Valerion - a Busca por Yggdrasil
7 O Preço da Luz
A noite caiu sobre a prisão de Phytonia. O frio se infiltrava pelas paredes de pedra, e os prisioneiros se encolhiam como podiam.
Kaelvor estava inquieto, batendo o pé contra o chão, as correntes tilintando a cada movimento.
Do outro lado, Tiberan permanecia sentado, em silêncio, como se meditasse.
De repente, ouviram gritos no corredor.
Passos apressados ecoaram, e a porta de ferro da ala foi escancarada.
Quatro guardas entraram empurrando alguém no chão.
Era Lyros.
Seu rosto estava ensanguentado, a armadura amassada.
Um dos guardas cuspiu nele, enquanto outro ergueu o cassetete de ferro.
— Traidor! — rugiu. — Acha que não vimos o que você fez? Achou que podia alimentar lixo humano e sair impune?
Lyros tentou falar, mas foi silenciado com outro golpe.
Dona Maela gritou, e Korin tentou se enfiar pelas grades para ajudar, mas foi empurrado por Kaelvor de volta para o canto.
— Não! — Kaelvor rosnou. — Eles vão matá-lo.
Os guardas se revezavam, batendo em Lyros como se ele fosse apenas um saco de areia.
O som dos ossos estalando ecoava na ala.
A cada golpe, os prisioneiros se encolhiam mais.
Kaelvor não aguentou.
Levantou-se com dificuldade, puxando as correntes até os pulsos sangrarem.
Seus olhos ardiam em chamas.
— Parem com isso agora!
Um dos guardas riu, cuspindo para o lado.
— E o que você vai fazer, herege de Hyperion? Preso como um cão?
Kaelvor fechou os olhos por um instante.
Respirou fundo.
Então, todo o calor dentro dele explodiu.
O ferro das grades começou a brilhar em vermelho.
As correntes rangiam, se derretendo como manteiga ao contato com as chamas.
Em poucos segundos, o metal virou líquido e pingou no chão.
Kaelvor deu um passo à frente, livre.
— Vou mostrar a vocês o que um “cão” pode fazer.
Os guardas se armaram. Dois correram contra ele, enquanto os outros mantinham Lyros no chão.
Kaelvor saltou sobre o primeiro, socando o peito dele com uma explosão de fogo.
O homem voou contra a parede, desacordado.
O segundo tentou golpeá-lo pelas costas, mas Kaelvor se virou rápido, prendendo a lâmina com a mão nua em chamas.
O metal da espada se retorceu, e ele devolveu o golpe, derrubando o inimigo no chão.
Do outro lado, Tiberan se ergueu.
As correntes que o prendiam estavam partidas pela explosão de calor.
Ele estendeu os braços, e vinhas de espinhos brotaram do chão úmido, envolvendo o terceiro guarda e puxando-o para trás.
O homem gritou, os espinhos rasgando a pele.
O último guarda recuou, assustado, mas Tiberan avançou, firme, e o derrubou com um golpe seco.
O silêncio caiu sobre a prisão.
Os prisioneiros olharam para Kaelvor e Tiberan como se estivessem diante de algo impossível.
Eles haviam enfrentado os guardas… e vencido.
Kaelvor correu até Lyros, que respirava com dificuldade, o rosto inchado e as costelas quebradas.
— Aguente firme. Nós vamos tirá-lo daqui.
Mas antes que pudesse erguê-lo, um som cortou o ar.
Tac-tac.
Um passo firme ecoando pelo corredor.
A porta se abriu, e uma figura entrou.
Uma mulher alta, trajando armadura leve de cor esmeralda, adornada com serpentes douradas.
Seu olhar era frio, cruel.
Na mão, trazia uma lança longa cujo veneno pingava da lâmina como se tivesse vida.
— Que cena interessante. — Sua voz era afiada como a própria arma. — Dois tolos libertando um bando de inúteis.
Kaelvor se ergueu, os punhos em chamas.
— Quem é você?
A mulher sorriu de canto.
— Selindra, Amazona Sagrada de Phýton. Guardiã dos venenos e da ordem.
Ela caminhou até Lyros, que gemia no chão.
Sem hesitar, fincou a lança em seu peito.
O corpo dele estremeceu uma última vez antes de ficar imóvel.
— Traidores não merecem viver. — Selindra limpou a lança no corpo do guarda morto e ergueu o olhar para Kaelvor. — E vocês dois serão os próximos.
Kaelvor gritou de raiva, suas chamas explodindo ainda mais forte.
E a prisão de Phytonia virou palco de uma batalha que mudaria o destino de todos ali dentro.
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