Valentino
18 Contratto
– Como é que é? — Ouvi-me dizendo.
Por mais que quisesse, uma parte de meu cérebro dizia claramente que não ia dar certo. Peguei-me pensando em como seria meu futuro se não tivesse conhecido Cesare, e no final das contas, conclui que não seria tão bom assim. Jamais conheceria Sua Santidade, sua família, e até a mesmo corrupção (tanto na forma material quanto na alma). Cesare encarava o chão, pensando em tal possibilidade, enquanto Nicolau Machiavelli encarava-me com olhos ansiosos para a minha decisão.
– Você só pode estar louco á ponto de sugerir tal ideia! Insano! Vossa graça poderia ter sugerido tal ideia antes de Cesare trocar votos com Charlotte. Mas agora, Charlotte esta tentando engravidar para conseguir um herdeiro, e não há nada que possamos fazer para mudar isso. — Cesare me encarou. Todos os romanos sabiam que ele estava infeliz com isso, pois Charlotte insistia em dizer á todos que queria uma herdeira, enquanto Cesare rezava por um filho homem. — E enquanto á mim? Que terá apelido de cortesã se aceitar isso?
– Você não terá apelido de nada, Dannata. — Cesare disse com a voz áspera. — O que ninguém sabe, ninguém espalha.
Nicolau Machiavelli deu um meio sorriso.
– Não acredito que esteja pensando em considerar tamanha barbaridade. Isso é considerado pecado, Cesare! Você trocou votos com sua esposa! — Repeti, para que Cesare e meu pai ouvissem que, diante do Senhor Todo Poderoso, eles estavam praticando algo proibido, que comprometeria suas almas ás chamas ardentes do Inferno.
Cesare correu em minha direção como se fosse um general, e agarrou meus braços, apertando-os cada vez mais forte á medida que sua respiração foi ficando mais rápida. Obrigou-me a olhar em seus olhos, deste, estavam brilhando de raiva.
– Agradeça aos céus por eu falar com você. Quantas mulheres queriam estar no seu lugar? Só pense nisso, Dannata. Pensou? Isso, milhares delas, mais que da metade da Europa, e você fica indignada por pouca coisa? — Cesare abaixou a cabeça e relaxou os músculos. — Eu estou disposto á ser pai dos seus filhos, mas para isso, você terá de morar no meu castelo, na França.
– França? Isso é um pouco longe. Minha previsão era que ela ficasse comigo em Florença, junto á Cecília e Bernardo. — Machiavelli colocou a mão no queixo, pensativo. — Não é tão ruim sua proposta, duque Valentino. Vou considerá-la.
– França? Junto á Charlotte? — Coloquei minhas mãos em meu rosto. — NÃO! De maneira alguma.
– Então você quer dizer que tornar minha amante e formar uma nova dinastia é aceitável, senhorita Machiavelli? — Cesare levantou uma sobrancelha.
– Não, é que — Ele me cortou rispidamente.
– É sim! E não adianta negar. Você amaria ser minha amante, não? — Cesare colocou as mãos em meu ombro. — Pense, numa nova dinastia, nossos filhos herdarão a nossa beleza, nossa riqueza, e também, a nossa sabedoria. Eles serão as proles perfeitas, e toda a Europa disputará por eles.
– Pensei que seria pior.
Nicolau Machiavelli abriu um sorriso iluminador, e junto á ele, pegou uma folha, na qual riscou uma palavra e escreveu outra ao seu lado. Curiosa, levantei meus olhos para tentar decifrar o que tinha feito, mas á aquela distância, tudo não passava de um mero borrão.
– Se estão de acordo, por favor, assinem.
Sem hesitar, Cesare assinou rapidamente e passou o papel para mim. Como uma boa aluna, li todo o contrato, como o senhor di Piezzo me ensinara quando tinha meus 12 anos.
Por meio deste decreto, afirmo que os senhores Cesare Borgia e Giorgia di Maria Machiavelli concordaram em formar uma nova dinastia, Machiavelli-Borgia, para que assim como eles, seus filhos tornem-se mais inteligentes, mais sofisticados e que possuam maior riqueza do que jamais tiveram na vida. Com total certeza de seus atos, Cesare e Giorgia jamais dirão ao mundo que tiveram filhos, e negarão até mesmo sua relação. Quando perguntados, devem negar para o bem da sociedade em que vivem (Isso inclui até mesmo Sua Santidade, o Santo Papa de Roma e afins). Assim, o duque de Valentinois será um verdadeiro príncipe, com sua nova princesa e herdeiros.
Os herdeiros, juntamente com Giorgia, morarão em Florença, Itália (riscado) | em Paris, França.
ITÁLIA, ANO DE 1498
* Testimoni¹; Nicolau Machiavelli | Lucrezia Borgia
– Lucrezia concordou com isso? — Perguntei á meu pai.
Com um sorriso afetivo no rosto, ele prontamente me respondeu:
– É claro que sim, ela que deu a ideia.
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