Vainglory

7 Capítulo 7




ilusão
i.lu.são
sf (lat illusione)1. Engano dos sentidos ou da inteligência;2. Errada interpretação de um fato ou de uma sensação; 3. O que dura pouco;4. Dolo, fraude;5. Traição.

Em dentro de alguns dias, todos já notaram que Thalia era, certamente, a mais bela de todas as servas de Casa do Tridente. Os meses passavam e todas as moças que a olhavam ficavam pasmas e envergonhadas de alguma maneira querer se comparar à moça de corpo escultural, cachos longos que eram constantemente presos pelo turbante azul como os olhos da jovem, que deixava o resto dos cabelos longuíssimos caírem pelas costas até a base de sua coluna. Como havia se oferecido par trabalhar nos jardins, ela usava roupas feitas de um tecido branco leve e decotado, e frequentemente o suor fazia com que seus seios ficassem proeminentes; homens servos e nobres hospedados no local a desejavam cada dia mais, e nas mulheres, Thalia despertava inveja das meninas até as senhoras. Ninguém sabia ao certo de aonde tinha vindo, e as especulações a respeito de sua origem eram das mais variadas opiniões: alguns achavam que ela havia sido escrava nas terras inexploradas do oeste, aonde reis do mediterrâneo usavam suas servas como prostitutas, portanto Thalia podia ter sido vendida a Perseu ou talvez, houvesse fugido das mãos de seu senhor. Outros já diziam que ela provavelmente era filha de uma mulher de programa, e após ter crescido sendo vítima de assaltos sexuais no bordel aonde nascera, procurara emprego na casa de maior poder em todo o reino naquele momento. A verdade era: a tranquilidade e sensualidade de Thalia faziam dela muito misteriosa, e ao mesmo tempo, tentadora. Alguns dos jovens trabalhadores do local já haviam tentado conquistá-la, mas Thalia, indiferente, os havia desprezado, esnobe, não se incomodando em dar nenhuma desculpa, não importava o quanto os homens a cortejassem e prometessem ser dignos.

Os rumores sobre a bela serva só chegara aos ouvidos de Perseu quando um de seus criados particulares comentara que até se atreviam a comparar a beleza de Thalia com a de Annabeth. Antes da agora esposa de Perseu chegar a Casa do Tridente, nenhum de seus moradores havia botado os olhos em tamanha beldade. Agora, alguns faziam apostas, dizendo que, se Perseu visse Thalia, nem mesmo a doçura e a quão belíssima e perfeita Annabeth parecesse – uma bonequinha de porcelana com seios, eles diziam – poderiam segurá-lo de querer tomar a serva como amante. Sentindo-se ferido por tamanhas acusações, Perseu mandou que chamassem Thalia para que ela o servisse por uma semana. Outros rumores já começaram, de que a serva seria mesmo uma prostituta, apesar dos empregados mais próximos de Perseu retrucarem que ele amava demais senhorita Annabeth para traí-la, ainda mais agora que ela carregava seu filho ou filha, o herdeiro da Casa do Tridente e quem sabe, do trono de todo o reino.

Em seus próprios aposentos e jogos de poder, Luke Castellan fora informado de que Perseu Jackson, enfurecido por tamanhos rumores acerca de Thalia Grace, havia a chamado para que o servisse de comida pela semana, e sorria como um homem entretido. Logo, não demoraria a que Thalia tentasse – e conseguisse, ele esperava – seduzi-lo. Quando Perseu finalmente a tomasse como amante, além de uma clara distração para ele, tirando parte de sua concentração da luta pelo trono, Annabeth cairia na depressão em Casa da Coruja ao receber as notícias de ninguém mais ninguém menos de sua nova serva, Silena Beauregard, que seria um ombro para chorar até que a moça grávida estivesse tão frágil que seria ainda mais fácil matá-la. Até lá, Perseu continuaria possuindo Thalia até que soubesse da morte de sua amada Annabeth, sentindo-se extremamente culpado por ter possuído outra mulher enquanto sua própria esposa teria sido brutalmente assassinada. Então, finalmente, ele teria perdido o seu precioso herdeiro e a mulher que amava. Cheio de raiva, não haveria sanidade o suficiente para que ele se preocupasse com o trono e nem tempo para que procurasse outra esposa, afinal de contas, ele amava muitíssimo Annabeth para substituí-la, porém, Luke contava com que Thalia realizasse seu plano perfeitamente... Se ela falhasse em conseguir um lugar na cama vazia de Perseu, ele mesmo trataria de matá-la, coisa que, na verdade, faria mais cedo ou mais tarde.

Thalia bateu hesitantemente na porta dos aposentos de Perseu, aonde ele se sentava perto da janela em sua vasta mesa de mármore escrevendo uma carta, aparentemente. Encontrava-se á em suas roupas de dormir, e parecia metade amuado, metade cansado. Esfregou as mãos no rosto enquanto Thalia observava o contorno dos músculos de suas costas, lambendo os lábios e ajeitando sua própria roupa apertada, apertando os mamilos entre os dedos para que ficassem duros ao ver o quão belo ele realmente era. Ouvira rumores, de como moças de todo o reino vieram para tentar desposá-lo, e como nenhuma delas fora suficiente para o seu grande orgulho... Exceto Annabeth Chase, tão bonita quanto.

