Valentina
9 Capítulo 8
— Eu sei que você sente o mesmo que eu... — Guilhermo se aproximou de Valentina mais um passo. — Não quero que você me ache um atrevido e que não respeito sua opinião... — Mais um passo e seus corpos se tocariam. — Tudo que eu peço é uma chance pra que eu prove que estou certo... — Guilhermo estendeu as mãos e segurou o rosto de Valentina entre as mãos. — Um beijo, Valentina... — O polegar de Guilhermo correu pelos lábios da princesa. — Eu prometo que não me aproximarei mais com assuntos do coração caso não seja do seu agrado, caso eu esteja errado sobre seus sentimentos... — Guilhermo colou a testa na de Valentina, as bocas tão próximas que Valentina podia sentir a respiração quente de Guilhermo tocando-lhe os lábios. — Só me prometa que vai me dizer a verdade... — Guilhermo correu o braço pelas costas de Valentina fazendo seus corpos se tocarem. — Um beijo... um beijo, Valentina... — Guilhermo roçou os lábios dela com os seus e se afastou só o bastante para olhá-la nos olhos.
Aqueles olhos, Valentina não conseguia resistir aqueles olhos, mordeu o lábio inferior provando o sabor adocicado que o leve roçar dos lábios de Guilhermo havia deixado nos seus, ela não tinha como resistir, ela não tinha forças para resistir.
Um clarão lhe cruzou a mente afastando Guilhermo dela.
— Não! — Valentina estendeu os braços tentando segurá-lo.
— Bom dia, Alteza! — A voz de Hulda lhe atravessou os ouvidos como uma flecha a acordando de forma brusca, enquanto terminava de abrir as janelas do quarto.
— Me deixe dormir mais, Hulda! — Valentina cobriu a cabeça com o travesseiro. — E feche essa janela! A claridade! Acabe com essa claridade!
Hulda olhou assustada para a Princesa, nunca a ouvira falar naquele tom, algo entre irritado e desesperado.
— Alteza, está tudo bem? — Hulda se aproximou de Valentina, afastou o travesseiro de seu rosto e tocou-lhe a testa procurando algum sinal de febre. — A Princesa está quente e ruborizada, vou buscar o médico, me parece estar febril, Alteza.
— Não! Não é necessário! Só estou cansada! — Valentina puxou novamente o travesseiro sobre o rosto, precisava voltar ao sonho, aos braços de Guilhermo, ao adocicado sabor dos lábios dele...
— Alteza? — Hulda por mais uma vez puxou-lhe o travesseiro. — Está me deixando preocupada.
Valentina respirou fundo e abriu os olhos para encontrar dois pares de olhos castanhos arregalados a lhe olhar.
— Desculpe, Hulda, acho que a correria dos último dias com o preparativos para a chegada das comitivas me deixaram extremamente cansada. — Valentina sentou-se na cama e deixou escapar um suspiro contrariado. — Que horas são?
— O sol acabou de nascer, Alteza! — Hulda apontou para a janela aberta. — Seu cavalo já está pronto para o seu passeio matinal e seu desjejum já está na antessala.
— Obrigada, Hulda! — Valentina se levantou e caminhou até a antessala com a empregada atrás. — Vou comer algo leve, não é necessário me trazer o desjejum em meus aposentos essa semana. — Hulda a olhou curiosa. — Vovô pediu que eu estivesse a mesa essa semana, já que temos convidados.
— Claro, Alteza! — Hulda concordou enquanto servia uma porção generosa de chá. — E seu passeio?
— Agradeça ao Cavalariço e o avise que só sairei a passeio na parte da tarde. — Hulda concordou com um aceno de cabeça. — E o peça que prepare também dois puro sangues para os Príncipes, eles me acompanharão no passeio. — O cheio do chá chegou a Valentina, aquele cheiro... — E, Hulda?
— Pois não, Alteza.
— Esse chá, é diferente do que me costuma servir. — Valentina olhava a dama de companhia com curiosidade.
— Ah, sim, Alteza! — Hulda sorriu feliz. — Foi um oferecimento do Príncipe Felipo a nossa cozinha. Uma mistura de Canela, gengibre e limão. Dizem que é um revigorante poderoso, além de conter um cheiro maravilhoso.
— Sim, maravilhoso! — Os pensamentos de Valentina voaram para o sonho, para o quase beijo, para o suave roçar dos lábios de Guilhermo nos seus...
— Alteza! — Hulda lhe tirou mais uma vez de seus devaneios. — Está rubra novamente, tem certeza que não devo chamar o médico?
— Não, Hulda! — Valentina lhe disse controlando a impaciência que lhe tomava o corpo, não só pelas interrupções de Hulda, mas pela insistência de seus pensamentos correrem livremente em direção a Guilhermo em toda oportunidade. — Só acordei um pouco acalorada.
— Talvez um banho a ajude, Alteza, se desejar posso providenciar. — Hulda sugeriu prontamente a Valentina.
— Sim, Hulda, um banho, um banho seria perfeito. — Valentina concordou com Hulda que, com um sorriso feliz, se afastou em direção a porta da antessala.
— Sim, um banho quentinho! — Valentina suspirou. Um banho quentinho lhe relaxaria, um banho delicioso, como um abraço quente, quente como o abraço de Guilhermo. — Huldaaa!!! — Valentina chamou antes que a Dama de Companhia rompesse a porta. — Frio, um banho frio, eu diria gelado até.
— Alteza? — Hulda questionou Valentina sem entender as razões da princesa.
— Frio. É isso. Preciso de um banho frio, muito, frio! — Valentina insistiu para a contrariedade de Hulda.
— Pois não, Alteza.
Hulda fechou a porta da antessala e apoiou-se nela. Algo estava acontecendo com sua princesa, algo que alterara seu humor sempre tão estável, que a fazia mais introspectiva do que o normal e lhe instalara um rusga quase imperceptível em sua testa. Não deixaria que nada nem ninguém ferisse ou incomodasse sua Princesa, ela já perdera a chance de ver seu bebê tornar-se mulher e depois, quando conseguiu se aproximar, arrancara-na dela. Não, ela precisava proteger a sua princesa e o faria com unhas e dentes se fosse necessário. Usara de toda a sua força para poder estar ali com ela, vê-la crescer. Perdera seus poderes, mas ainda conhecia alguns truques e os colocaria em prática.
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