Valentine's Day

2 Aposta do Hotel Assombrado.


Notas iniciais
Hey, como estão? Eu devia ter trazido a história dois dias atrás, e teria postado, se não tivesse relido e odiado cada palavra. Então, eu comecei a escrever tudo de novo e aqui está o capítulo que eu havia prometido para os leitores de Sob Medida (deixarei o link da história lá embaixo, caso não tenha lido e queria ler) e está bem a cara do casal comédia Dean e Deli. Agradeço, de coração, aos comentários da história passada, elas me deixaram extremamente encantada e sem palavras. Obrigada, obrigada e obrigada. Queria agradecer ainda mais a Lana Ston por ter recomendado Valentine's Day, obrigada! Espero que gostem dessa one, ela ficou maior do que a anterior e ela não é nem um pouco dramática, está no estilo de Sob Medida mesmo. Boa leitura!

Passar os dias dos namorados em um hotel mal-assombrado não fazia o meu tipo, na verdade, acho que não faz o tipo de nenhuma garota que sonha em sair com o seu namorado em uma data especial e acaba no meio de um hotel assombrado.

Mas é claro que essas coisas tinham que acontecer comigo. Essas coisas inusitadas sempre acontecem comigo e cada vez mais eu tenho a certeza de que fiz alguma coisa de muito errada na vida passada e agora o mundo está me castigando por esse feito que eu não sei o que é, apenas tenho a sensação de ser bem ruim.

Tudo começou quando Blake apareceu em casa com duas passagens dizendo que iriamos para São Diego passar a data em um dos hotéis de lá e é claro que eu fiquei animada com a ideia. Dean sempre me metia em enrascadas, como da vez que fomos perseguidos por seguranças no shopping, porque Dean ficou com raiva do carinha da loja ou na vez que ficamos sem gasolina no meio da estrada e tivemos que andar até o ponto mais próximo que ficavam a km de distância e descobrirmos que o telefone público não estava funcionando e que não tinha sinal nos nossos celulares.

Mas quando Dean trouxe as passagens, fiquei animada, afinal, o que poderia dar errado? Era um hotel e nada mais. Tudo estava a mil maravilhas e até eu e meu namorado ficamos um dia sem brigar até Cléo me ligar.

– O que? – Havia perguntado assim que eu tinha contato a grande novidade. – Você está dizendo que vai ficar no Hotel del Coronado? – Perguntou e novo e eu assenti. – Como você vai para o segundo hotel mais mal assombrado do mundo? Você tem medo até da sua própria sombra!

– Hotel mal assombrado? – Perguntei sem acreditar. – Para de falar idiotices Cléo, porque Dean iria me levar para um hotel desses?

– Quer mesmo que eu responda?

– Não, não quero. E eu não estou indo para um hotel mal assombrado. – Afirmo na tentativa de me convencer, porque eu sabia que não convenceria minha melhor amiga do contrário. – Além do mais, é dia dos namorados, tem que ser romântico e não assustador.

– Depois não diga que eu não avisei Deli. – Falou contrariada. – Eu preciso desligar, Frank trouxe morangos e eu estou desejosa por morangos, tchau. – E desligou o telefone sem ao mesmo esperar o meu tchau.

Cléo é minha melhor amiga há tanto tempo que eu me pergunto se eu já fiquei algum dia sem ser sua amiga. Ela sempre foi o oposto de mim e se tornou cada vez mais com o passar dos anos. Enquanto meu sonho era se casar com um príncipe encantado, o de Cléo era se divertir sem compromisso. Enquanto ela desejava conhecer o mundo como apenas uma mochila, eu desejava conhecer o mundo acompanhada pelo meu namorado. Mas, desde que eu comecei a namorar com Blake e Cléo aceitou o fato de que era apaixonada por Frank, Cléo tornou-se mais amorosa e mais gentil, o que me espanta até hoje. Minha amiga era capaz de acabar com brigas de bar, de entrar em uma discussão perdidas e sair ganhando no final. Ela era daquele tipo feminista que ninguém consegue domar até se apaixonar com Frank. E como resultado, tornou-se uma pessoa melhor e acabou se casando com o seu namorado há seis meses. Enquanto eu não pretendo me casar tão cedo.