- Entre. – Perseu disse, e Thalia sentiu-se arrepiando de medo. Sabia que se falhasse mais de uma vez, seu patrão não teria piedade.

- Com licença, senhor, sou a nova criada, Thalia Grace. – ela disse, curvando-se para mostrar respeito.

Perseu virou-se em sua cadeira, olhando para ela com indiferença. Não entendia porque falavam da quão bela ela era. Não viu graça alguma em seu corpo, seu rosto ou seu sorriso tímido, e mais uma vez não compreendeu porque atreviam-se a compará-la com Annabeth, sua linda, perfeita, meticulosa, suave, belíssima e inteligente Annabeth, sua esposa a quem amava mais do que qualquer indivíduo.

Thalia sentiu seu orgulho sendo esmagado quando Perseu a olhou dos pés à cabeça e não mostrou interesse algum. Ouviu histórias do quão gentil e amável ele era com os empregados, mas ela precisava de muito mais que isso. Sentiu o peso da desgraça em seus ombros, mas aproximou-se quando ele fez que sim. Levou a bandeja com o chá e as bolachas de nata até sua mesa, colocando dois cubos de açúcar na xícara, como fora instruída, servindo o creme em cima da bebida quente.

- Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você, senhor? – ela perguntou timidamente, seus olhos procurando desesperadamente nele algum sinal de desejo, mas não encontrou algum.

- Espere aqui, pode sentar-se na outra cadeira. Tenho de terminar essa carta, seria extremamente gentil se pudesse levá-la ao mensageiro para mim quando descesse. – Perseu disse com um sorriso, mas logo voltou-se a concentrar-se na sua escrita.

Thalia sentou-se na cadeira ao lado como ele pedira, suspirando. Luke havia dito que, se ele houvesse pedido para que ela se sentasse na poltrona cor de cereja ao lado da janela, ela teria dado um grande passo em direção à vitória, já que a poltrona era exclusivamente da senhorita Annabeth, mas agora era óbvio que ela não conseguiria tomar o lugar da moça. Sentia-se estúpida por ter aceitado a proposta de Luke, mas sabia que, se conseguisse, seu prêmio seria mais do que qualquer mulher poderia pedir por: Luke, sendo rei, a tomaria como sua rainha, e assim, ela seria ninguém mais ninguém menos do que a mulher mais poderosa do reino. Para que a outra criada, Silena pudesse assassinar Annabeth, uma grande parte do plano, ela tinha que, enfim, cumprir sua parte do plano. Era essencial.

- Aqui está. – Percy tirou-a de seus pensamentos, entregando a carta a ela. – Minha cera acabou... Se não abusar de sua paciência, a senhorita poderia colocar o selo da Casa para mim?

Ela fez que sim com um sorriso, curvando-se e saindo rapidamente.

Aproveitando a carta aberta que tinha nas mãos, Thalia dirigiu-se a um dos estábulos de Casa do Tridente, sabendo que ali teria privacidade. Sob a luz de uma lamparina meio acesa, ela leu a caligrafia perfeita de Perseu diversas vezes, tentando absorver o máximo de informações possíveis antes que tivesse que levar a correspondência ao mensageiro. Sabia que, se fosse pega, sua cabeça seria servida no jantar dos cães no dia seguinte. Se houvesse algo que Perseu não perdoava, era traição.

Criaturinha,

Dou início às minhas palavras humildes lhe contanto o óbvio: sinto sua falta imensamente. Deuses que me perdoem, mas boto toda a culpa nos ombros do falecido Charles – que os deuses o tenham – de que não pude passar muito tempo com você, como um marido digno faria. Prometi-lhe quando nos casamos que faria tudo para que fosse feliz, e assim será feito, sempre. Meu coração anseia pelo dia quando você voltará, daqui dentro de 5 meses, com o nosso filho ou filha em seus braços amorosos. Infelizmente, enquanto isso vivo sozinho, inundado nos assuntos do governo até o pescoço, rezando para que isto acabe logo para que voltemos a nossa vida usual. Mande-me notícias de Casa da Coruja e alivie o aperto do meu coração. Confio em você para que escolha um nome forte para nossa cria quando a hora chegar, e sei que irá.

Que os deuses a abençoem, e ao meu filho (ou filha).

Com todo o meu amor, sempre,

Percy.

