Valentina

12 Capítulo 11


Notas iniciais
A partir de hoje Valentina será postada aos sábados. Obrigada e desculpem o atraso.

— Valentina! — Rei Afonso passou o braço pelo ombro e sorriu. — Tá tudo bem? Você me parece meio distante hoje.

— Perdão, Majestade! Realmente estou distraída, não acontecerá novamente.

Rei Afonso agradecia, com um sorriso, o esforço de Valentina para que tudo tivesse ocorrido de forma perfeita naquela semana que passaram em Artena. Dizia que todos estavam felizes com suas atividades e ele, principalmente, estava feliz pela proximidade dela com Guilhermo.

— Espero ter boas notícias em breve. — Afonso sorriu mais uma vez e se afastou.

"Boas notícias em breve" Valentina segurou um suspiro. As boas notícias que Rei Afonso se referia era o anúncio do enlace dela com Guilhermo. Valentina apenas sorriu, mesmo que sua vontade fosse dizer em tom irônico "Espere sentado", mesmo tendo consciência que a já não achava tão difícil assim.

Desde que Guilhermo beijara Valentina, naquela noite após o passeio a cavalo, que qualquer oportunidade que tinham aproveitam para ficar juntos. Felipo os encobria de forma magistral, os três não se desgrudavam, na verdade os quatro, já que eram sempre acompanhados de Reinaldo, chefe da guarda Real de Lastrialha e "namorado" de Felipo.

Valentina suspirou ao lembrar-se da conversa com Felipo sobre quem seria sua melhor opção para casar, minutos antes dele contar a Guilhermo e a ela sobre suas escolhas pessoais.

"- Vocês dois são meus melhores amigos, a vocês sou capaz de confiar minha vida. — Valentina e Guilhermo se entreolharam preocupados. — Vocês sabem que eu jamais estaria concorrendo à posição de marido de alguém, né?

— Porque não Felipo? Você é um cara inteligente e o futuro Rei de Astrilha, você é uma opção muito vantajosa de marido de alguém. — Guilhermo dissera sério.

— Quieto, Guilhermo! — Valentina cutucara Guilhermo nas costelas. — Felipo, eu já imagino o que você tem pra nos contar, mas só o faça se realmente desejar. — Valentina completara se aproximando do amigo e o abraçando.

— Eu não gosto de mulheres. — Felipo dissera sério e Guilhermo começara a rir.

— Agora diga o que é, Felipo, não essa bobagem de não gostar de mulheres! — Guilhermo se contorcia e mais uma vez Valentina precisou cutuca-lo.

Não estou brincando, Guilhermo. — Guilhermo parara de rir imediatamente.

— Não? — A boca em forma de "O" não disfarçava o choque de Guilhermo.

— Não. — Valentina disse. — É claro que ele não está brincando. — Valentina se afastou do amigo para ver seu rosto. — Eu acho que sempre soube. — Falou segurando-lhe as mãos. — Mas a constante presença de Reinaldo me tirou as dúvidas, eu reparei nos seus olhares.

— Eu o amo, Valentina! — Felipo disse com os olhos entristecidos. — Mas é muito complicado.

— Como seus pais lidam com isso? — Guilhermo perguntou num tom realmente preocupado.

— Eu imagino que eles não saibam, já que estão na expectativa de quem Valentina vai escolher. — Felipo respondeu dando ombros. — Mas não acredito que aceitariam, mesmo sendo mais modernos que os pais de vocês, essa é uma condição “amaldiçoada”.

Pelo amor de Deus, Felipo, sua mãe é uma bruxa! — Valentina disse se exaltando.

— Eu sei. — Felipo sentou-se na grama e com um movimento de mão chamou Reinaldo para se aproximar. — Meu Rei conte o que aconteceu com Percival, por favor.

Reinaldo assentiu com a cabeça e contou sobre o assistente direto de Selena que havia sido flagrado dormindo junto com um dos cavalariços.

— Mesmo com a intervenção da Rainha, não houve jeito, Percival foi queimado na fogueira em praça pública, abraçado a seu amante, o povo gritava pela morte dos hereges, foi uma cena dantesca.

— Isso não vai acontecer a você nunca! — Guilhermo estava vermelho de raiva. — Você é um nobre de caráter, um herdeiro real. — Guilhermo se aproximou do amigo e o abraçou. — Eu jamais deixaria que o tocassem. Você está entendendo? — Felipo assentiu com lágrimas nos olhos. — Você é meu irmão, crescemos juntos, eu jamais deixaria nada lhe acontecer."

A partir dessa conversa, assim como Felipo encobria os encontros de Valentina e Guilhermo, ambos passaram a encobrir os encontros de Felipo e Reinaldo.