Porém, o que não havia mudado em minha amiga era seu "chute certeiro". Se Cléo dizia que Dean iria me levar para o hotel mal-assombrado, ele ia me levar lá. Se ela dissesse que o papai Noel existia, era capaz dele existir realmente. Aquela maldita mulher sempre acertava e aquilo me irritava de vez em quando.

Desliguei o telefone e andei até o quarto em busca de Dean. Eu o encontrei deitado na cama vendo seu programa favorito que eram os documentário sobre animais marinhos. Parei na porta, cruzei os braços e fiquei batendo o pé no chão irritada.

– O que eu fiz? – Meu namorado perguntou colocando em pausa seu programa e me olhando culpado. – Oswald, não me olhe desse jeito, porque não foi a minha culpa.

– Você vai me levar para um hotel mal-assombrado?

– Hm, não... – Começou a dizer, mas eu ergui minha sobrancelha esperando a verdade. – Tá, talvez eu vá te levar para passar uma noite no hotel assombrado.

– Seu maldito! – Grito indo até ele e começando distribuir tapas em seu corpo. – Você podia fazer algo romântico, você podia me levar até naquele maldito telhado para ver as estrelas, podia até comprar queijo branco para comermos enquanto víamos os estúpidos documentários marinhos, mas me levar para um hotel assombrado?

– Ok Deli, ok. – Começou a dizer tentando me fazer parar de bate-lo. – Eu só queria fazer algo diferente.

– Você poderia me levar para, sei lá, colher morangos silvestres e não em um hotel assombrado. – Opino ainda irritada, mas havia parado de bate-lo.

– Se você está com muito medo de passar a noite no hotel, eu posso cancelar a viagem, as reservas, o SPA, o café da manhã na cama e o passeio pela cidade.

– Você disse SPA? – Pergunto o olhando e cruzando os braços pensando no assunto. – Como é o SPA?

– O melhor que tem no hotel, com direito a massagem e pedras quentes. – Informa dando um sorriso sacana. – Mas já que você está com medo de passar uma noite no hotel, acho melhor eu cancelar tudo e ficarmos aqui em casa vendo os estúpidos documentários marinhos.

– Pensando melhor, o que é uma noite, não é mesmo? – Digo mudando de ideia e pensando no SPA que me aguardava. – Não é como eu fosse ver uma luz no fim do túnel ou aranhas radioativas saindo pelas paredes, não é? – Observo sentando-me melhor na cama.

– Você andou tempo demais falando com Henry. – Observa e eu dou de ombros, porque o meu afilhado emprestado estava na fase das revistinhas de quadrinhos e ele falava muito disso para mim. – Vamos deixar tudo mais emocionante? – Dean perguntou abrindo o seu sorriso sacana e eu sabia que ele estava aprontando alguma coisa.

– Como assim? – Interesso-me pelo assunto.

– Que tal uma aposta?

– Gostei. – Afirmo sabendo que eu, provavelmente, ganharia de Blake, porque eu sempre acabava ganhando suas apostas ridículas. – O que quer apostar e qual é a aposta?

– Quem ficar mais tempo no hotel após a meia-noite vence. – Blake começou a falar. – Mas nenhum dos dois pode dormir, e temos que sair andando pelo hotel após a meia-noite, e não vale nos separarmos porque eu quero ter certeza de que você não vai roubar na aposta.

– Quem sempre rouba para ganhar é você baby. – Defendo-me revirando os olhos. – E eu gostei da aposta, mas qual será o prêmio de quem ficar mais tempo no hotel?

– Se eu ganhar, quero que você use uma fantasia vergonha, saia na sacada e chame atenção de todos que estão passando. – Dean diz sem pensar no assunto, o que provava que Blake já tinha esquematizado todo o seu plano antes.

– E se eu ganhar, você terá que fazer isso também.

– Que o mais medroso perca! – Deseja estendendo sua mão e eu a pego.

A aposta estava feita... e algo me dizia que os dois iriam perder.

***

Chegamos ao hotel e eu estava determinada a ganhar aquela aposta com Blake e vê-lo dançar com alguma fantasia humilhante para as pessoas inocentes da rua. Eu podia até imaginar a sensação maravilhosa que seria quando isso acontecesse.

