerah se fecharam atrás deles.

A cidade esquecida pela tirania se revelava agora como o próximo palco da história.