Quando questionados sobre a presença de Reinaldo, Valentina sempre respondia que se sentia mais segura com ele por perto e sorria ao complementar a resposta:

"- Não é possível confiar àqueles dois a nossa segurança. "

— Pensando em como vai aproveitar sua última noite com Guilhermo. — Felipo se aproximara a abraçando.

— Não exatamente. — Valentina sorrira, aliás, coisa que se tornara comum nos últimos dias.

— Se quiser umas dicas. — Felipo batera com o ombro em Valentina, provocando-a.

— Eu não vou dormir com Guilhermo, Felipo! — Valentina virou os olhos impaciente.

— E quem está falando em dormir! Pelo amor de Deus! Dormir é a última coisa que me passa pela cabeça. — Felipo gargalhava ao falar.

— Eu to falando sério, Felipo! — Valentina o apertou o braço.

— Eu também. — Felipo mudara o tom. — Você sabe que está apaixonada por ele. Você sabe que ele está apaixonado por você. — Valentina assentiu desanimada. — Você sabe que é quase impossíveis vocês fugirem do casamento. — Mais uma confirmação de Valentina. — Então pra que esperar? Ao menos, se ele for sexualmente fraco, você vai ter uma boa desculpa. — Apesar do tom de piada da última frase, Valentina sabia que Felipo falava sério. — A não ser que...

— Não! — Valentina quase gritou a resposta. — Não fizemos nada além de....

Valentina fechou os olhos, eles não haviam completado suas vontades, mas haviam se tocado intimamente e alcançado lugares que ela jamais imaginou possível.

— Nada além de... — Felipo se aproximou curioso.

— Ah! Você sabe. — Valentina baixou os olhos sem graça.

— Não sei. — Felipo respondeu aguardando uma resposta.

— Nós nos tocamos de forma mais intima. — Valentina respondeu bufando.

— Vocês se fizeram gozar? — Felipo ergueu a sobrancelha, quase incrédulo.

— É. — Valentina tentava resistir a insistência de Felipo, mas ele era bom em fazê-la falar.

— E você gostou, princesa? — Felipo sorriu safado.

Valentina apenas acenou com a cabeça em resposta.

— Valentina, acredita em mim, isso não é nem uma parte do que pode sentir. — Felipo se aproximou de seu ouvido e falou baixo. — Gozar com ele dentro de você é simplesmente estupendo, princesa!

— Felipo! — Valentina lhe deu um tapa no braço.

— Pela sua cara você já imaginou isso, né? — Felipo ria satisfeito com suas descobertas. — Ou quem sabe ele já passeou com os dedos nas profundezas de sua intimidade. — Valentina ficou vermelha ao ouvir Felipo falar. — Pelo visto já. E com a boca também? — O rubor de Valentina só aumentava. — Pelo amor de Deus, Valentina, o que falta pra vocês...

Felipo interrompeu a fala quando Guilhermo surgiu na porta do salão.

— Tudo bem por aqui? — Guilhermo perguntou desconfiado. — Vocês estavam discutindo? — Valentina negou com a cabeça, não conseguia falar, sua mente focada na lembrança dos toques íntimos de Guilhermo. — Por que você está corada, Valentina? — Guilhermo se aproximou e espalmou a mão nas costas de Valentina. — O que Felipo estava te dizendo pra você ficar assim já que não estavam discutindo.

— Eu? — Felipo fez cara de inocente. — Nada demais. Apenas dando um conselho do que...

— Felipo! — Valentina disse num fio de voz.

— Pelo amor de Deus, o fogo entre vocês é tão explicito. — Felipo revirou os olhos e sorriu. — Não sei como todos não notaram ainda. — Felipo se aproximou e beijou o rosto de Valentina. — É melhor vocês irem para o escritório do seu avô, Valentina, antes que incendeiem o salão.

Com uma gargalhada Felipo se afastou dando tchauzinho para Valentina e Guilhermo.

— Eu fico de guarda. — Felipo falou sumindo no corredor.

Valentina levantou os olhos para Guilhermo que a olhava confuso.

— Se não fosse Felipo aqui, eu acharia que vocês estavam fazendo algo mais íntimo. — A mão de Guilhermo alcançou a nunca de Valentina. — Me acompanha até o escritório?

Valentina negou com a cabeça e Guilhermo ergueu uma sobrancelha.

— Agora não! — Valentina se afastou um passo. — Mas te aguardo depois do jantar... — Valentina correu a própria mão pelo corpo e só parou a alguns centímetros de sua intimidade. — No meu quarto.

Guilhermo concordou com um sorriso bobo e observou Valentina sumir pelo corredor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.