Dean e eu namorávamos há três anos. E é claro que nesse meio tempo tivemos nossas brigas sérias, nossas separações de um dia, uma semana e até de um mês. Mas no final sempre acabávamos juntos. Éramos o típico casal que briga, mas que se ama incondicionalmente.

Desde que eu o conheci, Dean mudou muito pouco. Seus cabelos continuavam com o mesmo tom castanho, seus olhos o mesmo tom de castanho também. Sua pele não parecia mais tão branca como a de uma parede, mas ainda continuava branca o suficiente para eu sacanear a vontade. Quando o conheci, Dean possui piercings no nariz e alargador na orelha, mas, felizmente, ele havia se livrado dos "adereços" e até parecia uma pessoa normal. O seu estilo de roupa também evoluiu, e isso foi algo bom. Sua tatuagem, que eu só fui entende-la um ano depois que nos conhecemos, em forma de caveira continuava destacada em seu braço.

E eu também não havia mudado muito desde que nos conhecemos. Continuava com a mesma cor de cabelo – castanho claro –, entretanto, antes ele era longo e agora estava na altura dos meus ombros. Meus olhos e minha pele continuavam a mesma. E eu não andava com nenhum "adereço" pendurado em mim, ou qualquer tatuagem aparente – mas isso não quer dizer que eu não tenha me aventurado entre as agulhas e feito um pequeno pássaro em algum lugar do meu corpo.

De qualquer forma, Dean me despertou dos pensamentos puxando minha mão e me guiando pelo hotel assombrado que estávamos. A viajem havia sido rápida e o hotel não poderia ser mais assustador. Ele era grande e velho. Simples assim. Não precisava de mais nenhuma outra característica, porque essas duas palavras simplesmente caracterizavam o lugar todo. Subimos pelas escadas até o segundo andar e paramos em frente ao número 53.

– Dois números ímpares, isso não é algo legal. – Dean comentou abrindo um sorriso se divertindo com a possibilidade de me assustar. – Se você quiser desistir agora, eu entenderei completamente e posso até ser bonzinho com a escolha da fantasia.

– Vai para o inferno Blake! – Desejo revirando os olhos e passando a chave-cartão e espero até a porta ser destrancada, quando isso acontece, entro no cômodo.

– Você não deveria desejar essas coisas nesse lugar Oswald. – Diz divertido fechando a porta e me seguindo para dentro do cômodo. – E, uau. – Contemplou o quarto largando a mala no pé da cama de dossel. – Os 567 dólares valeram a pena.

– Muito a pena. – Concordo tirando minha bolsa e largando em cima da cama.

O quarto era grande e luxuoso. Uma cama estilo dossel com dois criados mudos de madeira, um em cada lado da cama, estavam encostada a parede oposta a uma grande estante com alguns livros enfeitando o lugar e uma televisão de tela plana no centro da estante. Um frigobar estava na parte debaixo da estante, e também haviam os cardápios dos serviços de quarto. Uma mesinha com duas cadeiras enfeitavam a parede oposta a porta do quarto e elas tinham vista para os jardins do hotel. Grandes cortinas esvoaçantes brancas enfeitavam as cortinas, enquanto um armário embutido de frente a porta do banheiro fazia parte do quarto.

– Acho melhor aproveitarmos tudo antes que a noite chegue, não acha Deli? – Dean palpitou e eu assenti com a cabeça. – Vamos, temos algumas coisas agendadas para nós dois.

– Desde que isso não inclua ver documentários marinhos ou olhar para flores sem graça, eu topo. – Informo entrelaçando sua mão na minha e deixo ser guiada para fora do quarto.

– Você fala tanto dos documentários marinhos, mas vê todos comigo. – Blake lembra e eu sorriu com aquilo, porque era uma verdade. – Vamos nos divertir. – Afirmou fechando a porta do quarto.

E foi o que nós dois fizemos a manhã e a tarde. Nos divertimos para valer. Fizemos tudo o que víamos pela frente, desde o tour pela cidade até a ida no SPA que resultou na nossa expulsão, porque, aparentemente, não se pode brigar com pedras quentes e muito colocar na outra pessoa sem ela perceber. Também havíamos devorado uma mesa de café da manhã e uma maior ainda de almoço. E não podemos nos esquecer da grande quantidade de cafeína que tomamos para aguentar todas as atividades e ficar acordados até a meia noite.

