Vale Da Lua
15 Sonho, meu Pesadelo
Notas iniciais
Caos. É isso que descreve a sala da minha casa nesse instante. Todos estão discutindo e o motivo sou eu. Minha mãe fica falando coisas como “A Annie também é uma princesa da Lua!” ou “Não vou deixar vocês matarem a minha filha!”, “Se vocês não pararem eu vou voltar para Londres, e com ela!”. Cato também me defende “Parem de arriscar a vida dela!”. Até Cashmere na verdade.
–- A Annie não! – Finnick discute com a minha mãe.
–- A Annie não pode ir atrás de um cavalo assassino, mas a minha filha pode! – ela responde perplexa.
–- Não é a Annie que tem um unicórnio... – Glimmer comenta.
–- AHH CALEM A BOCA – Katniss berra. – Deixem a droga do cavalo lá e vamos ficar aqui e fingir que nunca vimos ele.
–- Acontece, Katniss – Gloss começa a falar – que ele não vai ir embora, temos unicórnios aqui... Ou alguém doma ele ou a gente tenta a sorte e mata ele.
–- MATAR NÃO! – Annie finalmente se prenuncia.
–- Também sou contra matar – Enobária meio que rosna – Não sei se ele tem algo contra lobisomens.
–- Ou a Clove vai ou a gente mata – Johanna diz, nem havia notado sua presença.
–- Eu poderia ir...-- Madge diz baixinho.
–- Não Mad, ele vai te matar – Gale fala abraçando ela. Katniss lança um olhar como “HÁ! Eu sabia”.
A discursão continua por mais algum tempo, fico apenas observando o nightmare se mover, ele come um pouco de grama e por alguns instantes parece que ele está me olhando.
–- EU VOU! – Annie berra mais alto do que da última vez. Finnick engole em seco.
–- Olha o lado bom Finn – Enobária, sendo agradável com seu irmão – se ela não morrer vai ter um nightmare.
–- Que consolação – ele fale e revira os olhos.
–- Cinco da manha a gente começa – Gloss anuncia.
–- Porque não agora? – Peeta pergunta, ele assistiu a toda a discursão sentado no sofá.
–- Tenha calma pirata da perna de pau – Gloss fala rindo – vamos descansar.
***
–- Annie, Annie – Gloss explica a sua filha pela milésima vez – Você chega lá, fica a uns cinco passos dele, se ele se aproximar e deixar você acariciar ele pode tentar montar, se ele tentar de matar corre e grita que a Enobária se transforma e te salva.
–- Vai dar tudo certo com a Ann, pai? – Peeta pergunta, Gloss concorda com a cabeça.
–- Boa Sorte Annie – Digo a ela.
–- O-obrigada. – ela responde gaguejando.
–- Vai dar tudo certo Ann – Vez de Finnick falar.
Annie vai até a porta em passos curtos, e ela treme, não de frio, mas de medo. Agradeço a ela internamente por ir no meu lugar. Todos vamos até a porta, Enobária fica do lado de fora para se transformar caso necessário. Agora resta apenas eu, Finnick, Gloss, Cato e Gale. Goss mandou os outros para a janela.
–- Se ela morrer, eu mato você – Finnick fala ameaçadoramente para Gloss.
–- Isso não iria revive-la meu caro Finnick – ele fala triunfante – e mesmo que você tentasse não conseguiria me matar. – ele pensa um pouco – Se bem que sua consciência vai estar tão pesada que vai me matar e se isolar ou talvez..
–- Se ela morrer eu mato os dois, simples – respondo revirando os olhos e eles me olham incrédulos. – Calem a boca e olhem para a Annie.
Annie está a uns dois metros do nightmare e ela parece incapaz de dar mais um passo, o medo talvez a esteja afetando ou apenas eu sou assim. Pronto, cinco passos de distancia, o cavalo a encara. Ela fica estática, ela a encara por um momento e parece cheirar o ar, ele dá dois passos para trás e então bufa. Ela dá um passo para trás e os dois começam a correr, Annie corre para fugir e o nightmare para matar.
–- ENOBÁRIA! – Cato e Finnick gritam ao mesmo tempo, Gloss dá uma longa gargalhada.
Enobária se transforma e os quatro vão na direção do cavalo raivoso, mas ele os repele com o chifre e logo eles estão desacordados. Quando dou por mim novamente estou correndo na direção de Annie. A mesma acaba tropeçando e caindo, já está saindo um brilho vermelho do chifre do nightmare, pelo menos vou descobrir qual é a sensação de virar carvão, mas quando ele me vê ele apenas para e seus olhos faíscam.
–- Bom menino. – sussurro a ele.
O nightmare abaixa a cabeça e quase me toca com o chifre agora “apagado”. Ann murmura algo como “acaricia”. Passo a mão em sua crina, o cavalo relincha e se abaixa ao meu lado, consigo ver a cara de desespero da minha mãe do outro lado da janela. Bem, se sobreviver vou agradecer ao Gale e a Katniss por me ensinarem a montar. O cavalo começa a correr descontrolada mente em círculos jogando bolas de fogo. Os que estavam desmaiados começam a acordar e todos parecem atônitos de mais para me ajudar. Katniss corre para o estábulo e pega o seu cavalo, Buttercup. Eles estão vindo na minha direção quando uma bola de fogo atinge a sua perna.
–- Katniss, a garota em chamas! – Gloss berra, contendo uma gargalhada. Qual é a graça que o infeliz viu nisso?
–- Katniss! Tudo bem? – pergunto ainda tentando parar o nightmare.
–- Eu... Eu vou ficar! Agora pare esse cavalo! – Ela grita em resposta, como se eu não estivesse tentando fazer isso.
Depois de mais algumas corridas em círculo o cavalo finalmente para. Se abaixa novamente e eu desço.
–- Não faça isso de novo garotão – digo acariciando sua crina. Um brilho vermelho nos envolve a nos dois e desaparece.
–- Desculpe por isso... – Ouço uma voz falar.
–- Quem? Quem está ai? – pergunto com medo.
–- Apenas eu – o nightmare responde. – Sonhador.
–- Você... Você está falando comigo?
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