Thalia franziu o cenho. Não havia informação interessante nenhuma, aliás, tamanha melosidade entre os amantes a fazia um pouco doente do estômago. Só não amassou a correspondência, pois temia por sua vida, e logo correu para entregá-la ao mensageiro, fazendo certeza de que a carta estava em perfeito estado.

~~~

- O bebê está chutando muito. – Annabeth reclamou, mas ainda assim, havia um sorriso nos seus lábios como sempre havia quando o herdeiro dentro de si se mexia ou fazia de sua existência clara. – Mas estou bem! – ela adicionou, desesperada, quando todos os criados começaram um novo pandemônio para colocarem mais travesseiros atrás de suas costas. As criadas ofereceram-lhe chá, que ela aceitou para que saíssem do seu quarto e a deixassem sozinha com o segurança que ficava atrás de sua porta. Sentia-se bem mais segura na solidão do quarto que havia dormido desde que nascera.

Suspirou, esfregando o rosto nas mãos – hábito que ela havia adquirido observando o marido – e rezando para que o bebê dentro de si não tardasse a chegar. Fazia cinco meses que ela o carregava em seu ventre e estava exausta. Se soubesse que ficar em Casa da Coruja era tão entediante, ela teria tomado providências mais cedo. Ela mal via seu velho pai, e sua irmã Maura só viera visitar uma vez com a sua filha, a sobrinha de Annabeth. O nome da pequena era Keira, e ela era bela, assim como a mãe – Maura tinha os olhos azuis de Frederick e os cabelos castanhos da mãe – mas Maura parecia demasiado triste. Havia se casado com um grande comerciante que não ficara nada satisfeito quando sua esposa dera a luz a uma menina. Annabeth sabia que essa era a triste verdade do reino em que viviam... Muitos homens contavam com um filho para que o legado das famílias prosseguisse forte, mas a jovem não compreendia como todos os machos do reino não podiam ser como o seu pai, que tinha duas filhas e as amava mais do que tudo, sempre querendo o melhor para as duas, não importava a situação... Ou como seu marido, que sempre fazia questão de dizê-la por meio das cartas o quanto ele não se importava com o sexo do bebê que carregava, e ela sentia-se extremamente grata por isso.

Mais tarde naquele dia, chamara a nova serva, Silena, e as duas sentaram-se ao pé do riacho principal de Casa da Coruja, o que cercava o castelo, o mais raso. Enfiaram os pés na água gelada enquanto Annabeth discutia alguns nomes para o seu filho.

- Tens filhos, Silena? – ela perguntou curiosa.

Surpreendentemente, a serva fez que sim.

- Um filho, senhorita. Um menino. – ela disse, com um sorriso pequeno nos lábios judiados e rachados.

- É? – Annabeth sorriu de orelha a orelha. – Deve ser belo como você. E qual é o nome dele?

Silena hesitou, sentindo pena de sua senhora por um momento. Ela era tão gentil, tão linda e tão carinhosa... Não merecia morrer, assim como o bebê que carregava dentro dela. Mas a menção de seu filho, Silena mais uma vez foi colocada em seu objetivo. Havia recebido uma carta de sua mãe, dizendo que o pequeno ficava mais doente a cada dia... Logo estaria cego. O reino nunca teria um rei bastardo e cego... Um inválido.

- O nome dele é Peter, senhorita. – Silena disse com outro sorriso, invejando os lábios rosados e macios de Annabeth, enquanto os dela eram quase negros de tão judiados e estuprados pelos maus cuidados. – Peter Beauregard.

- Um clássico. – Annabeth fez que sim, mexendo os pés na água e com uma das mãos na barriga. – Peter Beauregard. Um nome forte. Fez uma boa escolha, eu diria.

- Obrigada, senhorita. Eu também gosto. –Silena fez que sim, pensando no nome completo do filho. Peter Charles Beauregard... Um dia seria rei... Ah, seria.

- Não faço ideia de que nome darei ao meu filho... Ou filha. – Annabeth suspirou, acariciando a barriga novamente e sentindo um chute contra sua palma. – Não sou muito criativa.

- Minha mãe costumava dizer que, quando eu visse o rostinho de meu filho ou filha eu saberia que nome dar, e assim aconteceu. – Silena disse, ainda sentindo-se extremamente culpada, mas ainda assim sorrindo.

- É uma boa ideia... – Annabeth disse. – Digo que sua mãe é muito experta, assim como você. E se quando meu filho ou filha nascer ele ou ela ainda não tiver um nome graças a minha falta de criatividade... Deixarei que você escolha por mim, e acabe com as minhas dúvidas.

- Oh, senhorita. – Silena disse, a culpa atingindo seu coração com facas. – É uma honra... Não posso aceitar... Eu...

- Por favor. – Annabeth disse enquanto Silena a ajudava a se levantar. – Está decidido. Agora vamos subir... Só mais algumas semanas e eu conhecerei o futuro herdeiro de Casa do Tridente... O pensamento me assusta e –

Silena não escutou o resto das palavras de Annabeth, apenas pensou no punhal afiado debaixo de seu travesseiro na casa dos empregados. É hoje, ela pensou decidida e sem sentimento ruim algum.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Reviews??
PS. Próximo capítulo conhecemos a/o Percabeth baby! AE