– Faltam dez minutos para a meia noite. – Informo olhando no visor do meu celular. – Dez minutos para descobrirmos o que tem de tão assustador nesse hotel.

– Você sabe o porque dele ter essa fama? – Blake pergunta e eu faço que não com a cabeça, porque eu não havia tido coragem de procurar na internet a fama desse lugar, pois preferia ficar no escuro do que saber o que iria enfrentar. Eu sei, sem muita lógica. – Uma mulher, Kate Morgan, se hospedou nesse hotel há alguns anos. Ela estava grávida e aguardava o seu marido no hotel, e ele estava em algum lugar, acho que na guerra... Em todo o caso, após cinco dias hospedadas aqui, não aguentou mais esperar e acabou se suicidando com um tiro na cabeça.

E nesse momento senti um arrepiou cruzar meu corpo. Talvez a história não fosse tão impressionante assim, mas o simples fato de estar naquele hotel e saber dessa história, deixava as coisas mais dramáticas.

– Que mulher burra! – Foi o meu comentário depois de ter me recuperado do arrepiou. – Porque ela simplesmente não foi para casa? Ou ficou esperando mais? Ela tinha uma criança para cuidar e se mata assim? – Pergunto indignada.

– Talvez ela a saudade fosse demais, ou ela tivesse sonhado que o seu marido não voltaria vivo da guerra, sabe-se lá o porque de sua morte proposital. – Dean respondeu dando de ombros. – Mas saiba que se você for comprar pão e não voltar em cinco dias, eu não irei me matar, ok?

– Eu fico feliz que você não vai nem chamar a policia pelo meu desaparecimento de cinco dias. – Comento revirando os olhos. – Você é um poço de romantismo e preocupação Blake.

– Eu sei que sou. – Afirmou puxando-me para perto dele e tocando meus lábios em um beijo rápido. – Eu sou o melhor namorado do mundo, não sou?

– Com certeza, você é o melhor de todos, afinal, que namorado leva a namorada para passar o dia em um hotel assombrado? – Ironizo dando uma risada. – Só o melhor dos melhores.

– Como eu disse, eu sou o melhor dos melhores. – Dean afirmou puxando-me para mais um beijo.

Enquanto Dean me beijava de forma desejosa, eu não pude ignorar o barulho que escutava do lado de fora do quarto. Não era um barulho qualquer, era um barulho estranho e eu começava a ficar com medo.

– Você está escutando isso? – Perguntei interrompendo o beijo e olhando para a porta a espera de que uma fera enorme invadisse o quarto e matasse Blake e eu.

– Não. – Negou fazendo um movimento com a cabeça e depois desceu da cama parecendo insatisfeito. – Já que você cortou todo o nosso clima, vamos acabar com essa aposta de uma vez.

– Eu não acabei com clima nenhum, eu fiz apenas um comentário. – Afirmei descendo da cama e o seguindo até a porta. – E você tem certeza de que quer sair essa horário no hotel assombrado?

– Está com medo Oswald? – Indagou com um sorriso brincalhão nos lábios. – Porque é só você admitir que é medrosa e voltaremos para aquela cama e faremos sexo sem nenhum problema.

– Eu não estou com medo Blake, e você? Já colocou suas fraldas? – Perguntei ignorando a segunda parte de sua fala, porque eu realmente não ia me prestar a responde-lo, mesmo porque eu estava totalmente disposta a fazer aquilo se a aposta fosse revogada. – Abra essa porta e vamos caçar alguns fantasmas.

Dean abriu a porta e colocamos nossas cabeças para fora como uma cena clássica de filme e olhamos para ambos os lados do corredor a procura de algum espirito demoníaco devorador de pessoas que morava nas paredes, mas, felizmente, não encontramos nada de tão assustador. O simples fato de estar naquele corredor após a meia noite deixava as coisas assustadoras o bastante.

– Viu? Não há nada com o que se preocupar. – Dean cochichou para mim e me puxou para fora do quarto trancando a porta e guardando a chave-cartão em seu bolso. – Assim ninguém volta para o quarto antes da hora. – Justificou e eu dei de ombros.

– Tá, agora que estamos nesse corredor, o que vamos fazer? Algum ritual para chamar a Loira do Banheiro? – Pergunto abraçando meu próprio corpo, porque uma brisa gelada havia acabado de passar pelo corredor e me fez arrepiar toda. – Talvez chamar a Loira do Banheiro não seja tão bom, porque ela pode ser inimiga da Kate Morgan.

E nesse momento as luzes do corredor começaram a falhar.

E eu e Dean fizemos a coisa mais corajosa naquele momento: Saímos correndo e gritando de susto.

Tá, talvez a ideia de luzes falhando seja algo tão batido que ninguém devia se assustar com isso, mas convenhamos, na nossa situação, qualquer coisa era para se assustar.

Subimos as escadas para o andar de cima e só paramos quando as luzes normalizaram. O corredor que estávamos era igual ao nosso, com luzes iluminando o grande tapete que se estendia pelo meio do corredor e várias portas com números. Uma janela grande estava no fim do corredor com suas cortinas brancas movendo-se devido a brisa que estava me congelando aos poucos.

– Assustada? – Dean perguntou arfando por causa da nossa pequena corrida dos lances de escadas.

– Nem um pouco. – Menti descaradamente. – E você?

– Nem um pouco. – Repetiu e endireitou seu corpo olhando para os lados. – Porque subimos as escadas sendo que poderíamos descer? – Indagou e eu o olhei pensando naquilo. Dei de ombros como resposta e comecei a caminhar em direção a janela do fim do corredor, queria saber qual era a distancia que estávamos do chão para casos de necessidades.

Dean me seguiu pelo corredor olhando para os lados. Cheguei até o meu destino e afastei as cortinas olhando para o chão e vendo que era uma altura considerável e digna de suicídio. Olhei para trás e encontrei Dean olhando para uma porta com certa curiosidade. Afastei-me da janela e me coloquei ao seu lado olhando para a porta e pensando o porque o seu interesse em um pedaço de madeira.

– Porque estamos olhando para a porta? – Perguntei por fim desistindo do jogo de adivinhar o porque de olhar para a porta.

– Está vendo o número da porta? – Perguntou sem tirar os olhos da porta.

– Mais ou menos, está meio apagada. – Respondi dando de ombros.

– Pois então, foi nesse quarto que Kate Morgan se matou. – Informou e uma brisa mais gelada do que as anteriores cruzou entre nós e me fez abraçar meu próprio corpo por causa do frio.

– Acho que não deveríamos dizer o no... – Eu parei no meio da frase quando olhei para a janela e dei de cara com uma mulher sentada no parapeito da janela, olhando para nós com um sorriso angelical e acariciando sua barriga.

Dean me olhou estranho e virou seu corpo para ver o que olhava.

– Aimeusãocristovão. – Emendou as palavras rapidamente e passou uma mão na frente do meu corpo impedindo que eu seguisse para frente ou como forma de proteção contra a morta.

Nós dois ficamos alguns segundos ali analisando a mulher de cabelos brancos cheios e compridos, usando um vestido grande de um tecido leve que se balançava com as brisas geladas que emanavam da janela... ou será que as brisas vinham dela mesmo? Uma barriga de grávida era facilmente observada e seus pés estavam descalços. A morta deu um sorriso e eu me arrepiei toda amaldiçoando Dean por ter me trazido naquele lugar.

Eu queria fugir. E eu teria fugido, se não fosse os olhos daquela morta que me hipnotizavam como se eu visse tudo através deles, como se eu encontrasse a paz e a alegria apenas os vendo. E, inconscientemente, eu estava dando passos devagar em direção a janela e a figura morta que agora estava de braços estendidos me chamando para o seu encontro.

Senti uma mão passar pela minha cintura e me puxar para longe daquela figura mortífera. Eu sabia que era Dean, eu sabia que aquilo não fazia parte desse mundo, eu sabia que tinha que fugir, mas o único sentimento que eu tinha naquele momento era de que eu precisava chegar até a mulher, até a janela e ser livre.

– Me solta Blake. – Pedi irritada tentando me desvencilhar dos seus braços, mas ele me segurava forte que estava ficando difícil de respirar. – Blake, ela não vai me machucar, ela só quer conversar. – Tentei dizer ao mesmo tempo que tentava me soltar e correr para onde me chamavam.

– Deli não seja estúpida! – Murmurou no meu ouvido e andava com dificuldade para longe da morta na janela. – Isso não é Deus, isso não pode ser de Deus. – Murmurava para si mesmo. – Vá para a luz Kate Morgan, vá para luz e deixe minha namorada em paz. – Gritou olhando rapidamente para trás e depois concentrou-se em começar a descer as escadas.

– Espere! – Gritei de forma que Dean se assustou e parou olhando para onde eu estava olhando. A mulher tinha saído da janela e flutuava devagar em nossa direção, mas seu rosto já não parecia tão angelical, na verdade, parecia algo desfigurado, horrendo de se ver. O seu sorriso já não era mais convidativo, parecia algo sádico, seus cabelos já não tinham cor branca e eram esvoaçantes, eles agora tinham a coloração de pretos com uma parte tingida de vermelho purpuro. Suas roupas estavam perdendo o brilho celestial e pareciam rasgados, amassados e sujados de sangue em várias partes. E o feitiço se quebrou quando percebi que era Kate Morgan e ela sempre foi daquela forma, eu que havia visto ela de outro jeito. – Corre! – Comecei a gritar ao vê-la aproximar-se de onde estávamos e comecei a correr escada abaixo pulando vários degraus com Dean ao meu alcance.

Terminamos os degraus e eu olhei para trás e pude ver uma luz que vinha nos seguindo, ela estava atrás de nós e eu estava me cagando de medo. Olhei para Dean que me olhou da mesma maneira e recomeçamos a correr para os próximos lances de escada em busca da porta principal e podermos fugir daquele lugar horrendo. Mas como todo bom filme de terror, não conseguimos.

Porque a) apareceu uma luz do nada na frente da porta principal de forma que eu e Dean sabíamos que não deveríamos andar para luz, porque coisas boas não iriam acontecer; b) porque a morta estava atrás de nós e se fossemos para fora, não ia ter tantos lugares para nos esconder, então deveríamos despistar aquela coisa horrível antes de fugirmos por definitivo.

Eu parei por um momento arfando e olhei para os lados em busca de algum lugar para se esconder, mas Dean me puxou rapidamente e começou a me guiar entre as poltronas da recepção até entrarmos na parte do restaurante e continuamos a correr até passarmos por outra porta que levava para a cozinha, onde era estritamente proibida a entrada de hóspedes, mas, vamos combinar, como se nós dois iriamos respeitar essa estúpida regra. Andamos até o final da cozinha e nos escondemos entre duas enormes prateleiras. Fiquei de quatro no chão e olhei em volta a procura de Kate, mas não achei. Deixei meu corpo relaxar um pouco, porque com aquela corria nas escadas e a adrenalina de ver um fantasma, os meus músculos estavam doendo para caramba e eu estava quase ar. Deixei minhas costas tocaram a parede gelada e fechei os olhos por um instante. Quando voltei a abrir encontrei Dean me olhando, e eu acabei sorrindo para ele.

– Desculpa te trazer para cá, eu achei que fosse tudo boatos. – Cochichou. – Se eu soubesse que era real a lenda e que você seria hipnotizada por aquela morta horrível, eu nunca teria te trazido aqui e passaríamos o dia dos namorados em outro lugar.

– Não tem problema. – Afirmei tocando os dedos de suas mãos com ternura. – Eu não me importo se estamos correndo um perigo mortal, ou se fantasmas realmente existem ou que você seja idiota e tenha me trazido para cá. O que importa é que passamos o dia dos namorados juntos, e bem, tirando a última hora, foi perfeito. – Conclui abrindo um sorriso para provar que eu não estava brava com ele, e de fato, era verdade.

Eu devia querer matar Dean naquele momento, eu devia estar querendo nunca mais olhar na cara daquele bendito depois dessa noite, mas eu não me sentia assim. Acho que o fato de Kate Morgan estar atrás de nós e o fato dela ter ficado sem o seu marido por cinco dias foi horrível demais para ela querer se matar, foi o bastante para que eu visse que não me importava em qual situação eu estava, eu não queria me separar de Blake de jeito nenhum. Tá, se matar, nunca será minha opção para acabar com a saudade, mas acho que todos entenderam que eu amava Dean e que não queria viver longe dele.

– Eu te amo! – Suspirou beijando minha mão e, quando eu ia retribuir senti uma brisa gelada tocar meu corpo e olhei para Dean assustada. Ela havia nos encontrado e aquele era nosso fim. Blake me olhou e fez sinal de silêncio, do qual eu não ousei desobedecer. Dean ergueu-se um pouco e olhou para os lados, depois fez sinal para eu o seguir e eu comecei a engatinhar pela cozinha atrás de Blake até a porta dos fundos e no momento que ela foi aberta, a atenção da morta voltou-se para nós dois e nós começamos a correr, mais uma vez.

Saímos para fora e eu vi a lua cheia iluminando o céu. E aquilo não era bom. Seguimos correndo entre os objetos espalhados pelo pátio do hotel até fazermos uma volta completa e chegarmos na parte do estacionamento, e sempre atrás de nós a morta Kate que nos seguia e parecia cada vez mais impaciente. Procuramos o nosso carro alugado e Dean tirou as chaves do bolso destrancando o carro que demoramos uns bons minutos para achar. Nós dois entramos no veiculo e nos trancamos lá dentro. Eu não sei se isso era algo bom, mas era o mais seguro que nosso psicológico podia acreditar. Dean ligou o carro e Kate apareceu na frente do carro deixando um rastro de sangue caindo pelos seus cabelos e tocando sua face e com a luz pálida da lua iluminando aquela mulher, ela parecia um daqueles demônios enviados, se é que não era isso mesmo.

– Liga o carro porra! – Gritei entrando em pânico mais uma vez com aquele sorriso da mulher e parece que meu grito despertou Dean e logo ele ligou o carro.

– Eu não posso atropelar ela, ela vai nos odiar para sempre. – Grita Dean para mim.

– Atropela de uma vez, ela tá morta! – Gritei e fiz o que não era aconselhado a fazer, empurrei o pé de Dean contra o acelerador e fomos para cima do fantasma e ela passou no meio de nós como se fosse apenas uma luz, mas eu me arrepiei completamente e senti vontade de chorar, e sem perceber, estava derramando lágrimas, mesmo depois de termos passado pelo fantasma.

Dean não parecia muito melhor que eu. Os dois estavam em choque, e procurávamos a saída daquele hotel miserável e quando passamos pelo portal, eu senti um grande alivio no coração. Eu ainda chorava, mas não era mais lágrimas de tristes, angustia e sofrimento, era lágrimas de alivio por me livrar daquele lugar. Pegamos a estrada alguns minutos depois, porque Blake sabia sair da cidade e nós dois nos mantivemos calados por um bom tempo nos recuperando dos momentos surreais que passamos.

– Aposta cancelada, certo? – Perguntou e eu afirmei mais do que rápido.

– E da próxima vez, eu que vou escolher os destinos de nossas viagens, ok? – Perguntei olhando para Dean e o vejo sorrir.

– Com toda a certeza! – Afirmou e eu sorri com aquilo.

E eu tinha certeza de que nenhum dos dois iria viajar por um longo tempo.

Notas finais
Então, o que acharam? Gostaram? Aguardo as opiniões de vocês. E digo que essa é a última one do dia dos namorados, porque eu planeja postar três, mas tirei uma que seria muito clichê e achei que todos estavam cansado de ler algo clichê. De qualquer forma, foi ótimo tê-los como leitores e até a próxima. Beijos. -> Esse hotel realmente existe e ele é o segundo hotel assombrado do mundo, conforme várias listas disponiveis na internet. A história de Kate é verdadeira, mas eu decidi contar a minha versão da história de como ela assombra, assim como os lugares do hotel que foram frutos de minha imaginação. -> Sob Medida: http://fanfiction.com.br/historia/360944/Sob_Medida/ Obs: Por favor, cliquem no “marcar este capítulo como lido”, apenas para eu ter controle de quantos dos duzentos e tantos leitores chegaram até o final e que leram o último capítulo. É simples e rápido. Obrigada, desde já.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!